sábado, 21 de março de 2009

Salvação II - A Lista

Eu quero um batom azul e uma trena um bombom de chocolate meio amargo e um generoso pedaço de pão. Eu quero um rio de águas claras e um contrato assina(la)do co'a solidão. Eu quero uma manhã enluarada com cheiro de orvalho e noites com jeito de flor. Floreiras nas janelas da alma sorrisos no retrovisor. Senhas escritas nas paredes parábolas e sementes e um bom cobertor. Eu quero um amor sem medidas uma loucura validada pela ausência de feridas. Eu quero a chama a lenha a comida. Todos os sonhos todas as danças todos os trovões todas as montanhas do mundo. Eu quero a cama a mesa o banho e as toalhas manchadas de alegria. Eu quero a cor do capim a cor dos teus olhos as asas do jasmim nas bandeiras da minha vida na única lista que penso importante ser. Eu quero TI ter. 21.03.2009 - 0h35min

Salvação

Eu quero um poema Que me salve da morte. Um verso, um verbo, Um encanto qualquer Que me aponte um norte. Eu quero um poema de açúcar Embrulhado pra presente Encrustado de risos E papéis de seda coloridos. Eu quero um poema permanente Desses que não se gastam No pós-leitura, facilmente. Eu quero um poema Que me restitua a saliva Que me apresente uma réstia de luz Que me acrescente dias Que me estenda tapete de peles vermelhas. Eu quero um poema Que me salve da morte E que nasça do sol Na lua crescente minguante No espaço breve e na partilha. Eu quero um poema de coragem Uma semente de vida Que me arranque da morte Um verso Um verbo Um encanto qualquer. Uma única medida... 21.03.2009 – 0h16min

Sonho ou fantasia?

Sonhei que não havia E o não haver Não impedia a roda Da fortuna Do infortúnio Da demência De crer na procedência De ceder a um haver bem-vindo. Mas eu sonhei que não havia! E mesmo assim A inusitada presença De impetuosa cadência Existia. Era só pousar a mão no peito. Sonhei que não havia O músculo O peito O pulso. 20.03.2009 – 21h10min

sexta-feira, 20 de março de 2009

Confusão

Navega meu barco em águas passadas redemoinhos gulosos devoram-me as entranhas e esperam ansiosos o ponto final do começo mas o lápis perdeu a linha e a tiara da vida brilhou mais forte cegando a impotência. IMPERTINÊNCIA! 20.03.2009 - 20h34min

Viagem

Todos os caminhos são surpresas. O mundo é um mundo de novidades à parte de nossas novas certezas. Compro um gato e um pente levo pra casa. Resisto à tentação do medo. Minto pra mim mesma e ergo uma estátua à solidão do poema. Quero uma ode bem escrita. Descrevo a trilha aberta e sou quase floresta no cotidiano de sonoridades de pedras e paus e sabores e todos os amores impressos em senhas suspensas várias. Vertigem. 20.03.2009 - 20h12min

quarta-feira, 18 de março de 2009

Delírios

*Daniel Cavalcante & Simone Aver

Flocos de talco flutuam próximo ao meu copo sujo O sangue suga a ferida da vida E assim toco meu gado uivante pra não dizer que o outono derreteu os meus calos A assadeira calunia a todos os descrentes na vinda do segundo Reich o absurdo desmente o medo que me amputa o sono Me torna homem-mulher, com cólicas, TPM e profusão de pêlos e desejos conecto com o mundo de Sofia e lambo os beiços da escuridão Somente para conseguir daquela acetinada o último grão-de-café de Shambala dentro do bolso da calça rasgada, todas as histórias de Sherazade Nuredim nunca nevou no norte da Noruega mas ao Sul do Equador, os gritos de adeus confundem-me os ouvidos É tanto furacão, tanto transporte... As pessoas voam como pedriscos dentro de sapatos de gigantes Cuidado! Criar asas é arriscar-se à peste da insanidade! Procuro uma coisa que não tem nome nem cara, gosto ou cheiro. Apenas fulgor. E quem disse que o peito não bate mais forte, quando nasce uma alegria? 15.03.2009 - 01h30min

**Ilustração: Barco da Loucura, de Hieronymus Bosch, In:

http://porcaseparafusos.blogbrasil.com/archives/2005_04.html

Bem guardado

Eu guardei teus beijos
nos bolsos da alma
escondi os desejos
na cintura do teu riso
e não foi preciso
mais do que um segundo
um primeiro
um meio acorde
da tua voz macia
pr'eu cair na tua veia
por vontade própria.
Eu guardei meus desejos
nos bolsos da cintura
da alma escondida
e não foi preciso
mais do que um ensejo
dois segundos
três terceiros
uma gota de saliva
da tua língua macia
pr'eu cair na tua voz
e tornar-me tua.
Eu guardei teu riso
nas conchas dos meus ouvidos
pra te reconhecer
onde quer que a vida
me/TI leve
leve
leve
leve
pluma de alegria
que meu peito aquece.
Eu guardei teu nome
teu riso
teu jeito
teu motivo
nos bolsos da minha vida
e costurei com flores
pra não TI perder...
18.03.2009 - 20h01min

Adivinha

Sanduíche de chocolate branco
pra esquentar tuas mãos.
Um bombom aguarda a lágrima secar.
Não há tempo para contar nos dedos
as vezes que desejaste partir.
São longas as feras famintas
como são ligeiros os dicionários
e as fábricas de letras
que reticentes torcedores
entornam depois das seis.
Contorno os cabelos recém cortados
do mesmo corte toda vez.
Encontro espelhos
e a imagem delira
diluída na fluidez do riso teu.
Conflituo com as canetas
estouradas de tinta
antes vermelha,
antes sadia,
antes nobre,
antes azul.
A luz me cega
a luz me guia
a luz incendeia
a lua
a rua
a tua carne
partida em duas
no assoalho da sala apenas imaginada
jamais suposta
jamais proposta
jamais imposta
estreita
de portas fechadas
e escancaradas defesas
devassas.
Adivinha.
18.03.2009 - 18h03min

