quarta-feira, 19 de maio de 2010

Medição

Procuro o vocábulo exato
que defina a medição única
do que já não cabe em mim.
O idioma não importa
nem a dificuldade de pronúncia
ou o número de sílabas expostas
carne viva no face a face
de nós dois.
Invoco os dicionários de rimas
e enredo-me nas teias do instante
feitio de feltro e sensação.
Empacoto os conceitos
inverto as consequências
crio alternativas que não são.
Engravido do vocábulo
despido de previsões absurdas.
Absolvo as expectativas
e resolvo a questão -
o vocábulo já existe
teu nome,
envolto em papel de seda e ouro
a medida exata da minha paixão.



Aos 57 minutos do dia 19.05.2010


..................................................................................................


Onde vá


Onde quer que vá

Leva o coração feliz

Toca a flauta da alegria

Como doce menestrel
 
 
Onde vá
Onde quer que eu vá
Vou estar de olho atento
À tua menor tristeza
Pôr no teu sorriso o mel.
 
Onde vá


Vá para ser estrela

As coisas se transformam

E isso não é bom nem mal

e onde quer que eu esteja

O nosso amor tem brilho

vou ver o teu sinal.
 
 
POR BRILHO - Oswaldo Montenegro

terça-feira, 18 de maio de 2010

Insieme a te

As feras, as belas, as luas, as gruas,
os irritantes incidentes diários
que atropelam as calmas e as alegrias,
não têm força, nem arranham os princípios
da história por escrevinhar.
Desenhamos trajetos
inventamos poções mágicas
de asteriscos e tramas e porções
de traçados e linhas de trens
envidraçados nos respingos de hoje.
Metal e Poesia
gerando um filho.
Instinto...







18.05.2010 - 22h46min
Por nós três...ou mais...

Anuário

Este ano todos os sonhos possíveis
na dobra das mangas do tempo
um sorriso de elástico e um pedacinho de céu.
Este ano todos os encantos passíveis
de consolação e acalanto
um sentido de plástico e um tantinho de mel.
Este ano todas as alianças críveis
na falange d'ouro e no azul da íris
um sentimento comum e um dedinho de criança.


18.05.2010 - 20h19min

domingo, 16 de maio de 2010

Quem sou eu?

Sou a pedra de Drummond
que jamais chegou a ser
castelo de Pessoa
ou jamais chegou a ver
de Sísifo as mãos.
Sou letra redondinha
e fome de leão
carteira vazia
e voz de assombração.
Sou quem me alicia
língua queimada
fantasia.
Sou mesa posta para o jantar
e tristeza repentina.
Sou mãe, irmã, filha, avó
e cama vazia.
Sou manhã de luto
e luta inglória.
Afasia.
Sou feita de percevejos
e pontas de espadas frias.
Sou pimenta malagueta
no canto da boca do dia.
Sou quase nada
do que em mim havia.
Sou tropel, chapéu de palha
porta aberta, verso sem rima,
gaveta trancada,
chave pendurada
no esconderijo de onde
ninguém tem coragem
de pronunciar o nome.
Sou túnel e corpo possesso.
Sou veludo e enternecimento.
Sou cabeça, corpo e coração
separados de mim
para entretenimento
todos na palma úmida
da tua mão...


16.05.2010 - 20h20min
*Da Série - SOBRE QUEM SOU

O que eu sou?

Sou o tudo e o nada na imensidão do paraíso

montada num cavalo alado

unicórnio sem pousada ou sossego.

Sou um poço de desejos satisfeitos

e vontades não reveladas

segredos e milagres rotineiros

desses que ninguém enxerga

nem importância alguma dá.

Sou o passo depois do limite

e a interminável hora do fim.

Sou o que não se conhece

nem se determina

num toque sem instinto

ou num pretenso vazio.

Sou o que se apaga depois da vela acesa

e o som que não se mede

em acordes ou decibéis

ancorados na noite sem estrelas

ou raios de luz de manhãs maquiadas

de sombras e batons vermelhos.

Sou o que não se pensa

nem nas horas mais impressionantes

desesperadoras chances nas camisas de força

dobradas sobre as penteadeiras manchadas

de ilusões febris.

Sou o que não se ganha fácil

nem o que se derrete no fogo.

Sou corpo molhado de chuva

e chuva seca de lágrima

sem motivo aparente.

Sou parente do impossível

e o rasgo na folha de hoje

que pinta meus olhos de azul petróleo.

Sou serpente e sonho à solta

nos campos de trigo seco

pronto para a colheita .

Sou ingresso para o inferno

e fim de inverno de monotonia.

Sou tia do encontro

e prima-irmã da alegria

mas só quando durmo

e meus sonhos me levam

pra onde eu queria.

Sou o fim antes do começo

e a história nunca escrita

no papel de seda rosa

que embrulha o Presente.

