terça-feira, 2 de setembro de 2008

Genialidade e L o u c u r a

Meu médico, pra me consolar, apresentou-me uma lista enorme de gênios-loucos. Piorou a situação. Eu não sou gênio... então...
Aos 21 minutos do dia 02.09.2008

Perda

Perdi a fita métrica, daí meus versos desorganizados completamente. Perdi a cabeça na guilhotina da esquina, daí essa minha tontura repentina como se eu não soubesse pr'onde ir. Perdi minha caneta preferida e não consigo escrever no teclado NO teclado, não COM o teclado isso mesmo, foi assim que eu entendi. Perdi o último ônibus para o hospital mais próximo. Preciso de internação urgente antes que o próximo delírio me leve ao aeroporto e eu embarque nas asas de um avião para o Rio de Janeiro. Só pra ver o Mar. Perdi a noção do perigo. Perdi alguma coisa que não identifico. Perdi a pontuação do poema ou no poema ou por causa do poema. Mas sei que a culpa é do poema. De quem mais poderia ser? Aos 15 minutos do dia 02.09.2008

Pânico

E eu, que fiz versos dessa minha insanidade... E eu, que sou duas. Uma pura alegria outra derramada em tristezas várias. E eu, que me pensei concreta, sou delírio. A lucidez abandonada no banco da praça. A insensatez morando entre as paredes da minha cabeça. E eu, que me pensei segura, sou desatino. E eu, que me pensei sabida, vôo perdida dentro de mim mesma. E eu, que me pensei paixão, sou confusão. E mais nada. Agora é aceitar o distúrbio e buscar informação. Sentirei falta das alucinações, da companhia dos que não existem de fato, das vozes sem bocas, dos rostos sem corpos, dos corpos sem precisão. Sentirei falta. Mas isso também é sentir... E eu, que me pensei eternamente sozinha, não estarei... Embora sem cura, o controle existe. Eu vencerei. 01.09.2008 - 23h50min (O dia D)

domingo, 31 de agosto de 2008

Gira-mundo...

Nada gira e ao mesmo tempo tudo volta.
Será porque o mundo é redondo
- se é que é redondo mesmo... -,
que a gente tem essa impressão
de gira(sol)?
30.08.2008
*Comentário para a frase AGORA EU FIQUEI EM DÚVIDA...
do incomparável MSanttos

sábado, 30 de agosto de 2008

Evet

Tenho sentido asas nas minhas raízes.
Na borra do kahve li meu desvio;
desvario no cheiro de koyu çay
enquanto rolo entre meus dedos
um boncuk nazar, de vidro.
Divido minhas sensações
as reprimendas se multiplicam
as soluções já não são.
Lá se vão as horas aflitas
na busca da palavra exata que defina
o que se quer dizer, sem voltas.
Arrisco?
Evet?
Hayir?
30.08.2008 - 23h55min

No fim da história...

... a gente precisa do começo...
30.08.2008 - madrugada
(...conversando com Adrebal)

Prisão

... talvez seja um conjunto de coisas que nos aprisionam...
O tempo, sim, o medo, sim, o dinheiro, sim, a insegurança, sim, as raízes, a acomodação, o sossego, os outros, a gente mesmo... enfim. Há que se lutar contra tudo isso caso contrário a prisão nossas pernas quebrará vendará nossos olhos venderá nossos trocados varrerá pra longe de nós a ousadia necessária pra viver... E eu tenho tanto medo, às vezes... de estar só mas eu SOU só nem o medo me acompanha nem a mim, nem a ninguém. Somos todos sós; e temer é quase condição sine qua non pra sobreviver... Mas eu não quero estar só mas eu não quero sobreviver mas eu não quero sub-viver mas eu não quero sofrer mas eu só quero VIVER!
... meus olhos usam óculos...
e eu não sei o que sentir...
e eu não sei o que vou ver...
30.08.2008 - 18h

I believe I can fly!

Tenho asas cor de céu
e as alturas conheço bem.
Tenho íris cor de mel
espero a chuva, vou além...
O horizonte alcanço fácil
transito entre nuvens
algodão doce, colorido,
despido de intervalos
ou tempestades.
Vôo.
Conquisto o infinito
nos teus braços
de proteção.
Vôo.
Estreito o abraço
domino o véu
comprimo o laço
espanto o fel...
30.08.2008 - 16h55min

Enquanto espero...

... enquanto espero
... escrevo enquanto espero
... enquanto escrevo, também espero
... espero, e, por enquanto, escrevo
... escrevo pra esperar ou espero pra escrever?
talvez eu goste mesmo é da espera...
talvez eu espere a palavra certa
pingar na minha veia
... e isso é só mais um poema
perdido no meio da minha espera...
30.08.2008 - Madrugada de espera... Mais uma...

Descoberta

Descobri hoje, meio de repente, que eu fico acordada à noite,
e durmo no meu próprio silêncio do dia.
30.08.2008 - 0h48min

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Prefixo...

Desafinamos nessa nossa canção
desafiamos o entendimento?
desentendemos o desafio?
desfiamos a meta primeira?
Talvez só tenhamos desorganizado
a desordenada chama que nos impele
o próximo passo.
O próximo passo. Haverá?
28.08.2008 - 23h

Adeus*

Despedidas são dores. Adeus tem gosto de sal. E o sol se esconde, pra chorar lágrimas quentes, nesse anúncio de primavera descolorida. As flores demoram mais pra abrir e o brilho da vida parece perder um pouco da intensidade. Adeus tem gosto de saudade, tem um quê que não se sabe se é de barro ou perfume suave. Despedidas são cores em tom pastel. Liláses, talvez? Talvez... Ou quase... Mas tudo, subitamente, tem gosto de sal... de sol... de solidão... 28.08.2008 - 14h28min *Comentário para o poema ADEUS, de Ibrahim Zukr

Segundinho

Shhhhhhh... Não diz, não. Encontrar não é a solução. Esconder é precioso. Espreitar a cura pela poesia, pela beleza do teu verso tratado a pão de ló, ou de dó, ré, mi, sei lá... o FÁto só(l) se revela no interesse da busca, não na busca em SI. Canta, poeta, que eu quero ouvir... *Comentário para o poema TIMBRE, do maestro Segundinho 27.08.2008 - 01h21min

Imagem

O poema mais perfeito que já escrevi: ALINA.*
My poem perfect: ALINA
28.08.2008 -14h35min
*Imagem da tarde de hoje