Descrição

Debato-me entre espinhos
e salas de aula marcadas.
Sou sensação de voo
sem o circunflexo acostumado.
Costumeira impressão conhecida
abro os braços à fortuna
de saber-me visada
visitada de ombros eretos
refeita de membros expostos.
Minhas pernas são cansaço.
Ato meus braços ao teu destino
e calo.
Sou dormência e desalento
na calada da noite que te aguarda.
Meia noite
noite inteira
um quarto de hora
sem ponteiros ou discos
nas pontas dos minutos
que não passam
ou passeiam pelos meus olhos
feito cordões de calçadas vazias.
Acalento o desejo de seguir os calores
que sobem das pedras.
Vulcões.
E teu riso é canção afinada
que eu gosto de ouvir.
Não?
Uma negativa fecha-te as frases
e as fases das luas distintas
agarram as quedas quadradas
que eu teimo em insistir...
Orgulho da mensagem.
Mensageiro de um prisma.
Prisioneiro relutante de uma altura.
Não?
18.03.2009 - 0h

terça-feira, 17 de março de 2009

Arte

Todas as artes estão em mim
ainda que nenhuma delas seja eu
ainda que não as vejas
ainda que eu não consiga expressá-las.
Estão em mim
andam comigo
navegam meus mares
a b s o l u t a s...
Todas as artes
em mim...
17.03.2009 - 23h12min

segunda-feira, 16 de março de 2009

Angústia

Olhos abertos
apagada a lâmpada da alma.
Os girassóis deixaram
de procurar o Astro Rei.
Sem luz, os corredores se estreitaram
e a corrida de rotina
perdeu o brilho do orvalho
típico das manhãs normais.
É morna a hora morta.
São frias as mãos da vida
e os escândalos já não têm razão de ser.
Numa rua qualquer
um gato de cetim arranha a nuvem
que se deixa espremer.
O medo devora o riso
e o martelo define o momento exato
em que a trégua deixou de existir.
As forças esvaem-se entre as feridas
e um filete de sangue
no canto da boca do dia
denuncia:
não há lugar para renúncias
não há lugar para raivas tardias.
O parto é a porta da morte
depois dele, ALEGRIA!
16.03.2009 - 18h33min
*Quando tudo parece ir mal, lembre da dor do parto,
que eu TI contei um dia. Mas lembre também
que sobreviver a ela é de inenarrável valia...

Argamassa

Nevoeiro.
Transcendente espaço.
Mágica concreta
de palpável calor.
Escolho vocábulos nas falas de versos dos livros fechados que pousam nos traços das faces de anjos guerreiros. Voejantes asas azuis. Espanto episódios impróprios. Escrevo absurdos e sinto saudade de tudo o que está por vir. O porvir guarda o santo... Sem sonhos sou frouxa. Afrouxo os cintos da vida que me suspende que me delira que me batiza sem trégua, nos dias vadios. Ouço as vozes da impertinência e sacudo a poeira penitente dos pés descalços de frio. Libélula irrequieta, acentuo meus medos assento nas mãos de luvas libertas. Sou espinho e pedra no sapato (o teu?). Humana, cambaleio entre tuas pernas. Humana, serpenteio entre as penas que sofro. Humana, sacrifico apostas outrora impostas pelos meus desvarios. Humana, atravesso a lua e morro de fome todo dia pra renascer faminta à noite nutrida de força mas, principalmente, de poesia. 16.03.2009 -13h44min

sábado, 14 de março de 2009

Azul

Foi uma estrela azul
quem primeiro pariu o perdão.
14.03.2009 - 21h27min

Ignorância

Não sei o que me resiste nem sequer se existe essa tal in-com-pa-ti-bi-li-da-de de gênios desculpa tola pra fugir de uma verdade que assusta. Não sei o que me treme nem o que me tira do prumo arrumo explicações mútuas e te libero do trabalho de assuntos futuros. Não sei o que me entorta nem sequer se importa a palavra não-dita se pressinto o estorvo que estou na tua vida. Não sei o que me cerca nem sequer o que em cheio acerta o que aceito dessa minha medida vazia. Não sei o que me abarca nem sei como se embarca na viagem sem volta que ainda farei um dia. Ignoro. 14.03.2009 - 15h30min

Louca de pedra

Louca de uma loucura sadia de uma esperança insana de uma maluca doideira. Louca prendo os cabelos e os cachos se revoltam. Solto as revoltas e os cabelos se ajeitam. Louca completamente muda mudo meus cheiros mudo meus mundos mudo os espaços vazios. Louca navego estrelas estrelo espetáculos espanto o equilíbrio destruo as metas meto o pé na estrada e na porta fechada que me impede o vôo. Louca camisas de força enforcam os livros que jamais escrevi. Louca boneca de louça envolta em trapos rasgados de estio estico os elásticos cansados dos dias cansados dos frutos cansados dos ventos que não sopram que não vibram que não futuram. Louca invento verbos que não entendo crio melodias que não se cantam construo obstáculos que não impedem. Louca varro os ciscos dos olhos fechados invado barreiras fecho a boca e as mãos dos monstros que devoram os medos. Louca não perdoo nem perpetuo. Louca tomo remédio. Vicio. Louca espero por TI. Té que me restabeleça e morra enlouquecida de falta de excesso de queda de uma razão que não sofri. LOUCA! 14.03.20096 - 15h03min

Poesia

Fiapo de vida pendurado na ponta de uma metáfora qualquer. E a gente tenta entender o que é que o outro disse, quando deveria proceder à busca do quanto de nós existe nos versos que porventura um certo poeta escrever... 14.03.2009 - 13h41min

Bicho

Sou bicho solto
qualquer controle me perde.
Se corro, desista.
Se escorro, não me recolhe.
Se espero, silencia.
Sou bicho solto
nem toda palavra me acolhe.
Se estendo os membros
e devoro as linhas,
não mova os brios
nem acenda os fósforos
de fogueiras distantes
ou extintos calafrios.
Silencia.
Sou bicho solto
ar e fogo
vento e poeira
calmaria.
Silencia.
Sou o que não se prende
e se prender
se perde...
Sou bicho solto
na vida e na folia
na sombra de uma árvore que não existe
na existência de uma luz que já não brilha.
Sou bicho solto
não aceito algemas
não aceito dono
não aceito a ordem do dia.
S
i
l
e
n
c
i
a
.
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.
.
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14.03.2009 - 13h31min

sexta-feira, 13 de março de 2009

Gagueira

Toda poesia tem um fio de sangue escorrido Toda poesia tem um fio de cabelo vermelho Toda poesia tem um fio de vida pulsante Toda poesia tem um fio de um filho errante Toda poesia tem um fio e outro fio e outro fio e outro fio fiados trancafiados às pressas pelas presas dos tapetes persas que não fazem parte da história mas que ortograficamente são perfeitos. Aqui, toda poesia é contada em letras e se esvai pelas calçadas estreitas que gargalham satisfeitas de nada de nada de nada de nada de toda poesia safada que esfrega na cara a rima feita EITA! E o tempo escorre no ralo do esgoto de rugas que espreitam a pele exposta ao sol o sol o sol o sol o sol. Gaguejo o filme da minha vida.... E não conheço o final... Mistério mistério mistério mistério rio.... 13.03.2009 - 22h13min

