segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Ritmo
Inspira a vida
inspira a letra
da canção por cantar.
Suspira a vida
suspira a letra
da canção a inventar.
Conspira a vida
conspira a letra
da canção a enfeitiçar.
Inspira
suspira
conspira
a vida
a letra...
Amar.
11.02.2008 - 03h22min
Mais
Imagem, música ou letra.
Poema, canção, silêncio.
Conto, surpresa, palavra.
Partes perdidas de um todo maior
guardado dentro do teu olhar...
11.02.2008 - 03h19min
200
Publiquei 200 contos.
Cantei 200 árias.
Ariei 200 panelas.
Abri 200 janelas.
E sofri 200 vezes
pelas mesmas coisas.
Cometi 200 erros
e apaguei 200 trilhas
do meu caminho torto.
Conheci 200 cidades
e tremi 200 vezes
antes de te encontrar.
Depois, 200 beijos
num só dia, até esgotar...
Vivi 200 anos
pra te contar
que os 200 planos
feitos juntos
separados
ou presos
nos bicos dos pelicanos,
inda ardem
inda queimam
inda incendeiam
os 200 nervos
que sobreviveram
a rezar...
11.02.2008 - 03h16min
Movimento
Uma janela aberta.
Um vento forte.
Pronto,
foi-se a cortina
presa num raio de sol.
Uma porta aberta.
Um vento norte.
Pronto,
foi-se a menina
solta num raio de sol.
Um sonho aberto.
Uma brisa leve.
Pronto,
veio a saudade
na carona
de um suave raio de sol....
11.02.2008 - 03h11min
Orfandade
De vez em quando
a gente fica assim
meio órfã de norte.
De vez em quando
parece que o mundo
gira para trás
e nos deixa tontos,
meio órfãos da sorte.
De vez em quando
o riso cala e cola
na cara de outro cara.
Na tua, fica a morte,
meio órfã de aviso.
De vez em quando
a tarde se faz pranto
e a gente fica assim
meio órfã de encanto.
De vez em quando
passa um pássaro
cantando
e a gente fica assim
meio órfã
de quebranto.....
11.02.2008 - 02h32min
In-certeza
Ainda que não queiramos,
ainda que esperneemos,
gritemos, nos atiremos ao chão,
aos leões, aos porcos, aos bandidos,
ainda que rasguemos as roupas todas
e façamos greve de tudo,
sempre haverá uma
(ao menos uma)
certeza:
a de que tudo é incerto
e não-sabido.
Inclusive esse dito...
11.02.2008 - 02h27min
Angústia temporã
Depois da última hora da noite,
o dia dobra a esquina.
E a gente continua a medir o tempo
e a guiar a vida, pelos ponteiros
que rodam, que rodam, que rodam.
Passam sempre pelo mesmo lugar.
As horas são sempre as mesmas.
Por isso não são.
Marcamos o tempo
pra não perdermos a cabeça.
Contamos do tempo que passamos
pra não perdermos a história.
Nossas referências, baseadas nas horas tidas.
Tempo é hora. Lembrança é hora presa no tempo passado.
Ou será tempo preso na hora passada?
Talvez lembrança não seja nada,
além de um registro qualquer,
cuja única finalidade seja impedir
que façamos a mesma besteira
mais de duas vezes...
Tenho cá pra mim uma teoria muito particular:
o tempo, sua passagem ou sua lembrança,
não passa de um poema escrito com o cuidado de um artista.
Um poema engraçado, que ri da falta de tato da gente,
ao tratar com ele, presente, futuro ou passado.
Um poema com lacunas enormes, que a gente vai preenchendo
mesmo sem saber, mesmo sem nunca perceber,
mesmo sem sequer entender.
Um poema perfeitamente compreensível
caso o soubéssemos ler...
11.02.2008 - 02h18min
Possibilidades
O que significa plantar um sonho?
Regar um desejo é mantê-lo vivo?