Eterno, enquanto dure

E a duração é eterna se a eternidade for a medida das ternuras que te aguardam. Terno é o aconchego da madrugada. Ternos são teus versos que me assombram e não se despedem deveras.... Que seja eterno, infinito, grandiloquente, o laço que te prende e que te solta enquanto esperas, enquanto pressentes, enquanto destacas a farsa ouvida como verdade: "Que seja eterno, enquanto dure". Pois que dure toda uma eternidade. Nossa mais terna eternidade... 28.08.2008 - 14h15min

Saudosismo*

Dista. Bem dito o que dista distância que não dita distúrbio de ausência. Diz tu dessa tal saudade que saúda a idade que desdiz a crença de que a distância tudo muda de que emudece a confiança de que insandece justo o que dista. Dita a distância nos dedos da saudade... Bem dita saudade que saúda a bonança... 28.08.2008 - 01h20min *Comentário para o texto SAUDOSISMO, de GitanoAndaluz (Valeu, Gitano, obrigada pelo mote... Bjs)

Átilla

Nome de deus grego
riso de bom menino
cultura que desconheço
distância que nem imagino.
Pra que lado fica a Turquia?
Quantos quilômetros pra chegar?
Quantas xícaras de chá até lá?
E a fábrica maquina o laço
da inusitada amizade
nascida nessa tal globalização.
Tu me vês tão louca
'You are crazy'
eu te vejo tão lindo
toda frase é pouca
todo 'evet' vindo.
Have a nice day.
Masaallah!
Kisses for you, my friend!
28.08.2008 - 0h15min

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Decisão

Aboli os saltos altos. Doei meus sapatos. Optei pelo conforto. O próximo passo? As peças íntimas. Depois? Despirei as vestes todas, mudarei para uma colônia naturista. SEREI-a... (Vem comigo?) 26.08.2008 - 16h

De mãos dadas

Desconto a falta do ponto final no texto que jamais escreverei. Essa ruga que me corta a testa há anos colou em mim. Antes que eu me dê conta, uma vírgula tropeçará na linha das horas. E eu já não serei mais eu... Nenhuma oração impede o destino. Imponho minhas escolhas como se as tivesse, de fato. Afasto a mudez da transcendência e reconheço, em certo grau, inda ser menina. Quero colo. Tenho colo pra oferecer. Avalio as conclusões da primeira quarentena e descubro ter alcançado mais do que desejei. As rimas pobres me atraem as miseráveis me apaixonam. Quero todas as escadarias na minha casa degraus pra onde não sei degradês de versos tolos que vertem dos vôos que não fiz. Que jamais farei. Milagre é a minha caneta riscar sabores nessa página manchada de tinta incolor. Acomodo as pernas sobre a cadeira e faço deste o meu mundo, longe dos tapetes persas e dos moribundos marimbondos e suas vespas. Decido que minha trilha sonora diária será essa tua voz de música. Não amasso o pão já amassado da noite; compro drops de hortelã e não chupo nenhum é o teu gosto que eu procuro no barulho das ruas do centro da cidade que borbulha. Poesia é desabafo de paixão. Assombração que persegue a ciência que nos confunde. Não quero verdades inexistentes. Não quero a morte disfarçada de erudição, muito menos de fidelidade fingida. Prefiro um 'nóis vai sê vencedô' enquanto tiro o corpo da roupa e banho a pele despida de pêlos. Sou raíz exposta às intempéries e todas as possibilidades me são prováveis. Ou não... Ou não... 26.08.2008 - 15h02min

Êxito

A sala vazia aguarda um movimento que o ponteiro do relógio trará. Alimento a corda que passa tique-taqueando devagar. Espalho estudos de nada no vácuo escuro. Recuo. Encontro facas pelo caminho e as perguntas não satisfazem as respostas que canso de garimpar mas que não espero descobrir. Experimento uma pitada de sal na ponta da língua do dia. Explico quase tudo o que não entendo e escrevo versos na tentativa frustrada de fuga. Evito. Tenho vontade de capa de chuva e paraglider. Essa minha vitalidade é quase uma afronta à miséria econômica da minha conta bancária negativa. Hesito. Nego minhas vestes poéticas e espreito teus pontos fracos pra ver se te alcanço no alto das tuas dores. Não apago as cores que te continuam conto nos dedos as vezes que não te quis e brinco de amnésia. A mesmice me apavora. As pontas das estrelas circulares alcançam o céu da tua boca e é lá que vou colher meu descanso. 26.08.2008 -14h24min

Identificação

Estendo esteiras nas estreitas vias da minh'alma vazia de estorvos. Uma canção me persegue, implacável embala meus passos na valsa da espera. Diminuo as sombras das árvores dispostas em círculos que ladeiam os prados abertos de raios de luz. Declaro suficiente essa minha poesia para os corpos perdidos na multidão. As madrugadas cobrem-me as carências. Encaro de peito abero as tuas fugas transparentes afirmações desse teu medo-menino que devora as entranhas da coragem que não tens. Dispenso os nomes das coisas teu calor derrete meu gelo e eu não sei o que esperar da tua volta na tua volta quando ela vier. Talvez. Não estanco o fluxo da vida enquanto os clássicos me fazem companhia. Desconheço o que motiva as lágrimas do solitário violeiro, no banco da praça vazia. Mas intuo os meus próprios motivos as razões das alegorias que invento e que disfarçam essa falta que sinto de ti que secam essa minha lágrima que também queria cair... 26.08.2008 - 14h03min

Um bom amor

Um bombom.
Um amor.
Um bom humor.

Quem sabe um Ouro Branco. Nada! Quiçá um Amor Carioca. Amor Gaúcho. Amor Paulista. Amor é sempre amor, seja embrulhado em papel celofane, seja derretido sorvete de fábrica, ou artesanal...