Retalho

A surpresa atira-me ao rosto o instante
incógnito.
Saliento as esferas de sóis, luas, estrelas cadentes
incandescentes futuros
que não sei onde
nem d'onde virei.
Suspendo expectativas absolutas
espero o bonde da vida
impaciente.
Sangro antigas cicatrizes
quando o real me inunda.
Perco a hora, a razão, a cabeça e a medida
se me faltam as fraldas do afeto na ferida.
E sou deveras ambulante
pra ser cigana.
E sou deveras estreante
pra ser maldita.
E sou deveras dissonante
pra ser artista.
Suo água doce.
E o instante?
Recuo...
13.03.2009 - 16h12min

terça-feira, 10 de março de 2009

sábado, 7 de março de 2009

Dúvida

Se não me acompanhares,
o que sobrará de mim? 07.03.2009 - 16h34min

Vida

Catártica armadura. Catástrofe e amargura. Solidão. Na curva do rio um peixe luta contra o ar que lhe explode os pulmões. Na curva do rio um cão abocanha a presa e não ouve sermões. Na curva do rio uma voz inventa canções e não há solução. Na curva do rio um sopro de luz um carvalho antigo um pio um suspiro. Na curva do rio a certeza de hoje a loucura da vida a volúpia do pão. Na curva do rio sobre a tua, a minha mão. E tudo haverá de valer pra Pessoa, pra mim, pra que possas saber. 07.03.2009 - 15h44min (De mim, pra TI)

Nada

Diminuo a produção de argumentos coerentes. Emito um apanhado de sem-sentidos tolos e desperto do pesadelo. Intacta, arranco os curativos e aventuro-me em nova busca. Meus olhos faíscam os fios vermelhos encaracoladamente soltos que adornam a satisfeita face de fase desdita que inicia outra tormenta. Pactuo com teus traços que sombreiam as ondas de mares distantes -águas que meus pés não molharão-. Documento é meu dizer talhado a ferro e fogo n'alma que se debate entre o que É e o que se não vê. Cato feijão na melódica curva do vento que o tempo insiste em me ocultar. Mergulho meus medos na luz dos teus olhos. Os passos não passam da porta. Empalho as cores de cabeça pra baixo desvirginando silenciosas madrugadas sem teus risos sem teus brios sem teus contornos. Sem mim. 07.03.2009 - 14h57min

Escritura

Escrevo. Meus termos passeiam por tuas garras abertas estreitas estradas escombros escolhidos a dedo. Escrevo. Suspeito do verbo parido sem dor: a-ca-dê-mi-co endêmica solução sucessão de erros desencadeantes de vazios. Escrevo. Liberto a tinta e o itinerário esvai-se pelas linhas que não ajudei a vestir. Escrevo. 07.03.2009 - 14h09min

Tendas nos desertos, enlameadas de sol

Sombra d'água corrói
o obstáculo insuspeito.
Lavo de poeira os mitos..
Sou louca de força e camisa de pedra
- a de vênus, esculpi no leite
do teu corpo escorrido -.
Meu nome pintado no muro de tinta
pro orvalho beijar.
Esqueço a primeira estrofe
da canção que jamais ouvi.
Risco um fósforo
e ascendo às nuvens.
Restauro minhas dúvidas
e os açoites da vida
são feridas permanentes
que aprendi a curar.
Meus segredos purgam estrelas
estalam as bolhas de luz
que pingam nas partituras
rascunhadas no almaço
amassado de gomos
e remédios crus...
07.03.2009 - 13h08min

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

VITÓRIA

Os seres são lutas
nenhuma delas igual
fases de lua
faces cruas
dores cruéis
medos fundados
em difíceis e intermináveis
dias fatais.
Mas o sol permanece
no calor do abraço irmão
e aquece
e aquiesce
e aquieta
e faz saber que a batalha
inda que árdua
inda que estéril
inda que só cansaço e dor
um dia amanhece...
Escuta:
há um canto de colibri
no teu quintal...
20.02.2009 - 21h30min

Quem é você?

QUEM, EU?
ÀS VEZES PENSO SABER QUEM SOU OUTRAS VEZES PENSO SER QUEM SABE OUTRAS VEZES NÃO SOU NEM UMA NEM OUTRA OUTROS SERES NÃO HÁ VEZES EM QUE AS OUTRAS QUE ME HABITAM ABREM AS ASAS E VOAM, OU SE FAZEM VER. ÀS VEZES SOU UM EMARANHADO DE PERGUNTAS ÀS VEZES SOU UM PUNHADO DE BUSCAS ÀS VEZES SOU QUALQUER COISA MENOS EU MESMA ÀS VEZES SOU APENAS EU MESMA MENOS QUALQUER COISA ÀS VEZES SOU LÁGRIMA ÀS VEZES SOU TERRA ÀS VEZES SOU MEL DE FATO CONCRETO NADA TENHO ALÉM DO FATO DE SER INCOMPLETA E DE PENSAR QUE QUANDO UM CICLO SE FECHA UM OUTRO VAI RECOMEÇAR. ÀS VEZES SOU CLARA ÀS VEZES NEM EU ME ENTENDO ÀS VEZES COMPREENDO, ÀS VEZES SOU BÊNÇÃO MAS NA MAIORIA DAS VEZES SOU MALDIÇÃO. CUIDADO COMIGO, ENTÃO. 20.02.2009 - 02h55min

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Mulher

Cato pingos de chuva
nos raios de uma luz qualquer.
Canto sem letra a busca cega.
Caminho sem trégua.
Não sou sofrimento nem sonho.
Não sirvo pra sopa.
Nem sopa sirvo em prato de mel.
Não sopro bolhas de sabão no ar da sala.
Subo um degrau de cada vez
e na próxima, dez.
Tomo banho de pimenta e sal.
Corro sem direção.
Corrijo.
Suo o exagero e a falha.
Falo do que já não é.
Abrigo antigos temores.
Esqueço amores.
Amorteço quedas.
Amordaço monstros.
M
e
n
s
t
r
u
o
.
Eu.
Mulher.
19.02.2009 - 17h

