quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Não quero partir

Se quero partir
sopra-me à nuca
o vento norte
minuano fresco
de livre calor.
Se quero partir
à mente me vem
tuas pastas
teus estudos
os protestos teus.
E não quero partir...



18.11.09 - 23h19min

domingo, 15 de novembro de 2009

Poetar

Fazer versos é postar construções d'alma
desfazer os monstros em rimas
afrontar a imagem de costas
contar os dias com cantigas de ninar.
Fazer versos é modelar a lua
escalar montanhas de tremores
abdicar do próprio espaço
assumir os pés descalços
eclipsar  a alegria
poetar...





15.11.09 - 14h07min

Bem querer

Se houvesse medida
eu te diria
que é esta
e assim seria
a forma precisa
do quanto te quero.
Se houvesse...




15.11.09 - 14h02min

Caos

Tomo nota de restos de antigos versos
que não cheguei a escrever
na tábua rasa do meu quarto vazio
nas asas de aleijados querubins.
Resgato passos em falso
falseio indicações precisas
das quais desconfio, não sei por que.
Encontro desatinos e intervalos
mergulhados nas fendas escuras da dúvida
de tudo o que ficou suspenso
do que nunca foi esclarecido
nem o será.
Retiro minhas migalhas de estrelas
das frestas do telhado de vidro
quebrado pela nota aguda mais alta
saída da garganta do tempo
que eu cansei de destruir.
Nego a luz da ribalta
arremesso balões no meio do caos
cascalhos de assuntos quebrados
entornos de espelhos sem fios.
Descanso na rede
esqueço a hora e a melodia.
Desisto da tarde
por ser cedo
ou por não haver mais...
Recomeço.




15.11.09 - 13h57min

Milagre

Jurei meus dedos oprimidos
juntei-me às turbas
investi meus diários
às folhas vazias
de estreitas linhas tortas.
Não fui única nem mágica.
Não fui coroa nem reza nem canção.
Nasci no riso da lua
no coachar de um sapo rebelde
na alegria do óleo sagrado.
Assumi a chuva de pétalas brancas
converti meus escritos em testamento
cerrei as pálpebras.
Cri.







Aos 7 segundos do dia 14.11.09

sábado, 14 de novembro de 2009

Pra valer

Às vezes se fala
outras se cala
nem sempre se consente
nem sempre se entende
nem sempre é sempre ou nada.
Às vezes é tudo
outras é pele
nem sempre é sangue
nem sempre é sede
nem sempre é céu.
Às vezes é exato
outras é demência
nem sempre é tempo
nem sempre é raso
nem sempre é mundo.
Às vezes é dor
outras é pensamento
nem sempre é razão
nem sempre é rasgo
nem sempre é fundo.
Às vezes é temperatura
outras é escolha
nem sempre é corrida
nem sempre é luta
nem sempre é solução.
Às vezes é vida
outras é literatura
nem sempre é existência
nem sempre é velocidade
nem sempre é pista molhada
aventura
ou ilusão...





14.11.09 - 23h
Às vezes é pra sempre.
Essa vez é pra valer...

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Pequeno Príncipe

Não é um livro
é uma pessoa
e não é qualquer
não é pequeno
nem é príncipe;
é mais...

Não responde,
pergunta
e exige resposta imediata.
Não pergunta
e exige resposta imediata.
Não exige
tem imediata resposta.
A única possível:
SIM.






13.11.09 - 03h17min

Companhia

Dispenso as respostas e as perguntas
quando tua vez me alcança
sem licença ou pedido qualquer.
Se passeio por aqui ou a...qui
é por essa razão fora das convenções todas
(essas mesmas que te disse detestar)
e que te inclui, meio que à revelia.

Revelaria todas as minhas intenções
se isso não me custasse a tua companhia
que me sustenta sobre meus pés
e estes sobre essa terra fria:
firme e forte
e, principalmente, conTIgo
pelo que for.








