Sou tudo e mais um pouco.
Além do que se pode entender.
Aquém de quem eu gostaria de ser.
Sou prata da casa e
casaca virada no quintal deserto.
Sou esposa e amante.
Sou espinho e razão.
Sou nada e menos um pouco.
Alimento de fera
e ferida exposta de verão.
Sou voz presa na garganta
e garganta seca
pendurada no cabide do dia
inda não nascido
sem a menor previsão.
Sou ponta de iceberg
e oceano revolto
bem no meio de florestas tropicais.
Sou neve e sorvete de uva.
Sou folha de plátano
voejante de amareladas resistências.
Sou o que nunca pensei
penso quem nunca fui
e talvez quem jamais serei.
Sou a repetição da imagem perdida
e a perdição na esquina de luz
que o sol acendeu
depois de ascender a alma
nas conchas das mãos do amor.
Sou eu e ninguém mais além de mim
na caixa que eu chamo de corpo
e que abriga dentro
misturados a tudo o que vivi
minha filha e meu homem
desde antes
e pra muito além
de tudo o que existe
e de tudo o que haverá de ser.
29.05.2010 - 16h
*Da Série SOBRE QUEM SOU
sábado, 29 de maio de 2010
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Ex-vi*
*Por força, por efeito, por determinação expressa.
das preocupações de ontem
cortina transparente de imprevistos
as possibilidades invadem a ruga da testa
e plantam planos de orvalho
nas sementes do amanhã.
Considero inoportunas minhas contradições
e impressões de assuntos aleatórios
substituo as feridas antigas
pelo sorriso do alívio presente.
Por força do destino
encontro teu sotaque
e a tormenta termina.
Alimento.
28.05.2010 - 22h
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Eric Clapton
http://www.youtube.com/watch?v=bt2qBm4qS4w
'...want you to be my forever woman,
and I´ll try to be your forever man...'
26.05.2010 - 02h
Para 'Florentino Ariza'
* foto copiada do seguinte endereço
http://seocraudio.files.wordpress.com/2008/05/deuses-da-guitarra-capa.jpg
terça-feira, 25 de maio de 2010
Consummatum est
Nas contas dos olhos
trago duas bolas de cristal
uma me lembra o passado
as duras penas que aprendi
e o mais sutil sinal
de que tudo anda bem
ou de que algo vai muito mal.
A outra prevê o futuro
com base na que do lado de cá, vê.
E é supreendente como
se encaixam na mesma linha
os fios da tênue fumaça lilás.
E é compreensível que eu evite
de quando em vez
de vez em quase sempre
entender o que já é certo
que irá acontecer.
Um olho me mostra o que já houve
o outro, o momento repetido.
Cordão diferente
no mesmo abismo
caído.
Um olho sabe como tudo termina.
Conhece o começo
identifica os primeiros presságios
sabe onde cada passo vai dar.
O outro finge que não percebe
a asa se desprender
o fio das entrelinhas se arrebentar.
Meus olhos sabem
o que o fogo não queima
o que é impossível salvar.
O olho do futuro
baseado no olho direito
espera o momento certeiro
pra tristeza suportar.
25.05.2010 - 03h25min
trago duas bolas de cristal
uma me lembra o passado
as duras penas que aprendi
e o mais sutil sinal
de que tudo anda bem
ou de que algo vai muito mal.
A outra prevê o futuro
com base na que do lado de cá, vê.
E é supreendente como
se encaixam na mesma linha
os fios da tênue fumaça lilás.
E é compreensível que eu evite
de quando em vez
de vez em quase sempre
entender o que já é certo
que irá acontecer.
Um olho me mostra o que já houve
o outro, o momento repetido.
Cordão diferente
no mesmo abismo
caído.
Um olho sabe como tudo termina.
Conhece o começo
identifica os primeiros presságios
sabe onde cada passo vai dar.
O outro finge que não percebe
a asa se desprender
o fio das entrelinhas se arrebentar.
Meus olhos sabem
o que o fogo não queima
o que é impossível salvar.
O olho do futuro
baseado no olho direito
espera o momento certeiro
pra tristeza suportar.
(Até lá
nenhuma dúvida.
Tudo azul.