In

Incoerente que sou, dou-me ao luxo diário de flertar co'a coerência, como se dela desejasse um instante sequer. Inconsciente que sou danço no fluxo diário de melódica impertinência como se dele desejasse um fio vermelho sequer. Independente que sou, dou-me ao prazer diário de te precisar toda hora como se nada mais houvesse além de ti. E não há... 19.02.2009 - 16h40min

História

São caules, raízes e limos tortos troncos de escolhas ou suspeitas sombras de assuntos supostos. Fantoches de borboletas brancas espetados em mostruários fantasmas. Texturas adivinhadas na compra de horas ou na cadeira de rodas quiçá no balanço vazio que corta o espaço pleno de desertos. As correntes arrastam os pés o mundo carrega as costas os descontos desdenham do amanhã. Esculpo sentimentos expresso alusões iludo o tempo escorregadio, que um dia me haverá de tecer. Devoro o cheiro do livro d'onde escorre o que não sei. Bato a poeira dos pés povoo meu ventre de novos intentos. Invento. 19.02.2009 - 16h32min

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Dança

Os limites me estreitam sou amplo espaço preso entre as paredes de convenções que não inventei. Escalo orvalhos escondo olheiras esculpo acordos nas cordas das árvores - cipós - nas barbas de pau que escorrem nas babas do dia entre os lençóis de cetim e as novas regras gramaticais impostas - poesia? -. As abas das horas projetam alvoroços. Não sou algema mas almejo que teu sol me queime ao menos ilumine ou quem sabe até imunize meus caminhos de luz e anzol azul anil. Sou um par de pés descalços que escalam-te as costas de pele macia e 'kouros' no ar. Sou teu sono, tua voz, teu sabor e a fumaça que exalas. Sou teu sopro e sou eu mesma nua e desprotegida, envolta em versos transparentes que tuas mãos, teus olhos, tua fantasia, haverão de rasgar... Nos primeiros 10 minutos do dia 19.02.2009

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Aditivo

.
e
.
16.02.2009 - 13h10min

EU QUERO!

Eu quero bolos e pipas e sons de risada e rodopios infantis dados pelas crianças imitados pelos adultos abençoados pelos deuses. Eu quero chocolates e sucos de laranja e misturas de palavras mal pronunciadas rendadasrendeirasreveladorasredentorasescaldantes. Eu quero a cabeça vazia de balão solto no ar de cheiro de pizza de sabor de menta de perfume cítrico de abraço apertado de coração palpitante de verso molhado espalhado sobre a mesa espalhado sobre a fresta espalhado sobre a batucada que incendeia o chão batido de frescas madrugadas e suco de limão congelado: pi co lé. É! 16.02.2009 - 20h

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Queda

(Hoje só quero quedar-me aqui....
e sorver a coerente
(in? será?)
versatilidade da canção
que nasce costurada nos verbos salientes,
desse bando de malucos-beleza,
que voltaram a povoar um certo santo bar....
Ah...
hoje quero quedar-me aqui,
e esquecer que há regras,
que há logros,
que há pipas voando no ar.
Hoje eu quero quedar-me aqui,
e tantas letras amar....)
02.02.2009 - 05h28min
(Alexis tratou a foto. Obrigada, querido!)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Sou o que nada sei

Eu não sei em que verbo
meus versos te descobrem.
Eu nem sei se eles te descobrem!
Se és Aquiles,
não sei se alcanço teus tendões.
Se Eros sou,
as flechas miro nos teus olhos,
pra ganhar o urgente perdão.
Não estudei anatomia
- nem precisaria -
pra (não) saber onde lateja o dia.
Os livros me lêem ao avesso,
justamente quando sou perfume.
Danço entre assuntos
que não ouso apreender.
E me perco no nada
e não sei
e não sou...
Nascerei...
26.01.2009 - 13h49min

Do belo

Minha beleza nunca morou em mim vive nos teus olhos por isso mesmo é tua. 26.01.2009 - 13h02min

Limitações

Tenho um vocabulário limitado pela tonicidade. Não sei se de propósito ou se de puro desgosto, sempre evito a trilha certa prefiro os atalhos. E se a porta não abre, se a roupa no varal não seca, logo imagino um deus morto querendo me mostrar uma nova parafernália. Se a melodia destoa da voz ou se um livro pula a janela, é ela, a bruxa do espelho, que me sorri, avara. Enveredo por supostas alamedas desertas, encanto perdizes, e me perco em paraísos-defeitos. Desperto de um sonho impossível. O sono não me mata. Desculpa. 26.01.2009 -12h50min

A-Partes

Parto do princípio
de que minhas partes
participam de um todo
que independe de mim.
Ou que, dependente,
vira e mexe se rebela
e toma rumo próprio,
alheio à minha vontade.
26.01.2009 - 12h

sábado, 24 de janeiro de 2009

Vôo

Quem voa longe alcança o que quer? Depende da altura do vôo depende da força das asas depende da intenção da distância ou, talvez, só dependa da gente e do tanto querer... 24.01.209 - 11h50min (Aí, Airton, não falei que dava poesia?)

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

TI gosto

Eu gosto do tom da tua pele do corte do teu cabelo da tua barba por fazer. Eu gosto da tua postura do teu jeito de andar da tua forma de dizer. Eu gosto do movimento que adivinho do teu peito sob a camisa do suor que te escorre pelo pescoço do osso do teu joelho machucado do teu tornozelo dos bíceps dos tríceps e dos três quadrúpedes que são teus. Eu gosto das mesmas canções e da tua pouca idade avançada. Eu gosto de poder te dizer tudo e de às vezes nem dizer nada. Eu gosto de te ouvir muito e de muito te ouvir, te entranhar. Eu gosto de estranhar nossa diferença se é que ela há. Eu gosto de esperar por TI e de te esperar, sonhar. De tudo o que eu gosto, o que mais eu gosto é de TI gostar. 23.01.2009 - 04h34min
("Eu gosto de como teus olhos
acompanham teu sorriso...")

