sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Mas, afinal...
Mas o que é o tempo?
Maldição, talvez.
Bênção, perdição, qualquer coisa
que leve um til sobre um A;
qualquer coisa que rime com 'não'?
Quem terá as respostas
que insistem em ser perguntas
e, sobrepostas, são escadas
que não levam a lugar nenhum?
Mas o que é o vento?
Não admito a comodidade
do ar em movimento,
como se a carícia em meus cabelos
não passasse de um capricho
da natureza, dos deuses, das minhas fantasias.
Mas o que é o que sinto?
Exagero de um dia, talvez de um minuto,
quiçá de uma vida inteira,
mas sempre exagero,
sempre superlativa essa cadência
cá dentro do peito.
Mas o que é o futuro?
Mas o que é o presente?
Mas o que é a falta?
Essa falta que me consome a alma
e atormenta a mente?
Mas o que é esse excesso?
Essa necessidade de explodir
em brilhantes cores desiguais?
Mas o que é o porém
que impede-me o adiante
e castra a partida já preparada antes?
Mas o que é essa asa quebrada
sem gesso sem estrada sem esteio
sem mais nada além dela mesma
pela metade?
Mas o que é a palavra
insuficiente caminho por onde enveredo
meus desaforos.
Por onde desafogo minhas mágoas
disfarçadas de versos e poesia leve?
Mas o que há de novo, afinal?
Mas o que há para se recompor, afinal?
Mas o que há dentro do sol, afinal?
Mas qual será o final?
Mas há final?
Finada...
Aos 47min do dia 05/09/2008
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Quem eu sou
.
Alguém que vive aqui
perto ou longe de ti
com ou sem fuso horário
não importa.
Sou alguém que se importa,
que sente saudade,
que chora à toa,
que ri por bons motivos,
que dorme, às vezes,
mas tem sono o tempo todo.
Sou alguém que ama
mas esperneia
e incendeia as próprias crinas.
Crio meus problemas
e não lembro onde larguei o guia.
Não tenho manual de instruções
nem imponho condições
pra ser quem sou.
Mas sou. Estou. Vou.
Vôo adiante como se a liberdade
me fosse característica.
Mas sou.
Alguém que vive aqui,
sem fuso, sem fiar, sem cruz.
Alguém que vive aqui,
sem horário comum
ou palavras que combinem
entre si. Bobagens.
Brutamontes.
Brutas mentes.
Eu vôo.
Suo.
Sou.
04.09.2008 - 03h20min
.
Miss you
My name
Your name
Our dreams
Morpheu listen our voices?
Or
Our voices don't say
Don't speak other words
Across "I miss you, darling"?
(one short poem above all for you, my dear... kisses... and... Iyi geceler)
04.09.2008 - 02h40min
*For Átilla
**O inglês pode até estar ruim,
mas a idéia é tão bonitinha...
quase infantil....rs...
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Setembro II
Setembro
O diferente me atrai
mas não me prende.
A segurança se atrela
à minha pele. Permanece.Tensa.
É o constane que fica.
A mudança é só um vão
na silenciosa hora inesperada.
Salada gelada de exóticas frutas frescas
em dia de sol escaldantemente desértico.
Devoro o instante que me abre
as possibilidades que eu aposto ter.
É temeroso enfrentar o perigo
e eu não me dou conta dos riscos
que riscam círculos em volta do meu riso.
Brindo à vida com água,
nessa clara manhã,
anúncio de Primavera.
As flores abrem as portas
dos orvalhos mágicos
precioso pólen renovado.
Um diferente, que vem igual,
ou um igual que se apresente diferente?
Setembro.
Outras formas.
Outra vez.
02.09.2008 - 14h08min
Um conto... poeticamente romântico
Introspectar-se.
Contar um romance poético.
Poetizar um conto romântico.
Romancear uma poesia contada.
En-cantar.
02.09.2008 - 13h50min
Mestre*
É oportuna a tua idade.
São maníacos os mornos que esperam por ti.
Os bons ventos não trazem notícias,
trazem apenas movimentos,
que a gente transforma no que quiser,
no que puder, no que possuir.
Os muros dividem lotes.
E a lotação vem abarrotada de suores.
O suor do teu trabalho é mais forte
que a peçonha dos que se enroscam
entre as pedras vazias do chão que já pisaste.
O sucesso te aguarda logo ali,
depois da curva.
A mesma curva por onde desapareceram
os medos dos que arriscaram.
Vai.
E cá estou eu,
de novo,
embriagada com os versos
do maestro Segundinho.
Saturada da beleza de tuas letras.
Ressaca?
Não sei se perfeição produz ressaca.
Parece que sim.
Doem-me as têmporas.
Dói-me o peito,
como se teus versos fossem chagas
a me consumir. Não, isso não é ruim.
Não é um destruir.
É um corroer.
O que todo poema deveria provocar no leitor.
O corroer d'algo doente que habita na gente,
e que tem que morrer.
Poema-remédio.
Poema-dor.
Doem-me os olhos,
que lutam pra não deixar rolar a lágrima
que teima em sair deles.
Talvez ela também queira fazer parte do poema.
Ou roubar-lhe um pouco da força que há nele.
Quem pode saber?
Eu não sei.
Eu não sei de nada, quando quedo aqui,
e admiro a obra do maestro/mestre Segundinho.
E curvo-me, em reverência, antes de agradecer.
02.08.2008 - 0h40min
*Comentário para ASA DE COBRA e VERSOS AVESSOS
do Grande Glauco César II
Genialidade e L o u c u r a
Meu médico, pra me consolar, apresentou-me uma lista enorme de gênios-loucos. Piorou a situação. Eu não sou gênio... então...
Aos 21 minutos do dia 02.09.2008
Perda
Perdi a fita métrica,
daí meus versos desorganizados
completamente.
Perdi a cabeça na guilhotina da esquina,
daí essa minha tontura repentina
como se eu não soubesse pr'onde ir.
Perdi minha caneta preferida
e não consigo escrever no teclado
NO teclado, não COM o teclado
isso mesmo, foi assim que eu entendi.
Perdi o último ônibus para o hospital mais próximo.
Preciso de internação urgente
antes que o próximo delírio
me leve ao aeroporto
e eu embarque nas asas de um avião
para o Rio de Janeiro.
Só pra ver o Mar.
Perdi a noção do perigo.
Perdi alguma coisa que não identifico.
Perdi a pontuação do poema
ou no poema
ou por causa do poema.
Mas sei que a culpa é do poema.
De quem mais poderia ser?