Calcular o valor dos instantes preciosos
Impossível?
Quedo-me aqui, com meus sonhos todos,
dispostos sobre a mesa branca.
Quantos vingarão, não sei.
De quantos abrirei mão, em favor de...
(não sei em favor de quê se pode abrir mão de um sonho!).
Quantos permanecerão aqui mesmo
esperando ser colhidos...finalmente colhidos...
não tem importância real nada disso
não importa que nada aconteça
que a tarde se transforme em noite
que a manhã nasça avessa
que os olhos não festejem o dia
que o sol entristeça
que a febre não encontre cura
que o passo não apareça.
Pouco importa que a planta floresça
que penda, lentamente, minha cabeça
ou que, inda hoje, o mundo enlouqueça.
Mais do que já está. Mais do que já estou.
Mais do que será possível suportar.
Pouco importa se o escrito se apagar
e se o começo for cair lá no fim
se é que há começos, se é que há finais.
Pouco importa que as chaves não estejam nas gavetas.
Estou exausta.
E posso desistir...
11.02.2008- 02h05min
domingo, 10 de fevereiro de 2008
Livro
...e as palavras se perdem no espaço
que separa o marco do começo e do fim
que intercede por nós e por outros
junto ao espelho do dia e da noite turva
que aguarda os passantes, transeuntes
da vida, dos sonhos e da alegria
que os abraça nas esquinas do sofrimento diário
de saber-se pequeno
diante de tudo o que há para ser dito...
... e as palavras se perdem no espaço
no grande mistério que é o desejo de dizer
o que jamais foi dito...
10.02.2008 - 17h44min
sábado, 9 de fevereiro de 2008
Shhhhh
Encaixo palavras, umas às outras.
Nenhuma alcança o sentido.
Nenhum encaixe parece perfeito.
Concentro a experiência do selo
na língua materna, impeço
a coerência, desfaço a coesão.
De que me vale o texto completo
se sou confessamente paralela,
avessa ao que me vem pronto,
querendo construir aos poucos
o que pretendo ter de base?
Examino as possibilidades todas.
Nada me parece difuso agora.
Nada me parece impossível.
Tudo difícil. O passo escolhido já dado.
Tapete estendido vermelho.
E o primeiro passo dado.
A escolha consciente dentro da mala.
A ternura quente dentro do peito.
E a palavra... A palavra.... O último encaixe...
Me foge...
E eu não sei o que dizer...
10.02.2008 - 0h59min
Escolha
O tempo é AGORA.
Perdeu-se o trem da história?
Perdeu-se a linha do hoje?
Perdeu-se o dia de outrora?
O tempo é AGORA.
A vida não espera por ti.
O relógio não deixa de tique-taquear.
Os instantes se sucedem e se somam
e somem na longa linha do horizonte.
As escolhas são múltiplas
mas exigem ser feitas.
Não são elas que te escolhem
tu é que o fazes,
queiras
ou
não
gostem elas ou não.
Teu futuro está no passo de hoje.
Agora é a tua decisão de amanhã.
Ontem já está.
Hoje urge.
Hoje
é.
Vive.
09.02.2008 - 20h54min
Eu sinto
Quando acordo parece que vejo uma
luz branca
Quando vejo letras ou luz bonita
sinto felicidade
Como uma vez eu estive dançando, dançando, dançando
Tipo olhando para alguem que esteja com
oculos olhando no computador
vejo luzes brancas
E sinto felicidade
Amor é muito lindo
E sinto
Felicidade
08.02.2008 - 22h39min
(Alina Aver, aos 6 anos de idade)
Debaixo Da Cama

Érase una vez...
A Chapeuzinho queria dar uma cesta com um monte de maçãs para a vovozinha. Acontece que uma das maçãs estava verde demais para dar para a vovozinha, que já não tinha dentes muito fortes. Entonces buscó la manera de que la manzana fura apropiada para a vovozinha, y se encontró con que un conejo que vivía muj lejos,
sabía de unas manzanas que podía comer ela con sus dientes brillantes y pequeños.
