quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Coletivo

Encontramos curvas nos labirintos da mente ou desmentimos os cravos das madeiras que insistem em resistir ao tempo. Enfrentamos abraços de polvos enevoadas carcaças de pólvoras amanhecidas nas conchas das mãos em brasa. Esquecemos por onde andaram nossos pés ou os açúcares das letras pintadas nas paredes das impertinências fantasticamente criadas pra desviar as canções caladas nas gargantas dos outros, que não conhecemos. Espantamos os fatos nas pontas das canetas e embriagamos as vertentes de perguntas e palpitantes vôos de trombetas. Sacrificamos o sangue de terceiros porque do nosso já não há gota nem nada mais que valha um níquel. Mostramos as fontes no brilho das frontes postadas nas portas dos orfanatos que não visitamos dos quais tampouco ouvimos falar no raso das línguas superficialmente ornadas de pétalas vermelhas de flores e coloridos vasos alheios. Montamos quebra-cabeças antigos e entoamos recitais dos quais não lembramos nem queremos nem questão faríamos não fossem os delírios de uma sociedade anônima ou de uma lucidez entranhada nas veias envelhecida de pouco uso. Caminhamos a lentos passos trôpegos e não escolhemos o destino ele é que nos separa do trigo; joio, nós, os obtusos seres que perambulam nas ruas de pedras empertigados de tolos orgulhos que morrerão conosco ou antes de nós. Té que o controle se esgote e o sol brote das raízes jamais plantadas por mãos nunca conhecidas. 19.08.2009 - 21h26min

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Coletânea

Mudo minha mudez solto a língua e destravo a hora escolho a soma e a batalha não escondo as armas as que tenho são essas essas as de que disponho. Pontuo as condições conduzo o discernimento com base no que meus olhos não vêem. Meu corpo estremece. Compactuo com o tempo que passa. A pasta engrossa o caldo e eu já não vejo um palmo quanto menos os riscos da palma da mão que me disseram que indicavam longevidade. Estou muito distante dos meus dias preferia estar longe dos meus ais... 13.08.2009 - 15h30min

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Até o dia amanhecer

Insone aventura pelos teus risos. Madrugada: suculento abacaxi. Sucessivas histórias de dois e os olhos acesos e os lábios acesos e a vida acesa na via do afeto. 12.08.2009 - 16h20min TI

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Aceno o lenço branco da partida anunciada

Aceno o lenço branco da partida anunciada os avisos foram mil mil sonoras despedidas outras mil silenciadas pelo medo da hora que viria. E veio... Aceno o lenço branco da partida anunciada as composturas todas perdidas as forças todas agrupadas pra não dar trégua ao arrependimento e manter os pés na estrada escolhida. O medo da hora que viria. E veio... Aceno o lenço branco da partida anunciada jamais dirão que foi num repente jamais dirão que foi num arranque jamais dirão que foi sem medida. A medida do medo da hora que viria. E veio... Aceno o lenço branco da partida anunciada molhado d'água salgada vertida não se sabe d'onde. Jamais dirão que foi sem dor. A dor do medo da hora que viria. E veio... Aceno o lenço branco Aceno o lenço Aceno o branco O lenço O branco O aceno O medo A dor A hora A vida A outra vida Todas as outras vidas Todas as despedidas Todos os acenos Todos os lenços Todos os brancos Todos os medos Todas as dores... Tudo o que viria... O que veio... O aceno branco e o lenço da partida anunciada. O lenço anunciado e o aceno branco da partida. O branco aceno e o lenço anunciado, partido. A partida branca e o aceno no lenço anunciado. O anúncio partido e o lenço branco acenado. O lenço O aceno O anúncio O branco A partida que viria... E veio... 11.08.2009 - 15h41min

Das escolhas

Toda escolha implica uma perda perde-se tempo perde-se força perde-se sossego perde-se algo que muito se queria perde-se o fio da meada a bainha do dia a estrela sagrada Toda escolha exige que se abra mão d'algo que antes havia talvez fosse bom talvez nem tanto talvez nem deveria ser motivo da escolha outra aquela que se perdia. Toda hora cada instante cada partícula de vida é encruzilhada. E as escolhas sejam quais forem definem o agora... Amanhã... Minha escolha será hoje... 11.08.09 - 15h30min

sábado, 8 de agosto de 2009

Iguaria

Caviar? Ova de esturjão, isso sim. E sabe ser bom... 08.08.2009 - 17h19min Não é poesia? Porque?

Proporção

O mundo da minha infância
era largo e intangível milagrosamente enorme maior que uma bola de neve maior que uma tempestade. O mundo da minha infância era azul e leve bola de sabão intraduzível inalcançável espaço físico. O mundo da minha infância diminuiu... Cabeça de alfinete é o mundo da minha maturidade e eu confesso que preferia o antigo; naquele havia mais poesia... 08.08.2009 - 15h18min

De poesia e de criança

Só a poesia
e a criança
me fazem acreditar
que tem jeito.
Que tudo tem jeito.
Que tudo dança.
O resto me assusta.
O resto me entedia.
O resto é assunto pra outra instância
que eu não entendo
nem pretendo.
Só a poesia
e essa criança
o resto eu dispenso.
08.08.2009 - 15h
*Foto: minha filha

Brotoeja

Gosto de papéis amassados
reticências
e coisas antigas ...
Brotam poemas
brotos de maçã
batatas palha na folha
amassada
descartada
no canto da mesa de trabalho
onde ninguém se debruça
há anos-luz.
Reformas nas paredes da sala
e a continência dispensada
por saber que é sábado
dia de faxina na casa.
Papel de bala na cabeceira da cama.
Lâmpada apagada.
Digerida economia.
Suspeita pairando no ar:
quando é que o peito deixou de bater?
Não sei...
Não sei...
08.08.2009 - 14h32min

Absurdos

E se essa chuva tiver gosto
de bala de hortelã
na boca de uma (in)tensa manhã?
E se a tarde tiver incenso
cobrindo a avenida nua
e a rua orvalhada não der um passo
nem um martelo nem um sussurro?
E se a árvore da vida
jamais nascer de fato
e o cabo da vassoura
virar um grande retrato
no embrulho de presente
que esqueceram de oferecer?
E se a chave não couber na fechadura
e não houver outra saída
além da abóbada terrestre
onde os ETs estão de partida?
E se o bruto virar padre
e o cabelo abrilhantar o escuro
na pretensa despedida
de um sem terra ou sem estudo?
E se a proposta não passar de acaso
e o orgulho não cobrir o rasgo
feito no lençol do abuso
quando o gasto e o absoluto
simplesmente passarem da medida?
E se a conta e a perfeição
forem irmãs da conversa
e a discussão disser que não interessa
o fio da navalha estendida?
E se tudo não passar de um grande erro
ou de um tropeço
de um soluço
de um começo?
Que começo?
O começo do absurdo?
08.08.2009 - 14h15min

Amanheceu

Folgo em saber que a noite se fez dia. Dia chuvoso, é verdade. Dia triste e frio, é fato. Mas dia. Mais dia. Outro, depois da noite escura. Quantos ainda estarão por vir? 08.08.2009 - 14h05min

Ser ou não ser

Ser ou ser não há opção. Nenhuma outra escolha nenhuma alternativa correta ou não. Ser É ser. O QUE é que é a questão. 08.08.2009 - 13h59min

O Tudo e o Nada

Fera assumida desfaçatez no disfarce assola os tais dias cheios de nada mesclado a nada. É ocre a tez da noite. Lágrima engolida atravessada na garganta: câncer. A crise solta as amarras e o polvo dá cria. A prostituta gargalha uma gutural alegria. Perdidos os escritos o poeta se perderia? E o que há de comum naferananoitenocâncer nacrisenopolvonaprostituta nopoetaesuasembolias? Tudo. 08.08.2009 - 13h10min Para Sartre e Quintana; o que eles têm em comum? Tudo!

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Uma pitada de polêmica

Descobri assim meio que de repente num desses costumeiros insights que acontecem com toda gente que os homens muito carinhosos aqueles que se declaram diariamente aqueles que se desmancham nos elogios aqueles que estendem tapete vermelho e juram amor eterno e juram fidelidade eterna e juram juras eternas são os menos confiáveis ainda que sejam os mais agradáveis os mais bonitinhos, os fofos demais, aqueles com quem gostaríamos de passar o resto da vida se não fosse a multidão de concorrentes querendo o nosso lugar - e tendo, de vez em sempre. Os outros, todos os outros, os que são estúpidos de vez em quando que dificilmente falam de amor que não juram nem pela pele da sogra (o que aparentemente resolveria dois problemas) que nem sabem que existem tapetes vermelhos aliás, nem sabem que existem tapetes e que de vermelho só reconhecem a bandeira do time do coração. Todos os que roncam de noite os que roncam de dia os que não ronronam nunca os que vão embora sem se despedir os que não respondem pergunta alguma os que se divertem pouco e pouco riem os muito sérios os muito aplicados os muito bonitos os que evitam falar em fidelidade os que evitam falar em eternidade os que evitam falar em cumplicidade, são os que permanecem. Não se rasgam de gentilezas mas também não te rasgam o coração; não se declaram abertamente mas também não te machucam intencionalmnte. Não são a alegria em pessoa aliás, até que são meio tristes têm mesmo certa intimidade com a melancolia e não raras vezes são declaradamente infelizes. Mas são constantes. Estão ali. Aguentam o tranco (se a gente aguentar o ranço). São firmes e oferecem segurança inclusive essa, aos trancos e barrancos. Só não lhes peça romance que tudo tem um limite... Ah, se tem... 05.08.2009 - 15h (Porque a proximidade da primavera me deixa assim: engraçadinha..hehe)