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Ser

Sou um ponto no mapa
talvez um grão de areia
no prato fundo da sopa
de letrinhas.
Sou bola de sabão
que explode no instante
quase primeiro
em que se formou.
Sou pluma,
espuma de mar.
Sou escaravelho
ou talvez apenas esteja velha
pra definir
quem fui...
22.01.2009 - 19h21min

Disfarce

Sem rosto, sou corpo invisível
querendo voar...
22.01.2009 - 19h14min

Véus

Serão pedras supostamente mais leves
disfarçadas de solidão...
22.01.2009 - 19h09min

(In)completa

De mim sempre falta
um pedaço
de mim...
A morte,
talvez....
22.01.2009 - 19h

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Pedir por favor

Papel pede água.
Eu digo:
Olá.
Derramo tinta nele.
Pinto.
Coração pede porque gritar
se o amor não vem?
20.01.2009 - 16h39min
(Esse quem escreveu foi Alina, minha herdeira de versos,
minha filha, minha mais perfeita rima...)

Sob medida

Ele me pediu um poema
mas
como se derrama o coração
no papel?
20.01.2009 - 16h34min
(Sob medida, pra TI, só EU)

Doideira

Hummmm... tem uma teia de aranha logo ali uma barata passou correndo em direção à cozinha ai ai ai só falta rato e ratoeira e barulho de roedores pelos cantos do bar ai ai ai uma teia de aranha logo ali quando é que vamos movimentar logo aqui? aqui? aqui? uma teia de aranha logo ali e minha poesia tá presa emaranhada nas colas caladas dos poetas anônimos dos conhecidos anônimos dos sinônimos antônimos parônimos será que são parecidos com o rato que roeu a corda da aranha logo ali? e o meu verso que não se solta dessa teia colada dessa teia liberta? e o teu siso que não se arrisca no vôo impreciso que a teia permite logo ali? cadê esse meu povo que não vem aqui de novo pra matar a aranha pra pisar na barata e assustar o rato que rói esse meu verso sem nexo sem queijo sem acento agudo ou circunflexo? e a teia persiste em prender meu poema... Moço, um copo de suco de laranja por favor, sem teia de aranha sem barata boiando sem pêlo de rato (ai, que esse acento já era... e eu não sei mais escrever... ai) 19.01.2009 - 06h

Inutilidade

É inútil minha arte.
Ela nada te acrescenta
além de perguntas
cujas respostas
são outras interrogações.
Se meu corpo te fala,
não afirma;
provoca.
Se meu risco te grita,
não define;
duvida.
Se minha palavra te diz,
não explica;
confunde.
Se meu gesto te traduz,
não expõe;
multiplica.
Minha arte desfia lãs.
Desfila curingas e copas de rainhas.
Minha arte copia sonhos.
É incapaz de soluções.
Respira o vício da busca.
Procura.
É inútil minha arte.
Complacente, passa por ela
e sorri...
20.01.2009 - 14h20min

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Por enquanto

O canto do copo quebrado na boca.
A parte sem todo, manca.
Silêncio na noite, sono insosso
sabido remédio pro meu desespero.
Delírio sem trégua. Distúrbio.
Enviesado revés de vida. Sorte.
Na lata do lixo, os muros.
Esmurro as pontas das facas.
Enfraqueço os mitos.
Desminto as madrugadas.
Amanheço viva.
À cabeceira dos dias, sinto.
Ainda.
E só por enquanto.
19.01.2009 - 13h50min

(Con) Seqüência

Derramo no corpo tinta branca
pra pintar-me a alma
cansada das mesmas nuances de cinza.
As expectativas seguem-me os passos
como se já não me bastassem
as incessantes chuvas de verão.
Discordo da maioria
e descanso meus pés
na estrada da esquerda.
Desvio dos caminhos
superpopulosamenteentediantes
e mergulho no que considero vivo.
Descubro reflexos onde não sabia
e almoço soluções tardias para meus defeitos
vários
avaros
inválidos.
Sem sol, secam-me as carnes
de uma fome que não me cabia.
Abrem-me vagas nas poças d'água
e minha imagem já não é.
As muralhas pesadelam-me.
19.01.2009 - 12h30min

sábado, 17 de janeiro de 2009

Definitivo

Tu és qualquer coisa que não encontro no dicionário.
Talvez sejas um perfume
ou um vocábulo grego.
Talvez sejas a mordida na maçã vermelha
ou o peso do cinto na minha pele.
Tu és alguma coisa indescritível
maior que MARAVILHOSO
mais forte que CORAJOSO
mais leal que o som de voz difuso
perdido no nebuleiro da distância.
Tu és qualquer coisa que eu não encontro no dicionário.
Não estás lá.
E eu não sei como TI definir...
Eu não sei...
17.01.2009 - 06h
(Acontece que TER dispensa definições...)

Moço...

Moço, chama aí alguém que esteja passando com uma viola debaixo do braço
Um dedo de prosa
uma pitada de poesia
um tantinho de pimenta
e está pronta a mistura perfeita
pra melhorar o meu dia...
Moço, chama aí alguém que esteja passando meio malemolente
que aqui um jeito dá à gente
meio sem medo de andar sem pressa
nesse bar escurecido
nesse lugar em que esqueceram
de acender o lampião
c'o último fósforo
da carteira vazia.
Moço, chama aí alguém que esteja passando com um livro não lido
entre as duas mãos de um ente querido
que as mulheres querem ouvir canções
que os homens querem arrastar as asas
e os chinelos e os tambores e as pretensas verdades
que as falhas acodem nas mesas vazias.
Moço, chama aí alguém que esteja passando
pra preencher a madrugada transbordante de um vácuo mudo
incandescente de uma tênue e lúgubre folha branca...
Moço, chama aí alguém
que eu já não aguento
de solidão...
17.01.2009 - 02h12min

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Semântica

No meu dicionário de significados
os sentidos jazem sobre as flores
e as palavras são meros espectadores
dos meus obscuros emaranhados.
Desconstruo o poema
como quem senta à mesa
do banquete de um Imperador.
Cato feijão nos acentos circunflexos
e alinhavo a próxima estrofe
com as batidas do meu coração
como quem planeja uma metrópole
(mas metrópoles são desordenadas
desorganizadas
barulhentas
violentas e ricas
de qualquer coisa mofada
que purga de suas feridas).
E a minha criação se ri
do que seria um abismo sem fundo.
No canto da boca-página
um filete de sangue
escorrido do vocábulo
escolhido a dedo
pra não assustar os estranhos
que povoam os ninhos
dos meus pensamentos.
Apalpo as linhas que visto
e já não sei se o que vejo sou eu
ou os meus instintos escritos
descritos
pormenorizados
na avalanche descontrolada
- poética impertinente -.
O ritmo da tua leitura
mantém acesa a chama
e o espaço entre uma e outra escrita
permite o descanso do vazio
que sucumbe
ante o braço enlameado da plebe.
As farinhas desmancham os pães.
Sem alimento, farto-me de orvalho.
Estremeço.
15.01.2009 - 13h10min