Uni-versal... Um bombom. Um amor. Um bom humor amoroso. Um humor, amoroso e bom. Um bom amor. Um mar de amor. Amar. Ah... o Mar... Ah... o Amor... 26.08.2008 - 01h

Ser e estar

SER é diferente de ESTAR. Evito ESTAR do mesmo jeito, por muito tempo. Prefiro SER sempre, com pequenas variações. Meu SER inunda meus ESTARES.
Agosto/2008

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Sereia

Serei sereia
de seios desnudos
e voz suave
pra te encantar.
Cantarei mágicos acordes direi de aventuras suaves soprarei maravilhas profanas aos teus pêlos masculinos que roçam e arrastam minhas unhas atravessam a heresia de endeusar-te enlouquecem a primazia de querer-te.
Serei sereia
de seios desnudos
e voz suave
pra te encantar.
25.08.2008 - 04h

Irmãs

Elas nascem na concepção, quando a idéia do SER não passa ainda de uma promessa vazia. Gêmeas, andam de mãos dadas e talvez um dia descubramos que são idênticas, talvez siamesas, ainda que uma, desde sempre, soe barulhenta, exigente, risonha, agitada, e a outra quieta, fazendo a sua parte sem ser descoberta, silenciosamente. Competência é uma arte... Não se separam nunca. Não são contrárias nem se concordam. Mas são várias. As duas. Apenas as duas: Vida e Morte são elas. 24.08.2008 - 14h

Consolo

Quando um amigo passa por um período difícil, normalmente não encontro palavras de consolo, mas sempre ofereço um abraço ou uma lágrima pra derramar junto. Amigos nem sempre precisam de palavras. Palavras nem sempre precisam de letras. E às vezes são perfeitamente dispensáveis. Mas um abraço sincero pode valer por um Tratado. 24.08.2008 - 15h30min

Dela, a morte

Ninguém sabe o que ela é se é homem, se é mulher, entidade, conceito, monstro. Ninguém a viu de fato e voltou pra relatar, exceto Lázaro e Cristo, que estiveram pelas bandas de lá. Alguns morrem em vida essa, talvez, a morte mais dolorida; extinção do brilho do olhar, escravidão que se escreve no ar na ausência de motivos pra sonhar. Nem rei, nem mendigo errante basta ser humano, pra um dia acabar entre velas, lágrimas e flores, lamentos, dor e saudades de amigos, família e amores (e jamais se volta, pra contar). Alguns juram que há luz no fim do túnel que vem dos queridos, que vêm te encontrar (eu, porém, disso duvido). Para outros há trevas, delírios e martírios gritos medonhos de gargantas mudas. Muitos fantasiam anjos e festa no céu - permanente festa e alegria - pelos que voltam pra lá, depois de nascer um dia. Outros ainda se agarram às Escrituras e crêem num sonho eterno - eterno, até a volta do Messias - (morre-se, então, um pouco, ao dormir, todos os dias...). Mas o mistério continua e nada há que se confirme: se morro de tiro nas ruas, tortura, derrame, vício, distúrbio, alergia, se a vida se esvai de minhas veias da noite para o dia. "Nasce o Sol e não dura mais que um dia"* o fato é esse, incontestável e único: ela vem. E sempre é cedo. Não importa se são meses, não importa se cem anos. É sempre cedo. A gente sempre não queria. Pois ela não nos ronda nem nos cerca. Mora em nós. Alimenta-se dos nossos dias. Não mede forças co'a vida nem dela é inimiga ou antagonista. Apenas protagoniza a pior das horas de todos os que ficam e assistem os que se vão: as despedidas... 24.08.2008 - madrugada*Verso de Gregório de Matos

Signo

O poema que entre meus dedos escorre, me significa... 23.08.2008 - 22h45min

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Anéis

Os anéis dos dedos ou os de Saturno talvez os anais da minha História talvez os anais do meu futuro talvez as angústias anéis anais peremptórias percepções cabais. 22.08.2008 - 15h

Invasão

Invado teu corpo
com fome de força
e
v i r i l i d a d e.
Nasço das tuas palavras das entranhas dos teus verbos i r g l r s r e u a e das entradas das tuas portas reentrâncias de partes dos sabores irrestritos irrigados rompantes de reconhecidos suspiros.
Relativas são as alturas
dos teus motivos todos
tola insegurança
cercada de amares
por todos os teus lados.
Invades meu corpo
de desenhos feitos a mão
nos contornos dos teus pêlos
a
r
r
e
p
i
a
d
o
s
.
Não são bastantes as palavras
que transbordam dos meus olhos
nem suficientes as energias
que transportam os meus óleos
que te inauguram
inundam teus poços
incendeiam teus poros
polarizam teus sensos.
INCENDEIAM-ME
AS HORAS
AS HONRAS
DA CASA
!
22.08.2008 - 14h

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Re-conhecer

Espalho meus olhos
nos raios de um sol fraco.
A multidão absorve os passos
que desviam da rota inicial.
Segmentos escurecidos
de pedaços de luzes distintas
no cimo das montanhas gigantes.
Concorro ao prêmio da vista
que se esvai no conjunto
dos desejos escondidos
entre três vocábulos curtos:
pare - olhe - escute.
Inadvertidamente não páro
e não ouço nada além
do teu suspiro profundo.
Não nego meu engasgo
esgaço um sorriso nu
enquanto deliro sozinha.
Acomete-me uma saudade imensa.
Saudade de mim
dentro de ti
e dessa tua saliva
que reconheço minha.
. . .
20.08.2008 - 16h55min

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

A gosto*

Há poemas nascendo das mãos do gênio.
Silêncio...
Não pouse uma mosca sequer
no fim desse mês de conquistas.
Um artista pressente a primavera,
presente de frutas e flores
e cantigas de ninar os dissabores
e fazer nascer outros, talvez maiores.
Quem se importa?
A poesia, de qualquer forma,
de um jeito ou de outro,
pelo sim ou pelo não,
com dor ou prazer,
brota.
E se o broto sangra deveras,
e se o feto vem preso ao cordão da vida,
que te baste o avermelhado
que escorre folha abaixo.
Vermelho-vivo-de-vida-pulsante-no-tronco-do-artista-que-vai-adiante-vaia-a-avenida-deserta-empresta-o-sal-da-testa-pra-adocicar-o-dia-exausto-de-luz-da-luz-da-tua-poesia...
20.08.2008 - 14h16min
*Comentário para o poema GRACEJOS AGOSTOS, do admirável Glauco César II

