quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Magia


Boneca de trapo
rasgam-se os panos
que te fazem mulher...








16.12.09 - 20h53min

Porção de mim


Monto as partes de mim
pra finalmente me ver inteira
não sou no entanto
jamais fui nem serei
meus pedaços andam dispersos
um tantinho em mim
e o resto
eu
não
sei
suspeito talvez algumas muitas peças estejam
dentro da tua íris escura
perdidas nas entranhas dos teus mistérios
das tuas frases cortadas
dos teus trinta escaldantes minutos
em velozes sessenta passadas.
Monto meus pedaços
quebrados de junturas
sem o que combine
o que se confirme
o que se adeqúe
ao espaço vazio
a
não
ser
que abras mão do que guardas aí
dos bocados do que sou
ou
no mínimo
dividas comigo
esses fragmentos de mim
que mudaram de casa
e resolveram ficar conTIgo
'té que os restituas
em mil encaixes do meu quebra-cabeças
com o teu...




Faltando 2 minutos pra amanhã... Porque hoje, por enquanto, ainda é 15.12.09
e a caixa do quebra-cabeças está conTIgo...

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Agora




Não diga nada
não faça versos
não minta nem omita os olhos.




Ontem se foi
perdeu-se atrás da cortina do tempo
marcou a pele
feriu o peito
plantou saudade
mas se foi.
Agora os rios
têm outras ondas
velejar traz outras luas
compreender tem mais sabor.
Agora as feridas cicatrizam
os sorrisos são mais meus
os passos dados
são os passos tidos.
Agora é o que tenho.
Agora é o que serei.





Aos 13 minutos do dia 15.12.09

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Incompletude




Cheguei antes
não avisei da minha vinda
não vislumbrei tua chegada.
Vieste bem depois
não previ tua vinda
e mesmo assim chegaste.

Cá estamos.

Eu, sabendo pr'onde ir
não sabendo onde vou dar.
Tu, sabendo onde vais dar
sabendo pr'onde ir.

Chegaste depois
bem depois
e tomaste posse das respostas.
Elas são tuas
ainda que estejam atreladas a mim...



Aos 18 minutos do dia 14.12.09

domingo, 13 de dezembro de 2009

Andança

Percorro meus instantes
meus anos
e meus versos
meus espantos
e meus empecilhos
minhas palavras
as ditas pela metade
as ditas em dobro.
Percorro meus domínios
meus desesperos
minhas indiscrições
minhas indefinições
minhas despedidas
minhas insistências
minhas acrobacias.
Percorro meus espetáculos
as pontas dos meus tentáculos
as influências que não tive
as compreensões que fugiram de mim.
Percorro as estradas desbravadas
e as evitadas, de puro medo
as escolhas perdidas
as erradas
as não assumidas
e as desencontradas.
Percorro as saudades florescidas
e as férias esquecidas.
Os nomes entalhados
e os mármores envelhecidos.
Os telhados de vidro
e os ouvidos surdos.
Os anjos adormecidos
e os sonhos amanhecidos.
Percorro as brumas
as ruas
os atalhos
as esquinas.
E não sei onde isso tudo vai dar...






13.12.09 - 23h38min

sábado, 12 de dezembro de 2009

Persistência

Brigo comigo mesma
sou mil razões de desacertos
discordo dos meus argumentos
remeto-me às últimas frases
persigo a desistência.
Prossigo.





12.12.09 - 18h29min

Conclusão

Assino um céu sem nuvens
dissolvo as línguas
descanso das falhas
desfaço os nós antigos
asseguro as próximas colheitas.
Amanhã haverá luz
nas pétalas das margaridas brancas.
Surpresa de cetim entre os dedos
dentes de sabre nas bocas de lua
santos desnudos nas capelas de rua
casas vazias de parágrafos
confissões de vozes mudas.



Aos 33 minutos do dia 12.12.09

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Diário

Assovio triste canção de dó
assumo as certezas inexatas
dos paralelos escolhidos
e das esferas lisas encontradas
nas solas dos sapatos novos rotos.
A remissão que não espero
aguarda por mim debaixo da porta
do quarto vazio de estrelas.
Imediatamente os atalhos dos eus
cobrem-se de heras
e de gratuitos espetáculos insanos.
Rotineiramente arrombo as histórias
e roubo frases pensadas
pelos meus outros ais.
Atrás dos espelhos os filmes
e os poemas únicos
as baladas antigas
e os badalos dos sinos
das demolições e dos medos.
Ameaçam as honras as horas dobradas
a dor no estômago quebra-me o corpo
e a alma é fugitiva dos sabores ocres.
O culto ao anonimato
faz namorar a indiscrição
e a chuva já não lava a alma.
Esqueço a quentura do sol.




11.12.09 - 22h47min

Nada

Ainda escrevo como sempre
(e 'sempre' é tão longo às vezes!).
Ainda escrevo com caneta de ponta fina
em agenda antiga vazia
comprada especialmente para versos
rabiscados
rebuscados vocábulos
nunca suficientes
(e 'nunca' é tão longo às vezes!)...

Escrevo insuficiências.






Aos 11 minutos do dia 11.12.09

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Sobre quem somos


São as palavras que nos definem
ou nossos silenciosos gestos?
Talvez o que deixamos de fazer
ou o que foi adiado.
Talvez o que negamos
ou o que deixamos de ver.
Talvez o que não queremos
ou o que dizemos não querer.


São nossas escolhas que nos definem
ou os nomes que damos a elas?





10.12.09 - 23h09min

Despertar

Estou acordada
não durmo mais
o ponto é sempre outro
estar desperta
é que faz a diferença.
Estou acordada
não durmo mais
o outro é sempre um ponto
estar diferente
é que faz despertar.
Estou acordada
não durmo mais
o outro é sempre diferente
o ponto é o despertar.
Não durmo.



10.12.09 - 21h

Puérpera

Forço a escrita de mais um poema
só pra descobrir que ele já era palavra
antes que eu desse o toque final
antes que os braços se formassem
e abraçassem um sem número de mortais
antes da forma do feto
antes que o broto abrisse
e o pólen se espalhasse pelas linhas
tão perfeitas do caderno velho
na cabeceira da cama branca
antes das interpretações milhares
antes das construções e dos acrescentos
antes das correções válidas e in
antes dos experimentos vários
antes de deixar-me levar pelas ondas de versos
que invadem meus instantes quietos
nas madrugadas quentes dessa euforia
antes que minha idade avançasse
para além dos limites da loucura permitida
antes de tudo e de todos os ocorridos
antes de todas as conversas
antes de todas as inspirações
antes de todas as invenções
e de todas as irritações possíveis.
O poema
esse mesmo
impresso agora
já existia
n'algum lugar
além...




10.12.09 - 01h28min

Herança

Rumino os dias
quem passa não sou eu
são os princípios
o resto é resquício
de outras passagens
outros passageiros.
Descanso.