Pero el país del conejo no era facil de encontrar...
Ela andou muito por toda a floresta e achou uma árvore. No fim da árvore tinha uma porta que ela viu e quis entrar; lá estava a casa do coelho!
Ela bateu, bateu, bateu, mas o coelho não estava lá. Apareceu então um macaco com sininhos no pescoço, que faziam tilim tilim tilim...
O macaco avisou que o coelho havia mudado para beeeeeeeeeemmmmmmm longeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee.....
E a menina chorou.
Y con las lágrimas de la menina crecieron nuevas flores en la casa del macaco y del conejo.
Entonces una de estas flores dijo que el conejo se había mudado a otro país, a un paìs muy cerca, pero muy lejos; las dos cosas al mismo tiempo. Pero las manzanas en ese país eran transparentes, igual que los conejos, así es que sería dificl mirarles y comerles tambièn...
Pero no importando esto decidió viajar al país que las flores llamaron 'Debaixo Da Cama'...
A Chapeuzinho Vermelho achou um túnel dentro daquela casinha do coelho (a casinha abandonada). Ela entrou no túnel, andou, andou, andou, até que viu algumas pegadas que pareciam pé de coelho. Ela seguiu, seguiu, seguiu...
Como os coelhos eram transparentes, ela não conseguiu achar. Mas ouviu barulhos! E
quando ela colocou a mão, pareceu sentir uns pêlos; pensou que fosse o coelho. Ela disse:
-Como eu posso arranjar essas maçãs? Por favor, responda.
Ele respondeu:
-Vá numa árvore, pegue uma delas e faça o que você precisa.
Acontece que o coelho era transparente e via as maçãs, que também eram transparentes. Logo, era muito fácil pra ele dizer que ela fosse até a árvore e apanhasse, simplesmente, as maçãs. MAS ELA NÃO VIA AS MAÇÃS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Nem sequer a tal da árvore; afinal, no país 'Debaixo Da Cama', tudo era transparente!
El conejo le dijo que solo una vez le iba a contar la historia del país de 'Debajo De La Cama'.
Que pusiera mucha atención en este paìs maravilloso: la realidad es un parecida a la de fuera
pero con algunas diferencias pequeñitas.
'Debajo De La Cama' todo lo que hay, conejos como yo, manzanas, palabras, árboles o túneles, todo es parte del reino de la imaginación; así es que precisas poner cada día nuevas cosas, cuando te encuentres debajo de la cama. 'Debaixo Da Cama' es lo que tu quieras, lo que puedas imaginar mientras cierras los ojos, o cuando los tienes abiertos.
Entonces el conejo deapareció, y ella empezo a crear debaixo da cama...
08.02.2008 - 22h31min
(Uma história, três mãos... SOMOS... Alina, Simone e Roberto)
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Torre
Montei uma torre de palavras
todas elas insuficientes,
daí a necessidade de várias.
As cartas todas no armário
guardadas pra enfeite da casa.
O toque tântrico por aprender
e as pontas picotadas das páginas
do livro que estou por escrever.
A torre só sobe
em busca do céu, que é anil.
08.02.2008 - 16h18min
Escritos
Gosto da letra que escrevo
e fico de olho se ela não dança
na linha curva do medo
que anda à minha espreita
às vésperas do sonho.
Gosto do cheiro daquilo que escrevo;
parece canela, incenso suave,
perfume de infância,
de breve avenida florida.
Gosto da cor do que escrevo
a cor do soluço que tive, de rir
contigo e sozinha, dos absurdos
que a vida apronta pra gente.
Gosto, principalmente,
dos motivos pelos quais escrevo.
Esses, guardados pra mim.
São meus, não conto.
Só teus olhos é que divisam,
mesmo assim, de longe,
os porquês desse meu dizer...
07.02.2008 - 23h15min
Paz?