Aos 15 minutos do dia 02.09.2008
Pânico
E eu, que fiz versos dessa minha insanidade...
E eu, que sou duas. Uma pura alegria
outra derramada em tristezas várias.
E eu, que me pensei concreta, sou delírio.
A lucidez abandonada no banco da praça.
A insensatez morando entre as paredes
da minha cabeça.
E eu, que me pensei segura,
sou desatino.
E eu, que me pensei sabida,
vôo perdida dentro de mim mesma.
E eu, que me pensei paixão,
sou confusão. E mais nada.
Agora é aceitar o distúrbio
e buscar informação.
Sentirei falta das alucinações,
da companhia dos que não existem de fato,
das vozes sem bocas,
dos rostos sem corpos,
dos corpos sem precisão.
Sentirei falta.
Mas isso também é sentir...
E eu, que me pensei eternamente sozinha,
não estarei...
Embora sem cura, o controle existe.
Eu vencerei.
01.09.2008 - 23h50min
(O dia D)
domingo, 31 de agosto de 2008
Gira-mundo...
Nada gira e ao mesmo tempo tudo volta.
Será porque o mundo é redondo
- se é que é redondo mesmo... -,
que a gente tem essa impressão
de gira(sol)?
30.08.2008
*Comentário para a frase AGORA EU FIQUEI EM DÚVIDA...
do incomparável MSanttos
sábado, 30 de agosto de 2008
Evet
Tenho sentido asas nas minhas raízes.
Na borra do kahve li meu desvio;
desvario no cheiro de koyu çay
enquanto rolo entre meus dedos
um boncuk nazar, de vidro.
Divido minhas sensações
as reprimendas se multiplicam
as soluções já não são.
Lá se vão as horas aflitas
na busca da palavra exata que defina
o que se quer dizer, sem voltas.
Arrisco?
Evet?
Hayir?
30.08.2008 - 23h55min
No fim da história...
... a gente precisa do começo...
30.08.2008 - madrugada
(...conversando com Adrebal)
Prisão
... talvez seja um conjunto de coisas que nos aprisionam...
O tempo, sim,
o medo, sim,
o dinheiro, sim,
a insegurança, sim,
as raízes,
a acomodação,
o sossego,
os outros,
a gente mesmo...
enfim.
Há que se lutar contra tudo isso
caso contrário
a prisão nossas pernas quebrará
vendará nossos olhos
venderá nossos trocados
varrerá pra longe de nós
a ousadia necessária
pra viver...
E eu tenho tanto medo, às vezes...
de estar só
mas eu SOU só
nem o medo me acompanha
nem a mim, nem a ninguém.
Somos todos sós;
e temer é quase
condição sine qua non
pra sobreviver...
Mas eu não quero estar só
mas eu não quero sobreviver
mas eu não quero sub-viver
mas eu não quero sofrer
mas eu só quero VIVER!
... meus olhos usam óculos...
e eu não sei o que sentir...
e eu não sei o que vou ver...
30.08.2008 - 18h
I believe I can fly!
Tenho asas cor de céu
e as alturas conheço bem.
Tenho íris cor de mel
espero a chuva, vou além...
O horizonte alcanço fácil
transito entre nuvens
algodão doce, colorido,
despido de intervalos
ou tempestades.
Vôo.
Conquisto o infinito
nos teus braços
de proteção.
Vôo.
Estreito o abraço
domino o véu
comprimo o laço
espanto o fel...
30.08.2008 - 16h55min
Enquanto espero...
... enquanto espero
... escrevo enquanto espero
... enquanto escrevo, também espero
... espero, e, por enquanto, escrevo
... escrevo pra esperar ou espero pra escrever?
talvez eu goste mesmo é da espera...
talvez eu espere a palavra certa
pingar na minha veia
... e isso é só mais um poema
perdido no meio da minha espera...
30.08.2008 - Madrugada de espera... Mais uma...
Descoberta
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Prefixo...
Desafinamos nessa nossa canção
desafiamos o entendimento?
desentendemos o desafio?
desfiamos a meta primeira?
Talvez só tenhamos desorganizado
a desordenada chama que nos impele
o próximo passo.
O próximo passo. Haverá?
28.08.2008 - 23h
Adeus*
Despedidas são dores.
Adeus tem gosto de sal.
E o sol se esconde,
pra chorar lágrimas quentes,
nesse anúncio de primavera descolorida.
As flores demoram mais pra abrir
e o brilho da vida parece perder
um pouco da intensidade.
Adeus tem gosto de saudade,
tem um quê que não se sabe
se é de barro ou perfume suave.
Despedidas são cores em tom pastel.
Liláses, talvez?
Talvez...
Ou quase...
Mas tudo,
subitamente,
tem gosto de sal...
de sol...
de solidão...
28.08.2008 - 14h28min
*Comentário para o poema ADEUS, de Ibrahim Zukr
Segundinho
Shhhhhhh...
Não diz, não.
Encontrar não é a solução.
Esconder é precioso.
Espreitar a cura pela poesia,
pela beleza do teu verso tratado a pão de ló,
ou de dó,
ré,
mi,
sei lá...
o FÁto só(l) se revela
no interesse da busca,
não na busca em SI.
Canta,
poeta,
que eu quero ouvir...
*Comentário para o poema TIMBRE, do maestro Segundinho
27.08.2008 - 01h21min
Eterno, enquanto dure
E a duração é eterna
se a eternidade for a medida
das ternuras que te aguardam.
Terno é o aconchego da madrugada.
Ternos são teus versos que me assombram
e não se despedem deveras....
Que seja eterno, infinito, grandiloquente,
o laço que te prende e que te solta
enquanto esperas, enquanto pressentes,
enquanto destacas a farsa ouvida como verdade:
"Que seja eterno, enquanto dure".
Pois que dure toda uma eternidade.
Nossa mais terna eternidade...
28.08.2008 - 14h15min
Saudosismo*
Dista.
Bem dito o que dista
distância que não dita
distúrbio de ausência.
Diz tu dessa tal saudade
que saúda a idade
que desdiz a crença
de que a distância tudo muda
de que emudece a confiança
de que insandece justo o que dista.
Dita a distância
nos dedos da saudade...
Bem dita
saudade
que saúda a bonança...
28.08.2008 - 01h20min
*Comentário para o texto SAUDOSISMO,
de GitanoAndaluz (Valeu, Gitano, obrigada pelo mote... Bjs)
Átilla
Nome de deus grego
riso de bom menino
cultura que desconheço
distância que nem imagino.
Pra que lado fica a Turquia?
Quantos quilômetros pra chegar?
Quantas xícaras de chá até lá?
