sábado, 7 de novembro de 2009

ParTIcularidades

Imagino as sendas

por onde plantas as plantas dos teus pés

nas tuas corridas.

Apresento construções interiores

aos meus outros 'eus'

e eles não reconhecem nada

além dos teus traços,

os rastros que te seguem

e arrastam meus versos

por conta própria

e livre e alegre vontade.

Não sou dona de mim:

emprestei minhas verdades

aos teus 'is'

que permeiam os grãos de arroz

no meio do teu prato branco.

Ninguém mais com teu sotaque

ou teu jeito de calcular um pé após o outro

como se desse único passo

dependesse todo o teu futuro.

Ninguém mais com tuas histórias

ou teu riso de menos da metade de tudo

ou tua lista de livros preferidos,

tuas escolhas vegetais,

teus filmes, canções e formas.

Ninguém mais com teu suspeitado gosto,

teus gestos contidos,

teus mistérios, tuas exigências.

Ninguém mais com tua exclusividade

ou tua presença continuada.

Ninguém mais com tuas cobranças,

interferências, provocações.

Ninguém com tua fartura

ou com teus propósitos,

tuas intenções,

teus fins de semana,

teus telhados, teus esportes,

teus tratados, conhecimentos, compromissos,

teses, des-crenças, dúvidas,

inícios ou coragens.

Ninguém mais a TI repetir.

Ninguém mais...

em mim...







21.10.09 - 17h07min

Acontecências




Consciências
consequências
insolências
sonolências
insistências
desistências
solvências
advertências
reticências...



Aos 12 minutos, das 23 horas, do dia 07 de novembro de 2009


terça-feira, 20 de outubro de 2009

Promessa

Nenhuma outra postagem,
em nenhum dos meus blogs,
até que.... ACONTEÇA!
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20.10.09 - 23h

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Cá entre nós

Ao pé do ouvido
nessa noite fria te conto:
descobri não sem medo
que a alegria é maior
e muito mais bonita
que a felicidade.
A primeira é calma
traz meio sorriso
e dura uma vida inteira
inda que uma lágrima
bochecha abaixo role
de quando em vez
ou de vez em sempre;
a segunda é gargalhada
faz barulho e preenche
todos os espaços em branco
mas dilui-se entre os dedos
e se perde nas luzes
ou nas vertigens
por ela mesma provocadas.
Sempre haverá
quem de mim discorde.
Não faz mal, não.
O que valor tem de fato
é que se busque
com cuidado e paciência
essa coisa que sentido
dá à vida
e aos olhos, brilho.
O resto
é consequência...
14.10.2009 - 20h55min

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Se quiseres me ganhar

Há que teres a dose certa de inteligência
que inteligência se mede, sim,
com fita métrica de pensamento,
coerência e coesão, yang e ying.
Há que teres uma pitada de ironia
e um toque de antipatia
pra eu nunca vir a saber
se estás rindo de divertido
ou se me provocas por prazer.
Há que teres uma depressão contida
e um fundo de tristeza, no olhar;
gostar de arte, criança e mar,
e inventar rimas, fingindo poetar.
Há que teres disponível
muito tempo para o estudo
e disposição dobrada
pra me ensinares tudo.
Há que seres humildemente orgulhoso
e orgulhosamente sutil.
Há que teres no nome
um recheio oblíquo
e que no peito te palpite
um mais que bom coração.
Se quiseres me ganhar...
09.10.2009 - 20h18min

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Bipolaridade?Eu sei a quantas ando...

Estou na fase eufórica.
Tinha até esquecido
a sensação única
desse pólo de cá.
Os últimos meses,
temperados de chuva
e nublados dias
foram de uma depressão-monstro.
Não tão violenta
a ponto de desejar
não mais existir pra sempre
mas não mais existir
por um tempo...
Forte o bastante
pra roubar-me as forças
os desejos
as curiosidades
as pequenas (e grandes) alegrias
todas.
A eternidade
termina um dia
e eu rolei
pr'esse extremo de energia;
o colorido é outro
o perfume é outro
o ritmo é outro
outras são as pessoas
outras palavras
outras canções.
Tenho vontade de ouvir música
e criar.
Tenho ganas de ler poesia
e criar.
Tenho desejo de beber alegorias
e criar.
E dividir.
Não deixo de ver os problemas
mas eles já não me assustam.
Não deixo de sentir cansaço
mas ele já não me trava.
Nem física
nem emocionalmente.
Sou grande e inteira.
E até sou bonita!
Ah,
é tão bom ficar por aqui!....
07.10.2009 - 19h28min