13.11.09 - 03h03min

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Vício

Palavra  é vício
cultivado alegremente.
Planta regada religiosamente
pra não perder os acentos
os tremas e as tremedeiras
provocadas pelos tons
pelos tonéis
pelos tamanhos
das letras e dos sentidos
experimenta(menta)dos
na ponta
dos dedos
dos olhos
das línguas...



12.11.09 - 21h22min

Sim (não?)

Algumas coisas são mais simples
que qualquer explicação possível
resumem-se a um curto SIM
ou, talvez, outras e muitas vezes,
a um questionável definitivo NÃO.
Algumas sangram doces suores
outras mascaram dissabores
pisam cascalhos de gelatinas
cospem fagulhas de flores.
São pétalas guardadas de lágrimas ditas
ou restos de folhas rasgadas
fotografias esquecidas
em gavetas de móveis desenhados.
São roupas coloridas
e afetos necessários bem servidos
em bandejas de prata reluz-ente
pela espera prometida
crida
um dia alcançada
(talvez).
Algumas coisas são SIM
as outras, todas....






também....








12.11.09 - meio dia
SIM ( "...não?")

Voejar

Voo a pé
talvez chegue mais tarde
mais devagar
mais cansada;
talvez, às vezes,
desista,
e volte atrás
na nuvem da rua 2003.

Voo a pé
faço bolhas
e machucados
nas plantas dos caminhos
entre os dedos das ruas
que trilho, na pressa
de chegar onde não sei.

Voo a pé
e não presto atenção
se ao meu lado seguem
cegos ou videntes astutos;
meu desejo é alcançar o destino
pintado na pedra da vida
antes mesmo d'eu nascer.

Voo a pé
sem asas ou bengalas
de hastes de bandeiras e margaridas brancas
sem diferença alguma entre umas e outras
ou entre os dentes e os ossos das pernas nuas
debaixo do lençol de soft
qu'inda não tirei da cama deste persistente inverno.

Voo a pé
sou som
imagem e lembrança
no meio de uma tarde qualquer
ou numa madrugada afinada
de um reflexo iluminado
por um par de jovens sobrancelhas negras.

Voo a pé
encerro o dia
cerro a cortina
assino a obra.






Aos 9 segundos do dia 12.11.09
Um voo raso
por um meio sorriso teu...

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Tu

Mãos estendidas sobre o cetim avermelhado
ventos esticados sob o tapete aveludado
dias desiguais, sem sombras ou dúvidas
inesperados afagos de rastros no meio de uma tarde qualquer.
Hoje.

Algodões embrulhados na areia do tempo.

Não conto as horas nem as partilhas
muito menos antecipo sonhos amassados.
Cozinho as porções de alegrias no calor do corpo
que te doo sem reservas,
invólucro da alma que a ti pertence há tempos.

Se forem opiniões conjuntas
ou compartilhados méis
que sejam...




11.11.09 - 23h09min

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Poesia




Em 07.11.09; mais que só uma visita: POESIA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!



09.11.09 - 22h21min

Pintura

Voam pétalas de lembranças
nos ventos das corças
amarradas à chuva de nuvens suspeitas.
Circulam querubins e quebrantos
nas claras campinas de velas
nas peles das virgens calmas:
chamas de melodias extintas. Sutís.
Banham livres os raios de escaldante calor
remexendo as marés e os amores
de faunos e freiras, mortificados de pudor.
Embriagados de familiares escolhas
cortam universos barbeados de encantos
e flores azuis, festivas guirlandas avessas.

Cá comigo, entorno o caldo da vida
entrego as algemas e os anéis que nunca usei
abro as comportas de vibrações escuras
observo papéis picados aos montes
e absorvo a linha sem sentido
que devora os índices enjaulados
e beija a canção presa na garganta.

Cá comigo, entorto a manhã
devolvo as explicações que não tenho
invento uma nova forma de beijo
e castigo a linha do sentido.

