quinta-feira, 6 de março de 2008
Hora marcada
Exupéry escreveu, eu assino embaixo:
"se vens às quatro da tarde,
desde as três começarei a ser feliz";
e acrescento, humildemente, no meu terno desejo
de fazer-te ver o quanto me és caro:
se vens às quatro da tarde,
desde o instante primeiro
em que eu soube disso
ou que adivinhei, ou sequer suspeitei
que viesses às quatro,
ou às três,
ou à meia noite,
ou quem sabe às seis,
fui mais do que feliz.
Andei saltitante à tua espera.
Corri pelos bosques e ri alto,
criança solta entre brinquedos raros.
E sonhei contigo.
E cantei com o sonho que tive contigo.
E dei-te minhas mãos e minha vida,
no sonho que tive contigo.
E sentamos juntos, debaixo da macieira,
pra contar histórias vividas,
engraçadas ou sofridas,
pra lembrar passados
e rir das lembranças tidas;
no sonho que tive contigo.
Até que venhas à hora marcada
e ao invés de sonhar
eu viva contigo...
Aos 11 minutos do dia 06.03.2008
quarta-feira, 5 de março de 2008
Condicionantes?
Sem chuva, que graça teria o sol?
Sem sol, qual o desejo de chuva?
Se não fosse a esperança, o que seria dos homens
que andam desgarrados, à procura de abrigo
não para o corpo, que este qualquer marquise oferece,
mas para a alma, para o peito coberto de feridas,
nenhuma cicatrizada, todas doloridas?
Se não fosse um sorriso, que cor teria o dia?
Se não fosse um abraço, qual a força da dor?
Se não fôssemos todos
o que seria da vida?
Se não fosse a vida,
o que seria do amor?
No primeiro milésimo de segundo do dia 06.03.2008
ou no último milésimo de segundo do dia 05.03.2008
A ORIGEM DA MORTE

Mitos sobre a origem da morte envolvem com freqüência uma discussão entre dois seres, como no seguinte relato do povo shoshoni das planícies ocidentais.
No tempo antigo, as duas figuras mais importantes eram o Lobo e o Coiote; este sempre tentava contrariar os desejos do Lobo. O Lobo disse que quando uma pessoa morria poderia ser trazida de volta à vida atirando-se uma flecha na terra abaixo dela. Mas o Coiote disse que era uma má idéia trazer pessoas de volta à vida, porque haveria gente demais. O Lobo concordou, mas decidiu em segredo que o filho do Coiote seria o primeiro a morrer, e só com esse pensamento provocou a morte do menino. Logo o triste Coiote contou ao Lobo que seu filho havia morrido. Ele lembrou as palavras do Lobo: que as pessoas poderiam reviver se uma flecha fosse atirada embaixo delas. Mas o Lobo alegou o que o próprio Coiote havia dito: os homens deviam morrer. E desde então foi assim.
In:MITOLOGIAS - Deuses, heróis e xamãs nas tradições e lendas de todo o mundo - Organizador: Roy Willis (Publifolha)
05.03.2008 - 23h28min
*Imagem: Obra de Salvador Dali, em http://z.about.com/d/cleveland/1/0/e/5/-/-/softcma.jpg
*"Mundo, mundo, vasto mundo..."
Há mundos e fundos
e fuscas velhos
abandonados em terrenos baldios.
Há mundos e mundos
abandonados em bairros baldios.
Há mundos e mundos
nos mundos dos fundos dos poços
em que abastados moços
riem alto e reclamam da boa sorte tida.
Há mundos e fundos
mergulhados na imundície humana
na lamentável falta de assistência
em todos os sentidos.
Há fundos mundos à parte
vivendo malditos e esquecidos.
E há medos nos mundos...
Em todos os mundos há medos fundos
de que outros mundos tomem
os mundos que pertencem a estes,
àqueles, ou a terceiros.
E há mundos perdidos dentro dos quartos,
entre as quatro paredes dos barracos
de uma única peça que não se sustenta há anos
mas que sobrevive...
e fuscas velhos
abandonados em terrenos baldios.
Há mundos e mundos
abandonados em bairros baldios.
