sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Quem é você?

QUEM, EU?
ÀS VEZES PENSO SABER QUEM SOU OUTRAS VEZES PENSO SER QUEM SABE OUTRAS VEZES NÃO SOU NEM UMA NEM OUTRA OUTROS SERES NÃO HÁ VEZES EM QUE AS OUTRAS QUE ME HABITAM ABREM AS ASAS E VOAM, OU SE FAZEM VER. ÀS VEZES SOU UM EMARANHADO DE PERGUNTAS ÀS VEZES SOU UM PUNHADO DE BUSCAS ÀS VEZES SOU QUALQUER COISA MENOS EU MESMA ÀS VEZES SOU APENAS EU MESMA MENOS QUALQUER COISA ÀS VEZES SOU LÁGRIMA ÀS VEZES SOU TERRA ÀS VEZES SOU MEL DE FATO CONCRETO NADA TENHO ALÉM DO FATO DE SER INCOMPLETA E DE PENSAR QUE QUANDO UM CICLO SE FECHA UM OUTRO VAI RECOMEÇAR. ÀS VEZES SOU CLARA ÀS VEZES NEM EU ME ENTENDO ÀS VEZES COMPREENDO, ÀS VEZES SOU BÊNÇÃO MAS NA MAIORIA DAS VEZES SOU MALDIÇÃO. CUIDADO COMIGO, ENTÃO. 20.02.2009 - 02h55min

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Mulher

Cato pingos de chuva
nos raios de uma luz qualquer.
Canto sem letra a busca cega.
Caminho sem trégua.
Não sou sofrimento nem sonho.
Não sirvo pra sopa.
Nem sopa sirvo em prato de mel.
Não sopro bolhas de sabão no ar da sala.
Subo um degrau de cada vez
e na próxima, dez.
Tomo banho de pimenta e sal.
Corro sem direção.
Corrijo.
Suo o exagero e a falha.
Falo do que já não é.
Abrigo antigos temores.
Esqueço amores.
Amorteço quedas.
Amordaço monstros.
M
e
n
s
t
r
u
o
.
Eu.
Mulher.
19.02.2009 - 17h

In

Incoerente que sou, dou-me ao luxo diário de flertar co'a coerência, como se dela desejasse um instante sequer. Inconsciente que sou danço no fluxo diário de melódica impertinência como se dele desejasse um fio vermelho sequer. Independente que sou, dou-me ao prazer diário de te precisar toda hora como se nada mais houvesse além de ti. E não há... 19.02.2009 - 16h40min

História

São caules, raízes e limos tortos troncos de escolhas ou suspeitas sombras de assuntos supostos. Fantoches de borboletas brancas espetados em mostruários fantasmas. Texturas adivinhadas na compra de horas ou na cadeira de rodas quiçá no balanço vazio que corta o espaço pleno de desertos. As correntes arrastam os pés o mundo carrega as costas os descontos desdenham do amanhã. Esculpo sentimentos expresso alusões iludo o tempo escorregadio, que um dia me haverá de tecer. Devoro o cheiro do livro d'onde escorre o que não sei. Bato a poeira dos pés povoo meu ventre de novos intentos. Invento. 19.02.2009 - 16h32min

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Dança

Os limites me estreitam sou amplo espaço preso entre as paredes de convenções que não inventei. Escalo orvalhos escondo olheiras esculpo acordos nas cordas das árvores - cipós - nas barbas de pau que escorrem nas babas do dia entre os lençóis de cetim e as novas regras gramaticais impostas - poesia? -. As abas das horas projetam alvoroços. Não sou algema mas almejo que teu sol me queime ao menos ilumine ou quem sabe até imunize meus caminhos de luz e anzol azul anil. Sou um par de pés descalços que escalam-te as costas de pele macia e 'kouros' no ar. Sou teu sono, tua voz, teu sabor e a fumaça que exalas. Sou teu sopro e sou eu mesma nua e desprotegida, envolta em versos transparentes que tuas mãos, teus olhos, tua fantasia, haverão de rasgar... Nos primeiros 10 minutos do dia 19.02.2009

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Aditivo

.
e
.
16.02.2009 - 13h10min

EU QUERO!

Eu quero bolos e pipas e sons de risada e rodopios infantis dados pelas crianças imitados pelos adultos abençoados pelos deuses. Eu quero chocolates e sucos de laranja e misturas de palavras mal pronunciadas rendadasrendeirasreveladorasredentorasescaldantes. Eu quero a cabeça vazia de balão solto no ar de cheiro de pizza de sabor de menta de perfume cítrico de abraço apertado de coração palpitante de verso molhado espalhado sobre a mesa espalhado sobre a fresta espalhado sobre a batucada que incendeia o chão batido de frescas madrugadas e suco de limão congelado: pi co lé. É! 16.02.2009 - 20h

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Queda

(Hoje só quero quedar-me aqui....
e sorver a coerente
(in? será?)
versatilidade da canção
que nasce costurada nos verbos salientes,
desse bando de malucos-beleza,
que voltaram a povoar um certo santo bar....
Ah...
hoje quero quedar-me aqui,
e esquecer que há regras,
que há logros,
que há pipas voando no ar.
Hoje eu quero quedar-me aqui,
e tantas letras amar....)
02.02.2009 - 05h28min
(Alexis tratou a foto. Obrigada, querido!)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Sou o que nada sei

Eu não sei em que verbo
meus versos te descobrem.
Eu nem sei se eles te descobrem!
Se és Aquiles,
não sei se alcanço teus tendões.
Se Eros sou,
as flechas miro nos teus olhos,
pra ganhar o urgente perdão.
Não estudei anatomia
- nem precisaria -
pra (não) saber onde lateja o dia.
Os livros me lêem ao avesso,
justamente quando sou perfume.
Danço entre assuntos
que não ouso apreender.
E me perco no nada
e não sei
e não sou...
Nascerei...
26.01.2009 - 13h49min

Do belo

Minha beleza nunca morou em mim vive nos teus olhos por isso mesmo é tua. 26.01.2009 - 13h02min

Limitações

Tenho um vocabulário limitado pela tonicidade. Não sei se de propósito ou se de puro desgosto, sempre evito a trilha certa prefiro os atalhos. E se a porta não abre, se a roupa no varal não seca, logo imagino um deus morto querendo me mostrar uma nova parafernália. Se a melodia destoa da voz ou se um livro pula a janela, é ela, a bruxa do espelho, que me sorri, avara. Enveredo por supostas alamedas desertas, encanto perdizes, e me perco em paraísos-defeitos. Desperto de um sonho impossível. O sono não me mata. Desculpa. 26.01.2009 -12h50min

A-Partes

Parto do princípio
de que minhas partes
participam de um todo
que independe de mim.
Ou que, dependente,
vira e mexe se rebela
e toma rumo próprio,
alheio à minha vontade.
26.01.2009 - 12h

sábado, 24 de janeiro de 2009

Vôo

Quem voa longe alcança o que quer? Depende da altura do vôo depende da força das asas depende da intenção da distância ou, talvez, só dependa da gente e do tanto querer... 24.01.209 - 11h50min (Aí, Airton, não falei que dava poesia?)