10.12.09 - 01h07min

Feto

Nascer é iniciar a contagem regressiva
festejar o começo da partida
talvez daí as idas e vindas ao longo da vida
talvez daí os eternos começos
(formas de evitar o inevitável fim?).





10.12.09 - 01h

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Hoje




Sou elo de corrente embrutecida
de cansaço e torpor
canal de cãs pintadas
e trilha no meio do nada
pra lugar algum.
Serpente de ligeiras curvas
indiscretas revelações perturbadoras
problemas sem solução.
Sou poço d'água turva
e balde transparente de canetas azuis
folhas brancas em asas de borboleta
gosto de anis dentro do café da tarde
prato de sopa de ervilha quente
arrependimento de caco de vidro
nas telhas da cancela
na dobra do origami alaranjado
que jamais conheci.
Sou imagem e semelhança de mim
e estilhaço de sonho
no telhado de zinco
de cinco loucos dedos no teclado
querendo dizer o que não se diz.
Sou uma bolha no minuto
do relógio de pêndulo que eu não tenho
um fio de cordão cinza no pescoço
que não amarra nem distrai.
Sou a única nota desafinada
escapulida porta afora da noite.
Qualquer definitiva indefinição
do toldo que cobre o túnel
da nobreza ou da completa impressão.
Hoje.
Amanhã...
Não sei...


E tu
o que sabes de mim
qu'inda não leste
nas entrelinhas da razão
ou nos degraus da partilha
onde a boca seca
é símbolo de rosa cega
e linha vazia é sinônimo de apreensão?
O que sabes dos verbos calados
e dos des-ditos aos quatro ventos
enferrujadas tempestades
de litros de algodão ensopado de luz?
Hoje.
Amanhã...
Não sabes...
(Eu, nem...)







09.12.09 - 01h29min

Sei?




*Para ampliar, clique na foto

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Filha poesia



Filha poesia , filha e mãe , inseparáveis como coração dentro do humano
poesia no papel
filha na mãe,
inseparáveis como poesia no papel
tinta no pincel
inseparáveis
filha poesia
inseparáveis
um coração que não polui,
nem tem tristeza que com o tempo se espalha em nós
mas um coração com amor de filha poesia:
inseparáveis...

(Alina Aver)




08.12.09 - 23h12min
*Poetisa: Alina Aver, minha filha - vai ver que é por isso que eu amo tanto a poesia; minha filha É!
*Foto do mesmo dia, às 20h18min

sábado, 5 de dezembro de 2009

Passageira



Ponho à prova o que construo
hoje é quase ontem
e meu ponto de partida
mora no ponteiro que não pára
nem toma fôlego
um instante sequer.
Hoje é quase ontem.
Importa guardar lembranças
recortes dos minutos que passam
que se transformam
em outros suspiros.
Talvez...






05.12.09 - 23h28min

Mensagem

Propositalmente distorço as atenções
e as tensões são espectros inofensivos
frutos de divagações e meditados instantes.

O status quo não me interessa.
Só teus meios sorrisos e teus orvalhos
teus estudos teus orgulhos teus olhares diários
tuas importâncias e tuas iluminadas transcendências.

Tranço a sorte entre os teus dedos
cruzo os meus e te acrescento ao meu rol
de duas pessoas minhas.

As duas que eu quero aqui
pra hoje, pra depois e pra além
de tudo o que conheço
e tudo o que pretendo, ainda, viver...





05.12.09 - 23h

Azul




Azulejo a vida
a tinta eu mesma faço
misturo minha poesia
co'as alegrias com que me brindas
todos os dias
em que teus dedos me dizem
o quanto TI quero aqui..







05.12.09 - 22h34min

Tempo




Dança na pele branca
a lâmina quente da palavra
na fervura arisca do meu peito
teu hálito perdido na teia
de amor desfaço as bainhas
das cortinas do tempo
tatuado nas linhas do meu rosto.
Arrastam os chinelos os dias
e o sol passeia os dedos de raios
no alvo invólucro de mim.
Marcam-se dobras na epiderme
indeléveis testemunhos da idade
manchas apagáveis à vista
inesquecíveis à alma.
Perdão.







05.12.09 - 21h33min

Suspensão


Nas canções que não ouço
gravo os acordes que não conheço
e arrasto as impressões nas teclas
de uma tradição inevitável.
Embalo os brotos de lua
e os gomos de nuvens me prendem
aos laços de plástico
aos degraus dos pacotes
que arrumei na porta da rua.
Navego.












05.12.09 - 19h02min

Descanso



Levanto da cama feita
expresso minhas linhas
sem  longas jornadas
ou vazios de estrelas.
Fecho as janelas e
limpo as vidraças
ouço os ninhos
os arbustos
os trilhos.
Argumento.









05.12.09 - 17h

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Férias!!!!!

Quase férias
descanso
banho de sol
leitura
dormir tarde
ou nem dormir
de noite.
De noite acordar
de dia dormir
(quando nascer?)
tudo trocado
tudo 'errado'
tudo diferente.
Dias quentes
coisas por fazer
fazer outra coisa
que até tenho vontade
mas qu'inda não fiz:
pintar o sete
na parede do meu quarto
no muro da minha entrada.
Talvez esquecer
talvez lembrar
talvez encontrar
ou não.
Com certeza acertar
(não?).









02.12.09 - 22h01min

Timbre



Há formas e cores e angústias
que as agonias costuram na garganta
e fecham as possibilidades de sonho.
Há contos e cantos e contas
entrelaçadas nas pontas das sombras
entretidas co's desejos de outras luas
de outros solfejos.
Há fôlegos e folgas e folhas
em branco e rasgadas de dentro pra fora
claros princípios de afogamento
no reflexo de um gigantesco espelho
habitado por um fauno enfeitiçado de
malícia e juventude.
Há compreensões e coações e compressas
nas feridas nos arranhões nos vestígios
dos telhados e das teias rasgadas das veias
por onde correm os rios de calor e verdade.
Há janelas e portas e cercas
acertos de trocas e troças de borboletas pintadas
por pincéis azuis e regulares brumas.
Há coragem e inocência e alegria
nos fios dos olhos curiosos
que escutam os passos recentes
das tintas da vida

sem culpa...







Aos 18 minutos do dia 02.12.09

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Inevitável

Algumas coisas são inevitáveis:
pensar
sentir
crer.
Pensar no que for
sentir o que der
crer no que escolher.









01.12.09 - 23h51min

Da morte trágica*




E se tudo dependesse de nós?

E se tivéssemos a faculdade de ver adiante
o suficiente pra impedir os desastres
que nos escapam entre os vãos dos dedos
e sobre os quais não temos o menor poder?
E se pudéssemos evitar as dores
e os sustos que a vida nos reserva
depois da próxima curva
e depois dela
e depois da terceira?
E se tivéssemos plena autoridade
e força e estrutura
pra proteger nossos amores
de qualquer sorte de misérias?
E se fôssemos capazes de inventar uma redoma
à prova de qualquer coisa que fosse diferente
da plena felicidade eterna?
E se, com os pés bem plantados no chão,
até admitíssemos um ou outro contratempo leve
só pra não ficarem os nossos dias
tediosos por demais?
E se fôssemos tão irmãos
a ponto de não haver nenhum interesse
em nada que não fosse para o bem do outro?