Um dia...só

Como seria se só existisse o dia? Talvez faltasse uma pitadinha de poesia na pimenta da estrela que a gente não viu... 15.01.2009 - 01h30min

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Brinde

Talvez estejamos nós dormindo... Sonha, que o tempo é deveras ligeiro Sonha, que o medo é deveras sem freio Sonha, que o sentimento é das claudias ou das heloisas, ou das simones, talvez das marisas, ou das lenitas, outras quermesses, outras diretrizes, outras mordidas doendo nas carnes, outras vertentes cobrando pedágio, outras estradas outras verdades outros poemas brotando dos vales das entranhas da terra das entranhas de mulheres poetas... Mas e os homens profetas? Moço, um brinde à poesia feminina, tão perfumada tão lasciva, tão bendita, tão desarmada, quanto um copo de vinho tinto... Brindemos, amiga Lenita, enquanto os profetas não chegam enquanto os homens não estendem, eles também, os copos transbordantes de delírios... Brindemos, amiga Lenita... Brindemos à poesia blindada que brilha, inda que presa... Brindemos... Brindemos às odes, aos sonetos, às desordens dos versos... Brindemos à magia da vida... 14.01.2009 - meia noite... (Para Lenita, amiga poeta)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Sobre quem sou

Vivo mudando de idéia sobre quem sou eu. Será por não conhecer, em absoluto, a resposta, e andar vagando por hipóteses várias, ou será por essa característica de camaleoa, mudando sempre, portanto sempre sendo nova? Uma boa nova? Ou uma utopia? Quando eu descobrir, respondo... ou não... 12.01.2009 - 15h

Bem-vindo, poeta!

Entra, poeta,
que a poesia está de portas abertas,
pra versos exclamados
na comunhão dos decassílabos
ou dos invertebrados...
que importância tem?
Toda, oras,
afinal é de estrofes que é feita a vida
e de estrofes malogradas ou mal dormidas,
talvez mal amadas,
quiçá bem resolvidas...
Estrofes de almofadas e de suspenses,
que nos levam as sementes
e as inspirações dormentes
e as catástrofes nos copos d'água...
Entra, poeta,
e traz uma pitada da tua poesia,
que a mesa anda sedenta
de um tantinho de beleza,
de um tantinho de prosa e verso...
Moço, traz aí a sobremesa...
(Para os meus amigos queridos, do Sarau On Line,
depois de um longo período de afastamento meu...)
11.01.2009 - 17h30min

sábado, 10 de janeiro de 2009

Falta

Sinto falta das canetas,
dos versos,
dos amigos,
da dança do poema na minha frente,
alegrando-me os dias...
Sinto falta do sopro do verbo
no meu ouvido atento,
do riso da palavra escolhida a dedo,
do sentido obscuro da frase,
solta por acaso,
entre um suspiro e outro,
de alívio ou solidão,
tanto faz.
Sinto falta da beleza de uma lua que resiste às manhãs...
10.01.2009 - 01h22min

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Marginal_Arte&Cultura

Sempre estive "às margens", embora sempre tenha parecido "dentro". É confusa essa situação. Serei eu uma marginal perfeitamente integrada? Talvez eu não seja nada. Talvez apenas arremedo d'alguma arte que me passou rasteira, n'alguma outra vida, em que,certamente, fui cega e perdida. As margens exigem mais equilíbrio, ainda que um olhar desatento taxe de bêbado o passo da marginarte. Imaginação. Arte. Cultura. Corda bamba. Daí o balanço, daí o requebro, daí a contra da mão do conhecido e sempre arbitrário PODER.
01.01.2009 - 02h48min

Por amor

Por amor
sou meus desenhos
dispo-me das dores
dos tecidos
dos verbos
dos receios
dos cuidados todos.
Por amor
sou minhas poses
minhas quebradas
minhas colinas
meus vales
serenatas
cachoeiras
sumarentos e finos recortes.
Por amor
sou as mulheres que fiz
cada traço
cada curva
cada compasso marcado
no tempo certo
ou no intento
imprevisível
da tua chegada.
Por amor
sou retrato
e janela.
Abertura
estilhaço
saliva
abraço.
Por amor
sou a sombra
desenhada
feminina
felina
amada
amante
graça.
Por amor
sou tua
em traço
ou nua.
Tanto faz;
é tudo pra TI.
01.01.2009 - 01h50min

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Nus

Despir-se é muito mais
que despojar-se das vestes
é deixar a descoberto
a alma, pra TI.
Corpo e alma desnudos.
Nus
Nós
Dois
.
29.12.2008 - madrugada

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

"Se tudo der certo"

(...)
Sentir, sem que se veja, a quem se adora,
Compreender, sem lhe ouvir, seus pensamentos,
Segui-la, sem poder fitar seus olhos,
Amá-la, sem ousar dizer que amamos...
(...)
Gonçalves Dias
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Quando tudo der certo
o jogo de palavras
virá com manual;
os magos a mais
- ou a menos, tanto 'faiz' -
não terão a menor importância,
dadas as mágoas
deixadas do lado de fora
dos nossos portões
que esquecemos de fechar
com enferrujados cadeados
de cristal.
Achei que tivesse tI perdido.
E me perdi ao isso achar.
Fiz do medo a poesia.
Um verso a mais pra TI
que ME sabes poetar.
25.12.2008 - 03h36min
(Tu não és otimista. Tu és ÓTIMO.
Obrigada pelo farto material de espelho.
Só o que faço é refletir essa tua aura brilhante,
que eu amo. FELIZ NATAL!)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Nomenclatura

Não é por acaso
que as três primeiras letras
do meu nome de batismo
sejam uma afirmativa...
19.12.2008 - 14h36min

Antes

Meu relógio está sempre adiantado talvez essa seja a melhor explicação sobre quem eu sou... 19.12.2008 - 14h35min

