quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Um palhaço sonha

Acompanho a mim mesma procuro status de ocupada nas linhas do horizonte distante que tracei co'as tintas de meus cabelos outrora vermelhos, hoje breus. Pimenta são os olhos dos outros nos meus colírios. Banho as mãos n'água quente de espumas sem toalha pra secar as lágrimas ou os apuros mensais. Mulher, meu alimento é a poesia. Humana, me alimento de ar. Um passo após o outro e nenhum me tira daqui ou me arrebata de lá. Copio ilusões e tomo posse do qu'inda terei antes do tempo previsto na agenda descartada de ontem cheia de rabiscos e riscos sobre as letras descartadas também. Desperdício de inspiração. Entoo uma canção antiga daquelas que Antonio Marcos não canta mais. O palhaço sou eu ou a tinta que escorreu do meu quadro? Não entendo as balbúrdias e os desassossegos a que me obrigo ou aos quais obrigo os que me amam. Amasso o coração já partido e se participo do ritual macabro de aliar-me ao elo que me une a um mundo perdido é por não ter absolutamente mais nada pra fazer. Não avalio possibilidades nem elas a mim. Pretensão boba essa minha de querer ser vista pelas possibilidades distraídas que estão com a arte de serem mínimas. Meu voo não alça dança salsa enquanto o palhaço ri da minha crença. Dias melhores virarão... 26.08.2009 - 21h

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Luz

Réstias de luz é o que quero pra mim pequenos brilhantes nos olhos. Quem acenderá a chama? 25.08.2009 -22h25min

Histórica miscelânea

Diga ao povo que finco pé
para o meu bem
e que se dane o resto!

Desperdício E morte lenta cancerígena dependência corrupção tresloucada assalto aos cofres públicos que moram nos bolsos dos desesperados os mesmos que trabalham de sol a sol pra não ter o que comer no fim da tarde. Miscelânea de históricas frases fases de outrora misturadas ao aqui e agora. O riacho poderia ser qualquer um o grito poderia ser até uma gargalhada; se fosse, seríamos mais felizes quiçá mais afortunados, já que mentimos uma felicidade carnavalesca sobre os cascos da nossa própria miséria? EM DEPENDÊNCIA HÁ MORTE! IN DEPENDE A PENDÊNCIA DA MORTE! DEPENDE DA NOSSA SORTE! DEPENDE DA SORTE DE TERCEIROS! DEPENDE DE QUALQUER COISA MENOS DA MORTE! IN É A MORTE? OU SERÁ A DEPENDÊNCIA? DEPENDE DE QUE? DA MORTE? OU SERÁ QUE PENDEMOS À MORTE OU MORREMOS DEPENDURADOS NOS YINS E YANGS DE UMA HISTÓRIA DESCONHECIDA ESCRITA DESDE A NASCENÇA DO NADA? Quem se habilita ao grito? E à morte? Quem? Melhor: QUEM SE HABILITA À INDEPENDÊNCIA? (já que da morte não há como fugir...) 25.08.2009 - 22h

Antes que o Sete de Setembro

me pegue de surpresa...

Caras d'Arte

Máscaras são poemas ou muros onde a gente se esconde? Talvez nem isso... Talvez só uma outra forma de rosto... talvez o verdadeiro... talvez o sonhado... talvez o impensado... não sei. A pintura é um grito em verso, rasgado na tinta ou na tela. Da mente? 25.08.2009 - 21h30min Varatojo, tens cá uma fã de carteirinha. Belíssimo o teu trabalho. Sempre. Sempre. Bj. MÁSCARAS DE PAPEL; de José Antonio Varatojo: http://www.youtube.com/watch?v=FDdIrve5SVI

Aí, Brunno... vi no teu blog... COPIEI...rs...

25.08.2009 - 16h50min Obrigada, Brunno. Pela consideração, pelo respeito e pela simpatia (considere todos os ítens recíprocos). Saudações poéticas. Blog do Brunno Soares: http://cronicasdeafeto.blogspot.com/

Escritura

Escrevo o que sinto não exatamente o que vivo nem como penso ver o instinto. Escrevo meu suspiro meu fôlego largo meu pedido calado. Escrevo minha discrição tardia do que descrevi de dentro da câmara fria no instante exato em que sofri. É assim minha caneta minha tinta minha retina. É assim que me bate o pulso que me domina a energia dessa coisa que não comando nem entendo: a poesia. 25.08.2009 - 16h30min

Dá licença?