E se, 'hipoteticamente', nada disso fosse possível,
e nós aceitássemos que somos apenas humanos
sujeitos a todos os percalços de nossa condição,
inclusive descobrir que não temos culpa?

Sentiríamos, então, um tanto de alívio
das dores todas do mundo?





01.12.09 - 21h11min
*E não serão todas as mortes, tragédias?
**Foto: Instalação na 7ª Bienal do Mercosul - Porto Alegre - 07.11.09

Nascer



Poesia é a cor do papel
que registra data e hora
da tua chegada.
As dobras, os rasgos, os amassos,
o tempo que não pára,
os amigos que ficaram
e os que deixaram de ser,
as feridas cicatrizadas,
as abertas, as que nunca deixaram de doer;
as linhas no rosto,
a opacidade nos olhos,
as cãs, as lembranças,
os amores, as lutas vãs.
Tudo isso é vida
e explode na luz de cada dia,
nas novas aventuras
nos novos desejos,
nos outros desenhos de flores
ou de espinhos ou de dissabores,
tanto faz hoje
tanto fez ontem
tanto farei amanhã...
Há muito por fazer...








01.12.09 - 19h

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

HisTórIa

O primeiro dia do mês de dois anos:
debaixo dos laranjais
um pequeno e triste príncipe mascarado
e um suco ácido de mistérios insolúveis
desvendados aos poucos
feito embrulho de presente desejado
em noite de Natal feliz.
Os espelhos e os espinhos
as certidões amareladas
pontes distanciadoras
de frágil papel poético...

e as descobertas dos risos soltos
na tua boca séria de homem maduro...

as madrugadas não percebidas
os conceitos os livros os fatos
que criaram vida assim
meio sem querer
(foi sem querer?).

O primeiro dia do mês de dois anos.
Foi assim...
Assim haverá de ser?





30.11.09 - 23h33min
*Quase o dia primeiro do ano dois. Feliz aniversário!!!!!!!

Simone

Suo
ou
sou?
Serei!








30.11.09 - 22h

P&B



As minhas cores são duas
a que eu mesma me pinto
e a que me bordas
quando esses teus olhos tristes
'cuidam' de mim...






30.11.09 - 21h38min

Ponto com



O charme de um ponto no escuro
é a linha que não sabe onde esconder
é o fundo do encontro no muro
é o princípio que procura prever.
O oposto da ponta da lua
é a coberta de brilhos do amanhecer
é a proposta que já não existe
é a insistência que deseja obter.
O particípio passado presente
é o que inexiste na dança da vida
na gota de destino embaçado
embaralhado no sangue da sina
que pulsa
que pulsa
que pulsa
que inferniza
o raio da estrela
que se eterniza
nesses teus olhos tristes...





30.11.09 - 21h03min
*Foto: Obra exposta na 7ª Bienal do Mercosul - Porto Alegre - 07.11.09

Crise


Tenho crises criativas
ao contrário do comum
suo poesia em versos
invento canções e desenhos
desdenho da ilusão.
Qualquer frase é um bom motivo
pra montar outra emoção
desfaço interjeições
enfrento objeções
enfeito um céu nublado
de flores e capins.
Sou outra e outra pinto
mulheres nuas
cavalos marinhos
fatos de cetim.
Flutuo sobre seda
sinto frio bem no começo
vela acesa permaneço
componho linhas de algodão.

Tenho crises criativas
vidas próprias dentro em mim
luzes, luas, veraneios
e tecidos cor carmim.





30.11.09 - 20h17min
*Rimas são crises!
Ferros são escadas de sins...

Prisma

Tudo depende do ângulo
com que teus olhos vêem
o que está exposto ou o que se esconde.
Depende do quanto pretendes ver
ou do que gostarias
e daí as fantasias
e os desejos sem porquês.
Depende da forma com que buscas
e do lado em que estás
se estás dentro, vês de um modo,
se fora estás, talvez nem vejas
ou tua visão seja tão nítida
que nada se poderá esconder de TI.
Se o ângulo te for generoso
talvez vejas o belo
sob ou sobre o difuso.
Se houver menor valia
talvez o problema sejam os olhos
e não o objeto que se divisa
entre os outros milhares dispostos
ante o teu olhar atento
que vê
e às vezes silencia...
(nem por isso menos propenso
ao engano).
Cuidado com o ângulo...







30.11.09 - 19h33min

Aquarela sobre algodão




Obra de Alina Aver (aos 8 anos de idade)




30.11.09 - 19h25min
*Porque toda forma de arte é poesia...

domingo, 29 de novembro de 2009

Estabilidade




Pé ante pé componho meu caminho
mudo de direção e amplio horizontes
diária e meticulosamente
como quem realiza complicadas cirurgias.
Mudo a todo instante
novos interesses somam-se aos antigos
não jogo fora nada
não descarto outros motivos.
Talvez essa gana de novidades
esse instinto de conhecimentos vários
precise dessa tua estabilidade
que me mantém no prumo;
sem ela, provavelmente, eu me perderia
na interminável teia de inesperados.

Tua permanência mantém meus pés no chão.
E é assim que deve ser....






29.11.09 - 16h37min
*Obrigada por essa tua resistência às mudanças

O nome




Um nome pesa na balança
da pequena importância.
Um nome que não alcança
nem mede, nem mostra
o tanto do tamanho do dono
que se ri da pequenez do valor
das cinco letras e de todas as que vem depois.
Um nome que significa 'alegre',
alcunha desses teus olhos tristes.
Ainda assim,
se eu fosse escolher como te chamar
esse teu nome seria o ideal
não por te definir
mas por ser teu
e meu
desde que escolheste
ficar por aqui...





29.11.09 -2h15min
*Cais do porto - Porto Alegre - 07.11.09
Pq esse teu nome alegre
mora num  homem que gosta de chuva...


sábado, 28 de novembro de 2009

Céu de poesia



Um céu de poesia
nesse meu triste abraço
de diamantes amanteigados
de supostas previsões enriquecidas
de ligeiras passadas paradas no tempo.

Esse mesmo tempo
que voa
que vira
que invade a distância
e aumenta a diferença.

Um céu de poesia
sobre o tempo azul
que me arrasta

pra longe?