Nada cabe no poema*

Tudo cabe num poema. Tudo transborda de um poema. Tudo vive num poema. Tudo lateja num poema. O meu amor. O teu amor. O ódio. A guerra. A dor. Tudo transita num poema feito carne crua, cicatriz exposta e purulenta dessa nossa alma desnuda e descabidamente exausta de mentiras. Tudo cabe num poema. Minha lágrima. Teu riso. Minha crença. Teu descaso. Minha estética. Teu desânimo. Minha desesperança. Teu sustento. Minha desarmonia. Teu amparo. Tua valia. Teu carisma. Teu medo. Tua cara. Minha cara. Meu medo. Meu desânimo. Meu descaso. Meu riso. Meu pranto. O prato vazio do mendigo da esquina. Cabe nesse meu poema O GRITO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 20.08.2008 - Madrugada*Comentário deixado no poema NADA CABE NO POEMA, do grande Jorge Fernandes

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Ser ambiente

Semente em Ser fértil plantada menino faceiro com sede orvalhada de vida verde a ladrilhar-lhe a estrada. Quem te vê assim livre a correr nos prados que te cercam não sabe do árduo caminho trilhado. Foram anos a te anteceder de carinho, cuidado e atenção. Rios, cachoeiras, vales, solitários trabalhos de educadores que acreditaram num mundo melhor pra te oferecer. Teus pés pequenos de passos largos estreitam a distância de um ontem que não viste morrer. É com educação que se salva a hera, a mata, o pássaro, o ar, a vida, o riso que agora ris em alto e bom som e ecoa no meio e ecoa na veia e ecoa na lágrima que rola estreita no rosto de quem já tinha perdido a esperança morta de sede, no longo estio. Semente em Ser fértil plantada é certeza de frondosa sombra inda que muitos desistam inda que muitos duvidem inda que muitos se omitam. Escuta, olha, agradece e passa adiante a lição do menino simples: semente em Ser fértil plantada nasce na educação e vida garante. Não precisa mais nada. 19.08.2008/ para Eliane Aver, cunhada querida

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Coragem

Recolhe os trapos e acende a fogueira.
Dança. Espanta os covardes, as lanças,
as lideranças das desmedidas selvagens.
Escorre o óleo da fruta silvestre
e sorve a água da vida nascida da terra.
Rompe as correntes e te fortalece.
É assim que são os valentes.
ERGUE-TE!
15.08.2008 - 0h54min

Da alegria

...e o mundo parece que paralisa, e o absoluto parece que se
materializa assim, feito semente de uma manhã bem disposta,
quando o olhar do outro é tudo de que se precisa pra ser feliz.
Comentário para o texto AH! MENINA..., de Marcos Olli
Agosto/2008

Encontro

Perdi o sono na curva do teu pescoço,
embriagada do teu sumo,
do leite oferecido em taça de carne e gemido.
Perdi a noção da hora, da vergonha, do medo,
frustrada tentativa de encontro comigo mesma.
Mas eu não estava ali,
eu morava no teu eu.
Era em ti o meu abrigo.
Em ti o meu pulsar.
Aí o meu perigo.
Perdi a linha do horizonte no novelo da vida,
encantada profecia bendita, que traz de volta
o desalinho, o caos, o ferro, a força, o canto
teu acalanto que me aguarda na paciência
dos dias, dos sóis, dos mundos veementes
ausentes de todas as circunstâncias presentes
e das passadas e das futuras, quiçá das inexistentes.
Perdi a alma na curva do caminho percorrido
recolhida por ti, andarilho descalço, nos trapos
dessa tua poesia sem pé, sem cabeça, sem sentença
que te faça igual. És único, portanto.
És diferente.
És imortal.
És.
Foi em ti que me perdi.
Queres saber quem eu sou?
Procura por ti...
15.08.2008 - 01h15min

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Brisa do mar

Sentindo tua falta, adormeci.
Descansam os olhos, grita o corpo.
Meus sonhos povoados de beijos.
Ensandeci.
Apaixono meus mais primitivos instintos
sou fera, sedenta desse teu calor
das brasas que aquecem minha branca tez
das brisas que me ascendem ao teu furor.
Agosto/2008

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Da genialidade*

Gênios são depressivos lamentos.
Gênios são orvalhos disfarçados em lágrimas.
Gênios não têm tempo para espelhos,
por isso não se sabem.
Nem se confiam.
Agosto/2008
*Para o gênio 'Segundinho'

Toda tua

Ele quis que eu dissesse que sou toda dele.
Absurdo extremo! Como poderia ser de outro,
se ele guarda, nos olhos, meus dois corações?
Agosto/2008

Nós, psicografados por mim*

Atropelam-me as frases que deposito no papel amarelado
são tantas, são brancas, são disformes
as formas que assumem as palavras impressas.
Não me interessa.
Minha mão desenha sozinha o desabafo da alma.
Acalmam-se minhas fervuras no movimento
intenso da escrita ligeira, que não posso conter.
Sou tomada inteira pela força que tensiona a vida
que me habita, que me atormenta, que regurgita
as visões que quero absorver.
Absolvo-me do crime de dizer o que me vai por dentro,
de abster-me de calar a força que guardo em mim,
o absurdo da imperfeição, em vocábulos acesos
pela luz de uma vela distante.
A vela da tua voz que me sopra uma verdade qualquer.
A tua verdade que faço minha,
na psicografia dessa única história
que é feita de nós.
*Segundo a Wikipédia: "Psicografia (do grego, escrita da mente ou da alma), segundo o vocabulário espírita, é a capacidade atribuída a certos médiuns de escrever mensagens ditadas por Espíritos".http://pt.wikipedia.org/wiki/Psicografia *Escrito depois de uma conversa com Marcelo, sobre como se dá o processo de criação, no nosso caso. Agosto/2008

Contrapartida

Engulo o verso concreto envolto nas cartas de um baralho mudo. Emudeço diante da imprecisão louca da previsão de uma cartomante cega. Tateio meu ventre à procura do útero que carrega teu filho. Sou grito, num parto sem partitura. Comentário para o poema CONTIDA CORTINA, de meu querido amigo, o genial Glauco César II Agosto 2008

Pra quê?