E a fábrica maquina o laço
da inusitada amizade
nascida nessa tal globalização.
Tu me vês tão louca
'You are crazy'
eu te vejo tão lindo
toda frase é pouca
todo 'evet' vindo.
Have a nice day.
Masaallah!
Kisses for you, my friend!
28.08.2008 - 0h15min
terça-feira, 26 de agosto de 2008
Decisão
Aboli os saltos altos.
Doei meus sapatos.
Optei pelo conforto.
O próximo passo?
As peças íntimas.
Depois?
Despirei as vestes todas,
mudarei para uma colônia naturista.
SEREI-a...
(Vem comigo?)
26.08.2008 - 16h
De mãos dadas
Desconto a falta do ponto final
no texto que jamais escreverei.
Essa ruga que me corta a testa
há anos colou em mim.
Antes que eu me dê conta,
uma vírgula tropeçará na linha das horas.
E eu já não serei mais eu...
Nenhuma oração impede o destino.
Imponho minhas escolhas
como se as tivesse, de fato.
Afasto a mudez da transcendência
e reconheço, em certo grau, inda ser menina.
Quero colo. Tenho colo pra oferecer.
Avalio as conclusões da primeira quarentena
e descubro ter alcançado mais do que desejei.
As rimas pobres me atraem
as miseráveis me apaixonam.
Quero todas as escadarias na minha casa
degraus pra onde não sei
degradês de versos tolos
que vertem dos vôos que não fiz.
Que jamais farei.
Milagre é a minha caneta riscar sabores
nessa página manchada de tinta incolor.
Acomodo as pernas sobre a cadeira
e faço deste o meu mundo,
longe dos tapetes persas e dos moribundos
marimbondos e suas vespas.
Decido que minha trilha sonora diária
será essa tua voz de música.
Não amasso o pão já amassado da noite;
compro drops de hortelã e não chupo nenhum
é o teu gosto que eu procuro
no barulho das ruas do centro da cidade que borbulha.
Poesia é desabafo de paixão.
Assombração que persegue a ciência que nos confunde.
Não quero verdades inexistentes.
Não quero a morte disfarçada de erudição,
muito menos de fidelidade fingida.
Prefiro um 'nóis vai sê vencedô'
enquanto tiro o corpo da roupa
e banho a pele despida de pêlos.
Sou raíz exposta às intempéries
e todas as possibilidades
me são prováveis.
Ou não...
Ou não...
26.08.2008 - 15h02min
Êxito
A sala vazia aguarda um movimento
que o ponteiro do relógio trará.
Alimento a corda que passa tique-taqueando
devagar.
Espalho estudos de nada no vácuo escuro.
Recuo.
Encontro facas pelo caminho
e as perguntas não satisfazem
as respostas que canso de garimpar
mas que não espero descobrir.
Experimento uma pitada de sal
na ponta da língua do dia.
Explico quase tudo o que não entendo
e escrevo versos na tentativa frustrada de fuga.
Evito.
Tenho vontade de capa de chuva e paraglider.
Essa minha vitalidade é quase uma afronta
à miséria econômica da minha conta bancária negativa.
Hesito.
Nego minhas vestes poéticas
e espreito teus pontos fracos
pra ver se te alcanço
no alto das tuas dores.
Não apago as cores que te continuam
conto nos dedos as vezes que não te quis
e brinco de amnésia. A mesmice me apavora.
As pontas das estrelas circulares
alcançam o céu da tua boca
e é lá que vou colher meu descanso.
26.08.2008 -14h24min
Identificação
Estendo esteiras nas estreitas vias
da minh'alma vazia de estorvos.
Uma canção me persegue, implacável
embala meus passos na valsa da espera.
Diminuo as sombras das árvores
dispostas em círculos que ladeiam os prados
abertos de raios de luz.
Declaro suficiente essa minha poesia
para os corpos perdidos na multidão.
As madrugadas cobrem-me as carências.
Encaro de peito abero as tuas fugas
transparentes afirmações desse teu medo-menino
que devora as entranhas da coragem que não tens.
Dispenso os nomes das coisas
teu calor derrete meu gelo
e eu não sei o que esperar da tua volta
na tua volta
quando ela vier. Talvez.
Não estanco o fluxo da vida
enquanto os clássicos me fazem companhia.
Desconheço o que motiva as lágrimas
do solitário violeiro, no banco da praça vazia. Mas
intuo os meus próprios motivos
as razões das alegorias que invento
e que disfarçam essa falta que sinto de ti
que secam essa minha lágrima
que também queria cair...
26.08.2008 - 14h03min
Um bom amor
Um bombom.
Um amor.
Um bom humor.
Quem sabe um Ouro Branco. Nada! Quiçá um Amor Carioca. Amor Gaúcho. Amor Paulista. Amor é sempre amor, seja embrulhado em papel celofane, seja derretido sorvete de fábrica, ou artesanal...
Uni-versal... Um bombom. Um amor. Um bom humor amoroso. Um humor, amoroso e bom. Um bom amor. Um mar de amor. Amar. Ah... o Mar... Ah... o Amor... 26.08.2008 - 01h
Ser e estar
SER é diferente de ESTAR. Evito ESTAR do mesmo jeito, por muito tempo. Prefiro SER sempre, com pequenas variações. Meu SER inunda meus ESTARES.
Agosto/2008
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Sereia
Serei sereia
de seios desnudos
e voz suave
pra te encantar.
Cantarei mágicos acordes
direi de aventuras suaves
soprarei maravilhas profanas
aos teus pêlos masculinos
que roçam e arrastam minhas unhas
atravessam a heresia de endeusar-te
enlouquecem a primazia de querer-te.
Serei sereia
de seios desnudos
e voz suave
pra te encantar.
25.08.2008 - 04h
Irmãs
Elas nascem na concepção,
quando a idéia do SER
não passa ainda de uma promessa vazia.
Gêmeas, andam de mãos dadas
e talvez um dia descubramos
que são idênticas, talvez siamesas,
ainda que uma, desde sempre,
soe barulhenta, exigente, risonha, agitada,
e a outra quieta,
fazendo a sua parte sem ser descoberta,
silenciosamente.
Competência é uma arte...
Não se separam nunca.
Não são contrárias
nem se concordam.
Mas são várias.
As duas.
Apenas as duas:
Vida e Morte são elas.
24.08.2008 - 14h
Consolo
Quando um amigo passa por um período difícil,
normalmente não encontro palavras de consolo,
mas sempre ofereço um abraço ou uma lágrima
pra derramar junto.
Amigos nem sempre precisam de palavras.