28.11.09 - 20h33min
*Foto: O firmamento; Bento Gonçalves, em out./09

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Eu gosto...


das contradições
dos avanços
dos acasos.
Eu gosto das consequências
das reentrâncias
das existências.
Eu gosto do que não há
nas aparências,
dos banhos de lua,
de sol,
de estrelas.
Eu gosto dos sonhos
e das sensações fartas,
das histórias inventadas,
dos inversos,
dos infinitos,
dos palavrórios,
da pronta entrega
e dos períodos de ansiosa espera.
Eu gosto das vozes
às vezes audíveis.
Eu gosto das peles escuras
dos muros
e das portas nos muros
e das pedras soltas dos muros.
Eu gosto de bandejas
e do sono das manhãs,
das lentes coloridas
e da mordida na maçã.
Eu gosto de magia
de espelhos
e de cabelos curtos.
Eu gosto de caixas, bolsas e sedas,
do gosto de hortelã, frutas e beijos,
de relógios e livros e escadas,
de brilhos escondidos e cantos e orvalhos.
Eu gosto de carvalhos e pinheiros e gramas.
Eu gosto de presentes e papéis e sussurros.
Eu gosto dos riscos
e de correr riscos
e de assumir riscos
e de arriscar assuntos que desconheço
só pra aprender o que não sei.
Eu gosto do quase nada que sei...






27.11.09 - 23h27min
*Cais do porto, Porto Alegre, 07.11.09

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Canção para TI

Canto o sol no horizonte
que se avermelha ao seu pôr.
Canto a lua condizente
os poréns
os retrôs.
Canto o que passou
o que ficou
o que está por vir.
Canto o que voou
e o que haverá de ser.
Canto o começo
e a continuidade;
que o fim não há,
o fim é só um ponto
na vista embaçada
de quem já não quer abraçar.
Canto o que sou
o que soou
o que encontrei
e o que marcou.
Canto o cântico primário
das ninfas e dos absurdos
dos sábios e dos aleijados
das proezas e dos abusos.
Canto o sorriso não dado
e o silêncio não tido.
Canto o que disseste
e o que calaste
na medida exata do teu medo
que eu reconheço
nas tuas continuidades
nas tuas permanências
no teu corte de cabelo sempre igual
(lindo!).
Canto esses teus encantos
e esses tais desalentos;
esses experimentos musicais
nos teus fones inseparáveis;
esses leves conhecimentos
que fui guardando
do tanto que fui tendo
de tudo o que  é em TI...





25.11.09 - 01h07min

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Cuida de mim

Lá não é tão difícil
doem as pontas dos dedos
como a saudade;
e a gente resiste.
Demora nascer
demora tocar
outras canções
outros mitos demoram
demoram outras ilusões.
Meus alívios são milésimos de segundos
milhares de mortíferos desesperos
paralisados por breves instantes
(os mesmos em que calas,
enquanto cuidas de mim...).







24.11.09 - 23h03min

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Escolha

Pintei um acorde no violão
assoviei a sombra do dia
desestabilizei a presença
de quem não está, mas é.
Arrepiei a pele do pêssego
assumi a pele de cordeiro
arranquei a pele do sopro.
Amei.







23.11.09 - 21h33min

Cara ou coroa II

A moeda do tempo,
quantos lados tem?









23.11.09 - 21h11min

Mudança?

Ele diz que eu resisto às mudanças
não concordo, mas acredito,
já que, de mudança,
ele entende muito bem.






23.11.09 - 21h

domingo, 22 de novembro de 2009

Cara ou coroa?


Às vésperas de completar 44 anos
observo as imagens do que se foi
e as lembranças que me são caras.
Revejo os períodos de calmaria
e os outros nos quais surtei.
Não sei quanto é que se estendem
os caminhos, ainda, à frente
nem se há pétalas de rosas
por trás das portas
que não sei se se abrirão.
Mas sei o que fui
e o que há hoje em mim.
Sei de tudo o que pretendi
e de tudo quanto sonhei.

Se sou coroa,
que seja de flores do campo
adornando a cabeça de hoje;
a minha e a de quem quiser comigo estar...




22.11.09 - 20h22min
*Foto: tarde do dia de 22.11.09

sábado, 21 de novembro de 2009

Outro ângulo

Daqui as coisas são
outras compreensões.
Daqui teus tons são
de outras dimensões.
Daqui teus sérios são
outras conclusões.
Daqui o lado é este
e não há como transpor.
Daqui um instante de retiro
ou uma vida de indecisões.
Daqui sem cortes nem evidências
só instinto e confiança
e um tantinho de outras tantas intenções.







22.11.09 - 22h13min
Sem esperança e sem culpa

Branco fôlego





Estranho esse  nervosismo
que parece meio fora de lugar
talvez por estar.
Blusa branca
fuga do tema proposto.
Contigo as razões?





21.11.09 - 21h

Preferência

Se fosse imperativo escolher
uma parte de fora de ti
seriam esses teus olhos tristes
a obviedade da minha opção...



21.11.09 - 20h18min
Porque os olhos do menino
inda brilham no olhar do homem
que eu sei...

Rastro

Não deixo pistas
repito o mantra
das perguntas sem resposta
e descontraio a fibra exausta.
Não deixo iscas
reparo a mancha
das respostas sem pergunta
e desenlaço o assovio exposto.
Não deixo assombros
escondo a goma na grama amanhecida
enveredo pelo compartimento
que não existe
mas me insta a silenciar.
Não deixo rastro.
Estou.






21.11.09 - 01h11min

Ver

Teus olhos tristes
te acompanham desde sempre
debaixo das tuas pálpebras
nos teus porões
nas tuas superfícies.

Não disfarçam,
esses teus olhos tristes
nem mudam;
enternecem...





Aos 17 minutos do dia 21 de novembro de 2009

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Merecida pausa


Descanso minh'alma cansada
n'alma d'arte
pr'eu não esquecer
do que mais prezo
em tudo e em mim:
 sentir...






19.11.09 - 20h11min
*Foto tirada na 7ª Bienal do Mercosul - POA - 07.11..09

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Não quero partir

Se quero partir
sopra-me à nuca
o vento norte
minuano fresco
de livre calor.
Se quero partir
à mente me vem
tuas pastas
teus estudos
os protestos teus.
E não quero partir...



18.11.09 - 23h19min

domingo, 15 de novembro de 2009

Poetar

Fazer versos é postar construções d'alma
desfazer os monstros em rimas
afrontar a imagem de costas
contar os dias com cantigas de ninar.
Fazer versos é modelar a lua
escalar montanhas de tremores
abdicar do próprio espaço
assumir os pés descalços
eclipsar  a alegria
poetar...





15.11.09 - 14h07min

Bem querer

Se houvesse medida
eu te diria
que é esta
e assim seria
a forma precisa
do quanto te quero.
Se houvesse...