Pra quê tanta lâmpada. Pra quê tanta gente. Pra quê tanto mundo, meu Deus? Quero velas que me animem, gente de menos pra iluminar essa minha solidão errante porque tem um mundo imenso lá fora, que clama por mim, exige-me a presença, vampiro desse meu desejo de nutrir a sanha que me ferve n'alma quente. Pra quê tanto suspiro, se a madrugada embrulha o dia e faz da lua um sol distante? Pra quê tanta distância. Pra quê tanta cobiça. Pra quê tanto suor se meus poros choram um sono perdido e migram, perdidos também eles, sem direção alguma? Pra quê tanta poesia. Pra quê tanta inspiração. Pra quê toda essa prosa, meu Deus? Talvez pra acender uma única lâmpada, para um único representante de toda a gente, nesse meu mundinho particular: VOCÊ. Comentário para o poema O MUNDO LÁ FORA, do admirável poetaJorge Fernandes agosto 2008

Caminho para o começo

Andei por esse caminho e perdi-me nos versos cantados pelo poeta peregrino. Cantei canções de sonhos e embalei palavras de ninar monstros. Pintei os fios das calçadas dos verbos que dirigiam-me os passos rumo ao epílogo. O epílogo é o fim do fim do fim do fim do fim do fim... do começo... O epílogo é o prelúdio. O previsto é o preciso. O proposto é a partida. O começo do fim. O fim do fim do fim do fim do fim do fim do fim do fim do sim . . . Comentário para o texto O CAMINHO DA POESIA, de Jorge Fernandes

De versos e de amor

...ou um verso vermelho de amor. Ou um verso suado de amor. Ou um verso choroso de amor. Agora só falta um verso. Um único verso de amor, tenha ele a forma que for. Um único verso piegas. Um único verso que repita o mesmo dito século após século. Não importa. É noite. Poesia e madrugada fazem amor. Esperemos, então, pacientes, o próximo verso... de amor... sempre de amor... Comentário para o texto A NOITE E A POESIA, do magnífico Jorge Fernandes

terça-feira, 12 de agosto de 2008

ESCREVER*

Eu queria escrever uma única palavra aquela que me apontasse a direção para onde todas as outras fugiram. Eu queria um travesseiro de letras uma sopa de letras, uma roupa de letras, cobertor de desatinos, pra quando eu finalmente enlouquecer. Eu queria a vírgula na hora exata, que o ponto final só me encontrasse no fim, que os parênteses fossem parentes distantes, bem distantes de mim... Eu queria fazer do meu texto o ombro que eu preciso pra descansar minhas dores, meus medos, todas as caixinhas onde escondo as partes várias dessa minha solidão. Eu queria um esconderijo, uma concha, um abrigo, um lugar quentinho onde pousar minhas mãos cansadas de desenhar frases desconexas, de desgrenhar versos infames, de tentar agarrar uma luz em meio ao caos. Eu queria tudo isso de uma vez só, de um gole só, de um susto só, de um abraço só... Eu queria... Só... 12.08.2008 - 0h *Para o mar, que queria criar. Só...

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Quem sou eu?

Se descobrires, me avise. Estou louca pra saber quem é essa que mora em mim...
11.08.2008 - 15h15min

Poesia

Poesia é lágrima que não verteu dos olhos, explodiu no papel...
Agosto de 2008

Da poesia

Poesia é uma dor Que aflora no dia azul: Saudade espessa... agosto de 2008

Do plágio

Não permita que te roubem A inspiração imediata ou futura. Que o verso passado, Esse já foi. Dá, pois, esse que foi, de presente, Aos porcos que te copiam. Que mais lhes resta na vida A não ser mendigar As migalhas da tua poesia? Incompetentes, Rastejam sobre teus rastros, Fuçando o brilho das tuas feridas. Tem pena desses tais miseráveis. Tem pena dessas árvores secas Incapazes de parir um único verso De sua própria autoria. Quanto a ti, É TEU o privilégio do assombro É TEU o calafrio na espinha A dor desmedida de gerar e dar à luz a tua arte. São TUAS as noites de rabiscos, As madrugas insones, famintas, As buscas, as bruscas surpresas, as pesquisas, Os olhares profundos, os olhos castanhos, os orgasmos, Os mundos, os medos, os amores, os destemores insanos. É TUA a pele dele Que ao contato teu, arde. São TEUS os beijos três, As pérolas nascidas d’areia Bem no meio do deserto; Os caminhos, os descaminhos, as desordens, Os atalhos abertos a faca e sangue quente. É em ti que habita o caos, Pai de estrelas cintilantes. É TEU o pânico, O profano, o insano, o sopro, o conto, o canto, o amante, A parte mais importante, A única de real valia. Sim, TU és O poeta. O outro, o desgraçado que te rouba o verso, O que se pensa esperto, Esse jamais passará nem perto De ser apenas e tão-somente Muito menos que um reles, sujo, imundo, Indigno verme e delinqüente, IM-PO-TEN-TE. 09.08.2008 – 01h E tenho dito!

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Figura

.
Na tua boca o gosto da vida
que eu sorvo de um gole só....
30.07.2008 - 19h

Segredo

Segredo é elo sagrado Guardado sem sacrifício Por quem, mais que um desejo, Carrega no peito um suspiro.
Soprado por um vento do deserto Traz no corpo um sol em branco Na boca, o gosto da vida; No peito, um coração pulsando.
Tem nas mãos o brilho da areia Escaldante milagre diário De palpável constatação Faz suportar a distância Faz renascer a essência
Faz brilhar uma paixão.
30.07.2008 – 14h30min

Subversão

Subverter a ordem natural
as convenções, as cerimônias
esquecer os ritos estabelecidos
e criar a rota alternativa
aquela que segue direto para o coração...
30.07.2008 - 14h

Vozes

Um sonho de voz grave na escuridão da noite. Uma noite de sonhos graves na clara voz do dia. Uma noite grave no dia sonhado de voz desprotegida. Uma voz na luz difusa no varal de roupas molhadas sacudidas pela tempestade de areia da noite proferida pelas palavras que escorrem da roupa vermelha. A grave situação do peito embalado na voz vermelha do nome embrulhado nas Fagulhas de um Fogão à lenha... A voz, na noite serena. A lua que diz, na voz do luar, quantas letras serão necessárias para um único verbo sonhar: A M A R . . . 30.07.2008 - 02h41min

Quem sou eu?

Sou uma vírgula solta na calçada sou reticência e exclamação dois pontos e uma enorme interrogação. Quem sou eu? Sou poema rascunhado n'algum guardanapo usado por um boêmio desconhecido que sofria de mal de amor... É isso que eu sou... 30.07.2008 - 0h44min

Poesia

A poesia pintou de letras coloridas o caminho que eu segui. Estendeu um tapete de versos e símbolos, estrelou meu céu pescou a lua e trouxe pra mim... 29.07.2008 - 23h15min

domingo, 27 de julho de 2008

Do direito ao voto

O voto é uma arma
que o brasileiro aponta
para o próprio coração.
E aperta o gatilho.
Impiedosamente.
Talvez por estar acostumado
à violência
ao descaso
ao pouco caso
à incompetência.
Aperta o gatilho
e depois reclama da dor.
Quem mandou brincar com arma de fogo?
27.07.2008 - 13h50min

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Sintonia

O grão da palavra. O grão do olho. Um NÃO! trocado por um beijo ardente. Faísca breve. Incêndio duplo. Dois corpos em brasa. Labareda insistente tempestade de areia em pleno deserto ousadia anunciada e nenhum dos dois acredita em coincidências... 24.07.2008 - 04h08min

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Um milhão de amigos? Conta outra!