Agosto

Arrisco dizer que senti um gosto de flor no ar um tentáculo primaveril roçou-me as faces um calor de sol invadiu-me a alma. Confesso que estava com saudade dessa leveza de não ter que vestir 5 blusas por baixo do casacão de não ter que enrolar-me no cachecol largo - quase um cobertor - e ainda assim sentir frio. Confesso gostar da despedida da montanha de edredons que me cobre toda noite desde que o rigor resolveu fazer morada nesse meu longo inverno gaúcho. E o gosto de flor no ar Ah... que gosto que gosto que gosto... Mal espia pela porta fria o mês de agosto setembro libera perfumes pr'avisar que já vem entrando pelos lados dos ventos uivantes que sopram nessa minha serra de morros muitos. O que me encanta desta feita é a surpresa do gosto de flor no ar... Ah.. gosto.... 05.08.2009 - 14h30min

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Uma

Eu hoje escrevi feito louca pra não perder o jeito ou não perder a loucura tanto faz as duas coisas andam juntas meu jeito minha loucura minha poesia. São três? Não. Nem duas. São uma. 04.08.2009 - 16h30min

Invenção

Estou boa de inventar um outro jeito de poetar um jeito assim meio moleque de quem não se arrepende de nada dizer direito. Estou pra inventar um jeito inocente de quem está ou é meio doente meio sem pé nem cabeça meio coluna do meio sem intenção de pretendente. Estou boa de inventar um jeito contente de poetar que não conte as sílabas nem os espelhos. Que não tenha vernáculos rebuscados ou formas estabelecidas antes do começo da escrita. Estou boa de inventar um novo invento uma coisa qu'inda não exista uma vírgula no verso um raio de sol que rasgue a noite sem lua um suspiro de alívio sem dor. Faço votos que meus novos versos esses mesmos assim meio desconexos meio sem medida mancos descalços ou de saltos altos ou de pernas de pau enormes sejam mais que versos sejam gritos. Que poesia é essa coisa absurda de dizer as coisas entre os dentes e não ir dizendo nada que construa e mesmo assim ir construindo paredes d'algo que ninguém enxerga mas que todo o mundo sente. Ando com muita vontade de inventar o verso mudo ou o verso de dois quilômetros de largura ou de mais de mil metros de diâmetro. O verso número mil o diverso o reverso o que dá vontade de ver ou não. O que dá vontade de ler ou não. O que dá vontade de ter ou não. Escrito gritado manipulado desfeito maldito comprido comprimido contrafeito destoado destonado desenterrado do mito do muito do famoso "diga ao povo que fico". Fico onde, se não caibo no espaço da folha? Fico aonde, se não minto o bastante? Estou pra inventar o verso mentiroso um jeito de poetar que finja alegria ou um sorriso faceiro quando chorar era o que eu queria. Estou pra inventar um jeito amargo de poetar o verso que não sustenta a língua nem o prato quanto menos o pranto. Estou boa de inventar essa reviravolta que eu não sei de onde tiro se foi ontem se ontem se foi se se cumpriu o delito. Se gaguejo poetando se, ao poetar, gaguejo se gargarejo um poema se cruzo os braços e praguejo. Estou boa de inventar esse jeito de poetar desamassado que compara a porta ao descabelado e estremece de dó de pena e de vínculo nos fios da tomada exposta desconstruída. Estou boa de inventar um novo unguento pr'essas minhas feridas doridas... Ai... 04.08.2009 - 16h17min

Tresloucada

Tresloucada escrevo novos versos meio sem nexo algum que é pra ver se desvirtuo um tantinho só um só tantinho essa minha vontade de ser certinha a certeza que eu nunca tive o caminho que eu não cheguei a seguir. Solto os dedos no teclado e permito que eles mesmos digam o que eu não ousaria dizer de boca lavada e cara limpa diante de um espelho quebrado ou de um microfone a todo volume. Quero distância das sinceridades todas prefiro as mentiras cabeludas pra fazer tranças e longos penteados e fingir que tudo permanece intocado feito relva virgem em clareira aberta na floresta desconhecida. Permito que meus membros gritem as coisas que eu não pronuncio nem sonho em dizer sem testemunhas ou quadros de funcionários e discursos de teses sem sentido sem intenção sem conclusão precisa. Eu quero a liberdade de saber-me nua despretensiosamente destituída de conceitos e propostas oficiais. Eu quero a cicatriz que me rasgou o peito e o peito que recebeu a cicatriz. Quero a marca a trégua a régua que traçou a linha que eu não fiz que eu não pedi pra fazer mas que tenho que seguir à risca dia após dia no interminável solo aberto diante de mim. Tresloucada escrevo e digo despudoradamente o que me vai nos extremos dos membros que me bastam dos socos sovados no estômago dos santos orados olhados ocupados pelas orações que eu não pedi. Tresloucada. Escrevo... E tu não entendes. Nem deverias. Nem poderias. Nem ousarias. Escrevo mesmo assim... 04.08.2009 - 15h

Cuidado comigo.Eu queimo!

É feita de sonho essa minha vertigem de frutas do conde de restos de tijolos das construções erigidas a dedo nu. Eu mesma entalho os quadros que penduro nas paredes imaginadas das celas dos quartos dos brancos hospitais internos. Incomodo uma meia dúzia e outra dúzia e meia abençoo. Se sou artista e soo comunista ou um tantinho autista busco as rimas na gaveta vazia de dicionários extintos vocábulos ardentes nas chamas das velas que anunciam um novo amanhecer. Dolorido amanhecer radiante de raios de sol coloridos. Quem pediu pra nasceu? Quem conduziu os braços e os padrões estabelecidos anteriormente quando nem sinal de vida havia? Se sou comunista e soo autista é que sou artista da letra desconjunta. Junto verbo com verbo e sai um amontoado de minhocas famintas de entendimento. O sebo não gruda as canelas nem os prantos liberam alegorias deveras. Das Veras, dos viadutos, dos verões que evaporaram nos dias de frio sucessivos arranhões nos portões de um céu sem nuvens. Vadio. Ou do inferno. Que seja. Se sou autista e soo artista é que sou comunista sem um pingo de remorso pelas noites mal dormidas insones pesadelos desacompanhados ou mal acompanhados ou indispostos pesos nos cabelos que operaram maravilhas num mundo inexistente in-ven-ta-do. Ventania. Se sou comum se sou arisca se sou feminista enfrento a conquista e todos os xis e todos os 'ipisilons' impostos pela minha condição de ser nada num mundo vazio de milhares de pontos finais de sem números de pingos nos is de incontáveis exclamações viris. De meninos hostis. De ocos homens soltos. De zumbis. Se arrisco se petisco se permeio se costuro se entretenho se encorajo se arrebento atormento enterneço atordoo é que sou pólvora e assoalho. Não me tem nenhum povo. Não me agrada nenhum enigma. Não me prende nenhum perdão. Danço e disfarço as letras em cantigas quase insaciáveis de compreensão. Se sou delírio não me abuse. Não lamba os beiços da lua. Que o mistério é explosão. E nenhuma costura te alcança a alma depois de rasgado o desejo depois de tida a expulsão. 04.08.2009 - 14h30min

Já vai tarde

Um passo em falso e já era. Foi num tempo disperso deixou de ser sem rastro nem pegada alguma que denuncie sua estada. Foi. Já era. Perdeu o bonde o trem andando o táxi na curva do caminho bem no meio da lida num dia chuvoso e escuro. Foi Já era. Perdeu a passagem o passe, o vale, o ticket. Foi. Já era. Traduziu o reduto do meio da linha no fim da linha o fundo. Foi. Já era. Nem um assovio nem um aceno nem um deslize. Nada que indique presença presente ou passada distante ou futura nem um vestígio. Foi. Já era. Os escombros os aquedutos os restos mortais os entulhos. Nada. Foi. Já era. Um fio de cabelo o fio da navalha o fel na lábia. Foi. Já era. É tarde. 04.08.2009 - 14h10min

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Epitáfio Segundo

Aqui jaz a aurora de dias ardentes tão ardentes que consumiram a si mesmos na própria chama. Aqui jaz a fauna e a flora a lágrima solitária o riso falante o desejo latente de permanecer n'algum brilho anoitecido n'algum som difuso n'alguma gota de chuva. Aqui jaz a que nunca esteve o estudo do improviso a exaustão em forma de gente. Aqui jazem os livros os versos os sonhos dormidos os sonos despertos. Jaz meu limite meu fôlego meu intelecto. Jazem minhas duras penas minhas pás diversas meus pés velozes meus papéis rasgados meus punhos cerrados meus erros meus medos meus modos. Aqui jaz meu epitáfio. 03.08.09 - 16h

Desassossego

De todos os imprevistos o que mais me desassossega é o que vem do coração. Do meu coração essa bomba relógio que fica tiquetaqueando sem trégua e sem aviso prévio do instante exato em que vai ser tomado de susto por algum repentino clarão. Ah... É quando tudo se ajeita todos os problemas ficam pequenos todas as ilusões possíveis as distâncias transponíveis os jargões aceitáveis. É quando todo mal vira cura toda intenção é saudável todo invento é bem vindo. Quando essa bomba relógio tiquetaqueia mais alto desfaz as trevas e as tremedeiras soma raízes e trepadeiras alumia o dia a noite o tudo o toldo do mundo... E me desassossega... 03.08.2009 - 15h33min