Há mundos e mundos
nos mundos dos fundos dos poços
em que abastados moços
riem alto e reclamam da boa sorte tida.
Há mundos e fundos
mergulhados na imundície humana
na lamentável falta de assistência
em todos os sentidos.
Há fundos mundos à parte
vivendo malditos e esquecidos.
E há medos nos mundos...
Em todos os mundos há medos fundos
de que outros mundos tomem
os mundos que pertencem a estes,
àqueles, ou a terceiros.
E há mundos perdidos dentro dos quartos,
entre as quatro paredes dos barracos
de uma única peça que não se sustenta há anos
mas que sobrevive...
Os mundos convivem à força, e, no fundo,
forçam as entradas das entranhas das gentes.
Sim.
Os mundos são feitos de gentes....
Os mundos são feitos do fundo de nós...
05.03.2008 - 21h01min
*Esse título é um verso do Poema de sete faces,
05.03.2008 - 21h01min
*Esse título é um verso do Poema de sete faces,
do eterno Carlos Drummond de Andrade
**Imagem colhida esta tarde, enquanto esperava o ônibus
que me levaria ao meu destino...
terça-feira, 4 de março de 2008
'Sei que nada sei'
Rebuscando entre os poucos aprendizados
que tive ao longo de quase metade da minha vida
descobri que nada aprendi, que nada salvei.
Sou um tanto de conceitos que se renovam
a cada momento, como as células do meu corpo,
como as expressões do rosto de quem amo.
Não sei nada sobre nada, porque
tudo renasce a cada instante,
tudo se modifica toda hora,
tudo se reconstrói,
cresce, às vezes desaparece,
outras vezes simplesmente carece
de qualquer outra definição. Apenas é.
Rendo-me às lições que me rondam.
Nessa segunda metade da vida,
quero aprender....
04.03.2008 - 23h
Catarse
Escrever é um vício
que me traz alívio
de tudo o que me enche
e não tem por onde escorrer.
Transbordo o que me vai
por dentro de dentro de dentro
de...
Não guardo pudores neste ato
como não guardo pudores
naquele ato, é fato que
o fogo queima e levanta bolhas
e as bolas de fogo que cuspo
nas páginas brancas que lês
são meus desatinos
meus absurdos
meus impropérios
meus alfinetes
e colchetes
e remédios.
Sortilégios que se bastam
a si mesmos, exaustos de andarem
presos entre as grades das convenções
que me obrigam a andar numa linha imaginária
que eu não pintei!
Rente à vida segue a corrente maldita
da tradição.
Debato nos meus versos
a revolta que me cabe
e a que não me cabe
e a que não quero ver
e a que me cansa
e a que me lança
pra longe do universo direitinho
e estreito dos dois olhos que são um
e por isso mesmo vêem pouco
e limitam a visão do outro
por imposição
por disposição
de encaixotar o visto
e negar o existente
que está ali
nas fuças do vivente.
Esperneio pra que as cordas não me prendam deveras.
Soqueio as paredes e minhas mãos se ferem.
Choro.
Não sei para onde correr.
Busco explicações nos poetas que amo.
Alento.
Consolo.
Esperança.
Neles, esse mesmo desejo de muda.
Essa mesma gana de muda.
Esse mesmo grito de muda.
E mudo.
Emudeço.
Medito.
Sossego.
Ardo em febre.
Curo as feridas.
Suo.
Bendigo.
Mendigo um pouco de água
num deserto de belezas puras.
Purifico a mente.
Esqueço...
04.03.2008 - 22h52min
segunda-feira, 3 de março de 2008
Eis a questão:
Se uma fração de segundos pode mudar uma vida,
o que dizer de um dia inteiro?
03.03.2008 - 02h16min
domingo, 2 de março de 2008
Os 50 mais...