A poesia pede passagem perde uma vírgula no caminho uma perna de um A na outra esquina e um verso manco no banco da praça sem nenhum desmerecimento desse ou daquele sem nenhum constrangimento desse ou daquel'outro sem nenhum absurdo entretenimento de todos confunde B com C e defende a supremacia do grande T. A poesia inventa palavras absurdas e costura vocábulos de rua formando vestidos de sol pra lua nua dançar um tango em plena Praça da Alfândega em Paris. A poesia mistura tudo e já não diz coisa com coisa ou coisa com meretriz escrita em decassílabos perfeitos nos lençóis d'algum motel barato de beira de estrada deserta onde bêbados cantam enrolado e cães ladram sem trégua. A poesia penetra nas casas alheias e nas alheias mentes urbanas nas despertas mentes rurais e nas mentirosas mentes dos pedestais de prata inalcançáveis em suas brilhitudes. A poesia planta raízes de novos dizeres nunca dantes suspeitos de crimes contra a língua de sapo enrolada dentro da boca da mosca. E espanta os acomodados que tem olhos mas esqueceram de acender as luzes de dentro. Dá licença? 25.08.2009 - 16h20min

TRALHA!

Sugiro uma postura rígida de cabo de vassoura e balde de alumínio nos momentos de decisão 'per capita'. Por acaso aposto na cabeça do macaco que delibera leis de correntes e dita maledicências intraduzíveis aos ouvidos mais exigentes. Proponho um ponto de partida que seja chegada de outro, que é pra não bater de frente com a mesmice deliberada, muito em voga em tempos passados. Hoje não. Hoje tenta-se a todo custo ser único. O único bandido escapado. O único espertinho escondido. O único monstro disfarçado. Todos únicos. Ninguém igual. Ninguém de claro olhar. Nenhum gesto que não deseje algo mais, além do ato de gratuitamente dar. Entulho. Confissão macabra da falha. Percepção de mudança pra menos. Que o 'mais' é sonho de poeta. EU SOU POETA! Tralha jogada ao borralho. Lenha de fogueira já virada em cinza. Pó que ao pó voltou antes de fazer-se gente antes de fazer-se voz antes de fazer enluarada noite quente-se. Tralha perdida nas pedras do caminho que é de qualquer um menos de Drummond. No dele não havia sangue pra ser pisado. O sangue, no dele, dançava nas veias dos bendizentes e abençoados observadores de pedras e pássaros e carvalhos. Tralha de qualquer pedra, eu, poeta, que insisto em acreditar no que ainda não vi... Ainda... 25.08.2009 - 16h

Tantos olhos

Tantas formas, tantos ditos, tantas suposições tantas barganhas, tantos retornos, tantas imposições tantos sufocos, tantos delírios, tantas ilusões tantos tormentos, tantos martírios, tantas imperfeições tantas carcaças, tantas cachaças, tantas colisões tantos boêmios, tantos lamentos, tantas alusões tantos tântricos gestos digeridos nas imensidões tantas artimanhas góticas distribuídas nas estações tantos e tamanhos gostos diluídos nas incompreensões tantos INs, tantos ONs, tantos OFFs e siglas nas confissões tantos TILs, tantas sílabas, tantas juras pagas às prestações... Tudo muito lento tudo muito astutamente lerdo tudo limitado. Folha de outono rasgando os olhos da primavera... 25.08.2009 - 10h15min