Palavras nem sempre precisam de letras.
E às vezes são perfeitamente dispensáveis.
Mas um abraço sincero pode valer por um Tratado.
24.08.2008 - 15h30min
Dela, a morte
Ninguém sabe o que ela é
se é homem, se é mulher,
entidade, conceito, monstro.
Ninguém a viu de fato
e voltou pra relatar,
exceto Lázaro e Cristo,
que estiveram pelas bandas de lá.
Alguns morrem em vida
essa, talvez, a morte mais dolorida;
extinção do brilho do olhar,
escravidão que se escreve no ar
na ausência de motivos pra sonhar.
Nem rei, nem mendigo errante
basta ser humano, pra um dia acabar
entre velas, lágrimas e flores,
lamentos, dor e saudades
de amigos, família e amores
(e jamais se volta, pra contar).
Alguns juram que há luz no fim do túnel
que vem dos queridos,
que vêm te encontrar
(eu, porém, disso duvido).
Para outros há trevas, delírios e martírios
gritos medonhos de gargantas mudas.
Muitos fantasiam anjos e festa no céu
- permanente festa e alegria -
pelos que voltam pra lá,
depois de nascer um dia.
Outros ainda se agarram às Escrituras
e crêem num sonho eterno
- eterno, até a volta do Messias -
(morre-se, então, um pouco,
ao dormir, todos os dias...).
Mas o mistério continua
e nada há que se confirme:
se morro de tiro nas ruas,
tortura, derrame, vício, distúrbio, alergia,
se a vida se esvai de minhas veias
da noite para o dia.
"Nasce o Sol e não dura mais que um dia"*
o fato é esse, incontestável e único: ela vem.
E sempre é cedo.
Não importa se são meses,
não importa se cem anos.
É sempre cedo.
A gente sempre não queria.
Pois ela não nos ronda nem nos cerca.
Mora em nós.
Alimenta-se dos nossos dias.
Não mede forças co'a vida
nem dela é inimiga ou antagonista.
Apenas protagoniza a pior das horas
de todos os que ficam
e assistem os que se vão:
as despedidas...
24.08.2008 - madrugada*Verso de Gregório de Matos
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
Anéis
Os anéis dos dedos
ou os de Saturno
talvez os anais
da minha História
talvez os anais
do meu futuro
talvez as angústias
anéis anais
peremptórias percepções
cabais.
22.08.2008 - 15h
Invasão
Invado teu corpo
com fome de força
e
v i r i l i d a d e.
Nasço das tuas palavras
das entranhas dos teus verbos
i r g l r s
r e u a e
das entradas das tuas portas
reentrâncias de partes dos sabores
irrestritos
irrigados
rompantes de reconhecidos suspiros.
Relativas são as alturas
dos teus motivos todos
tola insegurança
cercada de amares
por todos os teus lados.
Invades meu corpo
de desenhos feitos a mão
nos contornos dos teus pêlos
a
r
r
e
p
i
a
d
o
s
.
Não são bastantes as palavras
que transbordam dos meus olhos
nem suficientes as energias
que transportam os meus óleos
que te inauguram
inundam teus poços
incendeiam teus poros
polarizam teus sensos.
INCENDEIAM-ME
AS HORAS
AS HONRAS
DA CASA
!
22.08.2008 - 14h
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Re-conhecer
Espalho meus olhos
nos raios de um sol fraco.
A multidão absorve os passos
que desviam da rota inicial.
Segmentos escurecidos
de pedaços de luzes distintas
no cimo das montanhas gigantes.
Concorro ao prêmio da vista
que se esvai no conjunto
dos desejos escondidos
entre três vocábulos curtos:
pare - olhe - escute.
Inadvertidamente não páro
e não ouço nada além
do teu suspiro profundo.
Não nego meu engasgo
esgaço um sorriso nu
enquanto deliro sozinha.
Acomete-me uma saudade imensa.
Saudade de mim
dentro de ti
e dessa tua saliva
que reconheço minha.
. . .
20.08.2008 - 16h55min
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
A gosto*
Há poemas nascendo das mãos do gênio.
Silêncio...
Não pouse uma mosca sequer
no fim desse mês de conquistas.
Um artista pressente a primavera,
presente de frutas e flores
e cantigas de ninar os dissabores
e fazer nascer outros, talvez maiores.
Quem se importa?
A poesia, de qualquer forma,
de um jeito ou de outro,
pelo sim ou pelo não,
com dor ou prazer,
brota.
E se o broto sangra deveras,
e se o feto vem preso ao cordão da vida,
que te baste o avermelhado
que escorre folha abaixo.
Vermelho-vivo-de-vida-pulsante-no-tronco-do-artista-que-vai-adiante-vaia-a-avenida-deserta-empresta-o-sal-da-testa-pra-adocicar-o-dia-exausto-de-luz-da-luz-da-tua-poesia...
20.08.2008 - 14h16min
*Comentário para o poema GRACEJOS AGOSTOS, do admirável Glauco César II
Nada cabe no poema*
Tudo cabe num poema.
Tudo transborda de um poema.
Tudo vive num poema.
Tudo lateja num poema.
O meu amor.
O teu amor.
O ódio.
A guerra.
A dor.
Tudo transita num poema
feito carne crua, cicatriz exposta
e purulenta dessa nossa alma
desnuda e descabidamente exausta de mentiras.
Tudo cabe num poema.
Minha lágrima.
Teu riso.
Minha crença.
Teu descaso.
Minha estética.
Teu desânimo.
Minha desesperança.
Teu sustento.
Minha desarmonia.
Teu amparo.
Tua valia.
Teu carisma.
Teu medo.
Tua cara.
Minha cara.
Meu medo.
Meu desânimo.
Meu descaso.
Meu riso.
Meu pranto.
O prato vazio do mendigo da esquina.
Cabe nesse meu poema
O GRITO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
20.08.2008 - Madrugada*Comentário deixado no poema NADA CABE NO POEMA, do grande Jorge Fernandes
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Ser ambiente
Semente em Ser fértil plantada
menino faceiro com sede orvalhada
de vida verde a ladrilhar-lhe a estrada.
Quem te vê assim livre
a correr nos prados que te cercam
não sabe do árduo caminho trilhado.
Foram anos a te anteceder
de carinho, cuidado e atenção.
Rios, cachoeiras, vales,
solitários trabalhos de educadores
que acreditaram num mundo melhor
pra te oferecer.
Teus pés pequenos de passos largos
estreitam a distância de um ontem
que não viste morrer.