Atendendo a uma proposta do Fabrício, amigo, poeta e irmão (não de sangue, mas de coração), disponibilizo a lista dos 50 livros que mais gostei até hoje. Fabi pediu que eu colocasse na ordem de preferência. Infelizmente não vai ser possível fazer isso, com exceção dos dois primeiros. Os restantes não tenho como classificar, já que tenho todos como livros mais do que maravilhosos e para os quais volto sempre que possível, com a mesma gana da primeira vez; minto: com uma gana maior que da primeira vez, já que, depois da segunda, já sei o quanto aprendi naquelas páginas e quanto prazer sinto em revisitá-las. Logo, depois de tentar colocá-los em ordem de preferência muitas vezes, desisti de tamanho trabalho, não vi coerência na minha classificação; nem coerência nem constância, já que fiquei trocando de lugar muitas vezes...rs...
Aí vão os 50 mais, pra mim...
*Geórgicas - Virgílio
*Genoma - Roberto Amezquita
*Ensaio sobre a loucura - José Saramago
*Médico de homens e de almas - Taylor Caldwell
*Assim falava Zaratustra - Nietzsche
*O livro dos abraços - Fernando Galeano
*Einstein, explique, por favor - Jean Claude Carrière
*A escola que sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir - Rubem Alves
*O príncipe - Maquiavel
*Para além do bem e do mal - Nietzsche
*A sujeição das mulheres - Stuart Mill
*Ensaio sobre a liberdade - Stuart Mill
*A estátua e a bailarina - José A. Gaiarsa
*A cegueira e o saber - Affonso Romano de Sant'Anna
*Mensagem - Fernando Pessoa
*Ecce Homo - Nietzsche
*Amores sobre o Don - Heinz G. Konsalik
*Crônicas de uma educação vacilante - Claudio de Moura Castro
*A arte de escrever - Schopenhauer
*O alienista - Machado de Assis
*Estrela da vida inteira - Clarice Lispector
*O ser e o nada - Jean Paul Sartre
*A divina comédia - Dante
*A hora da estrela - Clarice Lispector
*A paixão segundo G.H. - Clarice Lispector
*Água viva - Clarice Lispector
*Mito e significado - Claude Levi-Strauss
*A psicanálise dos contos de fadas - Bruno Bettelheim
*Livro do desassossego - Fernando Pessoa
*O morro dos ventos uivantes - Emily Bronte
*Vigiar e punir - Michel Foucalt
*Casa grande e senzala - Gilberto Freyre
*1984 - George Orwell
*Quando Nietzsche chorou - Irvin D. Yalom
*O dia do curinga - Jostein Garder
*O mundo de Sofia - Jostein Garder
*Metamorfose - Kafka
*O caçador de pipas - Khaled Hosseini
*Insustentável leveza do ser - Milan Kundera
*A menina que roubava livros - Markus Zusak
*Confesso que vivi - Pablo Neruda
*A alegria de ensinar - Rubem Alves
*O nome da rosa - Umberto Eco
*Eneida - Virgílio
*O tempo e o vento - Érico Veríssimo
*Inteligência Emocional - Daniel Goleman
*O poeta ao piano - Michiko Kakutani
*Satiricon - Petrônio
*A hora de todos - Quevedo
*Todos os de Mário Quintana (o que me faz citar aqui mais de 50... desculpa, Fabi, ultrapassei os limites...rs)
02.03.2008 - 19h30min
Conseqüência
Forneces uma palavra
com ela te faço um verso
se me deres um verso
escrevo um poema
se me ofereces um poema
invento um conto
se,porém, um romance ofertares,
então terás nas mãos
a vida dessa poeta...
Traça na mão que escreve
a linha da vida...
02.03.2008 - 17h52min
Sangrando
Enlouquecida ando a passos largos
pelas avenidas de letras malditas
evitadas por transeuntes menos afeitos
às descobertas ousadas ou às perigosas
incursões pelo mundo hostil da escultura
em argila quente e da viagem sem volta
para o mundo construído além, que ninguém viu.
Volteio em danças sem acordes
e acordo os cães raivosos de baba venenosa.
Não busco nada além do verso
que jamais escrevi.
Não crio nada que não grite aos teus ouvidos.
Fúria e terror na linha do café expresso
sobre a mesa de um bar desconhecido
na companhia de um bêbado velho e sujo
de quem ninguém sabe o que será...
Medito sobre os passos que não dei
e sobre os fantasmas que carrego comigo.