15.11.09 - 14h02min

Caos

Tomo nota de restos de antigos versos
que não cheguei a escrever
na tábua rasa do meu quarto vazio
nas asas de aleijados querubins.
Resgato passos em falso
falseio indicações precisas
das quais desconfio, não sei por que.
Encontro desatinos e intervalos
mergulhados nas fendas escuras da dúvida
de tudo o que ficou suspenso
do que nunca foi esclarecido
nem o será.
Retiro minhas migalhas de estrelas
das frestas do telhado de vidro
quebrado pela nota aguda mais alta
saída da garganta do tempo
que eu cansei de destruir.
Nego a luz da ribalta
arremesso balões no meio do caos
cascalhos de assuntos quebrados
entornos de espelhos sem fios.
Descanso na rede
esqueço a hora e a melodia.
Desisto da tarde
por ser cedo
ou por não haver mais...
Recomeço.




15.11.09 - 13h57min

Milagre

Jurei meus dedos oprimidos
juntei-me às turbas
investi meus diários
às folhas vazias
de estreitas linhas tortas.
Não fui única nem mágica.
Não fui coroa nem reza nem canção.
Nasci no riso da lua
no coachar de um sapo rebelde
na alegria do óleo sagrado.
Assumi a chuva de pétalas brancas
converti meus escritos em testamento
cerrei as pálpebras.
Cri.







Aos 7 segundos do dia 14.11.09

sábado, 14 de novembro de 2009

Pra valer

Às vezes se fala
outras se cala
nem sempre se consente
nem sempre se entende
nem sempre é sempre ou nada.
Às vezes é tudo
outras é pele
nem sempre é sangue
nem sempre é sede
nem sempre é céu.
Às vezes é exato
outras é demência
nem sempre é tempo
nem sempre é raso
nem sempre é mundo.
Às vezes é dor
outras é pensamento
nem sempre é razão
nem sempre é rasgo
nem sempre é fundo.
Às vezes é temperatura
outras é escolha
nem sempre é corrida
nem sempre é luta
nem sempre é solução.
Às vezes é vida
outras é literatura
nem sempre é existência
nem sempre é velocidade
nem sempre é pista molhada
aventura
ou ilusão...





14.11.09 - 23h
Às vezes é pra sempre.
Essa vez é pra valer...

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Pequeno Príncipe

Não é um livro
é uma pessoa
e não é qualquer
não é pequeno
nem é príncipe;
é mais...

Não responde,
pergunta
e exige resposta imediata.
Não pergunta
e exige resposta imediata.
Não exige
tem imediata resposta.
A única possível:
SIM.






13.11.09 - 03h17min

Companhia

Dispenso as respostas e as perguntas
quando tua vez me alcança
sem licença ou pedido qualquer.
Se passeio por aqui ou a...qui
é por essa razão fora das convenções todas
(essas mesmas que te disse detestar)
e que te inclui, meio que à revelia.

Revelaria todas as minhas intenções
se isso não me custasse a tua companhia
que me sustenta sobre meus pés
e estes sobre essa terra fria:
firme e forte
e, principalmente, conTIgo
pelo que for.








13.11.09 - 03h03min

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Vício

Palavra  é vício
cultivado alegremente.
Planta regada religiosamente
pra não perder os acentos
os tremas e as tremedeiras
provocadas pelos tons
pelos tonéis
pelos tamanhos
das letras e dos sentidos
experimenta(menta)dos
na ponta
dos dedos
dos olhos
das línguas...



12.11.09 - 21h22min

Sim (não?)

Algumas coisas são mais simples
que qualquer explicação possível
resumem-se a um curto SIM
ou, talvez, outras e muitas vezes,
a um questionável definitivo NÃO.
Algumas sangram doces suores
outras mascaram dissabores
pisam cascalhos de gelatinas
cospem fagulhas de flores.
São pétalas guardadas de lágrimas ditas
ou restos de folhas rasgadas
fotografias esquecidas
em gavetas de móveis desenhados.
São roupas coloridas
e afetos necessários bem servidos
em bandejas de prata reluz-ente
pela espera prometida
crida
um dia alcançada
(talvez).
Algumas coisas são SIM
as outras, todas....






também....








12.11.09 - meio dia
SIM ( "...não?")

Voejar

Voo a pé
talvez chegue mais tarde
mais devagar
mais cansada;
talvez, às vezes,
desista,
e volte atrás
na nuvem da rua 2003.

Voo a pé
faço bolhas
e machucados
nas plantas dos caminhos
entre os dedos das ruas
que trilho, na pressa
de chegar onde não sei.

Voo a pé
e não presto atenção
se ao meu lado seguem
cegos ou videntes astutos;
meu desejo é alcançar o destino
pintado na pedra da vida
antes mesmo d'eu nascer.

Voo a pé
sem asas ou bengalas
de hastes de bandeiras e margaridas brancas
sem diferença alguma entre umas e outras
ou entre os dentes e os ossos das pernas nuas
debaixo do lençol de soft
qu'inda não tirei da cama deste persistente inverno.

Voo a pé
sou som
imagem e lembrança
no meio de uma tarde qualquer
ou numa madrugada afinada
de um reflexo iluminado
por um par de jovens sobrancelhas negras.

Voo a pé
encerro o dia
cerro a cortina
assino a obra.






Aos 9 segundos do dia 12.11.09
Um voo raso
por um meio sorriso teu...

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Tu

Mãos estendidas sobre o cetim avermelhado
ventos esticados sob o tapete aveludado
dias desiguais, sem sombras ou dúvidas
inesperados afagos de rastros no meio de uma tarde qualquer.
Hoje.

Algodões embrulhados na areia do tempo.

Não conto as horas nem as partilhas
muito menos antecipo sonhos amassados.
Cozinho as porções de alegrias no calor do corpo
que te doo sem reservas,
invólucro da alma que a ti pertence há tempos.

Se forem opiniões conjuntas
ou compartilhados méis
que sejam...




11.11.09 - 23h09min

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Poesia




Em 07.11.09; mais que só uma visita: POESIA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!



09.11.09 - 22h21min

Pintura

Voam pétalas de lembranças
nos ventos das corças
amarradas à chuva de nuvens suspeitas.
Circulam querubins e quebrantos
nas claras campinas de velas
nas peles das virgens calmas:
chamas de melodias extintas. Sutís.
Banham livres os raios de escaldante calor
remexendo as marés e os amores
de faunos e freiras, mortificados de pudor.
Embriagados de familiares escolhas
cortam universos barbeados de encantos
e flores azuis, festivas guirlandas avessas.

Cá comigo, entorno o caldo da vida
entrego as algemas e os anéis que nunca usei
abro as comportas de vibrações escuras
observo papéis picados aos montes
e absorvo a linha sem sentido
que devora os índices enjaulados
e beija a canção presa na garganta.

Cá comigo, entorto a manhã
devolvo as explicações que não tenho
invento uma nova forma de beijo
e castigo a linha do sentido.

Delicada sensação de vidro fosco
na embaçada fúria suspensa...





09.11.09 - 21h24min

domingo, 8 de novembro de 2009

Havido

DIANTE DO MURO
A PORTA NÃO BATE
O PULSO DO AR NÃO TRANÇA
A CRIANÇA NÃO ESPERNEIA
E O TRATO NÃO TRANCA.
DIANTE DO MURO
O PARTO É À PARTE
E OS PROTESTOS ESPREITAM
AS ESTREITAS LETRAS PARES...