Pari passu.
Se o amanhã
a Deus pertence
que sirva pra eu entender
que consumado está...)
que consumado está...)
25.05.2010 - 03h25min
domingo, 23 de maio de 2010
'E hoje é outro dia'*
Ontem falei de ciência e tecnologia
de acessibilidade, de sexo e poesia.
Falei de saudade e de justiça
de destino, de religião e de feitiço
fui fã e entusiasta da sabedoria.
Entendi que não é a noite que vai embora
mas o sol que se aproxima.
Desejei que algumas coisas voltassem
e agradeci por outras eu ter perdido
ou sequer terem sido minhas.
Ontem eu ri com vontade
não tive sono nem fadiga.
Jamais imaginei que da vida
de um futuro Prêmio Nobel
eu participaria.
Ontem nenhum céu foi limite
e as frases feitas, sempre repetidas,
perderam o efeito e foram substituídas.
A Idade Média mandou um aceno
e os anos idos algumas coisas esclareceram.
Ontem comi aspargos
dancei flamenco
misturei idades, cores e sentimentos
fui guria, messalina e confidente
fui amiga e dançarina de cabaret
com um tango preso aos meus pés.
Mas isso foi ontem...
E hoje...
já é outro dia....
23.05.2010 - 14h10min
Eu amo tudo o que foi
tudo o que já não é
a dor que já não me dói
a antiga e errônea fé
o ontem que dor deixou
e o que deixou alegria
só porque foi e voou
e hoje já é outro dia.
(Fernando Pessoa)
Modo de vida
Poetar é dolorido ofício
maior que o mais torturante vício
o olhar poeta em tudo vê
tridimensionais versos
que ele precisa escrever.
A ciência é um motivo
a risada, outro bom
o prazer, a tristeza, a solidão
a História, talvez,
tudo dança em versos soltos
não importa se com ou sem conexão.
O alquímico olhar do poeta
transforma absolutamente tudo
em douradas e ritmadas bolhas de sabão.
23.05.2010 - 13h15min
maior que o mais torturante vício
o olhar poeta em tudo vê
tridimensionais versos
que ele precisa escrever.
A ciência é um motivo
a risada, outro bom
o prazer, a tristeza, a solidão
a História, talvez,
tudo dança em versos soltos
não importa se com ou sem conexão.
O alquímico olhar do poeta
transforma absolutamente tudo
em douradas e ritmadas bolhas de sabão.
23.05.2010 - 13h15min
sábado, 22 de maio de 2010
Noturna
N'algum lugar eu li
e assim estava escrito
'você não pode perder
o que nunca foi seu'
vai ver por isso não durmo
o sono é a conquista diária
de todos quantos pertencem a este mundo
eu, nem deste nem d'outros,
órfã direta de minha própria existência
a noite não embala meus sonhos
nem pré requisito é
para meu merecido descanso.
É nas asas da manhã
que acomodo a cabeça
vazia, então, de tudo o que penso
ou pensa ou realiza, uma terceira
que não eu mesma, que me habita.
O sono da noite eu não tenho.
Nunca foi meu.
Talvez nunca o seja.
22.05.2010 - 03h44min
e assim estava escrito
'você não pode perder
o que nunca foi seu'
vai ver por isso não durmo
o sono é a conquista diária
de todos quantos pertencem a este mundo
eu, nem deste nem d'outros,
órfã direta de minha própria existência
a noite não embala meus sonhos
nem pré requisito é
para meu merecido descanso.
É nas asas da manhã
que acomodo a cabeça
vazia, então, de tudo o que penso
ou pensa ou realiza, uma terceira
que não eu mesma, que me habita.
O sono da noite eu não tenho.
Nunca foi meu.
Talvez nunca o seja.
22.05.2010 - 03h44min
Sobre quem ainda sou...
Eu sou o caos
e o cais do porto vazio de quinquilharias.
Eu sou o grito preso na garganta
e a garganta da serpente sedenta de sangue.
Eu sou o que ontem não fui
e o que o amanhã me reserva
nas tavernas desertas d'outros tempos idos.
Eu sou naufrágio e solstício.
Sou o que de mim não dizem
e o que de mim escondo
nas vielas sortidas de bêbados e prostitutas.