Aridez

Ando a esmo nos ermos trilhos de trens absolutos. Sou pardal meretriz luz divina em flash. Sou solução que não se busca e interrogação que carrega em si outra pergunta. Sou flor orvalho e pimenta nas frontes de desconhecidos. Ando a esmo nos ermos trilhos da vida sem espátula ou barganha, sem despedida. Sou folha ao vento filha de Minuano neta de Sicrano e mãe desmedida. Sou parente de mim mesma e da própria comida sou irmã e confidente. Sou a exaustão e o mistério a compra sem limite a coleção de borboletas espetadas num céu de aquário em pleno inverno primaveril. Sou a opção vermelha da queda brusca imprevista. Sou trilogia; sou artista; nesse mundo de orvalho de ermos caminhos de escombros de exemplos corrigidos e de descabidos estorvos. Ando a esmo nos ermos caminhos inválidos. Onde vão dar os trilhos dos descarrilados trens que eu tomo na xícara de chá preto entre uma estação e outra entre a minha primeira e a minha segunda e a minha terceira escolha que em breve haverá de ser ex? Ando esmo ermo ... árido... 03.08.2009 - 15h34min

domingo, 2 de agosto de 2009

Flores, jardins e arco-íris

Não sei mais escrever sobre jardins, flores e lírios. Deixo os arco-íris para Alberto Caeiro e seus rebanhos. Eu falo de angústias e quedas de solidão, assombro e raça. Eu falo do que não se diz, do que se tem medo de medir, do que se evita verbalizar. Eu falo do desejo de descobrir não o que todos já saibam mas o que ninguém voltou pra contar. Eu falo do talo da flor que murcha da folha rabiscada ao lixo jogada sem piedade ou dó. Eu falo do olho que não pisca do cabelo que não se ajeita das mãos paradas no ar esperando constantemente um motivo ou não. Eu falo do que te desacerta do que anula a parceria do que paralisa o gelo. Não falo de jardins flores ou arco-íris. Falo do que te incomoda e a mim... 02.08.2009 - 14h10mim

Pendência

Se escrevo sobre a morte quero morrer? Não sei. Dorme comigo e comigo amanhece essa idéia fixa: morrer. Traduzir o mistério. Abrir o parêntese. Atravessar a cortina. Conhecer. Será penumbra, breu, solstício? Será vazio, jardim, colchão? Será uma escapadela ou eterna vigília? Buscar a resposta será coragem ou covardia? Depende do dia? Depende da forma? Depende do curso? Depende do que se pretendia? Depende de quem me encontre? Depende de quem entenda? Ou in-depende de tudo? 02.08.2009 - 13h02min

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Pretexto

São claras as sombras que me permitem vaguear pelos desertos infestados de olhos. Cruzo os dedos das franjas enfeitadas de cinema e lembrança. Ensurdecedor silêncio mal visto anoitecido disfarce de lua ainda não desenvolvido. Folhas secas compondo auroras ranhuras de lábios nas conquistas e trilhas abertas pela esperança. Construo solidões e desintegro gotas de chuva. Afio a navalha cega. Sou poeira... Suposta invenção... 31.07.2009 - 23h16min

VeRtIgEm

Por vezes a vida me deixa tão tonta
que eu quero morrer.
Morrer deve ser mesmo um descanso
muito parecido com alívio
talvez um entreter,
não sei.
Divago devagar sobre as questões que me afogam.
Devagar me aventuro no interminável hoje
que transforma amanhã em agora
e ontem em nada além de uma lembrança cortada.
Devagar apresso o passo adiante
e não adivinho a têmpera
muito menos a temperatura
abaixo de zero
na grama tapada de geada dura.
A mesma geada que me endurece a manhã inteira.
Porque meu hoje é uma manhã
talvez uma noite
muito provavelmente uma madrugada fria.
Estanque talvez.
Talvez em movimento lento.
Não sei.
A repetição traz desinteresse
e o stress, repugnância.
Estanque, talvez, esse sangue
que me corre, ou não.
Talvez um lamento.
Alimento a sensação de vazio no oco do peito.
Ouço ecos na esquina da vida.
São meus mortos, chamando por mim.
São minhas chamas, morrendo por mim.
São os mins e os eu mesmas colhendo estrelas
que esqueceram de parir.
Desempato o jogo com um tiro no escuro
e acerto no ouro do vício.
Desmancho as cortinas e os cortes exaustos.
Entro na estrada e me perco
bem no meio do mapa das horas.
Não sei onde perdi meu tempo.
Não sei onde encontrei a noção
de perda de tempo .
Não sei como calar esse deus pagão
que desconheço.
Não erro nem acerto nem endireito.
Finco estacas bem no meio dos meus planos
e eles explodem
pra nunca mais.
Não sei onde perdi o encontro.
Não sei se perdi.
Não sei se encontro.
Não sei.
Não vi.
O fato é que a vida me deixa tonta
e eu quero partir.
31.07.2009 - 01h

Citação

Citações são perigosas. Palavras, em geral, o são, ditas por nós ou por terceiros, quartos, quintos, décimos, não sei. Palavras são serpentes. Pentes que despenteiam os nervos, sempre à flor da pele. Palavras são peles que cobrem auroras. Palavras são ranços e canções. Espuma e espelho. Palavras são dores ou cores, depende de onde são pintadas ou tatuadas, marcadas a ferro e fogo - no couro? - De quem? Aos 25 minutos do dia 31.07.2009 (Considerando as citações perigosas, cito a mim mesma, assim, brevemente... ?)

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Confessionário

Confesso que sempre que brigamos
eu disfarço o tamanho do sofrimento
que me acomete
porque penso que será a última vez.
Confesso que fica um rombo desse tamanho
quando tu não vens.
Confesso que tua primeira sílaba é minha
e que eu, de um jeito ou de outro,
estou sempre conTI*go.
Confesso que acho teu nariz lindo
e que adoro a tua risada
sempre tão limpa
sempre tão leve
sempre tão pra mim.
Confesso que essa tua juventude me assusta
e que não adianta contares o tempo
desse teu jeito maluco:
as duas décadas sempre serão duas.
Confesso que nem lembro disso tudo
quando estamos juntos
e que tua constância me conforta.
Há quanto tempo?
Quem se importa
se já se vão os dias
e tu permaneces
a despeito de tudo?
Confesso que viveres no meu mundo real
é mais que uma alegria
e mais que um prazer.
Confesso tudo o que tu sempre vais saber:
Eu TI* adoro.
29.07.2009 - 18h10min
*TI

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Ponto de Vista

"Amor é a gente querendo achar o que é da gente"
Ele aguenta o meu mau humor
sabe que eu adoro café
que assisto algumas novelas
que gosto de livros que ninguém lê
que estudo muito
e aprendo muito pouco
que não sei guardar dinheiro
que falo muito o tempo todo
e que não sei quando calar
que meu palavrão
mais cabeludo
é 'estúpido'
que gosto de chocolate quente no verão
e não tomo sorvete nunca
que odeio futebol de campo
futebol de salão
futebol de botão
e se for do Inter, então...
Ele sabe que eu adoro estar com ele
que quando ele some eu morro
de saudade
de solidão
de vontade
que sempre que tomo café
lembro que ele não toma
que penso no que ele pensaria
se estivesse lendo o que eu não leria
e o quanto de tudo isso eu aproveitaria
ele gosta de rimas
eu as evito
mas de vez em quando
caio no colo de uma delas
e acho confortável
e bonito
só por causa dele
eu copio as frases dele
e fico repetindo pra mim mesma
pra ver se entendo
onde ele quis chegar.
Ele sabe que admiração é pouco
pra descrever o que me vai
no peito, quando penso nele
(esse QUANDO é completamente
inadequado
já que penso nele o tempo todo)
ele mede o tempo sem relógio
e o relógio é meu senhor
ele é mais velho que eu
eu sou mais velha que deus
e esses anos todos me pesam
atrasam
crucificam
a oportunidade
que ele perdeu.
Ou não...
27.07.2009 - 16h24min
"...eu acordo de mal humor não tomo café não vejo novela gosto de livros estranhos não gosto de estudar,
mas gosto de competir não sei ganhar dinheiro as vezes falo muito as vezes não falo nada sou do tipo chato,
raramente me permito falar palavrão...rs gosto de sorvete no inverno e não perco um jogo do inter..." (TI, em 27.08.2009 – 16h)

Pensamento

À mesa de trabalho solto meus punhos escrevo sem sentido e sem sentir carrego meu mundo saco de vento e letra hermeticamente fechados. Os fios de encaracolado negrume despencam pelos ombros querendo voar. Querendo vaiar o tempo cumprimento a orla e o estribo; estreito as vias das veias e as velas são formigas companheiras que eu não deixei de arranhar. Desintegro a mão apertada na cintura e o espanto de pontas e prantos é produto dos ponteiros frios que aplainam as prateleiras dos panos de prato que destruí de tanto esfregar. Reedito minhas opiniões quantas vezes forem precisas. Navegar é preciso, diria Pessoa; impreciso é navegar, diria eu tanto quanto o é, viver. Variar estações e o tapete estender de flores às provocações; coisa de hospício e de delirantes vestimentas que assumo nos meus dias como se minha cara tivessem; como se minha cara teriam. Desmaio na tentativa. Corrijo o que carrego. Corro morro acima. Corroo minhas tramas. Coroo meu próprio medo. Sem ele não dou passo nem possuo. Sem ele não obstruo. Sem ele não obturo a pena nem ocupo o lugar que me é devido. Bem ou mal ele existe. O meu lugar. O lugar vazio. 21.07.2009 - 13h51min

