quinta-feira, 21 de maio de 2009

Exagerada

O exagero é meu pai meu irmão, meu camarada. O exagero é minha canção meu amante, minha estrada. O exagero é meu companheiro meu azulejo, meu raio de sol. O exagero é minha água no deserto meu cubo de gelo, meu farol. O exagero são minhas mãos dadas aos pássaros insones que cantam canções sem soar. O exagero é meu arrepio na espinha meu passo decisivo, minha proteção. O exagero é meu grito e meu sussurro e meu alívio. O exagero é meu superlativo e meu diminutivo e meu equilíbrio e meu segredo e meu rebento e meu lamento e minha solidão. O exagero é meu avental e meu jantar e meu carnaval e meu príncipe sem princesa e minha princesa-irmã solteira. O exagero é meu sossego e meu tormento e meu pulso que pulsa que pulsa que pulsa que expulsa a calmaria e pulsa.... 21.05.2009 - 20h30min ...só pra eu ficar aqui, delirante, delirando liricamente sobre meu próprio exagero demente...

quarta-feira, 20 de maio de 2009

TIme? Não. "Religião".

Vencer?
Alguma dúvida?
Ainda que perdesses de goleada
haverias de ser vencedor.
Se não pelo balanço da rede,
que seja por teres
como teu cego devoto
o mais perfeito torcedor.
20.05.2009 - 21h39min
Antes do jogo do Inter... com endereço mais do certo...

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Suposição

E se toda poesia dançasse no meu nome eu não me chamaria assim os outros me chamariam de talvez quem sabe um outro nome mais doce ou de maior sonoridade não sei. A rima me canta bem-te-vi sem ter visto o véu estendido na cachoeira de luz que o aterro enterrou. Derramo toda a poesia em teu colo e gravo nela um nome que conheço e que não esqueço nem sob tortura nem sob promessa nem sob ira divina. Um nome diferente do meu mas que também mora em mim e que um dia, quem sabe talvez viva comigo e seja meu rei. 11.05.2009 - 21h16min

De tempos em tempos

Cadê o resto? I Bar deserto sono chegando poeira no ar poeira de falta de ausência sentida de inexistente publicação ou quem sabe pois não? Ei, vejo um vulto na calçada será o poeta quieto? será uma libélula irriquieta? será um será qualquer que eu não sei definir mas que também não importa se souber discernir entre um prato de sopa e uma sopa de orvalho ou de ervilhas ou de letrinhas nas linhas desse caderno amassado que hoje debaixo do braço trago. II Trago um gole da vida que empoeira os olhos e mareja os lábios entre o cumprimento e a despedida. O bar deserto desperta o desespero e a esperança é só uma palavra que dança entre os lençóis de seda ou de cetim ou de algodão mesmo já que não faz diferença quando o que se quer é só poetar ou cambalear entre os dedos d'algum cientista louco disfarçado de professor de educação física que tem coragem de encarar o mundo de frente de verso de um único poema assumido e que valeu uma vida - a minha vida - nas palmas das mãos escritas. Espelho. 11.05.2009 - 21h

Viver

Vislumbro no vão das frestas das vidas uma ou outra vida que me sorri e me acrescenta dias à vida que vivo aqui... ou ali... ou lá... sei lá... Viver é um mistério. Quem haverá de duvidar? 11.05.2009 - 20h15min

Piadinha

Sou muito inteligente quando durmo. Pena que acordo todas as manhãs... 11.05.2009 - 18h

Explicação

Se considero maravilhoso ter o privilégio de conhecer tão rara pessoa não preciso de traduções instantâneas nem de conceitos diversos ou de razões específicas. A raridade é tão preciosa que seria perigoso andar com ela feito jóia, atada ao pescoço. Quantos ladrões cercariam a presa próxima? Não. Melhor silenciar os motivos e deixar que os sonhos adormeçam ou que as ondas engulam os bandidos que espreitam a peça única que guardo cá. Melhor evitar longos discursos e ater-se a uma pequena sílaba veemente elo que une duas partes: TI... Aos 43 minutos do dia 11.05.2009