Quem tem um milhão de amigos
não tem nenhum....
23.07.2008 - 13h

Pleonasmo?

Tinjo de vermelho as cinzas dos meus poemas cremados e espalho nas janelas dos abismos que aguardam a rendição dessas minhas letras.... do outro lado da porta que não chegou a ser aberta... Aos 40 minutos do dia 23.07.2008

terça-feira, 22 de julho de 2008

Fina trama

Delicadamente costuro retalhos com linha quase transparente. São pedaços de mim que espalho entre os lençóis da cama desfeita. São espasmos de minh'alma e histórias que já não ouso ouvir. São desenhos de estradas frias e cantigas distantes de passos sombrios. São risadas desdobradas nas noites de um verão guardado entre as memórias mais caras entre os porões das lembranças que escondo das vinganças de quem nunca, jamais, sorri. São os passos escolhidos e dados e as conseqüências dos fardos e as consciências do que me fez feliz. São meus pesos e minhas medidas, meus pecados e minhas partidas, meus remendos, meus encontros, meus jazigos, meus membros, meus medos, meus escombros meus tudos... tudo que sou eu... Os retalhos fazem parte dos retratos da fina trama que costuro l e n t a m e n t e como se uma enorme festa estivesse a me esperar como se um raio de sol, único, diferente, me cobrisse por inteiro, desde o Oriente. Recolho os retalhos mal-costurados e que me são caros. Chuva de letras curvas deles faço e disfarço o interesse maduro despertado. Vale o jogo presente na fina trama, que vela pela sorte de quem arrisca a descoberta do que existe no conjunto dos retalhos na costura final da colcha colorida... Aos 7 minutos do dia 23.07.2008

Quebra-cabeças

Pacientemente, ele monta as peças. São mais de mil, espalhadas pelo chão. Quando pensa ter encontrado o encaixe... hummm.... não era essa, não...
De vez em quando as peças se perguntam de onde ele tira tamanha dedicação. De onde o interesse por essa forma de diversão? Afinal, há tanto tempo dispensa atenção às peças, que estabeleceu com elas uma espécie de amizade bonita.
Sobre a mesa, lentamente, vai tomando forma a montagem. Prêmio mais que merecido.
Sobre a mesa, agora perfeitamente perceptível, o desenho do quebra-cabeças incompleto: as curvas de uma mulher e seu misterioso colar de pérolas...
22.07.2008 - 01h30min
*Pequena prosa poética

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22.07.2008 - 0h55min

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22.07.2008 - 0h15min

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22.07.2008 - 0h09min

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Resposta

Desfio tua palavra e faço dela minha poesia tomo posse das tuas coisas e, como posso, vou contando as minhas meio assim, sem jeito meio que dizendo sem falar num vai e vem de metáforas, ambigüidades e desejos escondidos que eu teimo em não mostrar (mas que se mostram sem mim). Se sou canção, tu ofereceste a cifra, a partitura, o violão. Se sou moleca, foi teu abraço em letra que despertou o brinquedo adormecido que estava, na escuridão. Se sou mulher, foram teus versos maduros insanos e doces e ensolarados que abriram a fresta da ostra selvagem no bico do pássaro de uma certa manhã em leves tons de azul. 21.07.2008 - 20h

Burca

As mulheres confundem a mente dos homens de boas maneiras. Homens confundem a mente o coração, a pele, o passo, o caminho, a alvorada, a certidão de nascimento das mulheres de palavra. Homens e mulheres se confudem e se perdem uns dos outros entre as linhas escritas entre as linhas faladas talvez as linhas só pensadas quiçá as apenas sentidas. Homens são dores desejadas; mulheres são flores malcriadas famintas de Oriente Médio. Inda que escondam os olhos, são adivinhadas no perfume e confundem a mente dos homens de boa vontade... 21.07.2008 - 16h

Para eu ler, no dia dos pais

Sou pai, mãe e irmã Amiga, ando de braços dados contigo. Desde a concepção sou teu pai, fui eu que te guardei em mim, fui eu que te pari fui eu que cuidei de ti. Sou pai, mãe e irmã; eu é que garanto que nada te falte, eu é que zelo pelo teu sono, e te abraço, quando estás triste. Eu é que te mostro o caminho que podes seguir, ou não; eu é que te ensino a alegria, eu é que te ensino a poesia, eu é que te guardo do mal. Teu pai, Alina, sou eu, com todas as vantagens de ser tua mãe também. 21.07.2008 - 14h11min

domingo, 20 de julho de 2008

Personagem

Empresto meu corpo ao personagem que assumo enquanto escrevo minhas memórias. Transito por mundos alheios aos meus. Hospedo meus medos todos té que chegue a hora de abatê-los e apagar de mim as suas mentiras. Altero a rota de repente só pra testar os meus passos e conceber novos pensamentos entre os estilhaços da guerra que eu mesma travo comigo ou contra mim. Ensurdeço, espero e não leio comentários vazios de leituras. Quero a substância sólida da tua impressão, não repetições tolas que só aos tolos alcançam. Enrolo meus cachos e determino as próximas metas só pra mudá-las em seguida e partir sem rumo. O objetivo me cega e eu não quero andar a esmo tateante e indecisa. Sim, objetivo posto é confusão pra mim. Quero o imprevisto e o não imposto. Quero a surpresa e a capacidade de decidir ali, na hora, sem direito a estudo de nada que não seja o fato imediato. Te incomoda a minha imediatez? Ela mora em mim há séculos e a trato com cuidado e reverência. É ela quem dita meus risos e me faz ver que adiante não há nada que eu possa obter. Só tenho aqui. É aqui que eu vou morrer. 20.07.2008 - 13h14min