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Ferimento

As mãos feridas produto do trabalho duro ou do desejo de esquecer? As mãos feridas a fibra em carne viva. A febre em viva ardência na testa nos olhos nos músculos. As mãos feridas... Curativo Correção Concentração Corpo de dentro na tora de árvore cortada rente. Na madeira, o sangue escorrido. Morro eu, hoje. E a oportunidade... Perdida... 23.07.2009 - 20h25min

Entitular

Não foram as mãos na pele do outro o sopro de intenção a embrulhar o espelho o orgulho a sensação de conformidade e de limitações. São exceções diárias de rotas estendidas que não foram escolhidas escritas sequer pensadas muito menos corrigidas. São sufocos escondidos nas grutas de absurdos pareceres inválidos antecedidos por arcaicas observações precárias de terceiros surtos vários. São partes quebradas de sonhos iguais e quedas inesperadas das cortinas das janelas que não flutuam nem dispersam as sombras das laterais e dos parques assustados nas fantasias diárias vestidas de insandecidas manhãs. A luz rasga a veneziana aberta e prende os olhos da curva nas laterais da vida que pe(r)de um instante de atenção na rota jamais escolhida e nunca trilhada pelos paralisados pés descobertos de medidas vazias nas curtas temporadas de caça aos fantasmas que fogem por entre as frestas dos limites entre o absurdo e o repentino clarão. Sufoco na força escusa e nos argumentos engolidos inválidas gotas perdidas de saliva seca. Partículas de tardes esvaídas nos silêncios de terceiros, quartos, quintos serões. Varandas varridas de vento minuano. Cantarolante ar arredondado habitado por melodias antigas e velhos casarões de fibra. A finda história que não vi... 21.07.2009 - 13h38min

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Trilha

Destelho o que me cobre

desenterro meus cumprimentos

sentencio meus desejos

e minhas pragas aos quatro ventos

na rosa dos tempos perdidos.

Sou conquista e contratempo

sou diversas lidas e outros unguentos

sou terço rezado na sexta-feira santa

e rito pagão cumprido à luz da lua.

Desespero a escolha

e começo de novo, do nada.

Visto a mortalha e deito na estrada

esperando o trem eterno.

Não sei mentir que sei o que emudeço.

Se amanhã eu estiver estremecida

é que meus brios se esgotaram

nos nervos que meus dedos permitiram

que se entrelaçassem sem custo.

Se hoje esqueço a hora
e perco de vista meus assombros
é que o cachecol enrolou os minutos
e eu peguei no sono que destila vãs vinganças.
Se ontem à toa sofri
é que as visões esvairam-se
entre os dedos da madrugada
e os começos derreteram as estacas
cravadas no coração da terra de ninguém.
Se aqui estou
é porque há vácuos e mútuos escombros
entre o que está por vir
e o que já houve
n'algum tempo obscuro
n'alguma falha de muro
n'algum reduto perdido
entre o que inventei
e o que poderia ter sido
se eu houvesse permitido.
Ou tu...
20.07.2009 - 10h

Questões

Se motivos eu não tivesse motivos eu não daria pra receber o farto livro de mentiras e de soluções mal quistas nos entrelaçados cordões umbilicais que me enforcam pra não dizer que me atrelam a um passado que eu não foquei mas que carrego às costas: corcunda desconfortável sem previsão de deixar de existir. Sou sopro esvaído da boca d'algum vento errante que sumiu bem no meio do deserto; daí essa imensidão de vazio e esse calor debaixo dos pés que me arranca as peles e as feridas descascadas de cansaço. Não passo de uma breve passagem que nem pegadas deixa atrás de si; nenhum vestígio de luta nem de desejo nem de conforto. Conforme passam os dias deterioro os pensamentos que não tive não compro gato nem lebre nem lembrança alguma dos fantasmas que pertencem aos mercados guardados nas minhas entranhas. Eles me acompanham embora não os veja mais. Eles me devoram me denunciam desdizem meus feitos sem dó nem piedade e consideram piegas essa minha doença que me arranha a garganta seca de palavras não ditas. Apaixonadamente percorro minhas estradas destituída de qualquer ambição devorada por minhas contradições todas. Comparo as curvas e fecho as cortinas. Não gosto da viagem gosto do porto desnudo gosto da porta aberta nem sempre às vezes a porta fechada é um alerta ou uma pretensão nunca uma proteção. Cerro as venezianas e encontro teias de aranha nas dobradiças enferrujadas. Sem canções tristes, tudo fica meio cinza, as árvores não balançam nem os pássaros conversam entre si. Sem canções tristes não escrevo nem faço meus rabiscos que ouso de desenhos chamar. São meus são pra mim são frutos do grafite que eu gosto sem gasto ou defeito de luzes. São minhas curvas e meus açoites. São meus gritos. Restos das sobras do que haverá de ficar de mim... Não são pegadas são nós frouxos pra serem soltos por quem me vir. Por ti... 18.07.2009 - 15h

sábado, 18 de julho de 2009

Finada

Brincar com borboletas coloridas correr e amarrar a alma desatar os nós das cordas e acordar intacta da noite não-dormida. Chuvas de letras explodem na tela riscos violetas contornam imagens transcendem trançam traçam reveses revistam soldados revisitam paredes sólidas das provocações austeras de um deus mudo e sem razão. Risos distantes ecoam nos pastos e passo a acreditar na força que desconheço e que vive atrás dos tules que não alcanço. Arranco os baldes de luas e estrelas derramo nos pratos que preparo no almoço porque o jantar não existe. O jantar são minhas entranhas marcadas de lembranças do que não tive mas desejei deveras. Brincar com borboletas coloridas pintar as vestes de azul cantar canções bonitas sonhar sem sonhos a noite crua anoitecer sem sal na mente nua. Brincar com borboletas coloridas. Morrer. 18.07.2009 - 21h03min

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Silenciosamente

Salvo as palavras que eu não disse por absoluta impossibilidade de cuspir cada vírgula do completo absurdo. Deito curativos sobre as feridas abertas e procuro o cisco do olho caído n'alguma fresta da mesa ou n'algum resto de orvalho pendurado no orgulho da aurora que pinga desses meus olhos castanhos. A rima perdida no abuso da saliva engolida sem língua sem vocábulo certo. A trova trocada a custo e o trem que não apita menos por não encontrar a estação que por estar rouco de loucura sem gana de luta nem motivo de razão. Silenciosamente recolho-me à rua da amargura que fecha a garganta e mata o ar que não passa. Mergulho nas sombras e peço arrego. Por vencida, dou-me. Dôo meu medo. Dôo quem deixei de ser. Silenciosamente... 17.07.2009 - 17h

Tempo XXI

Estão extintas as horas exatas. Só vejo os quebrados nos ponteiros tortos dos relógios parados que carrego ao pescoço tiquetaqueando as sombras que acompanham a passagem vai saber de quem. Penduricalhos inúteis, os minutos são os limites do meu susto. Cada quarto de hora é um quarto de honra vazio é um quarto de queijo prato é um quarto de lua crescente minguante cheia. Cada segundo é o primeiro espaço na tela de contas entrelaçadas que eu não sei resolver. Quebro o vidro do tempo que passa sem me avisar nem me mostrar o porque. Adianto o relógio atraso a vida tranco a medida exata que eu não sei precisar nem vou aprender. E me dou por satisfeita. Mais um dia. Ascender? 17.07.2009 - 16h

Pacto

Compactuo com as luzes que extraio das pontas dos dedos por detrás da janela fechada que não abri hoje nem sei se vou abrir. Enrolo o cachecol da loucura na ponta doce de uma mentira que me convenceu a permanecer onde eu de fato nunca saí. Corto os pulsos do umbigo e não me desculpo por me saber importante e terminantemente insubstituível. (Todos o somos?) Sei das minhas forças mortas e as portas das celas trancadas amortecidas na cadeira que me acomete de falhas e de cruéis dúvidas escuras. Assumo meus sonhos como quem se diverte co'a desgraça alheia e acometo-me de fantasmas que colaboram com minhas escolhas como quem domina as metas e desenha os finais. Não sei honrar os buracos que arrombam minha estrada perfeita. Não sei alencar poeiras que assombram minha pedra estreita. Não sei assaltar saliências que entortam minha vida aceita. Mas sei o quanto posso, sei o que possuo, tudo o que disfarço. Sei o que encontro e o que perco entre as penas dos discutidos dias passados. Sei desse meu desencanto que aumenta a unidade vazia do meu telhado de vidro trincado que eu insisto em não trocar. Meu pacto é comigo mesma. Egoísta eu minha escolha vida minha. Se não fora assim, assim seria. 17.07.2009 - 15h33min