Onze vidas

Eu tenho onze vidas.
Não sei em qual estou
nem de onde tirei essa conta
mas garanto que onze vidas eu tenho
e vivo todas elas juntas
umas sobre as outras
enroladas aos cachos
dos meus cabelos vermelhos.
Eu tenho onze vidas
e só dez dedos pra contar nas mãos
por isso desisti da matemática
complicada demais pra quem vive tanto
e tão intensamente os últimos íntimos minutos
de onze vidas justas
desenrolando o ciclo do destino
de cada uma delas
como se não me bastasse
a única em que pareço passar.
Eu tenho onze vidas
mas isso é segredo de estado
e estado de permanente tensão
ou segredo de permanente opção
por não ter outra saída
a não ser viver as onze vidas
dentro dessa única
que eu mereço
padeço
pareço
viver.
Aos 23 minutos do dia 11.05.2009

Talvez nunca

O final do dia
é o começo do dia
de outro dia
talvez uma repetição do anterior
ou nunca
talvez uma novidade interior
ou nunca
talvez um começo exterior
ou nunca
talvez nunca haja nada
de surpreendente de fato
no começo do dia
ou no término do outro
ou nunca
talvez o nunca se traduza
no sempre
que se esconde no vão da calçada
ou n'alguma vertente
de medo e tesão
ou nunca
talvez não haja
talvez não aja
talvez não agarre nada
que não tenha uma jarra bem grande
na frente de um precipício
ou nunca
talvez um prepúcio
talvez um presbitério
talvez um prostíbulo
ou um impropério talvez
ou nunca
o equilíbrio escasso
o deboche involuntário
o intento necessário
ou nunca
talvez...
Nos primeiros 5 segundos do dia 11.05.2009 ou nunca... talvez...

domingo, 10 de maio de 2009

Trajetória

Eu busco a perfeição mas não quero encontrar com ela. Eu garimpo o verbo que distinga exatamente o que pretendo opinar mas não quero encontrar com ele. Eu esgrafinho a terra e cato o punhado de vida que anseio desde sempre que desde sempre espero que crio e produzo e decanto desde que me conheço por gente (e isso faz tanto tempo que já nem sei mais a quantas anda o metro que perdi no meio do caminho onde não tinha uma pedra mas tinha um certo Drummond que desvirtuou o conteúdo todo desse maldito poeminha). Mas eu busco e garimpo e esgrafinho e anseio e desejo ardentemente o que não quero que caia no meu colo. Porque, se cair um dia, o que restará a fazer? Não quero! Afasta de mim esse vocábulo precioso que eu tanto desejo e pelo qual tanto luto e trabalho e pesquiso e me perco. Afasta de mim esse cálice de dicionário ambulante que eu me acabo, então que então eu esmoreço que me arrependo em vão e concluo tristemente que nada mais há a fazer nem a construir. Está tudo consumado tudo desfeito todo o trajeto interrompido por ela a palavra bendita que eu tanto desejei que tanto eu quis que almejei tanto, meu Deus!
Desvio os olhos do fim da luta. Porque a guerra é que é. Isso sim. E é por ela que eu vivo. Se encontrar o vernáculo final. Ai de mim! Ai de mim... 10.05.2009 - 23h56min

Poeminha sem pé, mas com cabeça

E aí a gente passa gloss
fica com cara de boas-vindas
sorri para o espelho
e bendiz a vida.
Não é assim que nasce
todo o dia,
toda a hora,
toda a partida?
E o batom não escorre
dos lábios
nem do beijo...
Porque os cegos
e estreitos laços
amarram os pedaços
das cabeceiras das camas
vazadas
esvaziadas
valorizadas
pelos braços abertos
do homem amado
que dorme
e não sonha.
A camisa preta
a camiseta por baixo
por baixo o peito
o coração por baixo.
E eu...
Por cima...
10.05.2009 - 23h40min