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

TI gosto

Eu gosto do tom da tua pele do corte do teu cabelo da tua barba por fazer. Eu gosto da tua postura do teu jeito de andar da tua forma de dizer. Eu gosto do movimento que adivinho do teu peito sob a camisa do suor que te escorre pelo pescoço do osso do teu joelho machucado do teu tornozelo dos bíceps dos tríceps e dos três quadrúpedes que são teus. Eu gosto das mesmas canções e da tua pouca idade avançada. Eu gosto de poder te dizer tudo e de às vezes nem dizer nada. Eu gosto de te ouvir muito e de muito te ouvir, te entranhar. Eu gosto de estranhar nossa diferença se é que ela há. Eu gosto de esperar por TI e de te esperar, sonhar. De tudo o que eu gosto, o que mais eu gosto é de TI gostar. 23.01.2009 - 04h34min
("Eu gosto de como teus olhos
acompanham teu sorriso...")

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Ser

Sou um ponto no mapa
talvez um grão de areia
no prato fundo da sopa
de letrinhas.
Sou bola de sabão
que explode no instante
quase primeiro
em que se formou.
Sou pluma,
espuma de mar.
Sou escaravelho
ou talvez apenas esteja velha
pra definir
quem fui...
22.01.2009 - 19h21min

Disfarce

Sem rosto, sou corpo invisível
querendo voar...
22.01.2009 - 19h14min

Véus

Serão pedras supostamente mais leves
disfarçadas de solidão...
22.01.2009 - 19h09min

(In)completa

De mim sempre falta
um pedaço
de mim...
A morte,
talvez....
22.01.2009 - 19h

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Pedir por favor

Papel pede água.
Eu digo:
Olá.
Derramo tinta nele.
Pinto.
Coração pede porque gritar
se o amor não vem?
20.01.2009 - 16h39min
(Esse quem escreveu foi Alina, minha herdeira de versos,
minha filha, minha mais perfeita rima...)

Sob medida

Ele me pediu um poema
mas
como se derrama o coração
no papel?
20.01.2009 - 16h34min
(Sob medida, pra TI, só EU)

Doideira

Hummmm... tem uma teia de aranha logo ali uma barata passou correndo em direção à cozinha ai ai ai só falta rato e ratoeira e barulho de roedores pelos cantos do bar ai ai ai uma teia de aranha logo ali quando é que vamos movimentar logo aqui? aqui? aqui? uma teia de aranha logo ali e minha poesia tá presa emaranhada nas colas caladas dos poetas anônimos dos conhecidos anônimos dos sinônimos antônimos parônimos será que são parecidos com o rato que roeu a corda da aranha logo ali? e o meu verso que não se solta dessa teia colada dessa teia liberta? e o teu siso que não se arrisca no vôo impreciso que a teia permite logo ali? cadê esse meu povo que não vem aqui de novo pra matar a aranha pra pisar na barata e assustar o rato que rói esse meu verso sem nexo sem queijo sem acento agudo ou circunflexo? e a teia persiste em prender meu poema... Moço, um copo de suco de laranja por favor, sem teia de aranha sem barata boiando sem pêlo de rato (ai, que esse acento já era... e eu não sei mais escrever... ai) 19.01.2009 - 06h

Inutilidade

É inútil minha arte.
Ela nada te acrescenta
além de perguntas
cujas respostas
são outras interrogações.
Se meu corpo te fala,
não afirma;
provoca.
Se meu risco te grita,
não define;
duvida.
Se minha palavra te diz,
não explica;
confunde.
Se meu gesto te traduz,
não expõe;
multiplica.
Minha arte desfia lãs.
Desfila curingas e copas de rainhas.
Minha arte copia sonhos.
É incapaz de soluções.
Respira o vício da busca.
Procura.
É inútil minha arte.
Complacente, passa por ela
e sorri...
20.01.2009 - 14h20min

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Por enquanto

O canto do copo quebrado na boca.
A parte sem todo, manca.
Silêncio na noite, sono insosso
sabido remédio pro meu desespero.
Delírio sem trégua. Distúrbio.
Enviesado revés de vida. Sorte.
Na lata do lixo, os muros.
Esmurro as pontas das facas.
Enfraqueço os mitos.
Desminto as madrugadas.
Amanheço viva.
À cabeceira dos dias, sinto.
Ainda.
E só por enquanto.
19.01.2009 - 13h50min

(Con) Seqüência

Derramo no corpo tinta branca
pra pintar-me a alma
cansada das mesmas nuances de cinza.
As expectativas seguem-me os passos
como se já não me bastassem
as incessantes chuvas de verão.
Discordo da maioria
e descanso meus pés
na estrada da esquerda.
Desvio dos caminhos
superpopulosamenteentediantes
e mergulho no que considero vivo.
Descubro reflexos onde não sabia
e almoço soluções tardias para meus defeitos
vários
avaros
inválidos.
Sem sol, secam-me as carnes
de uma fome que não me cabia.
Abrem-me vagas nas poças d'água
e minha imagem já não é.
As muralhas pesadelam-me.
19.01.2009 - 12h30min

sábado, 17 de janeiro de 2009

Definitivo

Tu és qualquer coisa que não encontro no dicionário.
Talvez sejas um perfume
ou um vocábulo grego.
Talvez sejas a mordida na maçã vermelha
ou o peso do cinto na minha pele.
Tu és alguma coisa indescritível
maior que MARAVILHOSO
mais forte que CORAJOSO
mais leal que o som de voz difuso
perdido no nebuleiro da distância.
Tu és qualquer coisa que eu não encontro no dicionário.
Não estás lá.
E eu não sei como TI definir...
Eu não sei...
17.01.2009 - 06h
(Acontece que TER dispensa definições...)