Eu sou letra rabiscada
em guardanapo de bar ordinário
e olho de vidro na vidraça da soleira da porta fechada.
Eu sou vertente de inconfessáveis desejos
e pulgas e percevejos na pele da vida.
Eu sou o que incomoda e o que acomoda
a lente de contato em primeiro grau
da queimadura que o fogo não fez
mas que deixou marcas
antes de desaparecer.
Eu sou o que não se explica
muito menos o que se assume
ou o que se espreita por trás das janelas fechadas.
Eu sou solidão desde que nasci
e assim serei até morrer.
Inteira.
22.05.2010 - 03h15min
e o cais do porto vazio de quinquilharias.
Eu sou o grito preso na garganta
e a garganta da serpente sedenta de sangue.
Eu sou o que ontem não fui
e o que o amanhã me reserva
nas tavernas desertas d'outros tempos idos.
Eu sou naufrágio e solstício.
Sou o que de mim não dizem
e o que de mim escondo
nas vielas sortidas de bêbados e prostitutas.
Eu sou letra rabiscada
em guardanapo de bar ordinário
e olho de vidro na vidraça da soleira da porta fechada.
Eu sou vertente de inconfessáveis desejos
e pulgas e percevejos na pele da vida.
Eu sou o que incomoda e o que acomoda
a lente de contato em primeiro grau
da queimadura que o fogo não fez
mas que deixou marcas
antes de desaparecer.
Eu sou o que não se explica
muito menos o que se assume
ou o que se espreita por trás das janelas fechadas.
Eu sou solidão desde que nasci
e assim serei até morrer.
Inteira.
22.05.2010 - 03h15min
Atitude
Escrevo no escuro
no meio da noite que devora
a luz dos meus olhos acesos.
Escrevo à caneta
na agenda vazia de segredos.
Risco as letras que não me cabem
e os pensamentos que me assaltam
são meio confusos
facas quebradas ao meio
que cortam os malabares
que eu não uso.
Escrevo pra espantar a insônia
mas ela me sacode
e me obriga a dividir com ela
meus mais fortes sustos.
Escrevo meu livro da vida
quando já ninguém me ouve
nas horas silenciosas de ontem
de hoje, de amanhã, de depois de amanhã,
quando tudo já é diferente
quando a dor do parto
já está esquecida.
Escrevo do jeito antigo
revisando as pronúncias
revistando as gavetas
revisitando os fantasmas
presos nas garrafas de sorvete.
Escrevo os ventos outonais.
Divido comigo mesma
os direitos autorais
quando me leio
à luz do dia que eu começar.
Então boas-vindas dou ao sono.
E escrevo.
Dormito.
22.05.2010 - 02h34min
no meio da noite que devora
a luz dos meus olhos acesos.
Escrevo à caneta
na agenda vazia de segredos.
Risco as letras que não me cabem
e os pensamentos que me assaltam
são meio confusos
facas quebradas ao meio
que cortam os malabares
que eu não uso.
Escrevo pra espantar a insônia
mas ela me sacode
e me obriga a dividir com ela
meus mais fortes sustos.
Escrevo meu livro da vida
quando já ninguém me ouve
nas horas silenciosas de ontem
de hoje, de amanhã, de depois de amanhã,
quando tudo já é diferente
quando a dor do parto
já está esquecida.
Escrevo do jeito antigo
revisando as pronúncias
revistando as gavetas
revisitando os fantasmas
presos nas garrafas de sorvete.
Escrevo os ventos outonais.
Divido comigo mesma
os direitos autorais
quando me leio
à luz do dia que eu começar.
Então boas-vindas dou ao sono.
E escrevo.
Dormito.
22.05.2010 - 02h34min
Fé
Acredito na cura de todos os males
e no poder de destruição dos males
e na permanência do mal.
Acredito no poder de transformação do amor
e na capacidade de amar
e na continuidade do sentimento puro
por mais que isso pareça impossível.
Acredito no resgate da esperança
ainda que haja milhares de desesperados
e milhões de motivos para desistir.
Acredito em milagres.
Acredito no fôlego que nasce todos os dias
seja em que condições forem
mesmo que só a morte o rodeie.