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Agonia de mãe

Ela reclama, bate pé, resmunga;
'pensa que é gente', eu digo.
E ela é.
Gente pequena, mas só de tamanho,
que a cabeça anda a mil,
e os pés não acompanham,
a não ser pra bater, impacientes,
quando quer o que não pode ter.
E eu cá, na minha eterna agonia,
não sei se o que faço é certo
não sei ao certo o que faço
não sei se desfaço o acerto
não sei se acerto o desfecho
nem se começo ou se disfarço
o que penso não saber
sobre como melhor conduzir
os meus/seus passos.
E compenso as ausências com risos
e cócegas e histórias deliciosas
ou silenciosos longos abraços.
Mas me sei insuficiente
(impotente?)
e isso acaba comigo...
Aos 9 segundos do dia 8 de maio de 2009
Para minha filha, nessa semana das mães

quarta-feira, 6 de maio de 2009

E-TERNO

Tempo curto...
'Pra sempre' é tão breve
tão ligeiro passa o sempre
e tanto por fazer...
Tantos encontros
aguardam as mãos espalmadas
tantas horas marcadas
tantas esperas
tantas procuras.
'Pra sempre' é tão curto
tão breve areia na ampulheta
tão ligeira a hora
que passa.
E tanto por fazer...
Não vá embora...
Pra sempre
é um tempo tão breve
e há tanto por fazer
conTIgo...
06.05.2009 - 22h34min
Depois da música e de saber que vais ficar só pra sempre,
porque tens outras coisas pra fazer...

quarta-feira, 29 de abril de 2009

E se...

E se todos os restos se juntarem aos trapos dos pretensos absurdos que julguei necessários? E se todas as rezas forem realmente inúteis e os teus risos ficarem mudos de colírios e sonoras obviedades? E se todas as missas calarem os vasos vazios dos baús descascados escorridos escadas abaixo perto dos sonhos empoleirados que a gente não se atreveu a mentir? E se todos os pulsos entrelaçarem as mãos e as ervas brotarem dos musgos confessos improvisos frasais gravados nas linhas fantasmas das apagadas luzes míopes? E se todas as manhãs forem tuas e os bocejos e as lampejos e os desejos circundarem as estradas abertas diante dos pés descalços que apalpam as telhas dos sonhos qu'inda estão por vir? E se não houver mais nenhum motivo para as partículas e as películas forem castanhamente azuis e os pensamentos forem sutis e os cumprimentos forem reais? E se eu, de uma hora pra outra, materializar teus traços e TI alcançar... Haverá espaço pra interrogar? Aos 4 segundos do último dia de abril de 2009

terça-feira, 28 de abril de 2009

Ir

E a vida foi vindo assim arrastando as bagagens do dia tropeçando nas pedras do caminho arregaçando as mangas puídas das desgraçadas evitadas dos sofrimentos enfrentados das peças rasgadas de espumas que foram ficando pra trás. E a vida foi vindo assim entre risos e blefes e compreensões das distâncias e constatações de ignorâncias e sensações de permeio das trocas pretendidas que não houveram ainda. E a vida foi vindo assim meio manca, meio bendita, meio atormentada de dúvidas, meio sem tempo sem orvalhos sem participações de luto ou coisa que o valha ou coisa que o vele ou coisa que o venda. E a vida foi vindo assim dia após dia feito frio da manhã de outono em anúncio claro de rigorosa solidão. E a vida foi vindo assim entre os dedos emergindo e entre os dedos escorrendo sem pressa com pressa presa no tênue fio que ninguém vê. E a vida foi vindo assim té deixar de vir... 28.04.2009 - 18h30min

segunda-feira, 27 de abril de 2009

1001 postagens

Engraçado. Uma vez chamou-me a atenção o número de postagens no blog. Estava eu, então, no poema 600. Não pensei que chegaria tão rápido ao 1000, no que reside uma certa estranheza, inclusive para mim: produzo muito, quase compulsivamente ('quase' é só pra não afirmar a plena consciência da compulsividade), logo, era de se esperar que o número 1000 chegasse logo. Pois já passei dele também. E isso me dá uma sensação de alegria plena. Esse fato, por si só, poético!
Uma vez escrevi que o Roberto Carlos queria ter um milhão de amigos e que eu me contentava com os poucos conquistados ao longo de toda a minha vida, e que cabiam nos dedos das minhas mãos. Não quero um milhão de amigos. Quero um milhão de poemas escritos, suados, chorados, sangrados, vertidos das minhas veias abertas.
Eu quero um milhão de poemas escritos!
Salve-se quem puder!
27.04.2009 - 18h15min