Moço...

Moço, chama aí alguém que esteja passando com uma viola debaixo do braço
Um dedo de prosa
uma pitada de poesia
um tantinho de pimenta
e está pronta a mistura perfeita
pra melhorar o meu dia...
Moço, chama aí alguém que esteja passando meio malemolente
que aqui um jeito dá à gente
meio sem medo de andar sem pressa
nesse bar escurecido
nesse lugar em que esqueceram
de acender o lampião
c'o último fósforo
da carteira vazia.
Moço, chama aí alguém que esteja passando com um livro não lido
entre as duas mãos de um ente querido
que as mulheres querem ouvir canções
que os homens querem arrastar as asas
e os chinelos e os tambores e as pretensas verdades
que as falhas acodem nas mesas vazias.
Moço, chama aí alguém que esteja passando
pra preencher a madrugada transbordante de um vácuo mudo
incandescente de uma tênue e lúgubre folha branca...
Moço, chama aí alguém
que eu já não aguento
de solidão...
17.01.2009 - 02h12min

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Semântica

No meu dicionário de significados
os sentidos jazem sobre as flores
e as palavras são meros espectadores
dos meus obscuros emaranhados.
Desconstruo o poema
como quem senta à mesa
do banquete de um Imperador.
Cato feijão nos acentos circunflexos
e alinhavo a próxima estrofe
com as batidas do meu coração
como quem planeja uma metrópole
(mas metrópoles são desordenadas
desorganizadas
barulhentas
violentas e ricas
de qualquer coisa mofada
que purga de suas feridas).
E a minha criação se ri
do que seria um abismo sem fundo.
No canto da boca-página
um filete de sangue
escorrido do vocábulo
escolhido a dedo
pra não assustar os estranhos
que povoam os ninhos
dos meus pensamentos.
Apalpo as linhas que visto
e já não sei se o que vejo sou eu
ou os meus instintos escritos
descritos
pormenorizados
na avalanche descontrolada
- poética impertinente -.
O ritmo da tua leitura
mantém acesa a chama
e o espaço entre uma e outra escrita
permite o descanso do vazio
que sucumbe
ante o braço enlameado da plebe.
As farinhas desmancham os pães.
Sem alimento, farto-me de orvalho.
Estremeço.
15.01.2009 - 13h10min

Um dia...só

Como seria se só existisse o dia? Talvez faltasse uma pitadinha de poesia na pimenta da estrela que a gente não viu... 15.01.2009 - 01h30min

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Brinde

Talvez estejamos nós dormindo... Sonha, que o tempo é deveras ligeiro Sonha, que o medo é deveras sem freio Sonha, que o sentimento é das claudias ou das heloisas, ou das simones, talvez das marisas, ou das lenitas, outras quermesses, outras diretrizes, outras mordidas doendo nas carnes, outras vertentes cobrando pedágio, outras estradas outras verdades outros poemas brotando dos vales das entranhas da terra das entranhas de mulheres poetas... Mas e os homens profetas? Moço, um brinde à poesia feminina, tão perfumada tão lasciva, tão bendita, tão desarmada, quanto um copo de vinho tinto... Brindemos, amiga Lenita, enquanto os profetas não chegam enquanto os homens não estendem, eles também, os copos transbordantes de delírios... Brindemos, amiga Lenita... Brindemos à poesia blindada que brilha, inda que presa... Brindemos... Brindemos às odes, aos sonetos, às desordens dos versos... Brindemos à magia da vida... 14.01.2009 - meia noite... (Para Lenita, amiga poeta)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Sobre quem sou

Vivo mudando de idéia sobre quem sou eu. Será por não conhecer, em absoluto, a resposta, e andar vagando por hipóteses várias, ou será por essa característica de camaleoa, mudando sempre, portanto sempre sendo nova? Uma boa nova? Ou uma utopia? Quando eu descobrir, respondo... ou não... 12.01.2009 - 15h

Bem-vindo, poeta!

Entra, poeta,
que a poesia está de portas abertas,
pra versos exclamados
na comunhão dos decassílabos
ou dos invertebrados...
que importância tem?
Toda, oras,
afinal é de estrofes que é feita a vida
e de estrofes malogradas ou mal dormidas,
talvez mal amadas,
quiçá bem resolvidas...
Estrofes de almofadas e de suspenses,
que nos levam as sementes
e as inspirações dormentes
e as catástrofes nos copos d'água...
Entra, poeta,
e traz uma pitada da tua poesia,
que a mesa anda sedenta
de um tantinho de beleza,
de um tantinho de prosa e verso...
Moço, traz aí a sobremesa...
(Para os meus amigos queridos, do Sarau On Line,
depois de um longo período de afastamento meu...)
11.01.2009 - 17h30min

sábado, 10 de janeiro de 2009

Falta

Sinto falta das canetas,
dos versos,
dos amigos,
da dança do poema na minha frente,
alegrando-me os dias...
Sinto falta do sopro do verbo
no meu ouvido atento,
do riso da palavra escolhida a dedo,
do sentido obscuro da frase,
solta por acaso,
entre um suspiro e outro,
de alívio ou solidão,
tanto faz.
Sinto falta da beleza de uma lua que resiste às manhãs...
10.01.2009 - 01h22min

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Marginal_Arte&Cultura

Sempre estive "às margens", embora sempre tenha parecido "dentro". É confusa essa situação. Serei eu uma marginal perfeitamente integrada? Talvez eu não seja nada. Talvez apenas arremedo d'alguma arte que me passou rasteira, n'alguma outra vida, em que,certamente, fui cega e perdida. As margens exigem mais equilíbrio, ainda que um olhar desatento taxe de bêbado o passo da marginarte. Imaginação. Arte. Cultura. Corda bamba. Daí o balanço, daí o requebro, daí a contra da mão do conhecido e sempre arbitrário PODER.
01.01.2009 - 02h48min