terça-feira, 6 de outubro de 2009

De louco e poeta

Tenho um amigo
paulista/poeta
que insiste em dizer
que me faço de louca
mas certa da cabeça
sempre vou ser.
Esse tal amigo
diz que meu sonho
acordada ou dormindo
era ter nascido doida
de pedra
de ouvido
de delirante umbigo
só pra ter o prazer indizível
de ser diferente
e talvez dessa forma
não precisar 'dizer'.
Não sei se é nele a razão
não sei se a razão é em mim
não sei sequer se quero saber
até porque
de louco e poeta
além de mendigo e doutor
todo o mundo tem um tanto
o meu pouco eu guardo aqui
e te ofereço
se aceitas, fico grata
caso não, sinto, mas não morro
que de vida tenho sede
e de morte um dia vejo
agora não
agora não
que agora estou ocupada
à milésima maluquice
dando plena vazão
.
.
.
06.10.2009 - 21h41min

Desejo

... roçar
inda que por breve instante
as vestes do impossível...
06.10.2009 - 21h33min

Ventania

Não erre.
Não são poesias
que publico nessa folha virtual.
São meus sangues
sangrantes motivos
dilacerando-me as carnes vermelhas.
Não erre.
Não minta.
Não são palavras
que escrevo nessa fina linha virtual.
São meus sabores
saboreantes limites
deliciando-me as auras azuis.
Não erre.
Nem tente.
São minhas vidas
que derramo nessa fria via virtual
viventes amores
amparando-me as asas (vio)lentas.
Não erre.
Vente...
06.10.2009 - 21h07min

Circo e fome

Circo, para o povo,
que o pão,
há muito deixou de ser
moeda de troca,
já que essa mesma gente,
que tanto o espetáculo cega,
não come mais,
nem pão
nem esperança
(nem ilusão?
essa existe, ainda,
no picadeiro prometido
pra dois mil e dezesseis...
triste ilusão...)...
06.10.2009 - 20h23min

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Ele é quem eu queria ser

Ele é uma daquelas boas surpresas
que a vida, de vez em quando, nos reserva:
tem um riso lindo
que pouco usa;
tem pouca idade
que parece muita;
tem hábitos saudáveis
que eu invejo,
mas não copio;
tem uma legião de fãs
eu, a última;
tem uma Gorda que ele adora
e um milhão de loiras muito lindas;
tem uma inteligência rara
e raros momentos de loucura
embora eu o considere doido
daquela maluquice bem-vinda
que té parece não ser, mas é;
tem um jogo de cintura
um jogo de palavras
um jogo de cartas marcadas
que eu não sei onde aprendeu
mas que dá lição sem dó
sem pena
sem pudor algum;
tem a língua presa de vez em quando
e o S mais lindo que eu já ouvi;
tem paciência
sapiência
competência de sobra,
e não admite o fato
de jeito nenhum;
tem um SIM que vive ao lado dele
e no fim de uma frase qualquer,
tem um 'NÃO?';
tem um movimento que é só dele
e um sentimento que ninguém tem;
tem um par de tênis velhos
e um bloquinho de anotações;
ele é completamente deprimido
depressivo jamais;
em dois anos
ele mandou um e-mail,
mas esteve sempre aqui;
ele odeia meus escritos
(às vezes)
e ama meus versos
(às vezes)...
Goste ou não
inda que nada
se invente
eu queria ser ele
mas não posso ser,
'NÃO?'...
02.10.2009 - 20h13min
(A rima óbvia da última estrofe
é só uma obviedade...hehe...
O que será que ele vai me dar,
no Dia da Criança? :-))

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

EnTItular

Comparei gato com lebre
empreendi outras luas
e saciei a vontade de liberdade
que consumia os meus sinônimos.
Sou Shim'On sem temperatura ou ligação com tempo aliás nem sem mais o que é o tempo ou sei tão bem, que tremo. Concordo com o senso comum e desvencilho meus pés da estrada que não trilho nem conheço por absoluta falta de precisão. Convenço terceiros, quartos e quintos da minha proposta incoerente e sempre tenho um P ou um B antes dos meus EMES. Todos os cantores entoam canções de chuva e os trovões retornam sem pena às gargantas dos espectadores às minhas gargantas todas de todas as outras que habitam em mim. Sou dezenas de extremos feito pernas de polvos gigantes tentáculos ensurdecidos por interrogações mil. Se não tens sequer uma resposta afasta-te de mansinho e só observa de longe essa minha dança de feridas e mordeduras descalças. Se tiveres ao menos uma suspeita sê bem-vindo às minhas questões transforma meus mistérios em soluções e desvenda minhas tramas nas reticências que nem eu ouso despertar. Se tiveres um pote de vegetais nas tuas veias e se tua poesia for irônica se teus gargalos escolherem o sarcasmo e se tua imagem refletir orgasmos de raios de sol se tuas lembranças incluírem meios sorrisos e se a 'Gorda' dormir aos teus pés se tuas escolhas forem diferentes e se relutares em dividir tuas dores então haverá um líquido horizonte nas tuas pálpebras e te reconhecerás nas minhas pupilas dilatadas ao mirarem as tuas... 01.10.2009 - 22h11min