É com educação que se salva a hera,
a mata, o pássaro, o ar, a vida,
o riso que agora ris
em alto e bom som
e ecoa no meio
e ecoa na veia
e ecoa na lágrima
que rola estreita no rosto
de quem já tinha perdido a esperança
morta de sede, no longo estio.
Semente em Ser fértil plantada
é certeza de frondosa sombra
inda que muitos desistam
inda que muitos duvidem
inda que muitos se omitam.
Escuta, olha, agradece
e passa adiante
a lição do menino simples:
semente em Ser fértil plantada
nasce na educação e vida garante.
Não precisa mais nada.
19.08.2008/ para Eliane Aver, cunhada querida
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Coragem
Recolhe os trapos e acende a fogueira.
Dança. Espanta os covardes, as lanças,
as lideranças das desmedidas selvagens.
Escorre o óleo da fruta silvestre
e sorve a água da vida nascida da terra.
Rompe as correntes e te fortalece.
É assim que são os valentes.
ERGUE-TE!
15.08.2008 - 0h54min
Da alegria
...e o mundo parece que paralisa, e o absoluto parece que se
materializa assim, feito semente de uma manhã bem disposta,
quando o olhar do outro é tudo de que se precisa pra ser feliz.
Comentário para o texto AH! MENINA..., de Marcos Olli
Agosto/2008
Encontro
Perdi o sono na curva do teu pescoço,
embriagada do teu sumo,
do leite oferecido em taça de carne e gemido.
Perdi a noção da hora, da vergonha, do medo,
frustrada tentativa de encontro comigo mesma.
Mas eu não estava ali,
eu morava no teu eu.
Era em ti o meu abrigo.
Em ti o meu pulsar.
Aí o meu perigo.
Perdi a linha do horizonte no novelo da vida,
encantada profecia bendita, que traz de volta
o desalinho, o caos, o ferro, a força, o canto
teu acalanto que me aguarda na paciência
dos dias, dos sóis, dos mundos veementes
ausentes de todas as circunstâncias presentes
e das passadas e das futuras, quiçá das inexistentes.
Perdi a alma na curva do caminho percorrido
recolhida por ti, andarilho descalço, nos trapos
dessa tua poesia sem pé, sem cabeça, sem sentença
que te faça igual. És único, portanto.
És diferente.
És imortal.
És.
Foi em ti que me perdi.
Queres saber quem eu sou?
Procura por ti...
15.08.2008 - 01h15min
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Brisa do mar
Sentindo tua falta, adormeci.
Descansam os olhos, grita o corpo.
Meus sonhos povoados de beijos.
Ensandeci.
Apaixono meus mais primitivos instintos
sou fera, sedenta desse teu calor
das brasas que aquecem minha branca tez
das brisas que me ascendem ao teu furor.
Agosto/2008
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Da genialidade*
Gênios são depressivos lamentos.
Gênios são orvalhos disfarçados em lágrimas.
Gênios não têm tempo para espelhos,
por isso não se sabem.
Nem se confiam.
Agosto/2008
*Para o gênio 'Segundinho'
Toda tua
Ele quis que eu dissesse que sou toda dele.
Absurdo extremo! Como poderia ser de outro,
se ele guarda, nos olhos, meus dois corações?
Agosto/2008
Nós, psicografados por mim*
Atropelam-me as frases que deposito no papel amarelado
são tantas, são brancas, são disformes
as formas que assumem as palavras impressas.
Não me interessa.
Minha mão desenha sozinha o desabafo da alma.
Acalmam-se minhas fervuras no movimento
intenso da escrita ligeira, que não posso conter.
Sou tomada inteira pela força que tensiona a vida
que me habita, que me atormenta, que regurgita
as visões que quero absorver.
Absolvo-me do crime de dizer o que me vai por dentro,
de abster-me de calar a força que guardo em mim,
o absurdo da imperfeição, em vocábulos acesos
pela luz de uma vela distante.
A vela da tua voz que me sopra uma verdade qualquer.
A tua verdade que faço minha,
na psicografia dessa única história
que é feita de nós.
*Segundo a Wikipédia: "Psicografia (do grego, escrita da mente ou da alma), segundo o vocabulário espírita, é a capacidade atribuída a certos médiuns de escrever mensagens ditadas por Espíritos".http://pt.wikipedia.org/wiki/Psicografia
*Escrito depois de uma conversa com Marcelo, sobre como se dá o processo de criação, no nosso caso.
Agosto/2008
Contrapartida
Engulo o verso concreto
envolto nas cartas de um baralho mudo.
Emudeço
diante da imprecisão louca
da previsão de uma cartomante cega.
Tateio
meu ventre à procura do útero
que carrega teu filho.
Sou grito,
num parto sem partitura.
Comentário para o poema CONTIDA CORTINA, de meu querido amigo, o genial Glauco César II
Agosto 2008
Pra quê?
Pra quê tanta lâmpada.
Pra quê tanta gente.
Pra quê tanto mundo, meu Deus?
Quero velas que me animem,
gente de menos pra iluminar
essa minha solidão errante
porque tem um mundo imenso lá fora,
que clama por mim,
exige-me a presença,
vampiro desse meu desejo
de nutrir a sanha
que me ferve n'alma quente.
Pra quê tanto suspiro,
se a madrugada embrulha o dia
e faz da lua um sol distante?
Pra quê tanta distância.
Pra quê tanta cobiça.
Pra quê tanto suor
se meus poros choram um sono perdido
e migram,
perdidos também eles,
sem direção alguma?
Pra quê tanta poesia.
Pra quê tanta inspiração.
Pra quê toda essa prosa, meu Deus?
Talvez pra acender uma única lâmpada,
para um único representante de toda a gente,
nesse meu mundinho particular:
VOCÊ.
Comentário para o poema O MUNDO LÁ FORA, do admirável poetaJorge Fernandes
agosto 2008
Caminho para o começo
Andei por esse caminho
e perdi-me nos versos
cantados pelo poeta peregrino.
Cantei canções de sonhos
e embalei palavras
de ninar monstros.
Pintei os fios das calçadas
dos verbos que dirigiam-me os passos
rumo ao epílogo.
O epílogo é o fim
do fim do fim do fim do fim do fim...
do começo...
O epílogo é o prelúdio.
O previsto é o preciso.
O proposto é a partida.
O começo do fim.
O fim
do fim
do fim
do fim
do fim
do fim
do fim
do fim
do sim
.
.
.
Comentário para o texto O CAMINHO DA POESIA, de Jorge Fernandes
De versos e de amor
...ou um verso vermelho de amor.
Ou um verso suado de amor.
Ou um verso choroso de amor.