TODAS AS PARTICULARIDADES
JÁ TENDO HAVIDO...


Aos 23 segundos do dia 08.11.09

Arte



A arte nos absolve
dos nossos próprios desejos
das vezes que não contamos
quantos sopros tem um começo
ou quantos começos tem um SIM.
A arte nos desobriga
dos desertos e das paciências
das tantas vorazes promessas feitas
e das outras tantas quase cumpridas
por não dependerem quase da gente.
A arte é grão de areia colado
em pingo de chuva impertinente;
um verso, um feto, uma dúvida,
um nome, um vento, um fato, um líquido,
uma porta, uma saída, um caso,
uma escolha, um encontro, uma linha,
uma obra, um veneno, uma folha em branco.

Uma folha,
um branco,
um dia...


A arte é um dia...




No primeiro segundo do dia 08.11.09

sábado, 7 de novembro de 2009

ParTIcularidades

Imagino as sendas

por onde plantas as plantas dos teus pés

nas tuas corridas.

Apresento construções interiores

aos meus outros 'eus'

e eles não reconhecem nada

além dos teus traços,

os rastros que te seguem

e arrastam meus versos

por conta própria

e livre e alegre vontade.

Não sou dona de mim:

emprestei minhas verdades

aos teus 'is'

que permeiam os grãos de arroz

no meio do teu prato branco.

Ninguém mais com teu sotaque

ou teu jeito de calcular um pé após o outro

como se desse único passo

dependesse todo o teu futuro.

Ninguém mais com tuas histórias

ou teu riso de menos da metade de tudo

ou tua lista de livros preferidos,

tuas escolhas vegetais,

teus filmes, canções e formas.

Ninguém mais com teu suspeitado gosto,

teus gestos contidos,

teus mistérios, tuas exigências.

Ninguém mais com tua exclusividade

ou tua presença continuada.

Ninguém mais com tuas cobranças,

interferências, provocações.

Ninguém com tua fartura

ou com teus propósitos,

tuas intenções,

teus fins de semana,

teus telhados, teus esportes,

teus tratados, conhecimentos, compromissos,

teses, des-crenças, dúvidas,

inícios ou coragens.

Ninguém mais a TI repetir.

Ninguém mais...

em mim...







21.10.09 - 17h07min

Acontecências




Consciências
consequências
insolências
sonolências
insistências
desistências
solvências
advertências
reticências...



Aos 12 minutos, das 23 horas, do dia 07 de novembro de 2009


terça-feira, 20 de outubro de 2009

Promessa

Nenhuma outra postagem,
em nenhum dos meus blogs,
até que.... ACONTEÇA!
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
20.10.09 - 23h

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Cá entre nós

Ao pé do ouvido
nessa noite fria te conto:
descobri não sem medo
que a alegria é maior
e muito mais bonita
que a felicidade.
A primeira é calma
traz meio sorriso
e dura uma vida inteira
inda que uma lágrima
bochecha abaixo role
de quando em vez
ou de vez em sempre;
a segunda é gargalhada
faz barulho e preenche
todos os espaços em branco
mas dilui-se entre os dedos
e se perde nas luzes
ou nas vertigens
por ela mesma provocadas.
Sempre haverá
quem de mim discorde.
Não faz mal, não.
O que valor tem de fato
é que se busque
com cuidado e paciência
essa coisa que sentido
dá à vida
e aos olhos, brilho.
O resto
é consequência...
14.10.2009 - 20h55min

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Se quiseres me ganhar

Há que teres a dose certa de inteligência
que inteligência se mede, sim,
com fita métrica de pensamento,
coerência e coesão, yang e ying.
Há que teres uma pitada de ironia
e um toque de antipatia
pra eu nunca vir a saber
se estás rindo de divertido
ou se me provocas por prazer.
Há que teres uma depressão contida
e um fundo de tristeza, no olhar;
gostar de arte, criança e mar,
e inventar rimas, fingindo poetar.
Há que teres disponível
muito tempo para o estudo
e disposição dobrada
pra me ensinares tudo.
Há que seres humildemente orgulhoso
e orgulhosamente sutil.
Há que teres no nome
um recheio oblíquo
e que no peito te palpite
um mais que bom coração.
Se quiseres me ganhar...
09.10.2009 - 20h18min

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Bipolaridade?Eu sei a quantas ando...

Estou na fase eufórica.
Tinha até esquecido
a sensação única
desse pólo de cá.
Os últimos meses,
temperados de chuva
e nublados dias
foram de uma depressão-monstro.
Não tão violenta
a ponto de desejar
não mais existir pra sempre
mas não mais existir
por um tempo...
Forte o bastante
pra roubar-me as forças
os desejos
as curiosidades
as pequenas (e grandes) alegrias
todas.
A eternidade
termina um dia
e eu rolei
pr'esse extremo de energia;
o colorido é outro
o perfume é outro
o ritmo é outro
outras são as pessoas
outras palavras
outras canções.
Tenho vontade de ouvir música
e criar.
Tenho ganas de ler poesia
e criar.
Tenho desejo de beber alegorias
e criar.
E dividir.
Não deixo de ver os problemas
mas eles já não me assustam.
Não deixo de sentir cansaço
mas ele já não me trava.
Nem física
nem emocionalmente.
Sou grande e inteira.
E até sou bonita!
Ah,
é tão bom ficar por aqui!....
07.10.2009 - 19h28min

terça-feira, 6 de outubro de 2009

De louco e poeta

Tenho um amigo
paulista/poeta
que insiste em dizer
que me faço de louca
mas certa da cabeça
sempre vou ser.
Esse tal amigo
diz que meu sonho
acordada ou dormindo
era ter nascido doida
de pedra
de ouvido
de delirante umbigo
só pra ter o prazer indizível
de ser diferente
e talvez dessa forma
não precisar 'dizer'.
Não sei se é nele a razão
não sei se a razão é em mim
não sei sequer se quero saber
até porque
de louco e poeta
além de mendigo e doutor
todo o mundo tem um tanto
o meu pouco eu guardo aqui
e te ofereço
se aceitas, fico grata
caso não, sinto, mas não morro
que de vida tenho sede
e de morte um dia vejo
agora não
agora não
que agora estou ocupada
à milésima maluquice
dando plena vazão
.
.
.
06.10.2009 - 21h41min

Desejo

... roçar
inda que por breve instante
as vestes do impossível...
06.10.2009 - 21h33min

Ventania

Não erre.
Não são poesias
que publico nessa folha virtual.
São meus sangues
sangrantes motivos
dilacerando-me as carnes vermelhas.
Não erre.
Não minta.
Não são palavras
que escrevo nessa fina linha virtual.
São meus sabores
saboreantes limites
deliciando-me as auras azuis.
Não erre.
Nem tente.
São minhas vidas
que derramo nessa fria via virtual
viventes amores
amparando-me as asas (vio)lentas.
Não erre.
Vente...
06.10.2009 - 21h07min