Acredito na amizade.
Essa mesma cheia de defeitos e dificuldades.
Essa mesma manchada de impertinências e dores.
Acredito na vida.
22.05.2010 - 01h18min
e no poder de destruição dos males
e na permanência do mal.
Acredito no poder de transformação do amor
e na capacidade de amar
e na continuidade do sentimento puro
por mais que isso pareça impossível.
Acredito no resgate da esperança
ainda que haja milhares de desesperados
e milhões de motivos para desistir.
Acredito em milagres.
Acredito no fôlego que nasce todos os dias
seja em que condições forem
mesmo que só a morte o rodeie.
Acredito na amizade.
Essa mesma cheia de defeitos e dificuldades.
Essa mesma manchada de impertinências e dores.
Acredito na vida.
22.05.2010 - 01h18min
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Ainda
Quanto tempo ainda
antes que a acidez facilite
a flacidez dos sentidos?
Quanto tempo ainda
té que que se salvem
os restos dos imortais
pendurados nas paredes
da biblioteca vazia?
Quanto tempo ainda
antes que as funestas previsões
destruam os degraus de votos
de saúde permanente e deslizes?
21.05.2010 - 05h51min
antes que a acidez facilite
a flacidez dos sentidos?
Quanto tempo ainda
té que que se salvem
os restos dos imortais
pendurados nas paredes
da biblioteca vazia?
Quanto tempo ainda
antes que as funestas previsões
destruam os degraus de votos
de saúde permanente e deslizes?
21.05.2010 - 05h51min
Sandice
Movo as peças que me cabem
como se outra eu fosse
me vendo de fora de mim.
Falta-me o limite
do que sobra no absurdo.
Os pensamentos nascem sozinhos
fertilizados por uma gota de veneno.
A morte seria um bom argumento
não fosse a força da vida
que me obriga a furtar o instante
das mãos da insone noite tida.
Arranjo um outro intervalo
intercalo períodos delirantes
de puro fastio e demência.
Ensandeço-me.
21.05.2010 - 5h28min
como se outra eu fosse
me vendo de fora de mim.
Falta-me o limite
do que sobra no absurdo.
Os pensamentos nascem sozinhos
fertilizados por uma gota de veneno.
A morte seria um bom argumento
não fosse a força da vida
que me obriga a furtar o instante
das mãos da insone noite tida.
Arranjo um outro intervalo
intercalo períodos delirantes
de puro fastio e demência.
Ensandeço-me.
21.05.2010 - 5h28min
Trajetória
Apimento o prato da vida
não quero passar por ela
molhada só de açúcar e café.
Quero a umidade desmedida
o frio do fio da navalha
na ponta da minha língua
o feixe de nervos expostos
na planta do prazo pendurado
na porta do quarto à meia luz.
Insone
vagueio meus olhos cansados
pelos espinhos das horas
exaustas de pele e delírio
corroidas de panos crus.
Cerro as janelas e encerro as penas
aponto e qualifico o desafio
apronto os lençóis e os perfumes
afronto os costumes.
Ensandeço.
21.05.2010 - 01h49min
não quero passar por ela
molhada só de açúcar e café.
Quero a umidade desmedida
o frio do fio da navalha
na ponta da minha língua
o feixe de nervos expostos
na planta do prazo pendurado
na porta do quarto à meia luz.
Insone
vagueio meus olhos cansados
pelos espinhos das horas
exaustas de pele e delírio
corroidas de panos crus.
Cerro as janelas e encerro as penas
aponto e qualifico o desafio
apronto os lençóis e os perfumes
afronto os costumes.
Ensandeço.
21.05.2010 - 01h49min
Conjectura
Se for poesia isso que meus olhos buscam
inocentarei minha inquieta natureza
comprarei álbuns de flores
e forrarei o horizonte de suspiros mudos.
Se for arte isso que meu sonho desenha
dançarei um tango em Roma
garimparei rolos de maçã nos pátios de Paris
e enrolarei grampos de cabelo nas páginas da vida.
Se for concordância isso que professa meu lábio
beijarei três quartos da árvore de outono
soprarei bolhas de sabão nas inexistências
construirei assinaturas de paredes de espuma.