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sábado, 19 de julho de 2008

Ser poeta é

... ver estrelas nos olhos do dia...
19.07.2008 - 23h

Imagética


Peneirada entre os riscos,
entes distantes das rimas,
minha poesia...
19.07.2008 - 21h33min

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Dor de morte

Dentro da noite, o parto de um único verso.
19.07.2008 - 21h

Ser poeta é

... conceber a si mesmo
e parir-se
no escuro d'alguma rima
dissonante...
19.07.2008 - 20h33min

Amigo

Obrigada pelos enfeites que espalhas aqui e ali, na minha vida. Obrigada por lembrares de mim, por provocares os meus 'pensares', pelos castelos de cartas, areias, concretos, mármores, madeiras, fumaças, restos, fogos, risadas. Obrigada por essas tuas lentes que transcendem o que eternizam, porque dependem desses teus olhos que não são de hoje, nem de ontem, nem de amanhã... teus olhos são olhos de infinito. Eu te amo, meu amigo. Para Adrebal Lírio, por todas as razões ditas e por tantas outras que as palavras não alcançam. 19.07.2008 - 15h

Questionamentos III

Monstro de concreto que se ergue acima dos homens... Quanta angústia guardam tuas paredes? Quantos sonhos aprisionados em ti? 19.07.2008 - madrugada Comentário para foto do álbum ESSES MODOS DE VER, de Adrebal Lírio

Questionamentos II

Pedras que desbotam. Que descascam. Que ruem nas ruas que choram. Pedras que refletem. Espelhos de nossas angústias? Espelhos dos nossos GRITOS? 19.07.2008 - 02h48min Comentário para foto do álbum ESSES MODOS DE VER, de Adrebal Lírio

Questionamentos I

Quem é o homem diante da sua própria criação? Qual a importância dos seus traços, diante dos tijolos erguidos por ele mesmo? Erigirá uma obra em honra ao coração? Até que ponto seus feitos são os provocadores da sua própria solidão? O homem se reúne para a troca, mas está cada vez mais só. De que adianta o outro, para esse homem? Terá ele consciência da pouca importância do que há em volta quando o outro não pode mais sequer andar? Perdemos tempo demais erguendo templos e escondendo-nos dentro deles. Moramos nesses templos, e os chamamos de 'lar', quando o verdadeiro 'lar' é qualquer lugar onde estejamos em paz... 19.07.2008 - 02h58min Comentário para uma foto do álbum ESSES MODOS DE VER, de Adrebal Lírio

Labor?

Respiro poesia.
Ela me vem de fora,
ofertada pela vida.
Eu só a colho.
Vivo da colheita dos versos
que estão plantados por toda parte...
19.07.2008 - 02h55min

Ressuscita!

letras putrefam fadas feitos ressuscitam letras nas histórias mal contadas que nos obrigaram a engolir lajes de luz, pás de inspiração holofotes que confundem e depois enterram no quintal de papel os cegos mortos no tiroteio das frases olhos fechados em ataúdes no tinteiro vermelho líquido na ponta da flecha e na veia e no veio e sobre o travesseiro o indescanço arranhando a madeira a indecência disfarçada na esteira estendida na soleira da porta trancada a chave. Mortos! Mortos! Mortos! Que fazem ainda no chão? Não escutam o poetar nas árvores? Como ousam não erguer-se ao canto de um pássaro da manhã? Os ninhos foram construídos à noite enquanto mortais normais dormiam o sono justo dos que por justiça lutam e o horizonte alaranjado anunciou o amanhecer. Reflexo polido por deuses, aos clarins anunciando o resto azul que virá se prostrar até o instante silenciar-se em escurecer. Que esse leve trilar estremeça a vida Que conceda ao homem a chance De, das cinzas, renascer e viver em poesia outra vez.
02h – 19.07.2008
Com Pedro Augusto

Poesia rima com justiça?

A poesia té tarda mas não falha nunca ao contrário da justiça que tarda, que falha e deixa no seu rastro meia dúzia de gente mo ri bun da... 19.07.2008 - 01h

Caleidoscópio

Extensa sensação de dormência. Muito próxima da anestesia. Muito próxima da inexatidão. Ou seria da exatidão completa? Da absurda clareza de visão quanto ao que me cerca? Ou da absoluta cegueira... Eu sei o que parece. E sei o que de fato é. O feto do pensamento. O encorajamento fatal. O fraternal encaminhamento. O sexo frágil. A fuga. Enfermidade. Fogueira vazia de fogo transbordante de queimação. O erro ronda o riso e é preciso mais do que atenção. A história repete o homem os homens se repetem nenhum aparece com a resposta entre as mãos. São solitárias as esquinas quebradas na rotina diária de andar sempre pra frente sem nenhum sobressalto sem nenhuma urgência sem lamento e sem perdão. Permanecem vazias as mãos.... 19.07.2008 - 0h19min

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Ancestralidade

antes noite alta estrela sereno silêncio sossego solidão insônia medo Meu vínculo com a madrugada é anterior a mim a mim a mim... (buraco negro) 17.07.2008 - 14h04min

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Poetar é...

... apesar de tudo, CRER... 16.07.2008 - 21h11min

Poetar é...

... desabafar nos desarmados braços da metáfora
pra desabar em versos
e voar...
16.07.2008 - 15h

Minha verdade relativa

O despeito é só mais uma forma de dor... 16.07.2008 - 13h40min

Poetar é...

XVI ... libertar o eu-lírico pelo tempo que for necessário, só pra prendê-lo de novo, depois... XVII ... estar enganado mil vezes e preparado para as próximas mil... XVIII ... em tudo ver motivos pra poetar. E onde não houver, inventar... 16.07.2008 - 14h50min

Poetar é...

XIII ... enxergar além... e perdoar... XIV ... saber que as palavras jamais se deixam usar... XV ... sentir-se um trouxa... e gostar de ser assim... 17.07.2008 - 14h40min

Poetar é...

X ... nascer de amor, mesmo depois de velho... XI ... percorrer vielas desconhecidas, sem cansar... XII ... saber desde sempre que amor rima com dor e, mesmo assim, não desistir de amar... 16.07.2008 - 14h38min

Poetar é...

VII ... ver beleza onde não há... VIII ... predizer o futuro, sem pretender... IX ... prometer o céu e saber que a promessa vai se cumprir... 16.07.2008 - 14h35min

Poetar é...