Limite

Vivo na ponta da faca. Equilibro as pedras do caminho pra chutar meus entulhos e minhas vertentes todas como se fora música aos ouvidos de uma chuva quieta de granizo liso azul. Maria não sou, não sou bendita, nem santa, às vezes prostituta. Converso com o fio da espada e engulo o fel que extraio de minhas próprias arestas abertas. Não sou Maria, bendita não sou, santa sequer, prostipura, às vezes. E se rasgo a roupa da lua no intento de cumprir meu fado, estouro os miolos da fibra que abracei sem medo, na luta desigual diária que travo comigo mesma e que perco, sempre. Maria bendita santa prostituta pura, às vezes outras vezes, nem tanto. Sempre azul. 17.07.2009 - 14h37min

domingo, 5 de julho de 2009

Perigo

Sobre o fio da espada descansa minh'alma nua compreendo as impertinências e as desistências vazias nos limos dos limbos das luas que assombram meus sonhos nas compras das imediações dos meus segredos todos. Ah, os meus segredos degredos de soluços que escondo das gentes pra não perder a mania de sorrir sem motivo de viver sem razão. 05.07.2009 - 03h

sábado, 4 de julho de 2009

Confissões

Confesso que as confissões me assustam.
Tremo toda.
De frio.
Aqui faz muito frio,
nesse torrão onde nasci.
Confesso que as ilusões me assustam.
E ando atrás delas feito borboleta, da luz.
Confesso que as impressões me pressionam.
Temo todas.
O tino me foge.
E aqui faz frio.
Sempre frio,
nesse torrão onde nasci.
Confesso que as confusões me assuntam.
Espreitam meus pontos e meus peitos.
Estreitam minhas idéias,
já tão limitadas de aniz.
Confesso que as canções me amansam.
Mergulho nas letras profundas
e a imersão é minha luz.
Confesso que as paranóias me cansam.
Inclusive a de me saber paranóica
e me verter sangues quentes
das veias azuis.
Confesso que os limites me custam.
E a folha, a técnica, a letra, o assovio,
são breves espaços da vida que me seduz.
Confesso....
Confesso....
(Sofri...)
Aos 54min do dia 04.07.2009
Enquanto minha filha penteia-me os cabelos
(doce traço de normalidade...)

Alucinação

Se contra a maré
remam meus faros
meus ombros se curvam
no delírio da manhã
que azulou o horizonte escuro.
Rachos nas sombras das telhas
dos caminhos sem curvas
dos corvos sem pontos
distantes eventos avaros.
Folguedos juvenis.
São castas as unhas que te ferem
e frutas os fios das lãs estreitas
que pintam os sossegos
de cores que não são.
Galgo as tralhas carcomidas
das futuras gargantas
criadas por cinco oitavas
acima de onde nasci.
Córrego...
Aos 15 minutos do dia 04.07.2009
Eu deveria dormir...

Recado aos leitores

Meus queridos, perdoem a falta de postagens. Prometo não deixar faltar poesia para nenhum dia, daqui pra frente. Explico: estou produzindo mais do que nunca, escrevendo, na verdade, como louca (que sou...rs); mas não posso publicar tudo. Há que se ter muitos textos inéditos, pra serem publicados um dia... um dia... quem sabe... talvez.... Até lá, vou guardando manuscritos (muito mais charmosos que frios arquivos)... Um dia... quem sabe... talvez....
Mil beijos, meus queridos....
Amanhã tem mais
E depois
E depois
E depois
Até que não haja mais depois
ou que eles sejam deslocados
pr'algum lugar que desconheço
mas qu'inda irei ver....
Aos 23minutos do dia 04.07.2009
Aurora!

Breu

Apagaram a luz do breu e fez-se a escuridão no longo dia que a antecedeu. Ceder. Voltar o véu da lua brilhante aurora boreal apagada e rabiscante estrela no deserto do prado afastado que a vida esqueceu. E agora o céu se fecha e a escolha é tua. Confunde os passos na estrada aberta sem trilhas sem esconderijos nus ou esforços vãos. As pedras das calçadas escorregam os limos plantados nos cílios das chuvas que piscam que piscam que piscam e pescam soluções. Cavalgo sem linha a frente do número rabiscado no canto da folha de jornal velho que peguei pra embrulhar o guarda chuvas molhado de granizo e pressa na volta da tarde que ficou pra trás. Lá fora, bem longe, n'algum ponto irreconhecível, quer brilhar uma luz.... Acende. Ascende. Transcende... No primeiro minuto do dia 04.07.2009 Nasce uma esperança

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Queda

Caio eu cais tu caimos nós na mesma curva do rio e eu rio da linha torta que amortece a queda. Caio eu cais tu não seria mais acertado dizer que o mundo é cá no chão ao invés de alto ser? Caiamos nós na vertiginosa viagem de ir-se sumindo aos poucos como quem se esvai em fumaça e perfume barato. Caio eu e meus ferrolhos minhas tralhas meus tesouros. Cais tu e tuas bolhas tuas folhas amassadas tuas preces amanhecidas. Caimos nós no mesmo abismo imposto ninguém sabe d'onde ninguém sabe por que. Uma pá de cal sobre o buraco aberto da ferida. Sem pena ou esquina ou motivo algum que faça valer a vontade de sair daqui e resistir à dormência dos membros à partilha do remédio amargo ao aceno cru de adeus. Caio eu. Cais tu. E o cais do porto é um quintal de videiras e pontas de lanças que balançam sob a chuva. Uma chuva de gotículas salgadas que eu, de mim, doei pra secura do passo que eu dei. Caio eu. Mas tu... 26.06.2009 - 04h (reescrita) Ando com uma vontade louca de não levantar mais depois dessa última queda...

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Último suspiro

E eu me concedi o direito de calar calei a voz calei a dor calei o absurdo de abster-me de dizer. Fechei os olhos, a boca, os ouvidos, curei os rastros apaguei as cicatrizes todas. Verti os sonhos nas taças do medo que emergiu do precipício onde resolvi me libertar. Calei a secretária eletrônica e as luzes dos faróis as fumaças dos cigarros e os sentidos e os surtos e os lençóis. Calei o silêncio. Pr'onde sopro, agora, os véus? Ausente de tempestades os vendavais são delírios acesos no meio dos quintais das famílias abastadas que se afastam e me arrastam no redemoinho das convenções. Pr'onde sopro, agora, os véus? 17.06.2009 - 0h45min Um tênue e extenuado último suspiro

terça-feira, 16 de junho de 2009

Ordem dos Elementais

Ordeno a história dispersa
presenteio o futuro com o que construo
a partir de recortes do passado remoto.
Removo as teias de aranha dos quadros
guardados desde o tempo da escravidão dos olhos
quando nada era permitido
quando nada era lido
quando nada era declarado.
Mas os Elementos adormecidos despertam
a dificuldade fecunda a terra
as peças do quebra cabeças se juntam
e os fortes prevalecem
com outros nomes
com outras peles
com outros motes.
A noite, grávida de assuntos,
ávida de prazeres,
delira ao alvorecer:
eles estão lá,
os criadores,
prontos pra nascer.
Na Idade das Trevas,
um ponto de luz ELEMENTAL.
16.06.2009 - 20h05min

RESPOSTA

Não sei quem és, nem a que vieste, mas parece que pensas saber da minha vida. Pensas, pq de fato não o sabes. Tanto é que consideraste estar eu desabafando por um motivo criado pela tua imaginação. Fértil imaginação, que se atreve a entrar na minha vida e dizer coisas que não me interessam em absoluto. Se desabafo, quem te disse que é pelo motivo descrito por ti? Sugiro que, ao ler um poema, procures nele algo que fale alto dentro de ti; não tente perscrutar o poeta ou adivinhar-lhe as razões e os nomes de seus objetos de inspiração. Não conseguirias, deveras. Ainda que possas apostar que sim.
Os jargões usados por ti denunciam teu lugar. E teu lugar, certamente, é bem longe de meus motivos, e de minha vida. De todas as minhas vidas.
Dispenso teus comentários.
16.06.2009 - 18h30min
*Perdoem-me os leitores que tão simpaticamente comentam meus poemas, no blog ou por mail. Prefiro deixar claro para esse tipo de pessoa, o que penso a respeito desse tipo de atitude.
Tenho certeza de que vocês, que acompanham e apreciam minha arte, irão entender...
Este assunto, a partir do próximo minuto, pra mim, estará encerrado.
E vamos em frente...

Nitidez

As sombras de sol insípidas
nas solas dos sapatos
de lama pintados
insistentes crueldades limitantes
nas molduras dos quadros hostis.
Os quadris encaixam fluidos
e lembranças esvaem melodias.
Consigo hibernar das dores
e as pernas bambas afogam os olhos
que espreitam os restos de luz.
Transfiro canções do peito
e meus lábios emudecem na tua boca.
A passagem dos minutos
convence a chegada da hora.
Arrepiam-se as gramas
e os pássaros gorjeiam paralisias.
Imagens se fundem
construções sem força se erguem do nada
emergem das linhas verdes
da tua íris clara
asas de um futuro querido.
Meço a distância que já conheço
e desisto de partir.
Meu sangue é teu
oferenda voluntariamente pensada
bordada nas dobras de tuas vestes
nos couros que tua pele protegem
no teu passo, na tua palavra, nas tuas escoras.
Eu, tua.
16.06.2009 - 16h31min