Transporto os desejos que tenho nas costas
em largas aljavas feitas de saco amarrado
e tingidas com meu sangue fresco.
Sou sangue. Sangro o tempo todo.
Verto vida agri-doce por meus poros todos.
Energia que não cabe em mim.
Transbordo e te assusto deveras.
Não condeno as fugas ou os medos
ou os momentos em que evitas
o turbilhão de emoções que afugenta.
Eu sangro.
02.03.2008 - 17h42min
Desejo
Vestiu-se de negro e saiu na noite escura.
Assim camuflada descobriu que só o que queria era ser notada...
02.03.2008 - 17h13min
*Um miniconto
I-limitado
O limite da exaustão é uma marca.
Sono insuficiente.
Comida insuficiente.
Leitura insuficiente.
Amor demais....
02.03.2008 - 01h04min
Exposição
Esculpo versos numa folha virtual
que só toco através de um teclado.
Proponho imagens co'a imagem que faço de mim.
Exponho meu peito à crítica alheia
e enveredo por um caminho claro
de duas concepções: a minha e a de quem me lê.
Mas eu não conto.
Uma vez escrita, sou letra e impressão.
Uma vez escrita, transporto-me ao universo
único e plural das vozes múltiplas
dos conhecimentos diversos
das várias interpretações.
Meu corpo aberto e nu.
A alma sobre a mesa.
E olhos famintos a engolir
o interior do interior do interior
do que ainda virei a ser...
Aos 54 minutos do dia 02.03.2008
Criação
Compulsiva, crio poemas que gritam
de dentro de mim.
Repulsiva, grito crias poéticas de mim.
Criativa, esqueço de mim
e não crio....
Aos 45minutos do dia 02.03.2008
Sobriedade
Desordem na importância das horas
acordo quando deveria dormir
durmo quando deveria acordar
não devo, quando deveria
devo, quando não deveria
recuso-me a andar nos trilhos
evito as trilhas e prefiro os caminhos
ainda não abertos por mãos alheias
exploro, imploro, recolho impressões
inexatas e cheias de erros pagãos
não sei o que digo e
dito mistérios alquímicos
para um escrevente invisível
que me olha sem me ver
e me sorri um sorriso desdentado e cru
não sei o que sigo e
sinto a cegueira dominando o mar
não sei o que desconheço
nem o que conheço
nem o que não sei.
Ando a esmo, meio sem rumo
ou propósito de ilha perdida
ou deserta ou povoada de estranhos
seres compostos de estrelas
e brilhos artificiais.
Lúcida.
Aos 42 minutos do dia 02.03.2008
Transbordamento
A fonte do verso volta a verter
forneces alimento e loucura
suficientes para fazer nascer
verbos aos cântaros
palavras dançantes
delirantes desígnios vocabulares.
Escrevo sem pensar
sentir é que é o segredo.
A textura da linha
a textura da letra
a textura da pedra
que apanho devagar
e construo o primeiro
degrau da escada
que me fará ver
o que não sei...
Aos 32 minutos do dia 02.03.2008
Compasso
Confundo os caminhos que me levam ao destino exato
todas as pedras se fundem num só mistério
não há mais que estrelas mortas no céu sem luz
e o arco-íris brilha na minha janela, depois que teus olhos
lacrimejaram, saudosos de um tempo que ainda não vivemos
ou sim, ou já, ou além de nossa percepção pequena.
Confesso os descaminhos e desculpo os horários diversos
que entrelaçam as dificuldades e os abortos de monossílabos:
eu, tu, nós...
Visto-me de orvalho e infinito na noite fria e úmida
que se transforma em madrugada e escuridão precisa
conforme a inexistência do tempo ou da visão que tenho dele
e de tudo o que ele representa: os dragões, as serpentes, as rugas,
os equilíbrios e as loucuras, os desejos latentes e as conquistas suadas;
os versos, as canções, as imagens que não se formaram
e as que tivemos entre delírios e ilusões; e as que não tivemos...
e as que apenas tivemos, sem promessas ou propostas,
sem sequer palavras ou traduções em línguas nossas;
e as que tivemos em secreto ou em aberto ou em qualquer
outro espaço que não o de dentro ou o de fora ou de cima
sentidas sem pena ou compromisso com o que quer que seja
diferente do que é simples e belo, como o amanhecer de um novo dia.