Sou vôo de árvore

nas asas da ave-guia

e bengala de cego colorida

mal comportada ponta de flecha

presa no cabo da maçã

de uma certa utopia.
 
 
16.05.2010 -  19h37min
*Da Série - SOBRE QUEM SOU

sábado, 15 de maio de 2010

FECHADA
PARA
REFORMA

Dedicatória

Planto um sem número de vezes
as raízes de uma paciência que não tenho
mas que acreditei possivel cultivar,
o que não é garantia nenhuma
de nada...
Agora sei da brevidade do instante
que se não fosse breve
teria outro nome -
esse tal instante que passa
se chamaria eternidade.

Espanto os fantasmas que me chamam
e que tentam me atravessar.
Endureço mais um pouco
a cada dia.
Um tantinho hoje
outro tanto sutil amanhã
té que nada mais reste
além do que não restou
de tudo o  que havia em  mim...

Até que o instante,
esse que veio depois,
passe...
E passa...





15.05.2010 - 01h56min
Para minha amiga querida, que sofre.
Acredite. Eu sei o quanto dói. Eu sei.
Mas também sei que passa. Ainda que o saldo seja duro.
Passa...

sexta-feira, 14 de maio de 2010

In saecula saeculorum

Insana insônia
me acomete de medos
e de frases soltas
gaguejantes procuras
por pontos de luz
na noite escura.
Insônia errante
vagueando pelos ladrilhos
de uma estrada sem volta
sem curvas
sem distâncias.
Insensata ânsia
de malignos desígnios
e cercas de arame farpado
comme il faut
aos mortais exaustos
de tanto viver.
Insondável insônia
que atravessa meus séculos
e meus tremores,
perpassa meus ossos
e alcança a linha
desse horizonte que é só meu;
eu,
solitária sobrevivente
à morte diária
que a manhã ressuscita.







14.05.2010 - 16h

De emoções, de razões e de (in)conclusões

Concluir?
E desde quando os "sem razão e sem falta de razão"
concluem alguma coisa?
Minha vida,
meus delírios,
minhas abastanças,
minhas invenções,
minhas danças,
meus dizeres,
minhas falácias,
meus sonhos,
meus maltrapilhos abraços,
minhas incontáveis faltas de noção,
minhas premissas,
meus sabores,
nada disso tem conclusão...
nada jamais continua,
diria Quintana,
tudo vai recomeçar...
Inclusive essa minha repetida inconclusão...
Ela não continua;
com renovadas forças,
recomeça.


E só isso já basta pra definir toda a minha loucura....





14.05.2010 - 15h40min

CANÇÃO DO DIA DE SEMPRE

Tão bom viver dia a dia
a vida, assim, jamais cansa
viver tão só de momentos
como estas nuvens no céu....
E só ganhar, toda vida,
inexperiência... esperança...
E a rosa louca dos ventos
presa à copa do chapéu.
NUNCA DÊS UM NOME A UM RIO:
SEMPRE É OUTRO RIO A PASSAR
NADA JAMAIS CONTINUA
TUDO VAI RECOMEÇAR!
E sem nenhuma lembrança
das outras vezes perdidas,
atiro a rosa do sonho
nas tuas mãos distraídas...

Mário Quintana

Cancioneiro

E a vida
(essa louca vida breve
na boca de Cazuza)
amanhece todo dia
atrelada aos raios de um sol teimoso
que rasga as nuvens pesadas
e insiste em dar à luz
um tantinho de calor.
E a vida
(essa mesma vida
sempre igual de Cazuza)
surpreende toda hora
com uma ponta desigual
com um tanto de mudança
visível apenas e tão somente
para quem tiver olhos de ver.
E a vida
(essa mesma vida escrita
na letra de Lobão)
nasce no despertar
dessa minha compreensão
de que a minha e a tua
são duas
e não há como unificar.

Vida intensa no céu da minha boca
na contrapartida da mão espalmada
sobre a parte escura da lua.

É noite
vida espremida
premeditada largura.

Um fio de fogo a salvo...

... da correnteza viva?



14.05.2010 - 4h37min
(Insone rabisco...)

Justificativa

Escrevo.
Destilo meu medo
nas linhas finas das costuras
dos meus verbos.
Encontro avelãs nas dobras
dos trovões de dias passados.
Fabrico sacolas de risos
e enriqueço o mel dos meus dedos.
Escrevo.
Sem pensar, aqueço as chaleiras no fogo
das estrelas caídas da noite.
O dia assalta o começo de tudo
e a folha branca é veneno vermelho
rasgado de agitado oceano.
Escrevo.
Revejo o sol por instantes
té que a caneta se canse
e eu volte a ser oca:
zumbi sem alma nem alegria
invisível pedra nua sem pena
que me absolva dos atalhos
e das síndromes que viajam em mim.