Escrever

Publicar idéias visualizar palavras sortir mistérios sorrir remédios contar piadas prender as águas derramar lágrimas proferir sortilégios. Publicar idéias provocar desgostos praticar sabores desmentir horrores conferir princípios desmembrar sucessos concorrer centelhas saturar espaços. Publicar idéias escrever impropérios permitir estorvos estocar cadernos partilhar olhares precipitar censores contornar parelhos controlar esforços viver a conta-gotas. Publicar idéias mergulhar a pena discutir a sina acordar o limite infringir a culpa infligir delírios instruir corcundas circundar oceanos desbravar caminhos. Publicar idéias. Amar. 27.04.2009 - 18h

Volta II

Voltar. A gente sempre volta. Nietzsche e sua teoria do eterno retorno. Eu volto. Demoro, mas volto. Volto a pisar os mesmos calos. Volto a sorver o mesmo cálice. Volto a sentir os mesmos suores. Volto a bendizer os mesmos benditos versos que fiz outrora. E volto. Volto de onde nunca saí apenas ausentei meus dedos ou minhas esperanças ou até meus humores. Mas volto. Porque foi aqui no grão de um poema qualquer que me perdi... 27.04.2009 - 17h55min

domingo, 26 de abril de 2009

Volta

Aos navegantes que tão simpaticamente reclamaram minha ausência, aviso:
a poesia mora em mim,
ainda que adormeça de vez em quando.
Não sei que sonífero ela toma.
Não sei que susto a assusta,
ou que medo a amedronta.
Não sei o que a faz recuar,
nem o que faz brotar esses versos
que planto em mim.
Não sei.
E não sei se quero saber.
Mas sinto falta de escrever.
Sinto falta dessa agonia que me dá,
quando quero, quando preciso 'dizer'.
Sinto falta da sensação
de descontrole
sobre minhas próprias mãos
ou sobre meus pensamentos,
quando ela me acomete
e se derrama feito bálsamo
ou talvez um outro ente
(quem vai saber?).
Sinto falta
feito droga no meu sangue
dessa tal de poesia
que me domina
e é mais importante pra mim
que a vida
(forte isso? nada!
repara, a poesia não é ela
mesma a própria: vida?).
Por isso hoje estou feliz.
Ela acordou.
Está de volta.
E me sorri.
26.04.2009 - 20h28min

Não vi!

E eu não aceitei
o copo cheio de digitais
entre os destroços
das vias que não voltam mais.
E eu não aceitei
o brilho da carcaça
errata impressa de letra
desdita sinuosamente
feito clarão de lua
em noite de tempo quente.
E eu não aceitei
a prisão
a pressão
a impressão de estar nua
sob os olhares divinos
dos divididos instantes
dos paradoxos desconexos
dos distintos censores
de duvidosas morais
(porque eles são muitos
eles são quase irreais).
E o X da questão eu não vi.
E o princípio ativo do sopro
que me pegou de surpresa
e me atirou no abismo
eu
não
vi
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Mas os tijolos foram postos
nos muros das ruas
que percorri.
Mas os estilhaços cortaram
os riscos dos vidros
que eu recolhi.
Mas os supostos estorvos
e os solavancos
e os olhos estreitos
debaixo dos panos
brotaram
I
M
E
N
S
O
S
e ergueram castiçais de prata
por onde escorrem ceras coloridas
de velas apagadas
que eu jamais acendi...
26.04.2009 - 20h