Se for vida isso que atropela as horas
pintarei os contornos do corpo espectral
esquecerei as estrelas de sal molhadas
nascerei renovada no dia seguinte de depois de amanhã.
Se não for
.
.
.
perdoarei meu erro
mergulharei na sombra
e
nascerei renovada
no dia seguinte
de depois
de depois
de depois
de amanhã...
21.05.2010 - 01h22min
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Medição
Procuro o vocábulo exato
que defina a medição única
do que já não cabe em mim.
O idioma não importa
nem a dificuldade de pronúncia
ou o número de sílabas expostas
carne viva no face a face
de nós dois.
Invoco os dicionários de rimas
e enredo-me nas teias do instante
feitio de feltro e sensação.
Empacoto os conceitos
inverto as consequências
crio alternativas que não são.
Engravido do vocábulo
despido de previsões absurdas.
Absolvo as expectativas
e resolvo a questão -
o vocábulo já existe
teu nome,
envolto em papel de seda e ouro
a medida exata da minha paixão.
Aos 57 minutos do dia 19.05.2010
Onde vá
Onde quer que vá
Leva o coração feliz
Toca a flauta da alegria
Como doce menestrel
Onde vá
Onde quer que eu vá
Vou estar de olho atento
À tua menor tristeza
Pôr no teu sorriso o mel.
Onde vá
Vá para ser estrela
As coisas se transformam
E isso não é bom nem mal
e onde quer que eu esteja
O nosso amor tem brilho
vou ver o teu sinal.
POR BRILHO - Oswaldo Montenegro
que defina a medição única
do que já não cabe em mim.
O idioma não importa
nem a dificuldade de pronúncia
ou o número de sílabas expostas
carne viva no face a face
de nós dois.
Invoco os dicionários de rimas
e enredo-me nas teias do instante
feitio de feltro e sensação.
Empacoto os conceitos
inverto as consequências
crio alternativas que não são.
Engravido do vocábulo
despido de previsões absurdas.
Absolvo as expectativas
e resolvo a questão -
o vocábulo já existe
teu nome,
envolto em papel de seda e ouro
a medida exata da minha paixão.
Aos 57 minutos do dia 19.05.2010
..................................................................................................
Onde vá
Onde quer que vá
Leva o coração feliz
Toca a flauta da alegria
Como doce menestrel
Onde vá
Onde quer que eu vá
Vou estar de olho atento
À tua menor tristeza
Pôr no teu sorriso o mel.
Onde vá
Vá para ser estrela
As coisas se transformam
E isso não é bom nem mal
e onde quer que eu esteja
O nosso amor tem brilho
vou ver o teu sinal.
POR BRILHO - Oswaldo Montenegro
terça-feira, 18 de maio de 2010
Insieme a te
As feras, as belas, as luas, as gruas,
os irritantes incidentes diários
que atropelam as calmas e as alegrias,
não têm força, nem arranham os princípios
da história por escrevinhar.
Desenhamos trajetos
inventamos poções mágicas
de asteriscos e tramas e porções
de traçados e linhas de trens
envidraçados nos respingos de hoje.
Metal e Poesia
gerando um filho.
Instinto...
18.05.2010 - 22h46min
Por nós três...ou mais...
os irritantes incidentes diários
que atropelam as calmas e as alegrias,
não têm força, nem arranham os princípios
da história por escrevinhar.
Desenhamos trajetos
inventamos poções mágicas
de asteriscos e tramas e porções
de traçados e linhas de trens
envidraçados nos respingos de hoje.
Metal e Poesia
gerando um filho.
Instinto...
18.05.2010 - 22h46min
Por nós três...ou mais...
Anuário
Este ano todos os sonhos possíveis
na dobra das mangas do tempo
um sorriso de elástico e um pedacinho de céu.
Este ano todos os encantos passíveis
de consolação e acalanto
um sentido de plástico e um tantinho de mel.
Este ano todas as alianças críveis
na falange d'ouro e no azul da íris
um sentimento comum e um dedinho de criança.
18.05.2010 - 20h19min
na dobra das mangas do tempo
um sorriso de elástico e um pedacinho de céu.