Não quero paz.
Eu quero o que existe.
O desassossego, a procura,
o instante que se perde
num piscar de olhos.
Eu quero a pressa,
a incerteza, a incompletude.
O que não vi,
o que não sei,
o que jamais serei.
Eu quero o fundo
do poço e da alma.
Eu quero o risco,
o rabisco, a salsa,
a rumba, o merengue,
de preferência cor de rosa.
Eu quero algodão doce
derretendo na mão.
Calor de 40 graus,
neve em pleno verão.
Eu quero sede de beijo,
abraço que não termina,
risada tão alta,
tão longa, tão nossa,
que seja quase um desatino.
Eu quero a manhã ensolarada
depois da noite, em Porto Alegre.
Eu quero o nervoso
na tua chegada,
quero o amor que se bebe.
E quero antes e principalmente
essa mania de querer tudo
o que tenho direito
e mais um pouco.
Além do que alcanço,
além do que mereço.
Eu não quero a paz.
Eu quero o estorvo,
o torto, o turvo, o maldito.
Quero a tua insanidade
as vozes que ouvimos
as mentes brilhantes
que cercam o infinito.
Eu quero o vôo da águia
sobre a rica planície.
Eu quero a língua
da serpente
a peçonha da aranha
o veneno da vida
na minha garganta
no meio da minha lida.
Eu quero te ver chegando
de braços abertos pra mim.
Eu não quero a paz.
Eu quero tudo
menos paz....
07.02.2008 - 23h05min
(Alina e Simone Aver)
Orações
Desde que vieste,
tudo o que construo
tem a tua assinatura.
Desde que surgiste,
tudo o que crio
tem o teu suspiro.
A tua vida invade a minha
porque se sabe bem-vinda.
A tua vida canta na minha
e enche de melodia a tarde
que vive na gente.
Somos três, com a quase
exata diferença que nos marca.
Somos três, elos
compostos de estrelas,
luzes e bilhetes de amor.
Desde que surgiste,
não somos mais duas...
Somos três...
Orações...
07.02.2008 - 02h12min
Escritura
Se estava escrito?
Claro que estava!
Minha vida está toda no papel
cada suspiro, cada sorriso.
Minha vida não poderia
não estar descrita em palavras.
A palavra sou eu.
Sou letra ambulante
esperando ser lida.
Não sei se sou verso
conto ou despedida.
Não sei se sou letra sozinha
ou história completa,
na folha da vida.
Mas estou escrita.
Espera...
Eis outra escritura
na primeira metade
desse meu caminho.
Tu, sonho bendito.
A frase que faltava.
A crônica,
que esperava ser escrita.
Tu, sonho bem-vindo.
Sopa de letrinhas
pra alimentar o meu peito.
Tu, alento, sossego
na construção dessa
que pretende ser a minha história.
Não mais só minha.
Agora, nossa história.
Essas páginas são nossas...
07.02.2008 - 02h
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Trabalho de parto
No ventre da vida, o verso.
Ando parindo versos
dos quais estava grávida
há meses...
Ando parindo palavras,
sinais gráficos de sentires,
sentimentos gráficos de sinais,
sortilégios, sinalizando sentires.
Ando em trabalho de parto
dos prazeres que me tomam
quando no verbo me liberto.
Não sei ficar quieta num canto
sem dizer palavras sortidas
como num pacote de biscoitos
comprados no boteco da esquina.
Não sei não dizer minhas ânsias
meu desejo de estar entre teus braços
minha saudade, meu desabafo,
meus sonhos todos contidos.
Ando em trabalho de parto
do poema que costurei no teu sorriso
da bendita parceria contigo
da expectativa do abril-ensolarado.
Ando descalça pelas ruas da vida
pra sentir a pedra fria
pra saber que estou viva
esperando o filho teu
grávida do poema escrito contigo.
No ventre da vida, o verso.
O nosso verso...
Escrito.
06.02.2008 - 23h58min
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