Por amor

Por amor
sou meus desenhos
dispo-me das dores
dos tecidos
dos verbos
dos receios
dos cuidados todos.
Por amor
sou minhas poses
minhas quebradas
minhas colinas
meus vales
serenatas
cachoeiras
sumarentos e finos recortes.
Por amor
sou as mulheres que fiz
cada traço
cada curva
cada compasso marcado
no tempo certo
ou no intento
imprevisível
da tua chegada.
Por amor
sou retrato
e janela.
Abertura
estilhaço
saliva
abraço.
Por amor
sou a sombra
desenhada
feminina
felina
amada
amante
graça.
Por amor
sou tua
em traço
ou nua.
Tanto faz;
é tudo pra TI.
01.01.2009 - 01h50min

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Nus

Despir-se é muito mais
que despojar-se das vestes
é deixar a descoberto
a alma, pra TI.
Corpo e alma desnudos.
Nus
Nós
Dois
.
29.12.2008 - madrugada

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

"Se tudo der certo"

(...)
Sentir, sem que se veja, a quem se adora,
Compreender, sem lhe ouvir, seus pensamentos,
Segui-la, sem poder fitar seus olhos,
Amá-la, sem ousar dizer que amamos...
(...)
Gonçalves Dias
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Quando tudo der certo
o jogo de palavras
virá com manual;
os magos a mais
- ou a menos, tanto 'faiz' -
não terão a menor importância,
dadas as mágoas
deixadas do lado de fora
dos nossos portões
que esquecemos de fechar
com enferrujados cadeados
de cristal.
Achei que tivesse tI perdido.
E me perdi ao isso achar.
Fiz do medo a poesia.
Um verso a mais pra TI
que ME sabes poetar.
25.12.2008 - 03h36min
(Tu não és otimista. Tu és ÓTIMO.
Obrigada pelo farto material de espelho.
Só o que faço é refletir essa tua aura brilhante,
que eu amo. FELIZ NATAL!)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Nomenclatura

Não é por acaso
que as três primeiras letras
do meu nome de batismo
sejam uma afirmativa...
19.12.2008 - 14h36min

Antes

Meu relógio está sempre adiantado talvez essa seja a melhor explicação sobre quem eu sou... 19.12.2008 - 14h35min

Fuga

Lápis
Papel
19.12.2008 - 14h12min

Eu quero TI dizer

O que eu quero dizer
é o que eu não disse
e a palavra me foge,
livre, nos campos da vida.
O que eu quero dizer
é o que eu não fiz
o que não pensei
o que deixei escapar
entre os dentes
em forma de SIM.
O que eu quero dizer
é uma frase desgastada
desgraçada na boca de uns
abençoada na de outros
mentirosa algumas vezes
profunda quase todas as outras.
O que eu quero dizer
é só um repeteco do eco
das esquinas e dos sussurros
cansados de descansar nos ouvidos
de outrem.
Mas a palavra me foge
mas a frase fica pela metade
mas a boca não abre
para dizer...
E o que eu quero dizer
fica dançando no ar
bem na minha frente,
deboche constante
dessa minha falta de coragem.
E o que eu quero mesmo dizer
é o que eu digo brincando
é o que não levas a sério
é o que ouves sem importância
todos os dias,
de outras formas,
com outras palavras,
ou até com as mesmas,
em outros tons.
E o que eu quero mesmo dizer
é que eu TI amo.
(...dizer...)
19.12.2008 - 14h06min

Agradecimento

Obrigada por teus olhos
exigirem-me os sorrisos
que eu, às vezes, esqueço
que sei criar...
19.12.2008 - 13h20min
(Pra TI)

As tristezas

... são versos, que a gente não soube rimar... 19.12.2008 - 13h15min

Da morte

Descanso (?) nunca bem-vindo. 19.12.2008 - 11h31min

Ambição

Não tenho grandes ambições nada impossível espero: minha filha feliz e saudável meu livro publicado e lido o homem que amo, ao meu lado. Mas como isso é difícil de conseguir... 19.12.2008 - 11h02min

Dizer

Tenho mil crônicas atravessadas na garganta e milhares de palavras reclamando o direito ao grito. Direito conquistado a suor escorrido na testa mesmo gosto da silenciosa lágrima que mancha meu rastro na estrada aberta por mim. As pérfidas razões dos verbos-espadas que cortam as não-palavras caladas soam confusas em suspiros sem significância (in?) alguma nessa minha realidade (i?) vertida sabe-se lá de onde. Cortam-me os pulsos os pesos das frases que pousam sobre lugar algum. Coerência é coisa pra poucos escolhidos a dedo; e eu não sei por quê mas não sou deles o um. Os estalos do telhado que a chuva fere são contratos jurados de morte pela extensão dos vocábulos proferidos. Fusão de dizeres. Fartura presa na língua. Não-dita. Silenciada. Engolida. 19.12.2008 - 10h15min

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Passagem

O caos desacelera o passo da harmonia complica os atalhos já gastos desgosta o império erguido a dor. A ferro e fogo o calmante cala meu verso cala minha saliva cala a sílaba dispersa que procurava a folha branca pra, borboleta, pousar. O caos estanca o fluxo e a partícula é o meio do mundo que não vislumbro que não prevejo que não adivinho na borra de chá do fundo da xícara de café. O caos espanta a linha. O cúmulo do absurdo é não ter uma expressão que se encaixe entre meus dedos pr'eu saber que a vida excede qualquer textura ou texto ou intenção de orvalhar os dias com pimenta e sal... Um dezembro outonal... 16.12.2008 - 17h55min

Desistência

Não quero mais mudar o mundo.
Não quero mais impossíveis atos.
Não quero mais a ilusão
de que tudo pode,
afinal,
dar certo,
no final
(e quando chega esse tal de "final"?).
Não quero mais mudar o mundo.
Eu, hoje, órfã da minha idéia mais querida...
16.12.2008 - 17h10min

A frase

É esse silêncio que rasga o poema na intenção não alcançada e que agora paira no ar.... 16.12.2008 - 04h12min

O Grito

Publico um grito.
Escuta e aquiesce,
que os tempos dirão
do freio das tramas.
Além disso
silêncio...
Shhhhhh....
16.12.2008 - 04h10min