Este ano todos os encantos passíveis
de consolação e acalanto
um sentido de plástico e um tantinho de mel.
Este ano todas as alianças críveis
na falange d'ouro e no azul da íris
um sentimento comum e um dedinho de criança.
18.05.2010 - 20h19min
domingo, 16 de maio de 2010
Quem sou eu?
Sou a pedra de Drummond
que jamais chegou a ser
castelo de Pessoa
ou jamais chegou a ver
de Sísifo as mãos.
Sou letra redondinha
e fome de leão
carteira vazia
e voz de assombração.
Sou quem me alicia
língua queimada
fantasia.
Sou mesa posta para o jantar
e tristeza repentina.
Sou mãe, irmã, filha, avó
e cama vazia.
Sou manhã de luto
e luta inglória.
Afasia.
Sou feita de percevejos
e pontas de espadas frias.
Sou pimenta malagueta
no canto da boca do dia.
Sou quase nada
do que em mim havia.
Sou tropel, chapéu de palha
porta aberta, verso sem rima,
gaveta trancada,
chave pendurada
no esconderijo de onde
ninguém tem coragem
de pronunciar o nome.
Sou túnel e corpo possesso.
Sou veludo e enternecimento.
Sou cabeça, corpo e coração
separados de mim
para entretenimento
todos na palma úmida
da tua mão...
16.05.2010 - 20h20min
*Da Série - SOBRE QUEM SOU
que jamais chegou a ser
castelo de Pessoa
ou jamais chegou a ver
de Sísifo as mãos.
Sou letra redondinha
e fome de leão
carteira vazia
e voz de assombração.
Sou quem me alicia
língua queimada
fantasia.
Sou mesa posta para o jantar
e tristeza repentina.
Sou mãe, irmã, filha, avó
e cama vazia.
Sou manhã de luto
e luta inglória.
Afasia.
Sou feita de percevejos
e pontas de espadas frias.
Sou pimenta malagueta
no canto da boca do dia.
Sou quase nada
do que em mim havia.
Sou tropel, chapéu de palha
porta aberta, verso sem rima,
gaveta trancada,
chave pendurada
no esconderijo de onde
ninguém tem coragem
de pronunciar o nome.
Sou túnel e corpo possesso.
Sou veludo e enternecimento.
Sou cabeça, corpo e coração
separados de mim
para entretenimento
todos na palma úmida
da tua mão...
16.05.2010 - 20h20min
*Da Série - SOBRE QUEM SOU
O que eu sou?
Sou o tudo e o nada na imensidão do paraíso
montada num cavalo alado
unicórnio sem pousada ou sossego.
Sou um poço de desejos satisfeitos
e vontades não reveladas
segredos e milagres rotineiros
desses que ninguém enxerga
nem importância alguma dá.
Sou o passo depois do limite
e a interminável hora do fim.
Sou o que não se conhece
nem se determina
num toque sem instinto
ou num pretenso vazio.
Sou o que se apaga depois da vela acesa
e o som que não se mede
em acordes ou decibéis
ancorados na noite sem estrelas
ou raios de luz de manhãs maquiadas
de sombras e batons vermelhos.
Sou o que não se pensa
nem nas horas mais impressionantes
desesperadoras chances nas camisas de força
dobradas sobre as penteadeiras manchadas
de ilusões febris.
Sou o que não se ganha fácil
nem o que se derrete no fogo.
Sou corpo molhado de chuva
e chuva seca de lágrima
sem motivo aparente.
Sou parente do impossível
e o rasgo na folha de hoje
que pinta meus olhos de azul petróleo.
Sou serpente e sonho à solta
nos campos de trigo seco
pronto para a colheita .
Sou ingresso para o inferno
e fim de inverno de monotonia.
Sou tia do encontro
e prima-irmã da alegria
mas só quando durmo
e meus sonhos me levam
pra onde eu queria.
Sou o fim antes do começo
e a história nunca escrita
no papel de seda rosa
que embrulha o Presente.
Sou vôo de árvore
nas asas da ave-guia
e bengala de cego colorida
mal comportada ponta de flecha
presa no cabo da maçã
de uma certa utopia.
16.05.2010 - 19h37min
*Da Série - SOBRE QUEM SOU
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