Fuga

Lápis
Papel
19.12.2008 - 14h12min

Eu quero TI dizer

O que eu quero dizer
é o que eu não disse
e a palavra me foge,
livre, nos campos da vida.
O que eu quero dizer
é o que eu não fiz
o que não pensei
o que deixei escapar
entre os dentes
em forma de SIM.
O que eu quero dizer
é uma frase desgastada
desgraçada na boca de uns
abençoada na de outros
mentirosa algumas vezes
profunda quase todas as outras.
O que eu quero dizer
é só um repeteco do eco
das esquinas e dos sussurros
cansados de descansar nos ouvidos
de outrem.
Mas a palavra me foge
mas a frase fica pela metade
mas a boca não abre
para dizer...
E o que eu quero dizer
fica dançando no ar
bem na minha frente,
deboche constante
dessa minha falta de coragem.
E o que eu quero mesmo dizer
é o que eu digo brincando
é o que não levas a sério
é o que ouves sem importância
todos os dias,
de outras formas,
com outras palavras,
ou até com as mesmas,
em outros tons.
E o que eu quero mesmo dizer
é que eu TI amo.
(...dizer...)
19.12.2008 - 14h06min

Agradecimento

Obrigada por teus olhos
exigirem-me os sorrisos
que eu, às vezes, esqueço
que sei criar...
19.12.2008 - 13h20min
(Pra TI)

As tristezas

... são versos, que a gente não soube rimar... 19.12.2008 - 13h15min

Da morte

Descanso (?) nunca bem-vindo. 19.12.2008 - 11h31min

Ambição

Não tenho grandes ambições nada impossível espero: minha filha feliz e saudável meu livro publicado e lido o homem que amo, ao meu lado. Mas como isso é difícil de conseguir... 19.12.2008 - 11h02min

Dizer

Tenho mil crônicas atravessadas na garganta e milhares de palavras reclamando o direito ao grito. Direito conquistado a suor escorrido na testa mesmo gosto da silenciosa lágrima que mancha meu rastro na estrada aberta por mim. As pérfidas razões dos verbos-espadas que cortam as não-palavras caladas soam confusas em suspiros sem significância (in?) alguma nessa minha realidade (i?) vertida sabe-se lá de onde. Cortam-me os pulsos os pesos das frases que pousam sobre lugar algum. Coerência é coisa pra poucos escolhidos a dedo; e eu não sei por quê mas não sou deles o um. Os estalos do telhado que a chuva fere são contratos jurados de morte pela extensão dos vocábulos proferidos. Fusão de dizeres. Fartura presa na língua. Não-dita. Silenciada. Engolida. 19.12.2008 - 10h15min

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Passagem

O caos desacelera o passo da harmonia complica os atalhos já gastos desgosta o império erguido a dor. A ferro e fogo o calmante cala meu verso cala minha saliva cala a sílaba dispersa que procurava a folha branca pra, borboleta, pousar. O caos estanca o fluxo e a partícula é o meio do mundo que não vislumbro que não prevejo que não adivinho na borra de chá do fundo da xícara de café. O caos espanta a linha. O cúmulo do absurdo é não ter uma expressão que se encaixe entre meus dedos pr'eu saber que a vida excede qualquer textura ou texto ou intenção de orvalhar os dias com pimenta e sal... Um dezembro outonal... 16.12.2008 - 17h55min

Desistência

Não quero mais mudar o mundo.
Não quero mais impossíveis atos.
Não quero mais a ilusão
de que tudo pode,
afinal,
dar certo,
no final
(e quando chega esse tal de "final"?).
Não quero mais mudar o mundo.
Eu, hoje, órfã da minha idéia mais querida...
16.12.2008 - 17h10min

A frase

É esse silêncio que rasga o poema na intenção não alcançada e que agora paira no ar.... 16.12.2008 - 04h12min

O Grito

Publico um grito.
Escuta e aquiesce,
que os tempos dirão
do freio das tramas.
Além disso
silêncio...
Shhhhhh....
16.12.2008 - 04h10min

Rasura

Se rasgo o raio
e solto o verbo
sobre o corpo resvalo
em estrelas multicores,
é porque me faltam olhares
suficientes
que te alcancem os braços
tatuados de vertigem e sopro quente.
Se enveredo pelas alamedas
confortavelmente já conhecidas
é porque maltratam-me as retinas
as centelhas do fogo de ontem
que consumiu-me os arrepios
e as censuras
e os cuidados
e os limites todos da lucidez.
(Embriagada sede de loucura vã.)
Se te dou ouvidos e olhos e bocas
é porque me faltam as palavras
que enchem esses espaços vazios.
Cadarços abertos nos sapatos
esquecidos na soleira da porta
que deixamos de abrir.
Jaz ali o desejo imediato
e a sensação inusitada
do belo
do ralo
do sempiterno
assovio...
(Escuta o vento
vislumbra a fada.
Solidão é algema que mata
nas minhas mãos
o teu suor.
A veia que verte de TI...)
16.12.2008 - 04h07min

Movimento

Pareço parada.
O movimento me é;
estanco o palanque
que afronta meus brios.
O destino afoga o afago
que esperava por mim.
Não tenho sossego
embora pareça sempre a mesma...
16.12.2008 - 01h15min

Aflição

Esperei, de novo... Logo eu, que detesto a espera, que guardo o desejo secreto de ter todas as estações ao mesmo tempo só pra não ter que esperar pelas flores primaveris ou pelo orvalho frio das madrugadas de inverno ou pelo calor do sol forte de um verão escaldante ou pelas folhas secas dos plátanos cobrindo meus caminhos. Logo eu, que detesto a espera, sento aqui, debaixo dessas estrelas de mil cores e espero. Sina sem badalos. Espero... E nada... 16.12.2008 - 03h09min

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Charme/Ternura/Sensualidade

CHARME
Leque
guarda-chuva aberto
em dia de sol forte
copo d'água gelada
rasteirinha
cabelo dele, cortado rente
banho de chuva
piercing no dente
abraço apertado;
semente...
TERNURA
Mãos dadas
olhos nos olhos
cumplicidade
sorriso
companhia
copo compartilhado
história cumprida
abraço demorado;
semente...
SENSUALIDADE
Pele dele, nua
corpo suado
língua no lábio
vestido branco molhado
decote profundo
roupa no armário
cama desfeita
vapor de chuveiro
- espelho -
abraço explorado;
semente....
11.12.2008 - 17h01min

Pecado

Depois do amor, ir ocupar-se, imediatamente, de outros afazeres.... 11.12.2008 - 16h43min

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Aniversário

Espelho talhado na pedra do tempo
vinte anos em um
quarenta e três pedras preciosas
cravadas em miúdas batalhas de horas...
...e esse teu costume
de enfeitar-me o dia
co'as pontas dos dedos
pintadas de prata e calor.
09.12.2008 - 16h25min
(Felizes nós, neste aniversário conTIgo)

domingo, 7 de dezembro de 2008

Para TI

*Obrigada por manteres o meu jarro cheio...
Exerço o direito de permanecer falante
digo e repito, pra quem quiser ouvir
e pra quem não quiser
e pra quem não entender
e pra quem não se importar
que minha vida,
que meus olhos,
que meus pensamentos,
que meus minutos todos,
que todas as contradições,
que todas as celebrações,
que todas as impertinências,
que todas as indolências,
que todas as menções
e todas as alegrias
e todas as lágrimas
e todas as festas
as canções
as loucuras
as decências
e as in
e todos os abraços
e todos os jogos
e todos os desejos
e todos os encantos,
são teus
são pra TI.
07.12.2008 - 12h03min
(...e tu sabes que é assim...)