Tempo.
Linearidade.
Distância.
Vontade.
Não há.
Corro entre as cobertas que escondem o amanhã
que desconheço e estremeço entre as penas que virão
ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não
os instrumentos de percussão tamborilam nos meus ouvidos
poesia instrumental que mora em mim
no meu peito
sempre que te vejo
sempre que te toco
sempre que te...
Há.
Aos 21 minutos do dia 02.03.2008
todas as pedras se fundem num só mistério
não há mais que estrelas mortas no céu sem luz
e o arco-íris brilha na minha janela, depois que teus olhos
lacrimejaram, saudosos de um tempo que ainda não vivemos
ou sim, ou já, ou além de nossa percepção pequena.
Confesso os descaminhos e desculpo os horários diversos
que entrelaçam as dificuldades e os abortos de monossílabos:
eu, tu, nós...
Visto-me de orvalho e infinito na noite fria e úmida
que se transforma em madrugada e escuridão precisa
conforme a inexistência do tempo ou da visão que tenho dele
e de tudo o que ele representa: os dragões, as serpentes, as rugas,
os equilíbrios e as loucuras, os desejos latentes e as conquistas suadas;
os versos, as canções, as imagens que não se formaram
e as que tivemos entre delírios e ilusões; e as que não tivemos...
e as que apenas tivemos, sem promessas ou propostas,
sem sequer palavras ou traduções em línguas nossas;
e as que tivemos em secreto ou em aberto ou em qualquer
outro espaço que não o de dentro ou o de fora ou de cima
sentidas sem pena ou compromisso com o que quer que seja
diferente do que é simples e belo, como o amanhecer de um novo dia.
Tempo.
Linearidade.
Distância.
Vontade.
Não há.
Corro entre as cobertas que escondem o amanhã
que desconheço e estremeço entre as penas que virão
ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não
os instrumentos de percussão tamborilam nos meus ouvidos
poesia instrumental que mora em mim
no meu peito
sempre que te vejo
sempre que te toco
sempre que te...
Há.
Aos 21 minutos do dia 02.03.2008
*O registro do arco-íris foi feito no instante
mesmo de lacrimejante saudade...
sábado, 1 de março de 2008
Caímos
perdemos de vista as luzes
alumiamos escuridões
escorregamos nos corrimões
das escadas que nos levaram
para além do espaço reservado
a cambaleantes ilusões.
Cercamos o jardim
recolhemos as folhas dos plátanos
espalhadas pelo caminho
amareladas de outono
esperanças claras de renovação
e alimento de beleza constante
anualmente presente no dia.
Cercamo-nos de sorrisos
e palavras inteiras
mordiscadas aos poucos
deliciosamente perfumadas
de essência de limão e mel
buscamos o alucinado ritmo
da manhã que se anuncia no horizonte
como se fosse um baile de formatura
como se fosse um sonho de princesa
e um embrulho de mistérios e névoas
brancas como as penas do ganso que voa
para seu destino e sua realidade única.
Queremos o gosto da vida.
Queremos a seiva da solidão...
01.03.2008 - 01h47min
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Pretexto
O endereço certo é o teu peito
aberto para meu verso
disposto à minha palavra.
O espetáculo marcado pra hoje
tem reprise amanhã
com novo elenco
porque nos renovamos
refazemo-nos constantemente
somos outros, somos vários;
diversos moram em nós.
Não somos singulares.
Plurais, dançamos em grupo
alternamos falas e conceitos
concebemos diferentes pretextos
pra sermos...
nós...
28.02.2008 - 23h21min
O que há
Há canções, espelhos, corações
segundas, terceiras, décimas intenções.
Há línguas, linguagens, gestos e jeitos
de dizer e des-dizer, fazer e des-fazer.
Há toques, re-toques, escolhas e sentires.
Há construções e destruições
versos e contradições
surpresas e recepções.
E há nós...
28.02.2008 - 23h16min
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