Circo e fome

Circo, para o povo,
que o pão,
há muito deixou de ser
moeda de troca,
já que essa mesma gente,
que tanto o espetáculo cega,
não come mais,
nem pão
nem esperança
(nem ilusão?
essa existe, ainda,
no picadeiro prometido
pra dois mil e dezesseis...
triste ilusão...)...
06.10.2009 - 20h23min

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Ele é quem eu queria ser

Ele é uma daquelas boas surpresas
que a vida, de vez em quando, nos reserva:
tem um riso lindo
que pouco usa;
tem pouca idade
que parece muita;
tem hábitos saudáveis
que eu invejo,
mas não copio;
tem uma legião de fãs
eu, a última;
tem uma Gorda que ele adora
e um milhão de loiras muito lindas;
tem uma inteligência rara
e raros momentos de loucura
embora eu o considere doido
daquela maluquice bem-vinda
que té parece não ser, mas é;
tem um jogo de cintura
um jogo de palavras
um jogo de cartas marcadas
que eu não sei onde aprendeu
mas que dá lição sem dó
sem pena
sem pudor algum;
tem a língua presa de vez em quando
e o S mais lindo que eu já ouvi;
tem paciência
sapiência
competência de sobra,
e não admite o fato
de jeito nenhum;
tem um SIM que vive ao lado dele
e no fim de uma frase qualquer,
tem um 'NÃO?';
tem um movimento que é só dele
e um sentimento que ninguém tem;
tem um par de tênis velhos
e um bloquinho de anotações;
ele é completamente deprimido
depressivo jamais;
em dois anos
ele mandou um e-mail,
mas esteve sempre aqui;
ele odeia meus escritos
(às vezes)
e ama meus versos
(às vezes)...
Goste ou não
inda que nada
se invente
eu queria ser ele
mas não posso ser,
'NÃO?'...
02.10.2009 - 20h13min
(A rima óbvia da última estrofe
é só uma obviedade...hehe...
O que será que ele vai me dar,
no Dia da Criança? :-))

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

EnTItular

Comparei gato com lebre
empreendi outras luas
e saciei a vontade de liberdade
que consumia os meus sinônimos.
Sou Shim'On sem temperatura ou ligação com tempo aliás nem sem mais o que é o tempo ou sei tão bem, que tremo. Concordo com o senso comum e desvencilho meus pés da estrada que não trilho nem conheço por absoluta falta de precisão. Convenço terceiros, quartos e quintos da minha proposta incoerente e sempre tenho um P ou um B antes dos meus EMES. Todos os cantores entoam canções de chuva e os trovões retornam sem pena às gargantas dos espectadores às minhas gargantas todas de todas as outras que habitam em mim. Sou dezenas de extremos feito pernas de polvos gigantes tentáculos ensurdecidos por interrogações mil. Se não tens sequer uma resposta afasta-te de mansinho e só observa de longe essa minha dança de feridas e mordeduras descalças. Se tiveres ao menos uma suspeita sê bem-vindo às minhas questões transforma meus mistérios em soluções e desvenda minhas tramas nas reticências que nem eu ouso despertar. Se tiveres um pote de vegetais nas tuas veias e se tua poesia for irônica se teus gargalos escolherem o sarcasmo e se tua imagem refletir orgasmos de raios de sol se tuas lembranças incluírem meios sorrisos e se a 'Gorda' dormir aos teus pés se tuas escolhas forem diferentes e se relutares em dividir tuas dores então haverá um líquido horizonte nas tuas pálpebras e te reconhecerás nas minhas pupilas dilatadas ao mirarem as tuas... 01.10.2009 - 22h11min

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Cegueira

Aumentei o tamanho dos fatos deliciei a retina úmida nos olhos secos de inverno primaveril; concordei com as eras e as heras invadiram os selos; solucionei mistérios importunei ausências retornei à adolescência adormecida; despenteei as horas despenquei dos sentidos santifiquei orvalhos amassei o pão que não comi nem precisei. Ataquei as franjas dos minutos desvencilhei a garganta tranquei as mordaças abri as janelas e as vidraças. E nada vi... 30.09.09 - 21h (... mas ouvi um riso de criança e foi só por isso que sobrevivi...)

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Emocionar-se

Gosto das letras que emocionam gosto de não poder conter as lágrimas essas gotinhas insistentes que aparecem sem licença e despudoradamente assumem o comando dos nossos olhos pra não falar do coração... Gosto mesmo quando as tais gotinhas chegam a existir sem aparecer - quantos outros sentires guardamos que jamais aparecerão aos outros? - mas inundam o peito de tal maneira que é como se tivéssemos chorado a vida inteira. Exagero? Qual nada! É assim que deve ser a emoção verdadeira. Aquela coisinha miúda que não desgruda que é eterna e que tanto bem faz à gente. Experimente.... 28.09.09 - 21h40min

Poetar

Quando a poesia te corre nas veias basta uma vírgula um riso um sal nos olhos um colírio qualquer uma flor uma frase uma alegria mínima uma tristeza mínima uma agonia mínima; basta uma cor de sangue ou um sangue azul talvez só o tipo do teu sangue; talvez só um nervosismo repente ou um repentino aperto de mãos ou uma partida num repente ou um repartido aparente, pra fazer verter essa coisa que não se explica mas que te habita e te domina e te toma num instante sem licença ou aviso: in-verso... 28.09.09 - 02h13min

Promessa

Se não parar de chover
juro que viro Sol...
28.09.09 - 02h07min

Imagem

Um sopro de lua estrelou-me a pele de arrepios derreteu-me os suores noturnos desenhou-me a dança no ventre da noite. Nas pontas dos pés o sono não veio. Nas pontas dos pés Morpheu insone foi meu par ... 28.09.09 - 02h04min

Insolente insônia

Não dormir hoje
é quase como impedir
que a manhã rompa a noite
e outro dia comece tudo de novo.
Não dormir hoje
é iludir-se que o hoje não termine
de puro medo do que amanhã haverá.
Amanhã não guarda
nada além de mistérios
e são eles que afogam os delírios
são eles que fazem tudo se transformar
em possíveis eventos
em passíveis eventos
em plausíveis eventos
inventos
intentos
insultos.
Amanhã torna tudo palpável
ao virar hoje
e matar o hoje
que se perdeu;
com ele, tudo o que foi meu.
Amanhã mitifica hoje
pinta de um colorido inexistente
- e é tão pouco provável o inatingível -.
Não dormir hoje
é perpetuar a hora.
Ou não...
01h58min - 28.09.09