Contigo

Se são nítidas
as impressões das lâmpadas apagadas
na estrada que desconheço
e se tateio o espaço
à procura do calor que não alcanço,
se bendigo o teu nome
e se sustento meus caprichos,
se lanço sementes de sonhos
e se abrigo tua insegurança,
se moro num projeto distante
e se assumo tuas lutas
como se minhas fossem,
se encontro a tarde calada
e se entendo teus tímidos sinais,
se espero pacientemente
pelo vão do tempo escasso,
se atraso os afazeres
e enfeito de cuidados
as horas dos sustos
lembrando que as quedas fortalecem
e que não há motivo para sofrimento,
se jogo e permaneço,
se não durmo, se estremeço,
se molho minhas entranhas de desejo,
se escolho acreditar nas tuas escolhas
se opto por andar contigo
e se abraço tuas causas
porque elas estão em ti
e tu carregas meu peito,
então não temo, nem desisto.
Estar contigo é o que me basta.
16.06.2009 - 14h10min

terça-feira, 9 de junho de 2009

Desabafo

Banana? Tomate? Remédio de farmácia Amitriptilina E sei mais lá o que.... Uma tonelada de bananas Dois mil quilos de tomate, suco de comprimidos compreensão e compressas de panos úmidos. Tapo o sol com a peneira e peneiro o ouro que escorre da manga do pólen do girassol que virou anjinho e me trouxe um sopro de descanso nesse raio de deprê... Uma tonelada de Rivotril com suco de tomate e batida de banana caturra misturada com cenoura e leite gelado nesse frio do sul o meu sul pólo sul agora nessa minha bipolaridade latente. Haja bananas haja tomates haja farmácias haja ombros e ouvidos e abraços e travesseiros de penas e provas de motivos pra sobreviver. O Sono me suga e a fome me devora nesse pólo de agora.... Quanto tempo, pra muda de pele da cobra? Não sei; ninguém sabe, mas as bananas existem e os tomates também. Vamos aos sucos espremer meu sangue no copo transparente da bula do corpo esguio que eu tento carregar todas as manhãs inventando novas manhas pra desviar dos bueiros enormes que se abriram no meio do caminho; pois é a pedra de Drummond virou bueiro nessa minha depressão... E haja bananas.... 09.06.2009 - 2h Ainda não é uma volta.... só um desabafo

sábado, 6 de junho de 2009

QUERIDOS LEITORES:

Ficarei algum tempo fora do ar, para resolver algumas coisinhas de dentro de mim. Organização interna...rs... Não sei quanto tempo precisarei pra essa faxina. Costumo ser demorada nas minhas 'arrumações'. Mas voltarei qualquer hora dessas, renovada, estejam certos. Tenho certeza de que vocês ficarão bem. POESIA SEMPRE!!!!!!! Mil beijos e até a volta...

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Definição

Poesia é uma lágrima que virou verso e pingou.... 05.06.2009 - 20h11min

Tempo

Na primeira metade do tempo menti que podia. Na segunda metade fingi que sabia. Na terceira metade fiquei, à revelia. Na quarta metade sorvi o peso do dia. Na quinta metade descobri que sofria. Na sexta, desisti... De quantas metades precisa um pretérito mais-que-perfeito? 05.06.2009 - 20h02min

Contração

Persigo o horizonte caçada ininterrupta coberta de abelhas mortas e estradas de areia movediça. Imito o som que não distingo afogo as mágoas na cachoeira do destino e nas lágrimas que guardei. Exercito meus dotes culinários e produzo maravilhas incomunicáveis. Apimento meu sangue na moldura do espelho e devoro os sinais que não entendo porque sou felina e ferina e faminta de imagens coletivas que não sou capaz de discernir. Engulo a fama de louca. Aprendiz de marinheiro, navego em terra firme. Passeio os olhos pelas promessas apenas suspeitas penduradas nas paredes da sala de trás do parto da rua. Misturo mel e sal sobre uma fatia de pão seco. Assalto o medo e machuco a queda instintiva. A multidão vazia abstrai meus brios sufoca meus estrondos encolhe meus nervos na tentativa absurda de calar-me o chão. Tremem meus pentes nas fronhas das misturas dos dias escusos. Escondo o escuro. Estrela dolorida de contração. 05.06.2009 - 19h16min

Criação

Pesco palavras
de terceiras línguas.
A embocadura do sax
não encaixa nas veias avessas
e nas filas sem senha
que assanham os botecos e os livretos
de impostores e viciados pastos
secos de armadilhas e ardis.
Quebram-se as passarelas enevoadas
de quentes hálitos cafeínicos
e chocolates brancos quebrados ao meio
derretidos nos bolsos vermelhos
de sonhos imperfeitos sabores impensados
nem um pouco sutis.
Esmiuço as colunas gráficas
do acervo de insistências
e despedidas acumuladas
pra desmontar motivos
e compreender propósitos
que escorreram dos minutos cegos
em que atentar contra meus próprios versos eu quis.
As mesmas palavras pescadas
de terceiras línguas
em veias devassas
sem senhas
ou sonhos
ou assanhados ardis.
As mesmas palavras
redentoras de poemas
e de problemas que brotam sem trégua
das línguas de terceiros
nos traços que eu fiz.
Assustadoras armadilhas senis.
05.06.2009 - 16h12min

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Mea Culpa

Produzo minha poesia como quem ergue muros ou edifica uma cidade de letras e vocábulos ocos rebelados contra um poder que invade minhas entranhas e os caminhos de meu sangue mergulhado de solidão. Planto curativos nas minhas feridas vertentes de sonhos e saltos nascentes de representações e obstáculos e raízes e cordões. Posto as folhas brancas nas gavetas das curvas vazias e respondo ao sol escondido que não quero nada. Um tiro no claro da noite de brumas... Corpo inerte da construção erigida atrás de outra porta escancarada. Emudeço a escolha e a raça dôo o acento e assento meu lápis no topo da lista que não escrevi. Minha poesia é um muro que divide uma cidade de letras escorridas de sangue de véus e de verdades nuas. Minha poesia é um soco no estômago de dentro de mim pra desviar a dor a oca dor ventríloqua uma louca dor poetada... 04.06.2009 - 22h08min

Farfala

Poesia é um verso que virou lágrima ... e voou ... 04.06.2009 - 18h57min

Chocolate

E o chocolate de bule não leu a bula que informava célere, como todas as bulas do mundo: "Não me tome não me dome não me domine não me trema nem me tema que sou demônio ou bálsamo amargo que te cobre de doce e te adocica a fome de quê? quem poderá saber? talvez de força talvez de dores talvez de formas ou de falta de cores quem poderá saber? os sintomas não mentem nem desmentem deveras o que não soa da flauta nem dá conta da falta que te corta e flutua. Não me dome não me tome não me forme não me informe não me insone nem me ame. Não. Não me ame" O bule não achocolata nem o chocolate bule embolo o bolor e choco a visão do leitor. Desavisado leitor de versos tortos... 04.06.2009 - 22h

Círculo (vicioso?)

O eco espera o grito o rito não assunta o prêmio não delira o pêndulo espreita o rumo o prumo incendeia a culpa a catapulta não define a linha a dupla não definha a sobra o sopro esfria o leite o luto esconde o enfeite a luta esfrega o azeite o verso não tem medalha a migalha não tem respeito o remendo emenda a hora a honra ocorre sem medo o cinto não reclama os dentes os pentes não alisam os pontos o peito deleita o amigo o ronco mente o sono o ranço pinga o sonho o som dança a valsa a vala abraça o corpo o copo afasta o beijo o susto afasta o desejo o medo afasta a meta o modo afasta a liga e eu? 04.06.2009 - 21h11min

terça-feira, 2 de junho de 2009

Lembrança

Rasgo a alma o peito a gana no arame farpado dos anos que me viciam de vida. Chuto o balde quebro os elos alicio as sombras da palidez nas faces do espelho que arrebento. Observo os estilhaços da imagem que se forma de quebra-cabeças depois das fronhas depois das presilhas abertas das poses pedidas das fotos oferecidas do corpo exposto das veias expostas do sangue exposto do sonho escorrido. Depois... Prendo as audácias e reconheço o erro - o meu erro tenho a posse dele! - eu e minha vasta experiência. Apesar das cicatrizes erro... Um caco do espelho na capa do álbum coleção das minhas dores... 02.06.2009 - 23h40min

Finito

Era uma vez uma sonhadora Era uma vez Era... 02.06.2009 - 11h24min Feliz Aniversário

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Dados

São três dados no seis. São seis lados nos dados dos dois. São duas décadas de vida e o dobro de seis meses de audácias. São três dados no seis. E uma aposta alta. Que vale. Que vale.... 25.05.2009 - 20h50min

Desafio

Desato o fio do mundo
desenrolo a lã da espada
e a estrada já não é tão lenta
nem os prados tão espertos
quanto antes pensara ser.
Desabotoo as presas dos dedos
e as contas são espelhos
ou pontas d'algo que deixei de possuir.
Desço as pontes e os pratos se quebram
nas escadas que não subi.
Os ferrolhos descendem de plantas carnívoras
que engolem insetos e envenenam os poros
das viagens apenas pensadas
e cobertas de cetins.
Os cabelos se perdem entre os dedos ágeis
e a penumbra rompe a luz
no parto diário da noite
e seu sonolento manto pesado de negror.
Desfolho a margarida e esqueço o tempo.
Afasto de mim os vinte sentidos
ou os vinte metros
ou talvez as vinte ousadias
que refletem tua imagem emoldurada
por trás da porta do teu quarto
e da tua rede de leves gentilezas.
Aproxima-se o pouco razoável argumento
de que bem antes do teu nascimento
eu já nascia.
Mesmo assim
desconheço os impedimentos
desato o fio do mundo
desenrolo a lã da espada
desabotoo as presas dos dedos
desço as pontes
desfolho a margarida
e TI encontro
em mim...
Desafio...
25.05.2009 - 20h45min

Cuidado, frágil...