sábado, 22 de agosto de 2009

Conjecturas

Se os limites tremerem os galhos da razão e os umbrais entrelaçarem os dedos nas cortinas de fumaça soltas pra disfarçar o embaraço e o abraço do vento nas costas da serpentina rasgada de feno e suor, se o término acompanhar o ritmo lento da canção de outono e o corpo despedir as brumas nos lençóis gastos de fibras nos altos das notas musicais soltas no ar - sonoras bolhas de sabão colorido - de imagens e carcaças de sucessos não-tidos, se se esvaem as areias nas mãos que não se fecham, se prendem as sensações arranhadas de minúsculas pedras preciosas, se os agradecimentos inutilizam os sacrifícios e se os cumprimentos arrependem os colírios nos lacrimosos olhos azuis, se não adianta mais implorar ou ouvir, sorrir ou invejar, saber ou converter em moeda corrente, se não vale o ouvido atento ou a boca sincera, então as conjecturas esconderiam verdades que não virarão... 22.08.2009 - 18h30min

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Agulha no palheiro

As dobras aparecem na fé da esmola escondidas nas bainhas dos olhares disfarçados sem a noite ou sem a sombra intermediária que supre os cantos das soleiras das portas. Mangas arregaçadas no frio de inverno intentam as cotas de orvalho que me dividem em quinze sobreviventes de outras eras. As heras crescem na loucura vã dos princípios que ninguém escolheu sem imposição macabra. Pastos secos acumulam olfatos de estrelada natureza. Esvaem-se as linhas de orgulho no meio das serragens. As ferragens retorcem os brincos de prata perdidos no rasgo do riso vermelho apagado de sopetão da tela fria. Alecrim. 20.08.2009 - 23h39min

Fotografia

Rasgo fotografias. A lixeira transborda. Transpassam-me os dias. Lembranças demais atrapalham impedem o passo adiante prendem os calcanhares ao que já foi. Amasso fotografias. A paciência transporta ilusões. Andanças demais extrapolam limites penetram intimidades desprendem afetos caros. Guardo fotografias. Imagens congeladas do que existiu. Transcrevo alegrias. Pensamentos preciosos encorajam impelem o passo adiante deslizam os calcanhares ao que há de vir. É o que deve ser. O que escrevi.... 20.08.2009 - 14h11min

Ambiente

O livro abandonado na gaveta denuncia a paralisia coletiva. Nenhuma discussão que encabece a noite. Nenhuma prenda que encerre a briga. Nenhuma confissão tardia. O coro entoa um não-sei-que desconhecido e a lua não dança nem ilumina parada na sua inconstância na madrugada escura e fria. Ao canto da parede, jaz o porta-retratos vazio. O silêncio embrulha o espaço ao redor e a escuridão é coberta de mendigo proteção contra inquisidores olhares que não buscam respostas abundam recriminações. Confome o combinado o dia nasce lento. A vida segue lenta tartaruga aleijada arrastante de cascos enfileirados num caminho vacilante numa trilha sem brilho ou gargalhadas. Névoa. Tentação de equilíbrios. Os mesmos que se renderam há anos e da mesma forma se cobriram de espantos e dizeres malditos. Tudo ferve. Pedra sobre pedra é coisa do passado. Tudo explode e se contradiz. O breve instante de ver.... 20.08.2009 - 14h08min

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Laço

Um único meio de contato e o laço rompido num repente. Assim, meio sem jeito, meio sem razão, meio sem susto, ou saturado dele. O laço rompido num repente. Um botão desligado um fio cortado um frio no estômago e o laço rompido assim num repente. Deserto escarrado na areia. Frequente cordão cedido solto n'água desnuda. E o laço rompido assim num repente. Parêntese aberto perdida a direção do laço rompido repente. Rebento de silêncio não-anunciado. Etéreo sonho desperto. Laço rompido num repente. Evidente primogênito da dor o tal laço rompido num repente. Ouve, ao longe, muito claro muito nítido muito limpo o barulho da janela que se fecha. O solista já não canta. Setembro não terá flores. Só um laço rompido num repente. 19.08.2009 - 21h37min