Agora só falta um verso.
Um único verso de amor,
tenha ele a forma que for.
Um único verso piegas.
Um único verso que repita
o mesmo dito século após século.
Não importa.
É noite.
Poesia e madrugada fazem amor.
Esperemos, então, pacientes,
o próximo verso...
de amor...
sempre de amor...
Comentário para o texto A NOITE E A POESIA, do magnífico Jorge Fernandes
terça-feira, 12 de agosto de 2008
ESCREVER*
Eu queria escrever uma única palavra
aquela que me apontasse a direção
para onde todas as outras fugiram.
Eu queria um travesseiro de letras
uma sopa de letras, uma roupa de letras,
cobertor de desatinos,
pra quando eu finalmente enlouquecer.
Eu queria a vírgula na hora exata,
que o ponto final só me encontrasse no fim,
que os parênteses fossem parentes distantes,
bem distantes de mim...
Eu queria fazer do meu texto o ombro que eu preciso
pra descansar minhas dores, meus medos,
todas as caixinhas onde escondo
as partes várias dessa minha solidão.
Eu queria um esconderijo, uma concha,
um abrigo, um lugar quentinho
onde pousar minhas mãos cansadas
de desenhar frases desconexas,
de desgrenhar versos infames,
de tentar agarrar uma luz em meio ao caos.
Eu queria tudo isso de uma vez só,
de um gole só,
de um susto só,
de um abraço só...
Eu queria...
Só...
12.08.2008 - 0h
*Para o mar, que queria criar. Só...
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Quem sou eu?
Se descobrires, me avise. Estou louca pra saber quem é essa que mora em mim...
11.08.2008 - 15h15min
Do plágio
Não permita que te roubem
A inspiração imediata ou futura.
Que o verso passado,
Esse já foi.
Dá, pois, esse que foi, de presente,
Aos porcos que te copiam.
Que mais lhes resta na vida
A não ser mendigar
As migalhas da tua poesia?
Incompetentes,
Rastejam sobre teus rastros,
Fuçando o brilho das tuas feridas.
Tem pena desses tais miseráveis.
Tem pena dessas árvores secas
Incapazes de parir um único verso
De sua própria autoria.
Quanto a ti,
É TEU o privilégio do assombro
É TEU o calafrio na espinha
A dor desmedida de gerar e dar à luz a tua arte.
São TUAS as noites de rabiscos,
As madrugas insones, famintas,
As buscas, as bruscas surpresas, as pesquisas,
Os olhares profundos, os olhos castanhos, os orgasmos,
Os mundos, os medos, os amores, os destemores insanos.
É TUA a pele dele
Que ao contato teu, arde.
São TEUS os beijos três,
As pérolas nascidas d’areia
Bem no meio do deserto;
Os caminhos, os descaminhos, as desordens,
Os atalhos abertos a faca e sangue quente.
É em ti que habita o caos,
Pai de estrelas cintilantes.
É TEU o pânico,
O profano, o insano,
o sopro, o conto, o canto, o amante,
A parte mais importante,
A única de real valia.
Sim, TU és O poeta.
O outro, o desgraçado que te rouba o verso,
O que se pensa esperto,
Esse jamais passará nem perto
De ser apenas e tão-somente
Muito menos que um reles, sujo, imundo,
Indigno verme e delinqüente,
IM-PO-TEN-TE.
09.08.2008 – 01h
E tenho dito!
quarta-feira, 30 de julho de 2008
Segredo
Segredo é elo sagrado
Guardado sem sacrifício
Por quem, mais que um desejo,
Carrega no peito um suspiro.
Soprado por um vento do deserto
Traz no corpo um sol em branco
Na boca, o gosto da vida;
No peito, um coração pulsando.
Tem nas mãos o brilho da areia
Escaldante milagre diário
De palpável constatação
Faz suportar a distância
Faz renascer a essência
Faz brilhar uma paixão.
30.07.2008 – 14h30min
Subversão
Subverter a ordem natural
as convenções, as cerimônias
esquecer os ritos estabelecidos
e criar a rota alternativa
aquela que segue direto para o coração...
30.07.2008 - 14h
Vozes
Um sonho de voz grave
na escuridão da noite.
Uma noite de sonhos graves
na clara voz do dia.
Uma noite grave no dia sonhado
de voz desprotegida.
Uma voz na luz difusa
no varal de roupas molhadas
sacudidas pela tempestade de areia
da noite proferida
pelas palavras que escorrem
da roupa vermelha.
A grave situação do peito
embalado na voz vermelha
do nome embrulhado
nas Fagulhas de um Fogão à lenha...
A voz, na noite serena.
A lua que diz,
na voz do luar,
quantas letras serão
necessárias
para um único verbo sonhar:
A M A R . . .
30.07.2008 - 02h41min
Quem sou eu?
Sou uma vírgula solta na calçada
sou reticência e exclamação
dois pontos e uma enorme interrogação.
Quem sou eu?
Sou poema rascunhado
n'algum guardanapo usado
por um boêmio desconhecido
que sofria de mal de amor...
É isso que eu sou...
30.07.2008 - 0h44min
Poesia
A poesia pintou
de letras coloridas
o caminho que eu segui.
Estendeu um tapete
de versos e símbolos,
estrelou meu céu
pescou a lua e trouxe
pra mim...
29.07.2008 - 23h15min
domingo, 27 de julho de 2008
Do direito ao voto
O voto é uma arma
que o brasileiro aponta
para o próprio coração.
E aperta o gatilho.
Impiedosamente.
Talvez por estar acostumado
à violência
ao descaso
ao pouco caso
à incompetência.
Aperta o gatilho
e depois reclama da dor.
Quem mandou brincar com arma de fogo?
27.07.2008 - 13h50min
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Sintonia
O grão da palavra.
O grão do olho.
Um NÃO! trocado
por um beijo ardente.
Faísca breve.
Incêndio duplo.
Dois corpos em brasa.
Labareda insistente
tempestade de areia
em pleno deserto
ousadia anunciada
e nenhum dos dois acredita em coincidências...
24.07.2008 - 04h08min
quarta-feira, 23 de julho de 2008
Pleonasmo?
Tinjo de vermelho
as cinzas dos meus poemas
cremados
e espalho nas janelas
dos abismos
que aguardam
a rendição
dessas minhas letras....
do outro lado da porta
que não chegou a ser aberta...
Aos 40 minutos do dia 23.07.2008
terça-feira, 22 de julho de 2008
Fina trama
Delicadamente costuro retalhos
com linha quase transparente.