Vidro quebro com um sopro vvvvvvvvvvvv e meus ítens se partem feito bolhas de sabão. Exaustiva fragilidade na imagem de força que tento fingir. As dores dos trincados arrancam gemidos das veias mudas. Vidro. 25.05.2009 - 20h16min

domingo, 24 de maio de 2009

Poema

TI
24.05.2009 - 02h01min
(Não é um poema? Ah, tens razão, caro leitor. TI não é um poema; é uma Ode
tão perfeita, que nem Virgílio foi capaz de escrever. E eu tenho
o prazer e o privilégio de ler todo dia... Obrigada. TI adoro!)

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Sei lá

Às vezes eu acho que... sei lá... outras vezes eu acho que... lá sei... talvez... e tu? 19.05.2009 - 19h

Graças

Pela distância entre minha casa e meu trabalho pelas minhas pernas fortes pelos raros momentos de insuportável alegria pelos abundantes momentos de suportável dor pelas dúvidas, pelos rumores, pelos tropeços pelas cãs, pelos cães, pelos sermões por minha filha, por meu amor, por mim pelo trânsito dificilmente congestionado pela respiração lenta e pela acelerada pelos chamados defeitos e pelas pretensas perfeições pelas noites mal dormidas, pelo salário pelo farto prato de comida, pelo horário pelos raros amigos que cabem nos dedos de uma única mão pelos muitos inimigos que cabem nos dedos de muitas mãos pelos dias de sol, pelos dias de chuva, de frio e medo pela solidão e pela necessidade de companhia pela companhia e pela necessidade de solidão pelas certezas pelas construções pelas raivas pelos perdões pela passagem dos dias pelas imagens pelas fotografias pelas flores pelos espinhos pelos rasgos pelos engasgos pelos remendos pelos assombros pelos concertos e consertos pelos encontros pelas despedidas pelos pontos, vírgulas e outros quês tantos. Graças pela vida... 22.05.2009 - 11h10min

Aprender... ou não...

Escrever são entorces entalhes entraves do que eu não sei deixar. São gotas oceânicas num chão de gritos são garras de feras que não admito sustentar. Escrever são disfarces desfeitas deslizes de portas imperfeitas que eu não consigo ocultar. Escrever são passos são lentos laços pedaços de telhas nas tramas da vida que eu não aprendi a traçar. Ainda.... 22.05.2009 - 11h

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Exagerada

O exagero é meu pai meu irmão, meu camarada. O exagero é minha canção meu amante, minha estrada. O exagero é meu companheiro meu azulejo, meu raio de sol. O exagero é minha água no deserto meu cubo de gelo, meu farol. O exagero são minhas mãos dadas aos pássaros insones que cantam canções sem soar. O exagero é meu arrepio na espinha meu passo decisivo, minha proteção. O exagero é meu grito e meu sussurro e meu alívio. O exagero é meu superlativo e meu diminutivo e meu equilíbrio e meu segredo e meu rebento e meu lamento e minha solidão. O exagero é meu avental e meu jantar e meu carnaval e meu príncipe sem princesa e minha princesa-irmã solteira. O exagero é meu sossego e meu tormento e meu pulso que pulsa que pulsa que pulsa que expulsa a calmaria e pulsa.... 21.05.2009 - 20h30min ...só pra eu ficar aqui, delirante, delirando liricamente sobre meu próprio exagero demente...

quarta-feira, 20 de maio de 2009

TIme? Não. "Religião".

Vencer?
Alguma dúvida?
Ainda que perdesses de goleada
haverias de ser vencedor.
Se não pelo balanço da rede,
que seja por teres
como teu cego devoto
o mais perfeito torcedor.
20.05.2009 - 21h39min
Antes do jogo do Inter... com endereço mais do certo...

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Suposição

E se toda poesia dançasse no meu nome eu não me chamaria assim os outros me chamariam de talvez quem sabe um outro nome mais doce ou de maior sonoridade não sei. A rima me canta bem-te-vi sem ter visto o véu estendido na cachoeira de luz que o aterro enterrou. Derramo toda a poesia em teu colo e gravo nela um nome que conheço e que não esqueço nem sob tortura nem sob promessa nem sob ira divina. Um nome diferente do meu mas que também mora em mim e que um dia, quem sabe talvez viva comigo e seja meu rei. 11.05.2009 - 21h16min

De tempos em tempos

Cadê o resto? I Bar deserto sono chegando poeira no ar poeira de falta de ausência sentida de inexistente publicação ou quem sabe pois não? Ei, vejo um vulto na calçada será o poeta quieto? será uma libélula irriquieta? será um será qualquer que eu não sei definir mas que também não importa se souber discernir entre um prato de sopa e uma sopa de orvalho ou de ervilhas ou de letrinhas nas linhas desse caderno amassado que hoje debaixo do braço trago. II Trago um gole da vida que empoeira os olhos e mareja os lábios entre o cumprimento e a despedida. O bar deserto desperta o desespero e a esperança é só uma palavra que dança entre os lençóis de seda ou de cetim ou de algodão mesmo já que não faz diferença quando o que se quer é só poetar ou cambalear entre os dedos d'algum cientista louco disfarçado de professor de educação física que tem coragem de encarar o mundo de frente de verso de um único poema assumido e que valeu uma vida - a minha vida - nas palmas das mãos escritas. Espelho. 11.05.2009 - 21h

Viver

Vislumbro no vão das frestas das vidas uma ou outra vida que me sorri e me acrescenta dias à vida que vivo aqui... ou ali... ou lá... sei lá... Viver é um mistério. Quem haverá de duvidar? 11.05.2009 - 20h15min

Piadinha

Sou muito inteligente quando durmo. Pena que acordo todas as manhãs... 11.05.2009 - 18h

Explicação

Se considero maravilhoso ter o privilégio de conhecer tão rara pessoa não preciso de traduções instantâneas nem de conceitos diversos ou de razões específicas. A raridade é tão preciosa que seria perigoso andar com ela feito jóia, atada ao pescoço. Quantos ladrões cercariam a presa próxima? Não. Melhor silenciar os motivos e deixar que os sonhos adormeçam ou que as ondas engulam os bandidos que espreitam a peça única que guardo cá. Melhor evitar longos discursos e ater-se a uma pequena sílaba veemente elo que une duas partes: TI... Aos 43 minutos do dia 11.05.2009

Onze vidas

Eu tenho onze vidas.
Não sei em qual estou
nem de onde tirei essa conta
mas garanto que onze vidas eu tenho
e vivo todas elas juntas
umas sobre as outras
enroladas aos cachos
dos meus cabelos vermelhos.
Eu tenho onze vidas
e só dez dedos pra contar nas mãos
por isso desisti da matemática
complicada demais pra quem vive tanto
e tão intensamente os últimos íntimos minutos
de onze vidas justas
desenrolando o ciclo do destino
de cada uma delas
como se não me bastasse
a única em que pareço passar.
Eu tenho onze vidas
mas isso é segredo de estado
e estado de permanente tensão
ou segredo de permanente opção
por não ter outra saída
a não ser viver as onze vidas
dentro dessa única
que eu mereço
padeço
pareço
viver.
Aos 23 minutos do dia 11.05.2009

Talvez nunca

O final do dia
é o começo do dia
de outro dia
talvez uma repetição do anterior
ou nunca
talvez uma novidade interior
ou nunca
talvez um começo exterior
ou nunca
talvez nunca haja nada
de surpreendente de fato
no começo do dia
ou no término do outro
ou nunca
talvez o nunca se traduza
no sempre
que se esconde no vão da calçada
ou n'alguma vertente
de medo e tesão
ou nunca
talvez não haja
talvez não aja
talvez não agarre nada
que não tenha uma jarra bem grande
na frente de um precipício
ou nunca
talvez um prepúcio
talvez um presbitério
talvez um prostíbulo
ou um impropério talvez
ou nunca
o equilíbrio escasso
o deboche involuntário
o intento necessário
ou nunca
talvez...
Nos primeiros 5 segundos do dia 11.05.2009 ou nunca... talvez...

domingo, 10 de maio de 2009

Trajetória

Eu busco a perfeição mas não quero encontrar com ela. Eu garimpo o verbo que distinga exatamente o que pretendo opinar mas não quero encontrar com ele. Eu esgrafinho a terra e cato o punhado de vida que anseio desde sempre que desde sempre espero que crio e produzo e decanto desde que me conheço por gente (e isso faz tanto tempo que já nem sei mais a quantas anda o metro que perdi no meio do caminho onde não tinha uma pedra mas tinha um certo Drummond que desvirtuou o conteúdo todo desse maldito poeminha). Mas eu busco e garimpo e esgrafinho e anseio e desejo ardentemente o que não quero que caia no meu colo. Porque, se cair um dia, o que restará a fazer? Não quero! Afasta de mim esse vocábulo precioso que eu tanto desejo e pelo qual tanto luto e trabalho e pesquiso e me perco. Afasta de mim esse cálice de dicionário ambulante que eu me acabo, então que então eu esmoreço que me arrependo em vão e concluo tristemente que nada mais há a fazer nem a construir. Está tudo consumado tudo desfeito todo o trajeto interrompido por ela a palavra bendita que eu tanto desejei que tanto eu quis que almejei tanto, meu Deus!
Desvio os olhos do fim da luta. Porque a guerra é que é. Isso sim. E é por ela que eu vivo. Se encontrar o vernáculo final. Ai de mim! Ai de mim... 10.05.2009 - 23h56min