Rasura

Se rasgo o raio
e solto o verbo
sobre o corpo resvalo
em estrelas multicores,
é porque me faltam olhares
suficientes
que te alcancem os braços
tatuados de vertigem e sopro quente.
Se enveredo pelas alamedas
confortavelmente já conhecidas
é porque maltratam-me as retinas
as centelhas do fogo de ontem
que consumiu-me os arrepios
e as censuras
e os cuidados
e os limites todos da lucidez.
(Embriagada sede de loucura vã.)
Se te dou ouvidos e olhos e bocas
é porque me faltam as palavras
que enchem esses espaços vazios.
Cadarços abertos nos sapatos
esquecidos na soleira da porta
que deixamos de abrir.
Jaz ali o desejo imediato
e a sensação inusitada
do belo
do ralo
do sempiterno
assovio...
(Escuta o vento
vislumbra a fada.
Solidão é algema que mata
nas minhas mãos
o teu suor.
A veia que verte de TI...)
16.12.2008 - 04h07min

Movimento

Pareço parada.
O movimento me é;
estanco o palanque
que afronta meus brios.
O destino afoga o afago
que esperava por mim.
Não tenho sossego
embora pareça sempre a mesma...
16.12.2008 - 01h15min

Aflição

Esperei, de novo... Logo eu, que detesto a espera, que guardo o desejo secreto de ter todas as estações ao mesmo tempo só pra não ter que esperar pelas flores primaveris ou pelo orvalho frio das madrugadas de inverno ou pelo calor do sol forte de um verão escaldante ou pelas folhas secas dos plátanos cobrindo meus caminhos. Logo eu, que detesto a espera, sento aqui, debaixo dessas estrelas de mil cores e espero. Sina sem badalos. Espero... E nada... 16.12.2008 - 03h09min

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Charme/Ternura/Sensualidade

CHARME
Leque
guarda-chuva aberto
em dia de sol forte
copo d'água gelada
rasteirinha
cabelo dele, cortado rente
banho de chuva
piercing no dente
abraço apertado;
semente...
TERNURA
Mãos dadas
olhos nos olhos
cumplicidade
sorriso
companhia
copo compartilhado
história cumprida
abraço demorado;
semente...
SENSUALIDADE
Pele dele, nua
corpo suado
língua no lábio
vestido branco molhado
decote profundo
roupa no armário
cama desfeita
vapor de chuveiro
- espelho -
abraço explorado;
semente....
11.12.2008 - 17h01min

Pecado

Depois do amor, ir ocupar-se, imediatamente, de outros afazeres.... 11.12.2008 - 16h43min

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Aniversário

Espelho talhado na pedra do tempo
vinte anos em um
quarenta e três pedras preciosas
cravadas em miúdas batalhas de horas...
...e esse teu costume
de enfeitar-me o dia
co'as pontas dos dedos
pintadas de prata e calor.
09.12.2008 - 16h25min
(Felizes nós, neste aniversário conTIgo)

domingo, 7 de dezembro de 2008

Para TI

*Obrigada por manteres o meu jarro cheio...
Exerço o direito de permanecer falante
digo e repito, pra quem quiser ouvir
e pra quem não quiser
e pra quem não entender
e pra quem não se importar
que minha vida,
que meus olhos,
que meus pensamentos,
que meus minutos todos,
que todas as contradições,
que todas as celebrações,
que todas as impertinências,
que todas as indolências,
que todas as menções
e todas as alegrias
e todas as lágrimas
e todas as festas
as canções
as loucuras
as decências
e as in
e todos os abraços
e todos os jogos
e todos os desejos
e todos os encantos,
são teus
são pra TI.
07.12.2008 - 12h03min
(...e tu sabes que é assim...)

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Impressões

Colho um verão úmido
entre as folhas trêmulas
de um passado qualquer.
Cheiros
são visões rei(n)ventadas
com direito a euforia
e jogos de artifício em cristais.
Os passos empastam a estrada
afundam as trilhas deveras
alimentam um sentido maior.
(Desencontro de mensagens
com hora marcada pra viver.)
Transcorrem salgadas as lutas
as grutas engaroadas
nos vales que me antecedem
que me dormitam
que me anunciam sem dúvida alguma:
você...
27.11.2008 - 17h53min

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Intensidade

Intensidade. Garra que fere fundo que sorve o sopro que suga a alma. IntensIDADE. Fogo, afoga o assunto água, consome a sanidade. Intensidade. Salto alto em manhã de primavera entrega inteira em madrugada de verão luz de vela em pleno sol de meio dia lamparina lampião... INTENSidade.... 24.11.2008 - 17h

Despedida

Sempre a mesma tecla sempre a mesma corda produzem sempre a mesma nota: não tenha nunca DÓ de MIm. Sou chama e cinza hoje logo adiante siso e tempestade. Ai que os risos são longos e os dias normais. Ai que o perto é distante e os sonhos reais. Ai que a clareira me expõe mas a hora é assim. Muitas vidas tenho cá não tenha nunca DÓ de MIm... 24.11.2008 - outro dia...

Constatação

sábado, 22 de novembro de 2008

Um presente

Viaja

Tantas terras por vir
tanto mar
tantas águas sem fim
e a tua estrada aqui.
Tanto sonho por vir
tanto mel
tantas ruas sem fim
e o teu abraço aqui.
Nosso céu
construir...
Nosso sol
ver sorrir....
21.11.2008 - madrugada
(Uma canção)

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Mistério

É verde a timidez nos sérios olhos que me fitam de além-mar. Nos fios lisos dos cabelos escuros escuto a canção que escorreu do teu peito e veio cá, pousar em mim. Doce presente de luar amanhecido nos acordes das estrelas que te espreitam enternecidas. São breves as horas contigo voam os ponteiros voam as esperas voam as imagens que não previ. A catarse aguarda as núpcias e as melodias de voz misturam desejos. Não temo. Sou asa voando pra ti. 21.11.2008 - 17h (Portugal)

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Karma

Partituras e cifras Si bemóis a escorrer. Si, sem o Dó maior que não arreda pé de ser Sol. Calor a se espalhar na harmonia da canção distante de distinto DNA. Sintonia Kármica... Vocação. Para AKAI, nesta madrugada do dia 16.11.2008 - 04h30min