Coletivo

Encontramos curvas nos labirintos da mente ou desmentimos os cravos das madeiras que insistem em resistir ao tempo. Enfrentamos abraços de polvos enevoadas carcaças de pólvoras amanhecidas nas conchas das mãos em brasa. Esquecemos por onde andaram nossos pés ou os açúcares das letras pintadas nas paredes das impertinências fantasticamente criadas pra desviar as canções caladas nas gargantas dos outros, que não conhecemos. Espantamos os fatos nas pontas das canetas e embriagamos as vertentes de perguntas e palpitantes vôos de trombetas. Sacrificamos o sangue de terceiros porque do nosso já não há gota nem nada mais que valha um níquel. Mostramos as fontes no brilho das frontes postadas nas portas dos orfanatos que não visitamos dos quais tampouco ouvimos falar no raso das línguas superficialmente ornadas de pétalas vermelhas de flores e coloridos vasos alheios. Montamos quebra-cabeças antigos e entoamos recitais dos quais não lembramos nem queremos nem questão faríamos não fossem os delírios de uma sociedade anônima ou de uma lucidez entranhada nas veias envelhecida de pouco uso. Caminhamos a lentos passos trôpegos e não escolhemos o destino ele é que nos separa do trigo; joio, nós, os obtusos seres que perambulam nas ruas de pedras empertigados de tolos orgulhos que morrerão conosco ou antes de nós. Té que o controle se esgote e o sol brote das raízes jamais plantadas por mãos nunca conhecidas. 19.08.2009 - 21h26min

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Coletânea

Mudo minha mudez solto a língua e destravo a hora escolho a soma e a batalha não escondo as armas as que tenho são essas essas as de que disponho. Pontuo as condições conduzo o discernimento com base no que meus olhos não vêem. Meu corpo estremece. Compactuo com o tempo que passa. A pasta engrossa o caldo e eu já não vejo um palmo quanto menos os riscos da palma da mão que me disseram que indicavam longevidade. Estou muito distante dos meus dias preferia estar longe dos meus ais... 13.08.2009 - 15h30min

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Até o dia amanhecer

Insone aventura pelos teus risos. Madrugada: suculento abacaxi. Sucessivas histórias de dois e os olhos acesos e os lábios acesos e a vida acesa na via do afeto. 12.08.2009 - 16h20min TI

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Aceno o lenço branco da partida anunciada

Aceno o lenço branco da partida anunciada os avisos foram mil mil sonoras despedidas outras mil silenciadas pelo medo da hora que viria. E veio... Aceno o lenço branco da partida anunciada as composturas todas perdidas as forças todas agrupadas pra não dar trégua ao arrependimento e manter os pés na estrada escolhida. O medo da hora que viria. E veio... Aceno o lenço branco da partida anunciada jamais dirão que foi num repente jamais dirão que foi num arranque jamais dirão que foi sem medida. A medida do medo da hora que viria. E veio... Aceno o lenço branco da partida anunciada molhado d'água salgada vertida não se sabe d'onde. Jamais dirão que foi sem dor. A dor do medo da hora que viria. E veio... Aceno o lenço branco Aceno o lenço Aceno o branco O lenço O branco O aceno O medo A dor A hora A vida A outra vida Todas as outras vidas Todas as despedidas Todos os acenos Todos os lenços Todos os brancos Todos os medos Todas as dores... Tudo o que viria... O que veio... O aceno branco e o lenço da partida anunciada. O lenço anunciado e o aceno branco da partida. O branco aceno e o lenço anunciado, partido. A partida branca e o aceno no lenço anunciado. O anúncio partido e o lenço branco acenado. O lenço O aceno O anúncio O branco A partida que viria... E veio... 11.08.2009 - 15h41min

Das escolhas

Toda escolha implica uma perda perde-se tempo perde-se força perde-se sossego perde-se algo que muito se queria perde-se o fio da meada a bainha do dia a estrela sagrada Toda escolha exige que se abra mão d'algo que antes havia talvez fosse bom talvez nem tanto talvez nem deveria ser motivo da escolha outra aquela que se perdia. Toda hora cada instante cada partícula de vida é encruzilhada. E as escolhas sejam quais forem definem o agora... Amanhã... Minha escolha será hoje... 11.08.09 - 15h30min

sábado, 8 de agosto de 2009

Iguaria

Caviar? Ova de esturjão, isso sim. E sabe ser bom... 08.08.2009 - 17h19min Não é poesia? Porque?