Aos 23 minutos do dia 14.05.2010

Louca


Sou uma louca, bêbada de ilusão


sou luz de vagalume queimado

e vestido vermelho transparente

em noite de lua cheia

e cupido sorridente.

Sou o que nunca tinha sido

e pesadelo de olhos acordados

em ovelha sonâmbula imprecisa.

Sou a junção de juncos empobrecidos

de fios de algodão e laços de tinta

pendentes de enfileiradas facas sem fio.

Sou o ontem decente

e a revolta desta manhã

lutando nas minhas pernas

que insistem em me levar

até o limite do dia que vira chuva de confete

sem resposta que se alimente.



Sou uma louca

dançando sobre folhas

de fios de espadas enfileiradas.



INDECENTE.
 
 
 
 
Exatamente à meia noite, no limite entre os dias 13 e 14 de maio de 2010

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Perguntinha

Nossos irmãos gregos precisam de ajuda.
Nossos irmãos brasileiros não?






13.05.2010 - 16h49min

Desdizer

Calo.
Na garganta, os calos se avolumam.
De gigantescas proporções
as nuvens rolam num céu de anil
manchado de negrumes.
Nos calcanhares
as asas alçam vôo
sem pressa de voltar.
Um risco violeta
corta os dias.
A esteira  ameaça a linha.
Na estreita via de acesso,
um desvio
"fechada para reforma"
é o que diz a placa.
Ninguém lembra do começo
nem o quanto valeu chegar até aqui.
Eu sim.
Mas calo
e os calos se avolumam na garganta.







13.05.2010 - 16h






Descompasso

Não sou de agora
um descuido do tempo
um buraco na esteira
que se estende
através dos séculos
e pronto
cá estou eu
fora do meu tempo
deslocada
louca
perdida.
Sem saber o que fazer
dessas minhas idéias
que não cabem em caixa alguma.
Sem entender os porquês
nem os interesses que me rodeiam.
Sem encaixe nem salvação.
Eu,
louca,
sem canto onde pousar a cabeça
e descansar da procura.







13.05.2010 - 13h

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Romeu e Julieta

'Não sou piloto, mas, se estivesses tão longe quanto aquela enorme praia banhada pelo mais distante dos oceanos, ainda assim me arriscaria por mercadoria tão preciosa'.




Romeu e Julieta - W. Shakespeare


Aos 20 minutos do dia 12.05.2010
(O livro que Alina me deu, no dia das mães...rs)

terça-feira, 11 de maio de 2010

Apatia





Surpreende-me que haja alguém no mundo, 

capaz de não se entusiasmar com nada. 
Talvez pq eu mesma seja tão entusiasmada... 
E é difícil olhar a vida pelos olhos dos outros. 
Só que às vezes é necessário. 
Praticamente impossível deixar de fazê-lo. 
E aí, quando não há como evitar tal movimento, 
agradeço pelos meus olhos, 
que de vez em quando cansam de ir vendo tudo 
como se fosse a primeira vez. 
Melhor assim que nenhuma outra alternativa ter, 
além de passar por essa vida, 
sem viver...





10.05.2010 - 22h03min

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Eu II

Sou de tudo um pouco, inclusive nada.
Sou uma montanha de saudade.
Sou desperdício e verdade.
Sou fim e começo, intensa vontade.
Sou empolgação e estardalhaço
estilhaço de bala de menta
encontros sortidos e cores marcadas.
Sou torcida de fim de campeonato
e cicatriz em dedo anelar.
Sou estrondo e silêncio contido.
Sou da dança o passo
e a ponta da trança no verso
do rock pauleira
que eu aprendi a te devolver.
Sou confissão em página de diário
e vestido preto em filme antigo.
Sou presilha de cabelo em dia de chuva
e gota de orvalho escorrida na ponta do espelho.
Sou janela aberta para o Leste
e alinhavo de importância real.
Sou eu mesma
travestida de disfarce
e de sólida revelação.







10.05.2010 - 21h34min

Tuas

Sou UMA que carrega MUITAS na alma.
Sou santa, gulosa, faceira.
Sou uma besta completa e ligeira.
Sou faminta, delirante, entediante às vezes.
Sou linda quando não vista
e víbora quando não atendida.
Sou fogo e marca de ferro na pele lisa
raspada à faca de serrinha.
Sou o assunto do dia, um acinte.
Sou acidente mortal
e alegre coincidência no teu dia.
Sou perfume de gardenia
oculta sob fios de ouro
na dobra do percurso
apenas começado.

Sou UMA que carrega MUITAS na alma.
Todas tuas...









10.05.2010 - 20h35min

Eu

Eu sou uma imagem.
Pintada.
Concreta.
Iluminada quando lhe vê.

Eu sou uma pétala.
Solta.
Encantada.
Apaixonada por você.













10.05.2010 - 18h59min