Desconcerto

Não preciso de permissão pra sonhar nem ele precisa da minha, pra invadir-me as noites; ele, o sonho, esse monstro diuturno esse monte cancioneiro. Provoco ondas na relva pranteio curvas na relva pressinto ossos na relva. Vendaval assusta os cães raivosos arranca os telhados das luas despenteia as melenas dos leões prepara a travessia d'outra noite insone povoada de vícios e tramelas nas janelas velhas. Caminho aberto nem sempre é certo nem sempre é seguro. Muitas vezes, melhor lavar a roupa antes de despudorar-se no banho de chuva fria escorrida das cordas do violão desafinado que jamais aprendi a cantar... Desatino desconcerto sonho ou loucura? 28.09.09 - 01h20min

Tempero

Hei de arredondar as arestas do poço seco da garganta vazia como nascem todas as estrelas nas noites de inverno ou de verão ou de perfumada primavera sem vigílias ou restos ou desconhecidos rostos nos panos rotos das cortinas levadas pelos ventos tortos que balançam meus cabelos encaracolados de revoltas e reviravoltas entre teus dedos de lua e vertigem ardida. Pimenta e sal. Aos 59 minutos do dia 28.09.09

Entre a palavra e o silêncio

Tem vezes que só o que eu quero é calar.
Não brota de mim um único verso;
sequer um verso amargo.
Nada.
Nenhuma frase que se aproveite.
Nenhuma palavra que provoque outras ao grito.
Nenhum desejo de dizer.
O silêncio, então, é meu companheiro,
e mergulha comigo numa mudez severa,
quase doída,
completamente doida,
daquela doideira
que os outros consideram normalidade.
Porque a minha palavra é louca.
E quando ela cala,
eu até pareço igual aos que me cercam:
o orvalho me molha,
a chuva me molha,
o suor me molha.
Quando ela fala
eu sou outra,
eu não existo:
a água me adormece,
o calor me atiça,
o tiro me aviva.
Quando a palavra me fala,
sou qualquer coisa que triunfa,
n'algum ponto que ninguém desvenda,
porque não encontra,
e não encontra porque está perdido
entre as folhas amareladas
do livro da minha vida torta.
A mesma vida que de vez em quando
se dá o direito de calar,
e,
por instantes,
se acreditar parte d'algo maior,
té que a torrente de vocábulos
exploda de novo
destrua o dique
e me obrigue a abraçar
minha assumida sina:
a solidão completa...
Aos 49 minutos do dia 28.09.09

Volta

Volto assim, meio sonolenta
meio dispersa
meio confusa
como desnorteados são meus dias
e meus pensamentos de versos difusos.
Volto assim, meio extremada
que não sou mulher de meios:
meias palavras
meias usuras
meias entregas
nunca.
Volto assim, meio desconfiada
e afio as facas sem gumes
nos lumes das estrelas vagas.
Volto assim, meio voraz
de bênçãos
de beijos
de balanços gerais.
Volto aos poucos
pra chegar inteira
e preferir ficar.
Volto...
Aos 37 minutos do dia 28.09.2009

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Omertà

Shhhhhhhhhhhhhhhh 25.09.09-22h58min

Na cara

Vergonha na cara é coisa que não tenho. Na cara tenho uma pinta uma dúzia de rugas e um brilho oscilante que se acende quando TI vê... Vergonha não sei onde foi nem sei se sequer existiu. Na cara tenho uma pinta onde planto uma dúzia de estrelas e oscilantes rugas acesas. Anis. Quando TI vejo ou TI sonho ou TI adivinho. Ou... (Tá na cara, tchê...) 25.09.09 - 22h26min

Cicatriz

Carga de telhas quebradas nas calhas enluaradas de jóias castigos de pontas de vidros em vôos de asas sem anjos quadrantes de brotos de vagens sem caldos doces ou caveiras dispostas em círculos ou raios de sol. Amanhece num rasgo o experimentado futuro inspirador... 25.09.09 - 22h10min

Reivindico o vento....

Reivindico o direito de ficar muda de não ver nascer a inspiração de sobreviver ereta e tranquila sem sobressaltos ou ilusões. Reivindico um quarto de lua e uma dose de coragem na veia de rum pra nunca mais sacrificar o espelho na imagem que não vi se formar. Reivindico a vontade de sol e calor a moldura do dia e o brilho da madrugada a canção sofrida e a voz do fantasma desnudo. Reivindico a claridade a clareza a clarividência a verve a virtude o vento o vento... 25.09.09 - 22h

Sei não...

Houve um tempo em que minha poesia foi um suspiro de dor de alívio de tensão... sei não... Sei não onde foi parar o verso que não escrevi a rima que ficou no ar o riso que não explodi o suspiro... sei não... A caneta não arrisca o verbo nem o antes nem o depois do que já não espero... sei não... Sequei... Sequei? Sei não não sei... 25.09.09 - 21h

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Extinta

Na última chuva forte afogou-se minha poesia. Triste dia triste dia... 11.09.09 - 15h17min

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Batom

Batom vermelho. Mais que sedução, força. De batom vermelho, enfrento o trânsito e transito entre os passantes desconhecidos, que nem suspeitam quem sou. Mais que colorir o rosto, minh'alma se ilumina de sangue quente. O mesmo sangue passional que me ferve nas veias expostas, versos do meu próximo poema. Uma leve melancolia me acompanha. Essa mesma que nasceu comigo, e comigo entrará no céu. De boca vermelha, ouço Maysa: "Ne Me Quitte Pas". Um adeus vermelho, sangrado, pulsante, vital. Um quase não-adeus... De boca vermelha, de alma vermelha, de vermelhas faces, abro a porta e recebo de braços abertos as flores da vida: pétalas de rosas vermelhas, ainda que ladeadas de espinhos, lindas, perfeitas, perfumadas. Vale a pena... 10.09.2009 - 15h37min

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Movimento

Invado a tenda e grito NÃO! Corto o fino e delicado umbilical cordão e lavo os panos sujos de sangue seco. Espero a redenção inexistente na irrevogável escolha de ir. Não olho pra trás nem sinto meus pés dormentes. Alcanço um invejável estado de calma depois da explosão expulsa d'onde nunca estive de fato d'onde jamais estaria. Nenhum argumento seria suficiente para colar-me às mãos letras mortas portanto não tente entender nem crucifique minhas entranhas nos paus da crueldade cética. Não tenho medo da troca nem da confiança. Desconfio do intruso e me intrometo nas minhas próprias escolhas como se o abandono fosse só uma estrada ou só a pétala de uma outra flor que eu desconheço embora pressinta o perigo que exala o perfume da estrela distante. Passagem. 31.08.2009 - 22h30min

Titubear

Todas as saliências dos ditos não-ditos dos engolidos engodos que não foram cuspidos dos folículos que sobraram das balbúrdias disseminadas por línguas mudas e mãos identificadas apenas pelas digitais, concentraram os pães e os sonhos nos cremes de barbear ou de diluir dizeres de tendas de ciganas mal pagas secas de fome de sangue vampiro. Canções envolvem os leitos da terceira geração investida de protuberantes impropérios. Morte sem aviso prévio... 31.08.2009 - 15h50min