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Cegueira

Aumentei o tamanho dos fatos deliciei a retina úmida nos olhos secos de inverno primaveril; concordei com as eras e as heras invadiram os selos; solucionei mistérios importunei ausências retornei à adolescência adormecida; despenteei as horas despenquei dos sentidos santifiquei orvalhos amassei o pão que não comi nem precisei. Ataquei as franjas dos minutos desvencilhei a garganta tranquei as mordaças abri as janelas e as vidraças. E nada vi... 30.09.09 - 21h (... mas ouvi um riso de criança e foi só por isso que sobrevivi...)

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Emocionar-se

Gosto das letras que emocionam gosto de não poder conter as lágrimas essas gotinhas insistentes que aparecem sem licença e despudoradamente assumem o comando dos nossos olhos pra não falar do coração... Gosto mesmo quando as tais gotinhas chegam a existir sem aparecer - quantos outros sentires guardamos que jamais aparecerão aos outros? - mas inundam o peito de tal maneira que é como se tivéssemos chorado a vida inteira. Exagero? Qual nada! É assim que deve ser a emoção verdadeira. Aquela coisinha miúda que não desgruda que é eterna e que tanto bem faz à gente. Experimente.... 28.09.09 - 21h40min

Poetar

Quando a poesia te corre nas veias basta uma vírgula um riso um sal nos olhos um colírio qualquer uma flor uma frase uma alegria mínima uma tristeza mínima uma agonia mínima; basta uma cor de sangue ou um sangue azul talvez só o tipo do teu sangue; talvez só um nervosismo repente ou um repentino aperto de mãos ou uma partida num repente ou um repartido aparente, pra fazer verter essa coisa que não se explica mas que te habita e te domina e te toma num instante sem licença ou aviso: in-verso... 28.09.09 - 02h13min

Promessa

Se não parar de chover
juro que viro Sol...
28.09.09 - 02h07min

Imagem

Um sopro de lua estrelou-me a pele de arrepios derreteu-me os suores noturnos desenhou-me a dança no ventre da noite. Nas pontas dos pés o sono não veio. Nas pontas dos pés Morpheu insone foi meu par ... 28.09.09 - 02h04min

Insolente insônia

Não dormir hoje
é quase como impedir
que a manhã rompa a noite
e outro dia comece tudo de novo.
Não dormir hoje
é iludir-se que o hoje não termine
de puro medo do que amanhã haverá.
Amanhã não guarda
nada além de mistérios
e são eles que afogam os delírios
são eles que fazem tudo se transformar
em possíveis eventos
em passíveis eventos
em plausíveis eventos
inventos
intentos
insultos.
Amanhã torna tudo palpável
ao virar hoje
e matar o hoje
que se perdeu;
com ele, tudo o que foi meu.
Amanhã mitifica hoje
pinta de um colorido inexistente
- e é tão pouco provável o inatingível -.
Não dormir hoje
é perpetuar a hora.
Ou não...
01h58min - 28.09.09

Desconcerto

Não preciso de permissão pra sonhar nem ele precisa da minha, pra invadir-me as noites; ele, o sonho, esse monstro diuturno esse monte cancioneiro. Provoco ondas na relva pranteio curvas na relva pressinto ossos na relva. Vendaval assusta os cães raivosos arranca os telhados das luas despenteia as melenas dos leões prepara a travessia d'outra noite insone povoada de vícios e tramelas nas janelas velhas. Caminho aberto nem sempre é certo nem sempre é seguro. Muitas vezes, melhor lavar a roupa antes de despudorar-se no banho de chuva fria escorrida das cordas do violão desafinado que jamais aprendi a cantar... Desatino desconcerto sonho ou loucura? 28.09.09 - 01h20min

Tempero

Hei de arredondar as arestas do poço seco da garganta vazia como nascem todas as estrelas nas noites de inverno ou de verão ou de perfumada primavera sem vigílias ou restos ou desconhecidos rostos nos panos rotos das cortinas levadas pelos ventos tortos que balançam meus cabelos encaracolados de revoltas e reviravoltas entre teus dedos de lua e vertigem ardida. Pimenta e sal. Aos 59 minutos do dia 28.09.09