São pedaços de mim que espalho
entre os lençóis da cama desfeita.
São espasmos de minh'alma
e histórias que já não ouso ouvir.
São desenhos de estradas frias
e cantigas distantes de passos sombrios.
São risadas desdobradas
nas noites de um verão guardado
entre as memórias mais caras
entre os porões das lembranças
que escondo das vinganças
de quem nunca, jamais, sorri.
São os passos escolhidos e dados
e as conseqüências dos fardos
e as consciências do que me fez feliz.
São meus pesos e minhas medidas,
meus pecados e minhas partidas,
meus remendos,
meus encontros,
meus jazigos,
meus membros,
meus medos,
meus escombros
meus tudos...
tudo que sou eu...
Os retalhos fazem parte dos retratos da fina trama
que costuro l e n t a m e n t e
como se uma enorme festa estivesse a me esperar
como se um raio de sol, único, diferente,
me cobrisse por inteiro, desde o Oriente.
Recolho os retalhos mal-costurados e que me são caros.
Chuva de letras curvas deles faço
e disfarço o interesse maduro despertado.
Vale o jogo presente na fina trama,
que vela pela sorte de quem arrisca
a descoberta do que existe no conjunto dos retalhos
na costura final da colcha colorida...
Aos 7 minutos do dia 23.07.2008
Quebra-cabeças
Pacientemente, ele monta as peças. São mais de mil, espalhadas pelo chão. Quando pensa ter encontrado o encaixe... hummm.... não era essa, não...
De vez em quando as peças se perguntam de onde ele tira tamanha dedicação. De onde o interesse por essa forma de diversão? Afinal, há tanto tempo dispensa atenção às peças, que estabeleceu com elas uma espécie de amizade bonita.
Sobre a mesa, lentamente, vai tomando forma a montagem. Prêmio mais que merecido.
Sobre a mesa, agora perfeitamente perceptível, o desenho do quebra-cabeças incompleto: as curvas de uma mulher e seu misterioso colar de pérolas...
22.07.2008 - 01h30min
*Pequena prosa poética
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Resposta
Desfio tua palavra
e faço dela minha poesia
tomo posse das tuas coisas
e, como posso, vou contando as minhas
meio assim, sem jeito
meio que dizendo sem falar
num vai e vem de metáforas,
ambigüidades e desejos escondidos
que eu teimo em não mostrar
(mas que se mostram sem mim).
Se sou canção,
tu ofereceste a cifra,
a partitura, o violão.
Se sou moleca,
foi teu abraço em letra
que despertou o brinquedo
adormecido que estava, na escuridão.
Se sou mulher,
foram teus versos maduros
insanos e doces e ensolarados
que abriram a fresta
da ostra selvagem
no bico do pássaro
de uma certa manhã
em leves tons de azul.
21.07.2008 - 20h
Burca
As mulheres confundem
a mente dos homens
de boas maneiras.
Homens confundem a mente
o coração, a pele, o passo,
o caminho, a alvorada,
a certidão de nascimento
das mulheres de palavra.
Homens e mulheres se confudem
e se perdem uns dos outros
entre as linhas escritas
entre as linhas faladas
talvez as linhas só pensadas
quiçá as apenas sentidas.
Homens são dores desejadas;
mulheres são flores malcriadas
famintas de Oriente Médio.
Inda que escondam os olhos,
são adivinhadas no perfume
e confundem a mente dos homens
de boa vontade...
21.07.2008 - 16h
Para eu ler, no dia dos pais
Sou pai, mãe e irmã
Amiga, ando de braços dados contigo.
Desde a concepção sou teu pai,
fui eu que te guardei em mim,
fui eu que te pari
fui eu que cuidei de ti.
Sou pai, mãe e irmã;
eu é que garanto que nada te falte,
eu é que zelo pelo teu sono,
e te abraço, quando estás triste.
Eu é que te mostro o caminho
que podes seguir, ou não;
eu é que te ensino a alegria,
eu é que te ensino a poesia,
eu é que te guardo do mal.
Teu pai, Alina, sou eu,
com todas as vantagens
de ser tua mãe também.
21.07.2008 - 14h11min
domingo, 20 de julho de 2008
Personagem
Empresto meu corpo
ao personagem que assumo
enquanto escrevo minhas memórias.
Transito por mundos
alheios aos meus.
Hospedo meus medos todos
té que chegue a hora de abatê-los
e apagar de mim as suas mentiras.
Altero a rota de repente
só pra testar os meus passos
e conceber novos pensamentos
entre os estilhaços da guerra
que eu mesma travo comigo
ou contra mim.
Ensurdeço, espero e não
leio comentários vazios de leituras.
Quero a substância sólida
da tua impressão, não repetições tolas
que só aos tolos alcançam.
Enrolo meus cachos e determino
as próximas metas
só pra mudá-las em seguida
e partir sem rumo.
O objetivo me cega
e eu não quero andar a esmo
tateante e indecisa.
Sim, objetivo posto é confusão pra mim.
Quero o imprevisto e o não imposto.
Quero a surpresa e a capacidade
de decidir ali, na hora, sem direito a estudo
de nada que não seja o fato imediato.
Te incomoda a minha imediatez?
Ela mora em mim há séculos
e a trato com cuidado e reverência.
É ela quem dita meus risos
e me faz ver que adiante
não há nada que eu possa obter.
Só tenho aqui.
É aqui que eu vou morrer.
20.07.2008 - 13h14min
sábado, 19 de julho de 2008
Ser poeta é
... conceber a si mesmo
e parir-se
no escuro d'alguma rima
dissonante...
19.07.2008 - 20h33min
Amigo
Obrigada pelos enfeites
que espalhas aqui e ali,
na minha vida.
Obrigada por lembrares de mim,
por provocares os meus 'pensares',
pelos castelos de cartas, areias,
concretos, mármores, madeiras,
fumaças, restos, fogos, risadas.
Obrigada por essas tuas lentes
que transcendem o que eternizam,
porque dependem desses teus olhos
que não são de hoje,
nem de ontem,
nem de amanhã...
teus olhos são olhos de infinito.
Eu te amo, meu amigo.
Para Adrebal Lírio, por todas as razões ditas
e por tantas outras que as palavras não alcançam.
19.07.2008 - 15h
Questionamentos III
Monstro de concreto
que se ergue acima dos homens...
Quanta angústia guardam tuas paredes?
Quantos sonhos aprisionados em ti?
19.07.2008 - madrugada
Comentário para foto do álbum
ESSES MODOS DE VER,
de Adrebal Lírio
Questionamentos II
Pedras que desbotam.
Que descascam.