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Impressões

Colho um verão úmido
entre as folhas trêmulas
de um passado qualquer.
Cheiros
são visões rei(n)ventadas
com direito a euforia
e jogos de artifício em cristais.
Os passos empastam a estrada
afundam as trilhas deveras
alimentam um sentido maior.
(Desencontro de mensagens
com hora marcada pra viver.)
Transcorrem salgadas as lutas
as grutas engaroadas
nos vales que me antecedem
que me dormitam
que me anunciam sem dúvida alguma:
você...
27.11.2008 - 17h53min

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Intensidade

Intensidade. Garra que fere fundo que sorve o sopro que suga a alma. IntensIDADE. Fogo, afoga o assunto água, consome a sanidade. Intensidade. Salto alto em manhã de primavera entrega inteira em madrugada de verão luz de vela em pleno sol de meio dia lamparina lampião... INTENSidade.... 24.11.2008 - 17h

Despedida

Sempre a mesma tecla sempre a mesma corda produzem sempre a mesma nota: não tenha nunca DÓ de MIm. Sou chama e cinza hoje logo adiante siso e tempestade. Ai que os risos são longos e os dias normais. Ai que o perto é distante e os sonhos reais. Ai que a clareira me expõe mas a hora é assim. Muitas vidas tenho cá não tenha nunca DÓ de MIm... 24.11.2008 - outro dia...

Constatação

sábado, 22 de novembro de 2008

Um presente

Viaja

Tantas terras por vir
tanto mar
tantas águas sem fim
e a tua estrada aqui.
Tanto sonho por vir
tanto mel
tantas ruas sem fim
e o teu abraço aqui.
Nosso céu
construir...
Nosso sol
ver sorrir....
21.11.2008 - madrugada
(Uma canção)

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Mistério

É verde a timidez nos sérios olhos que me fitam de além-mar. Nos fios lisos dos cabelos escuros escuto a canção que escorreu do teu peito e veio cá, pousar em mim. Doce presente de luar amanhecido nos acordes das estrelas que te espreitam enternecidas. São breves as horas contigo voam os ponteiros voam as esperas voam as imagens que não previ. A catarse aguarda as núpcias e as melodias de voz misturam desejos. Não temo. Sou asa voando pra ti. 21.11.2008 - 17h (Portugal)

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Karma

Partituras e cifras Si bemóis a escorrer. Si, sem o Dó maior que não arreda pé de ser Sol. Calor a se espalhar na harmonia da canção distante de distinto DNA. Sintonia Kármica... Vocação. Para AKAI, nesta madrugada do dia 16.11.2008 - 04h30min

Futuro

Quando eu crescer quero ser verbo partitura traço de nu. Quero ser sopro suave fragrância mapa ao avesso na nuca, arrepio. Da teia da aranha, o fio crista de galo, fino assovio galho enfeitado de pinheiro de Natal extrato de erva medicinal brisa de mar perfumada uma pitada de sal. Quando eu crescer quero ser página de livro rasgada coleção de enciclopédia velha tentáculo de polvo furioso mordida de maçã. Quero ser azul-anil a boca do funil a luz no fim do túnel raio de sol enluarado riso alto de criança réstia de calor na calçada quadro louco de Dali. Quero ser feitiço folha de árvore frondosa balançando os cabelos ao vento beijo molhado de namorado gato preto no telhado um curto pavio um surto na sala de espera da vida. Quando eu crescer quero da canção ser o cio... 18.11.2008 - 15h27min

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Amorais

Entrelaçadas teias laços virtuais trançados em fios de uma realidade absurda. Sinuosas combinações morais. Amorais são as velas que circundam os caminhos talhados de verbos e vírgulas no espaço comum. Ah! Essas nossas pretensas morais nossos ais amores a mais nossas febres e fomes nossos amores nossos ais. Ah... morais... Nossos amores reais? 17.11.08 - 10h

sábado, 15 de novembro de 2008

Alegria

Minh'alma tem sede
de pisar alegria
ritual diário
ao qual me atenho
com indisfarçável prazer.
Construo meus vínculos.
Costuro de flores os laços
que abraçam essa tua vinda.
Meus vasos são rios...
Minhas águas, perfumes...
Meus amores, ventania...
15.11.2008 - 15h15min

Pontos de vista

Arte é lixo para alguns.
Lixo é arte para outros.
15.11.2008 - 13h48min

Extremos

Trago no riso um rasgo de lágrima. No dia, madrugada gelada. Na noite, uma réstia de sol. Trago no gosto do suor um toque de doce magia. No auge do prazer uma ponta de agonia. Em pleno Oceano a luz de um farol. "Trago em mim todos os sonhos do mundo"* e estou vazia... 15.11.08 - 13h15min *Verso de Álvaro de Campos

Razões

O que me prende também é o que me perde: emoção... 15.11.2008 - 13h39min

Segunda vida

Quantas vidas ainda terei? Se gata, teria sete mas, de gata, já passei... 15.11.2008 - 13h20min
(Foto: Eu, no Second Life - Poesy Rhiadra)

Amar é...

A maré assovia a canção: amar é assolar a partida Ah! O mar respira um adeus talvez um cumprimento distante perdido num Oceano de persistentes ilusões. Ir ao mar diminuir distâncias destrancar a dor. Amizade e paixão num só aperto; se perto é longe se o pouco é medo se a tarde é fruta se a lua, tormento, então desminto o eco e sufoco a perda. Amar é ir perder-se na imensidão do fluxo salgado in-ter-mi-ten-te. Amar é es va IR se. Amar é ir... 15.11.08. - 12h50min (Para AKAI PARX)

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Saliva

Escolho a gota
que pinga de ti
pra misturar a mim
feito saliva exposta.
Te(n)são...
04.11.2008 - 04h46min