Futuro

Quando eu crescer quero ser verbo partitura traço de nu. Quero ser sopro suave fragrância mapa ao avesso na nuca, arrepio. Da teia da aranha, o fio crista de galo, fino assovio galho enfeitado de pinheiro de Natal extrato de erva medicinal brisa de mar perfumada uma pitada de sal. Quando eu crescer quero ser página de livro rasgada coleção de enciclopédia velha tentáculo de polvo furioso mordida de maçã. Quero ser azul-anil a boca do funil a luz no fim do túnel raio de sol enluarado riso alto de criança réstia de calor na calçada quadro louco de Dali. Quero ser feitiço folha de árvore frondosa balançando os cabelos ao vento beijo molhado de namorado gato preto no telhado um curto pavio um surto na sala de espera da vida. Quando eu crescer quero da canção ser o cio... 18.11.2008 - 15h27min

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Amorais

Entrelaçadas teias laços virtuais trançados em fios de uma realidade absurda. Sinuosas combinações morais. Amorais são as velas que circundam os caminhos talhados de verbos e vírgulas no espaço comum. Ah! Essas nossas pretensas morais nossos ais amores a mais nossas febres e fomes nossos amores nossos ais. Ah... morais... Nossos amores reais? 17.11.08 - 10h

sábado, 15 de novembro de 2008

Alegria

Minh'alma tem sede
de pisar alegria
ritual diário
ao qual me atenho
com indisfarçável prazer.
Construo meus vínculos.
Costuro de flores os laços
que abraçam essa tua vinda.
Meus vasos são rios...
Minhas águas, perfumes...
Meus amores, ventania...
15.11.2008 - 15h15min

Pontos de vista

Arte é lixo para alguns.
Lixo é arte para outros.
15.11.2008 - 13h48min

Extremos

Trago no riso um rasgo de lágrima. No dia, madrugada gelada. Na noite, uma réstia de sol. Trago no gosto do suor um toque de doce magia. No auge do prazer uma ponta de agonia. Em pleno Oceano a luz de um farol. "Trago em mim todos os sonhos do mundo"* e estou vazia... 15.11.08 - 13h15min *Verso de Álvaro de Campos

Razões

O que me prende também é o que me perde: emoção... 15.11.2008 - 13h39min

Segunda vida

Quantas vidas ainda terei? Se gata, teria sete mas, de gata, já passei... 15.11.2008 - 13h20min
(Foto: Eu, no Second Life - Poesy Rhiadra)

Amar é...

A maré assovia a canção: amar é assolar a partida Ah! O mar respira um adeus talvez um cumprimento distante perdido num Oceano de persistentes ilusões. Ir ao mar diminuir distâncias destrancar a dor. Amizade e paixão num só aperto; se perto é longe se o pouco é medo se a tarde é fruta se a lua, tormento, então desminto o eco e sufoco a perda. Amar é ir perder-se na imensidão do fluxo salgado in-ter-mi-ten-te. Amar é es va IR se. Amar é ir... 15.11.08. - 12h50min (Para AKAI PARX)

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Saliva

Escolho a gota
que pinga de ti
pra misturar a mim
feito saliva exposta.
Te(n)são...
04.11.2008 - 04h46min

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Tricotar

Com minhas próprias mãos
tricoto meus caminhos.
Às vezes encontro pontos
frouxos
outras vezes encontro pontos
com nós
preferiria encontrar conosco...
03.11.08 - 03h45min

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Condição

Se danças, inda que só,
danças.
E teu corpo é só energia.
Se cantas, inda que mudo,
cantas.
E tua canção é pura magia.
Se amas, inda que em sonho,
amas.
E teu peito é
só...
30.10.2008 - 18h22min

Quietude

Compenso tua ausência buscando teu rosto na minha própria voz. Excluo qualquer suposto que me impeça as vírgulas, necessárias esperas, té que teu riso me alcance. Sopro as espumas das letras que lacrimejam tua verdade. Brindo, enfim, à certeza de tua presença, inda que distante de mim. Saudade.... 30.10.2008 - 18h15min

Olhar

Eu não tenho olhos azuis.
Eu não tenho olhos castanhos.
Eu não tenho olhos de cor alguma
que se perceba à claridade
de um olhar qualquer.
Eu não tenho sonhos azuis.
Eu não tenho sonhos castanhos.
Eu não tenho sonhos de cor alguma
que se perceba à claridade
de um olhar qualquer.
Eu não tenho caminhos azuis
muito menos caminhos de rosas brancas
ou de espinhos, sequer, eu tenho.
Eu não tenho caminhos.
O que me há
é um tal gemido constante
que pinta meus olhos
de cores berrantes,
nem um pouco sutis.
O que me tem
é um estado de alerta distante
um tremor de dentro
um desejo ardente, persistente,
de imperiosa meretriz.
O que me leva
é a força de um tudo
dissolvido nas partículas
de minha particular esfera.
Eu não tenho um olhar.
Eu SOU.
30.10.2008 - 18h05min

Lembrança

Das janelas fechadas do velho casarão de minhas pretensas memórias curtas desprende-se o salgado gosto da pele que eu não lambi... 30.10.2008 - 17h53min

Peso

O vento não beija cortinas de crochê... 30.10.2008 - 17h51min

Relance

Escorre a luz
entre as frestas
das janelas desses teus olhos
que resgatam
as fronteiras dos meus.
Nenhum Império
comporta teus braços
nenhuma sombra
cobre-te os passos.
És asa e tatuagem no vento;
és presa da liberdade
breve delírio viajante.
Passagem....
30.10.2008 - 17h48min

terça-feira, 28 de outubro de 2008

... e a vida segue...

28.10.2008 - 03h23min

In Memorian

A vida?
Eu seria redundante se dissesse que ela é breve.
Eu seria infantil se dissesse que é longa.
Eu seria cega se dissesse que é perfeita.
E, finalmente,
eu seria hipócrita se dissesse que não vale a pena.
A vida?
Vale todas as penas
de todos os seres.
Essa vida mesma, que dura sempre a medida exata
da nossa falta de medida.
Essa vida mesma, que brilha no brilho dos olhos
ainda que cerrados pelo sono dos justos, dos injustos,
dos vivos.
Essa vida mesma, que acompanha-nos os sonhos,
ainda que eles se transformem em pesadelos.
A vida?
Vale cada segundo,
mesmo o mais doído,
mesmo o mais doido,
mesmo o mais torto,
mesmo o mais sofrido.
Não importa.
A vida vale.
E o peso da vida haverá de ser peso de ouro.
A vida,
no vale da vida.
A vida,
no vale da sombra da morte.
A vida
vencendo, nem que seja a saudade.
28.10.2008 - 03h03min
Para Silvia, amiga querida, sepultada no dia de ontem.
A vida que havia em ti, permanecerá.
Saudade...