Delicada sensação de vidro fosco
na embaçada fúria suspensa...





09.11.09 - 21h24min

domingo, 8 de novembro de 2009

Havido

DIANTE DO MURO
A PORTA NÃO BATE
O PULSO DO AR NÃO TRANÇA
A CRIANÇA NÃO ESPERNEIA
E O TRATO NÃO TRANCA.
DIANTE DO MURO
O PARTO É À PARTE
E OS PROTESTOS ESPREITAM
AS ESTREITAS LETRAS PARES...

TODAS AS PARTICULARIDADES
JÁ TENDO HAVIDO...


Aos 23 segundos do dia 08.11.09

Arte



A arte nos absolve
dos nossos próprios desejos
das vezes que não contamos
quantos sopros tem um começo
ou quantos começos tem um SIM.
A arte nos desobriga
dos desertos e das paciências
das tantas vorazes promessas feitas
e das outras tantas quase cumpridas
por não dependerem quase da gente.
A arte é grão de areia colado
em pingo de chuva impertinente;
um verso, um feto, uma dúvida,
um nome, um vento, um fato, um líquido,
uma porta, uma saída, um caso,
uma escolha, um encontro, uma linha,
uma obra, um veneno, uma folha em branco.

Uma folha,
um branco,
um dia...


A arte é um dia...




No primeiro segundo do dia 08.11.09

sábado, 7 de novembro de 2009

ParTIcularidades

Imagino as sendas

por onde plantas as plantas dos teus pés

nas tuas corridas.

Apresento construções interiores

aos meus outros 'eus'

e eles não reconhecem nada

além dos teus traços,

os rastros que te seguem

e arrastam meus versos

por conta própria

e livre e alegre vontade.

Não sou dona de mim:

emprestei minhas verdades

aos teus 'is'

que permeiam os grãos de arroz

no meio do teu prato branco.

Ninguém mais com teu sotaque

ou teu jeito de calcular um pé após o outro

como se desse único passo

dependesse todo o teu futuro.

Ninguém mais com tuas histórias

ou teu riso de menos da metade de tudo

ou tua lista de livros preferidos,

tuas escolhas vegetais,

teus filmes, canções e formas.

Ninguém mais com teu suspeitado gosto,

teus gestos contidos,

teus mistérios, tuas exigências.

Ninguém mais com tua exclusividade

ou tua presença continuada.

Ninguém mais com tuas cobranças,

interferências, provocações.

Ninguém com tua fartura

ou com teus propósitos,

tuas intenções,

teus fins de semana,

teus telhados, teus esportes,

teus tratados, conhecimentos, compromissos,

teses, des-crenças, dúvidas,

inícios ou coragens.

Ninguém mais a TI repetir.

Ninguém mais...

em mim...







21.10.09 - 17h07min

Acontecências




Consciências
consequências
insolências
sonolências
insistências
desistências
solvências
advertências
reticências...



Aos 12 minutos, das 23 horas, do dia 07 de novembro de 2009


terça-feira, 20 de outubro de 2009

Promessa

Nenhuma outra postagem,
em nenhum dos meus blogs,
até que.... ACONTEÇA!
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20.10.09 - 23h

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Cá entre nós

Ao pé do ouvido
nessa noite fria te conto:
descobri não sem medo
que a alegria é maior
e muito mais bonita
que a felicidade.
A primeira é calma
traz meio sorriso
e dura uma vida inteira
inda que uma lágrima
bochecha abaixo role
de quando em vez
ou de vez em sempre;
a segunda é gargalhada
faz barulho e preenche
todos os espaços em branco
mas dilui-se entre os dedos
e se perde nas luzes
ou nas vertigens
por ela mesma provocadas.
Sempre haverá
quem de mim discorde.
Não faz mal, não.
O que valor tem de fato
é que se busque
com cuidado e paciência
essa coisa que sentido
dá à vida
e aos olhos, brilho.
O resto
é consequência...
14.10.2009 - 20h55min