IV ... de olhos vendados, ver melhor... V ... transformar uma despedida em canção... VI ... fazer versos de uma dor... 16.07.2008 - 14h15min

Tela suada de versos

Cautela para conhecer homens Montar elefantes Tocar ácido Abrir dentes morder músicas Morder a música, você não pode evitar a fome Tocar a arte, você não ousa domar o homem Não, mulher você não ousaria Abrir a ostra, você não pode sombrear a mulher Os elefantes? Talvez possa trancar Não, homem Você não poderia Talvez... Mas sempre libertará a costura da arte Uma hora você vai dizer "Saia daí e venha mostrar ao mundo como se vestir Queremos aprender o gozo” Vista-se de pérolas: pérolas no pescoço O mais é ostentação Tentação: tente a ação aço e dentes: acidente de percurso o curso das águas vertentes da selva Masturbe-se numa pele grossa Atente ao chamado selvagem Castigue o chão É sua tentação Pros olhos escondidos na mata Pinte na tela virgem o gozo da vida Descabace as virgens na caravana Pudores são formas de arte Impudor é sua ânsia Falso pudor, o seu castigo Não serei eu a lhe dar outra lição... *Escrito com Pedro Augusto, na madrugada do dia 16.07.2008 (http://elefantesvoltam.blogspot.com/.). Valeu, Pedro, de novo...

terça-feira, 15 de julho de 2008

EMARANHADO SOBREVOAR DE VERSOS PONTEIROS DESCALÇOS FUMEGANTES VERSOS DESCALÇOS CAFÉ COM POESIA EMARANHADA NA PONTA DA MADRUGADA MADRUGADA EMARANHADA

Café da manhã com uma ostra, um elefante ele quer só, ela quer acompanhar com sucos, iogurte, fruta do conde em murros, pretume, gasolina delicadeza e virilidade pra saborear. Cruéis nós em dedos, suaves laços no cabelo um filme de Kung Fu, lábios tocando um coelho branco. Todas as guilhotinas, estradas, florestas, ruínas revestidas de flores e regionais festas desnudadas em aço e cidades imperiais. Brindam com xícaras de líquido negro forte nos anéis das madeixas dela, saúdam as muralhas que avistam ao leste sobre rugas na tromba elementar. A vida se diluindo em cores a morte desbotando na escuridão a pérola, na pata do elefante a ostra alada de orelhas plana. Voar é criar raízes viver é poetar cair é ascender ao espaço como tomar café sentado ou colher fruta doce na ponta do pé.
*Escrito com Pedro Augusto (http://elefantesvoltam.blogspot.com/),
ENTRE ALGODÃO DOCE E ARAME FARPADO,
na fértil madrugada
do dia 15.07.2008 .
Valeu, Pedro!

Poetar é...

I ... ser pega pelo bafômetro da vida, bêbada de luz. II ...ter coragem o suficiente, pra temer. III ...expor-se tão desavergonhadamente, a ponto de se esconder... 15.07.2008 - 13h25min

O grito

Descabidas combinações desiguais em trôpegos mistérios baratos de insensatos poetares vorazes de canções e insetos esquálidos na folha vazia de equilibradas constatações.. Escrevo pra discernir meus erros; exerço o direito ao silêncio gritado em que a boca se fecha e as mãos se armam de lápis e letras impressas. Descrevo o murmúrio distante e frio das vozes que se deixam enganar. Espalho cinzas de sorrisos - cantos de sereia - nas linhas desertas que ninguém mais lê. Penélope, bordo o milagre em versos, enquanto espero por ti. 15.07.2008 - 13h

Fonte

Letras soltas dispersas no ar arriscam sentidos de encantamento. Símbolos e imagens são miragens quentes de olhos cegos que engatinham em direção das setas que não apontam pra lugar algum. Incertas horas de espera em que os estalos do dia soam feito arrependimentos saídos de escritos em letras garrafais. Garrafas d'água potável enfileiradas no escuro da via que não vai nem volta jamais. Genéricas são as palavras que te soam particulares enquanto pronunciadas por mim. Espetaculares versões de mundo de um futuro próximo que se distancia cada vez mais... 15.07.2008 - 12h03min

Da solidão

Da solidão nascem tantas estrelas... Da solidão criam-se ardências... Da solidão brotam vertentes... A solidão imita o eremita que se esconde, pra fazer valer o direito de não ser visto, de não compartilhar a febre, a dor, a ganância até... A solidão faz milagres. A solidão mata milhares. A solidão silencia os olhos de quem já viu o bastante. A solidão solta a garganta de quem não disse o bastante. A solidão é a companhia de quem ouviu tudo o que havia pra dizer... 15.07.2008 - 03h30min

Traição

Esperei que voltasses, perdido que estavas entre os cabos e as serpentes... Esperei longas distâncias, e, de tempos em tempos, marquei presença, pra ver se encontrava tua sombra n'algum verde vale ondulante. Nada. Não piscam as luzes que me avisavam teus olhos, não cantam os sinais que me mostravam tua voz, não pintam os canais que me clareavam tuas mãos. Nada. Esperei longas datas, té que o sono chegou antes de Ti. Foi com ele que eu te traí. Foi com ele... 15.07.2008 - 02h47min

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Heterônimos

Quantas de mim há em mim diferentes umas das outras extremos opostos de pensares ou semelhantes dizeres de mim? Quantas outras me habitam eu, que nem sei direito quem chegou primeiro à reta final, se a original ou as derivadas de mim? Quem criou essas terceiras, quartas, quintas vértebras a mais, que usam minha boca pra dizer que abusam dos meus dedos, a escrever o que querem e o que as assombra? Quem enxerga, além delas, a verdadeira moradora do meu corpo, que nem sempre se manifesta emudecida pelos gritos das outras? Quem me alcança? Com quantas pessoas diferentes consigo conviver dentro da minha própria casca, cada uma querendo a expressão exata, pr'aquilo que nenhuma de nós consegue exprimir? Qual delas é a verdadeira escondida por trás das faces múltiplas que foram nascendo [ou que foram sendo construídas] sem aviso prévio sem licença ou permissiva minha? E se qualquer delas quiser se valer da morada e assumir o controle do espaço reservado pra todas as outras? E se essa não for eu? Quantas faces existem por trás da máscara com que nasci? Quantas máscaras têm as mulheres que usam meu corpo? Quantas são as cicatrizes que escondo atrás delas? Quem eu seria se não fosse um heterônimo? Nada além de um fantasma, talvez? 14.07.2008- 13h18min