Que ruem nas ruas que choram.
Pedras que refletem.
Espelhos de nossas angústias?
Espelhos dos nossos GRITOS?
19.07.2008 - 02h48min
Comentário para foto do álbum
ESSES MODOS DE VER,
de Adrebal Lírio
Questionamentos I
Quem é o homem diante da sua própria criação?
Qual a importância dos seus traços,
diante dos tijolos erguidos por ele mesmo?
Erigirá uma obra em honra ao coração?
Até que ponto seus feitos
são os provocadores da sua própria solidão?
O homem se reúne para a troca,
mas está cada vez mais só.
De que adianta o outro, para esse homem?
Terá ele consciência da pouca importância
do que há em volta quando o outro
não pode mais sequer andar?
Perdemos tempo demais erguendo templos
e escondendo-nos dentro deles.
Moramos nesses templos,
e os chamamos de 'lar',
quando o verdadeiro 'lar'
é qualquer lugar
onde estejamos em paz...
19.07.2008 - 02h58min
Comentário para uma foto
do álbum ESSES MODOS DE VER,
de Adrebal Lírio
Labor?
Respiro poesia.
Ela me vem de fora,
ofertada pela vida.
Eu só a colho.
Vivo da colheita dos versos
que estão plantados por toda parte...
19.07.2008 - 02h55min
Ressuscita!
letras putrefam fadas
feitos ressuscitam letras
nas histórias mal contadas
que nos obrigaram a engolir
lajes de luz, pás de inspiração
holofotes que confundem
e depois enterram no quintal de papel
os cegos mortos no tiroteio das frases
olhos fechados em ataúdes no tinteiro
vermelho líquido na ponta da flecha
e na veia e no veio e sobre o travesseiro
o indescanço arranhando a madeira
a indecência disfarçada na esteira
estendida na soleira da porta trancada a chave.
Mortos! Mortos! Mortos! Que fazem ainda no chão?
Não escutam o poetar nas árvores?
Como ousam não erguer-se ao canto de um pássaro da manhã?
Os ninhos foram construídos à noite
enquanto mortais normais dormiam
o sono justo dos que por justiça lutam
e o horizonte alaranjado anunciou o amanhecer.
Reflexo polido por deuses, aos clarins anunciando
o resto azul que virá se prostrar
até o instante silenciar-se em escurecer.
Que esse leve trilar estremeça a vida
Que conceda ao homem a chance
De, das cinzas, renascer
e viver em poesia outra vez.
02h – 19.07.2008
Com Pedro Augusto
Poesia rima com justiça?
A poesia té tarda
mas não falha nunca
ao contrário da justiça
que tarda, que falha e
deixa no seu rastro
meia dúzia de gente
mo
ri
bun
da...
19.07.2008 - 01h
Caleidoscópio
Extensa sensação de dormência.
Muito próxima da anestesia.
Muito próxima da inexatidão.
Ou seria da exatidão completa?
Da absurda clareza de visão
quanto ao que me cerca?
Ou da absoluta cegueira...
Eu sei o que parece.
E sei o que de fato é.
O feto do pensamento.
O encorajamento fatal.
O fraternal encaminhamento.
O sexo frágil.
A fuga. Enfermidade.
Fogueira vazia de fogo
transbordante de queimação.
O erro ronda o riso
e é preciso mais do que atenção.
A história repete o homem
os homens se repetem
nenhum aparece com a resposta
entre as mãos.
São solitárias as esquinas
quebradas na rotina diária
de andar sempre pra frente
sem nenhum sobressalto
sem nenhuma urgência
sem lamento e sem perdão.
Permanecem vazias
as mãos....
19.07.2008 - 0h19min
quinta-feira, 17 de julho de 2008
Ancestralidade
antes
noite
alta
estrela
sereno
silêncio
sossego
solidão
insônia
medo
Meu vínculo com a madrugada é anterior
a mim
a mim
a
mim...
(buraco negro)
17.07.2008 - 14h04min
quarta-feira, 16 de julho de 2008
Poetar é...
... desabafar nos desarmados braços da metáfora
pra desabar em versos
e voar...
16.07.2008 - 15h
Poetar é...
XVI
... libertar o eu-lírico pelo tempo
que for necessário, só pra prendê-lo de novo, depois...
XVII
... estar enganado mil vezes
e preparado para as próximas mil...
XVIII
... em tudo ver motivos pra poetar.
E onde não houver, inventar...
16.07.2008 - 14h50min
Poetar é...
XIII
... enxergar além... e perdoar...
XIV
... saber que as palavras
jamais se deixam usar...
XV
... sentir-se um trouxa...
e gostar de ser assim...
17.07.2008 - 14h40min
Poetar é...
X
... nascer de amor, mesmo depois de velho...
XI
... percorrer vielas desconhecidas, sem cansar...
XII
... saber desde sempre que amor rima com dor
e, mesmo assim, não desistir de amar...
16.07.2008 - 14h38min
Poetar é...
VII
... ver beleza onde não há...
VIII
... predizer o futuro, sem pretender...
IX
... prometer o céu e saber
que a promessa vai se cumprir...
16.07.2008 - 14h35min
Poetar é...
IV
... de olhos vendados, ver melhor...
V
... transformar uma despedida em canção...
VI
... fazer versos de uma dor...
16.07.2008 - 14h15min
Tela suada de versos
Cautela para conhecer homens
Montar elefantes
Tocar ácido
Abrir dentes
morder músicas
Morder a música, você não pode evitar a fome
Tocar a arte, você não ousa domar o homem
Não, mulher
você não ousaria
Abrir a ostra, você não pode sombrear a mulher
Os elefantes? Talvez possa trancar
Não, homem
Você não poderia
Talvez... Mas sempre libertará a costura da arte
Uma hora você vai dizer
"Saia daí e venha mostrar ao mundo como se vestir
Queremos aprender o gozo”
Vista-se de pérolas:
pérolas no pescoço
O mais é ostentação
Tentação:
tente a ação
aço e dentes:
acidente de percurso
o curso das águas
vertentes da selva
Masturbe-se numa pele grossa
Atente ao chamado selvagem
Castigue o chão
É sua tentação
Pros olhos escondidos na mata
Pinte na tela virgem o gozo da vida
Descabace as virgens na caravana
Pudores são formas de arte
Impudor é sua ânsia
Falso pudor, o seu castigo
Não serei eu a lhe dar outra lição...
*Escrito com Pedro Augusto, na madrugada do dia 16.07.2008 (http://elefantesvoltam.blogspot.com/.).
Valeu, Pedro, de novo...
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