Eu sou

Sou de tudo um pouco
tenho uma alma louca
e aflito coração.
Sou procura, espera
e intenção.
Sou quimera,
aprendiz de vida
alegria e cansaço.
Sou santa e guerreira,
nas horas vagas, rameira;
nas horas inteiras, solidão.
Sou o teu NÃO.
SIM?
28.10.2008- 02h30min

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Teus olhos

Tu tens uns olhos tristes,
desses que vêem tudo
e que alcançam tudo.
Por isso mesmo, tristes.
Tu tens uns olhos fundos.
Desses que alcançam tudo
e vêem tudo.
Por isso mesmo, tristes.
Tu tens uns olhos firmes.
Desses que entendem tudo,
desses que alcançam tudo
e vêem tudo.
Por isso mesmo, tristes.
Tu tens uns olhos fixos.
Por isso mesmo fundos,
por isso mesmo firmes,
por isso mesmo tristes.
Tu tens os olhos que eu amo.
22.10.2008 - 23h35min
Para Adrebal, meu amigo querido,
que eu amo de paixão.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Da violência

A violência? A violência é maldita. Melhor é a malemolência, que não faz mal a ninguém, apesar de começar com 'mal'. A violência suga a alma, rasga a carne, provoca chuvas de água salgada no peito das gentes. A violência é maldita e malditos os seus dissidentes. Torno-me, eu mesma, violenta, contra a violência, tamanho é o poder dessa infeliz. Varre a decência, escurraça a decência, cospe na decência, ela, a violência. Toma conta de tudo à sua volta e não pergunta se é bem-vinda, por se saber sempre indesejada. Mas toma conta de tudo, mesmo assim, a maldita. E nessa conta, toma as vidas de quem amamos, toma os sonhos de quem amamos, toma os amores, toma até as dores, toma os créditos, toma os desejos e toma a alma, de quem amamos. Ceifa vidas feito campo aberto. Ninguém a segura. Ela, a maldita; ela, a violência. E apesar de acreditarmos que amar é que vale a pena, violentamente desejamos que os violentos se danem. Eu desejo. Talvez uma parte dessa violência que tanto maldigo esteja arraigada em mim, também. Maldita violência!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 21.10.2008 - 02h40min

sábado, 11 de outubro de 2008

Cultura

Cultura alimenta
o espírito
a mente
o corpo
a alma
a semente
do qu'inda nem nasceu.
Cultura dá brilho
dá compasso
dá certidão de nascimento
pra alegria
que dormia
no quarto ao lado.
Cultura dá poesia
e dá o que não vende
e vende o que desvenda
e empresta o que desprende
do corpo
do olho
do pão de centeio
que o corvo não comeu.
Cultura não é ópio
não é disfarce
não é desfalque
não é distorção.
Cultura é o culto
ao que surge do povo
que brota da veia
que vela pela veracidade
do que anda escondido
por detrás das cortinas
das individuais solidões.
Cultura é o cara que declama
o poema do poeta eterno.
Cultura é o índio que dança
e divulga o som da sua tribo.
Cultura é a peça em cartaz
há anos e anos e anos
e é sempre nova,
e é sempre honesta.
Cultura é o que a gente espelha
é o que a gente espera
é o que a gente É.
A cultura anda nas ruas
sai de casa e vai ver...
11.10.2008 - 23h12min

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Quando a atração é só física

A gente pode morrer de atração por alguém aí se chega perto, se olha nos olhos, se conversa e o inesperado pode acontecer: a atração por esse alguém pode morrer na gente... 09.10.2008 - 20h41min

Troca

Eu sei que parece injusto,
mas tudo o que eu queria
era que fosses TI
no lugar dele...
09.10.2008 - 20h39min

O jogo, o mesmo

Um passo.
Uma hora.
Um começo.
Um interesse.
Um sentido.
Uma descoberta.
Uma percepção.
Uma alegria.
Outro passo.
Outra hora.
Outro começo.
Outro interesse.
Outro sentido.
A mesma descoberta.
A mesma percepção.
A mesma alegria.
Outra descoberta.
Outra percepção.
Outra alegria.
A exatidão do que vejo.
A visão do exato.
A vida, a mesma.
A visão, a mesma.
A alegria, a mesma.
O jogo, o mesmo.
As cartas na mesa.
E eu disse NÃO.
A alegria, a mesma.
A alegoria, a mesma.
A vida, a mesma.
09.10.2008 - 0h22min

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

The best real life

Existe.
E, um dia,
passas por 'ele',
olhas,
constatas O fato,
és correspondida
e segues teu caminho.
No entanto,
no instante seguinte,
'ele' está do teu lado.
Mais uma alucinação?
Mas 'ele' está falando contigo.
De verdade.
E é real...
The first life! Então te dás conta
de que a realidade
é muito mais excitante
que a fantasia.
Ele sorri,
te elogia,
tenta ser gentil.
Tu sabes que faz parte do jogo.
Tu sabes o que ele quer.
Tu sabes o que também queres.
E sabes jogar muito bem.
E esta é a vida real...
The best real life...
08.10.2008 - 03h13min
(Porque é bom olhar para o lado
e saber que a vida pulsa, apesar de tudo,
e não apenas ao teu redor,
mas também dentro de ti...
e é muito bom redescobrir
o melhor da vida real...)

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Tranca

Um passo depois do outro uma arrastada pegada na terra molhada de lágrimas e ventos significantes. Um rastro depois do outro um toco de cigarro amassado no meio de um caminho que jamais percorri da fumaça que jamais traguei do delírio de onde jamais saí. Um posto rente ao chão o pasto gasto de tantos círculos desenhados pelo andar da carruagem que, longe de ser de princesa, é de sombria indignação. Um dia depois do outro uma noite depois da outra um tijolo sobre o outro e eis edificada a cura. Basta que a porta se abra basta que a mão se estenda basta que se encontre a chave. A chave a chave a chave a chave a chave a chave... A chave ainda agüenta... Aos dois segundos do dia 07.10.2008

Voltando... devagar... bem devagar...

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia, Depois da Luz se segue a noite escura, Em tristes sombras morre a formosura, Em contínuas tristezas a alegria. Porém se acaba o Sol, por que nascia? Se formosa a Luz é, por que não dura? Como a beleza assim se transfigura? Como o gosto da pena assim se fia? Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza, Na formosura não se dê constância, E na alegria sinta-se tristeza. Começa o mundo enfim pela ignorância, E tem qualquer dos bens por natureza A firmeza somente na inconstância. (Gregório de Matos)
É como acordar de um longo sono. Não um sono restaurador, daqueles que te renovam as forças, que te fazem respirar diferente, que te trazem fôlego para o dia que te aguarda depois da madrugada. Não. É como acordar de um sono agitado, desses que te fazem acordar cansado, suado, exausto, louco de vontade de dormir de novo.
Mas desperto.
A despeito da inconstância deste Sol que não dura.
A despeito da pouca firmeza dos dias que ignoro.
A despeito da baixa destreza de minhas mãos trêmulas.
Desperto.
E tenho minha vida inteira pela frente.
E temo minha vida inteira pela frente.
E tremo minha vida inteira pela frente.
Desperto.
Se a beleza se desfigura, se são tênues as conquistas,
se os passos que dou são trôpegos
e me fazem hesitar entre as ruínas do que de mim sobrou
depois do terremoto,
desperto.
E despertar é uma escolha.
Escolhemos o tempo inteiro, inclusive a doença.
Escolho despertar.
Por mais que a alegria seja ilusória
por mais que a tristeza seja palpável
por mais que a vontade seja de morte
por mais que a verdade seja de sorte,
desperto.
Escolha feita.
Volta sacramentada.
Assim,
devagar,
lenta,
imprecisa quase.
Mas escolhida.
Desperto.
06.10.2008 - 20h51min

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Aviso aos navegantes

Queridos leitores, eu sei que estou em falta com vocês. Garanto que essa ausência 'obrigatoriamente voluntária' não se estenderá, ainda, por muito tempo.
Estou tentando me adaptar a novas situações. Bem, digamos que não sejam assim tão novas, apenas que agora é que se desvendam e também explicam muitas coisas nessa minha complexa vida real.
Não tenho conseguido, por 'N' razões, escrever, e não sei de quanto tempo ainda precisarei, mas, como já afirmei acima, espero que, em breve, minha produção se normalize.
Até lá, alimento minh'alma com os escritos dos que me são queridos, no Recanto das Letras: MSanttos, Jorge Fernandes, Glauco César II, Gianluca Garbatti, Ibrahim Zukr.
Até lá, alimento meu espírito com os escritos dos eternos: Quintana, Clarice Lispector, Borges, Drummond...
Perdoem, então, esse meu silêncio. Encarem como um curativo sobre uma ferida que está sendo tratada, e vai melhorar... quando isso acontecer, voltarei.
Obrigada por apreciarem, durante todo esse tempo, meus versos, contos, crônicas, minicontos, e até minhas bobagenzinhas...rs...
Obrigada.
Beijos e até a volta.

domingo, 14 de setembro de 2008

Do homem, do mundo e do amor*

Asas de seda em homens-dragões
que cospem fogo e perguntas,
sempre as mesmas.
Asas de seda derretendo
ante o calor do fogo ininterrupto.
Homem-dragão, acabando consigo mesmo
no desespero da busca
pelas mesmas respostas,
que estão a um palmo do seu nariz,
mas que ele não vê,
entretido que está
com a própria guerra.
As respostas?
Estão nas perguntas.
Estão nas perguntas,
derretidas entre as asas de seda
dos dragões que se pensam
INVENCÍVEIS,
mas que rumam à própria extinção.
Falta de amor...
12.09.2008 - 13h15min
*Comentário para o poema
DO HOMEM, DO MUNDO E DO AMOR,
do incrível Jorge Fernandes

sábado, 13 de setembro de 2008

Mãos II

Escondo o rosto entre as mãos
Entre as mãos tricoto o destino
Comprometo o dia entre as mãos
Entre as mãos prometo um novo dia
Escrevo a linha da vida entre as mãos
Entre as mãos transcrevo a linha fantasma da vida
Medito de mãos postas
Ponho as mãos para trás
e meço a distância
entre mim e
essa minha
enorme
ignorância
.
.
.
13.09.2008 - 02h47min

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Rotina

Cravo as unhas na paredes da rotina. Ranhuras diárias rugas que contam a história do que poderia ter sido e, por isso mesmo, foi. Previsíveis rusgas estorvos estouvos extorções de uma energia já parca. Parto, para partilhar de graça o que jamais tive. Participo do ritual do leite da carne, do sangue, do vinho, da sede das multidões omissas. Omito que sou uma delas. Só uma delas, minto. Uma. Delas. E nada mais. 11.09.2008 - 16h36min

Desalinho

Desiludo a energia; concentro a nudez diante do véu vazio. Escrevo pra entender mas também pra mostrar que não entendo. Desenho pra pretender encontrar o traço que perdi n'algum lugar desse trajeto que desconheço. Escancaro as portas e janelas e pesco palavras em outros idiomas na busca d'alguma tênue ligação com o resto da humanidade. Desiludo a concentração que já desistiu de mim faz tempo. A saudade não me dói mais. Anestesio meus passos a r t i f i c i a l m e n t e... Decido dormir mais cedo decido fazer mais coisas decido roer meus dedos decido rompantes outros pra depois decidir desistir de todos eles. As pessoas se perdem nas ondas de um mar d'águas dessalgadas; nem doces nem pequeninas, muito menos acesas por ventarolas agitadas. As pessoas se perdem na marola. Desiludo a folha seca que esvoaça ao vento feito pena feito feno feito flor em movimento devasso. Desiludido de tudo. Desencontrado de nada. De-se-qui-li-bra-do. Quem, eu? 11.09.2008 - 01h08min

Mãos

As mãos espalmadas sobre a bancada de vidro esperam. Espreitam os exercícios que chamam de lamentos e desencontros chamuscados por invisíveis labaredas de ilusórias canções. Estreitas são as estradas por onde trafegamos nós, voluntários aprendizes de nada. As mãos espalmadas sobre a bancada de vidro esparramam os líquidos os sentidos das viagens não feitas. As mãos espalmadas sobre a bancada de vidro espalham pedidos de cidra de contato disfarçado de verdade e cordel. As mãos espalmadas sobre a bancada de vidro não passam de senões... Aos 45min do dia 11.09.2008