Poeminha sem pé, mas com cabeça

E aí a gente passa gloss
fica com cara de boas-vindas
sorri para o espelho
e bendiz a vida.
Não é assim que nasce
todo o dia,
toda a hora,
toda a partida?
E o batom não escorre
dos lábios
nem do beijo...
Porque os cegos
e estreitos laços
amarram os pedaços
das cabeceiras das camas
vazadas
esvaziadas
valorizadas
pelos braços abertos
do homem amado
que dorme
e não sonha.
A camisa preta
a camiseta por baixo
por baixo o peito
o coração por baixo.
E eu...
Por cima...
10.05.2009 - 23h40min

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Agonia de mãe

Ela reclama, bate pé, resmunga;
'pensa que é gente', eu digo.
E ela é.
Gente pequena, mas só de tamanho,
que a cabeça anda a mil,
e os pés não acompanham,
a não ser pra bater, impacientes,
quando quer o que não pode ter.
E eu cá, na minha eterna agonia,
não sei se o que faço é certo
não sei ao certo o que faço
não sei se desfaço o acerto
não sei se acerto o desfecho
nem se começo ou se disfarço
o que penso não saber
sobre como melhor conduzir
os meus/seus passos.
E compenso as ausências com risos
e cócegas e histórias deliciosas
ou silenciosos longos abraços.
Mas me sei insuficiente
(impotente?)
e isso acaba comigo...
Aos 9 segundos do dia 8 de maio de 2009
Para minha filha, nessa semana das mães

quarta-feira, 6 de maio de 2009

E-TERNO

Tempo curto...
'Pra sempre' é tão breve
tão ligeiro passa o sempre
e tanto por fazer...
Tantos encontros
aguardam as mãos espalmadas
tantas horas marcadas
tantas esperas
tantas procuras.
'Pra sempre' é tão curto
tão breve areia na ampulheta
tão ligeira a hora
que passa.
E tanto por fazer...
Não vá embora...
Pra sempre
é um tempo tão breve
e há tanto por fazer
conTIgo...
06.05.2009 - 22h34min
Depois da música e de saber que vais ficar só pra sempre,
porque tens outras coisas pra fazer...

quarta-feira, 29 de abril de 2009

E se...

E se todos os restos se juntarem aos trapos dos pretensos absurdos que julguei necessários? E se todas as rezas forem realmente inúteis e os teus risos ficarem mudos de colírios e sonoras obviedades? E se todas as missas calarem os vasos vazios dos baús descascados escorridos escadas abaixo perto dos sonhos empoleirados que a gente não se atreveu a mentir? E se todos os pulsos entrelaçarem as mãos e as ervas brotarem dos musgos confessos improvisos frasais gravados nas linhas fantasmas das apagadas luzes míopes? E se todas as manhãs forem tuas e os bocejos e as lampejos e os desejos circundarem as estradas abertas diante dos pés descalços que apalpam as telhas dos sonhos qu'inda estão por vir? E se não houver mais nenhum motivo para as partículas e as películas forem castanhamente azuis e os pensamentos forem sutis e os cumprimentos forem reais? E se eu, de uma hora pra outra, materializar teus traços e TI alcançar... Haverá espaço pra interrogar? Aos 4 segundos do último dia de abril de 2009

terça-feira, 28 de abril de 2009

Ir

E a vida foi vindo assim arrastando as bagagens do dia tropeçando nas pedras do caminho arregaçando as mangas puídas das desgraçadas evitadas dos sofrimentos enfrentados das peças rasgadas de espumas que foram ficando pra trás. E a vida foi vindo assim entre risos e blefes e compreensões das distâncias e constatações de ignorâncias e sensações de permeio das trocas pretendidas que não houveram ainda. E a vida foi vindo assim meio manca, meio bendita, meio atormentada de dúvidas, meio sem tempo sem orvalhos sem participações de luto ou coisa que o valha ou coisa que o vele ou coisa que o venda. E a vida foi vindo assim dia após dia feito frio da manhã de outono em anúncio claro de rigorosa solidão. E a vida foi vindo assim entre os dedos emergindo e entre os dedos escorrendo sem pressa com pressa presa no tênue fio que ninguém vê. E a vida foi vindo assim té deixar de vir... 28.04.2009 - 18h30min

segunda-feira, 27 de abril de 2009

1001 postagens

Engraçado. Uma vez chamou-me a atenção o número de postagens no blog. Estava eu, então, no poema 600. Não pensei que chegaria tão rápido ao 1000, no que reside uma certa estranheza, inclusive para mim: produzo muito, quase compulsivamente ('quase' é só pra não afirmar a plena consciência da compulsividade), logo, era de se esperar que o número 1000 chegasse logo. Pois já passei dele também. E isso me dá uma sensação de alegria plena. Esse fato, por si só, poético!
Uma vez escrevi que o Roberto Carlos queria ter um milhão de amigos e que eu me contentava com os poucos conquistados ao longo de toda a minha vida, e que cabiam nos dedos das minhas mãos. Não quero um milhão de amigos. Quero um milhão de poemas escritos, suados, chorados, sangrados, vertidos das minhas veias abertas.
Eu quero um milhão de poemas escritos!
Salve-se quem puder!
27.04.2009 - 18h15min

Escrever

Publicar idéias visualizar palavras sortir mistérios sorrir remédios contar piadas prender as águas derramar lágrimas proferir sortilégios. Publicar idéias provocar desgostos praticar sabores desmentir horrores conferir princípios desmembrar sucessos concorrer centelhas saturar espaços. Publicar idéias escrever impropérios permitir estorvos estocar cadernos partilhar olhares precipitar censores contornar parelhos controlar esforços viver a conta-gotas. Publicar idéias mergulhar a pena discutir a sina acordar o limite infringir a culpa infligir delírios instruir corcundas circundar oceanos desbravar caminhos. Publicar idéias. Amar. 27.04.2009 - 18h

Volta II

Voltar. A gente sempre volta. Nietzsche e sua teoria do eterno retorno. Eu volto. Demoro, mas volto. Volto a pisar os mesmos calos. Volto a sorver o mesmo cálice. Volto a sentir os mesmos suores. Volto a bendizer os mesmos benditos versos que fiz outrora. E volto. Volto de onde nunca saí apenas ausentei meus dedos ou minhas esperanças ou até meus humores. Mas volto. Porque foi aqui no grão de um poema qualquer que me perdi... 27.04.2009 - 17h55min

domingo, 26 de abril de 2009

Volta

Aos navegantes que tão simpaticamente reclamaram minha ausência, aviso:
a poesia mora em mim,
ainda que adormeça de vez em quando.
Não sei que sonífero ela toma.
Não sei que susto a assusta,
ou que medo a amedronta.
Não sei o que a faz recuar,
nem o que faz brotar esses versos
que planto em mim.
Não sei.
E não sei se quero saber.
Mas sinto falta de escrever.
Sinto falta dessa agonia que me dá,
quando quero, quando preciso 'dizer'.
Sinto falta da sensação
de descontrole
sobre minhas próprias mãos
ou sobre meus pensamentos,
quando ela me acomete
e se derrama feito bálsamo
ou talvez um outro ente
(quem vai saber?).
Sinto falta
feito droga no meu sangue
dessa tal de poesia
que me domina
e é mais importante pra mim
que a vida
(forte isso? nada!
repara, a poesia não é ela
mesma a própria: vida?).
Por isso hoje estou feliz.
Ela acordou.
Está de volta.
E me sorri.
26.04.2009 - 20h28min

Não vi!

E eu não aceitei
o copo cheio de digitais
entre os destroços
das vias que não voltam mais.
E eu não aceitei
o brilho da carcaça
errata impressa de letra
desdita sinuosamente
feito clarão de lua
em noite de tempo quente.
E eu não aceitei
a prisão
a pressão
a impressão de estar nua
sob os olhares divinos
dos divididos instantes
dos paradoxos desconexos
dos distintos censores
de duvidosas morais
(porque eles são muitos
eles são quase irreais).
E o X da questão eu não vi.
E o princípio ativo do sopro
que me pegou de surpresa
e me atirou no abismo
eu
não
vi
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Mas os tijolos foram postos
nos muros das ruas
que percorri.
Mas os estilhaços cortaram
os riscos dos vidros
que eu recolhi.
Mas os supostos estorvos
e os solavancos
e os olhos estreitos
debaixo dos panos
brotaram
I
M
E
N
S
O
S
e ergueram castiçais de prata
por onde escorrem ceras coloridas
de velas apagadas
que eu jamais acendi...
26.04.2009 - 20h

Escrever? Mais? Pra quê!

Nas vias digitais deserto de bacalhau - bacalhais? - Ai, que saudade da Semana, dos quintais, dos Drummonds, Robsons, das Cecílias, Anas, Lenitas, Douglas, Carlinhos - de Jesus? também, também, também -. Ai, que saudade das cascatas de versos que afogavam as mágoas e os desacertos e incendiavam o desejo de mais escrever de mais escrever de mais escrever animais sedentos de sangue de mais escrever de mais escrever de mais escrever. Ai, que saudade do tempo em que eu, cá no meu cantinho, inda tinha nas pontas dos dedos um canto triste pra mais escrever mais escrever mais escrever. Inda dava um jeitinho de ter no meu nome bordado bem grande uma TODA POESIA pra mais escrever mais escrever mais escrever. E hoje? Onde as penas? Onde os trapos? Onde as rolhas? Onde as sementes de vida? Onde os brotos e as ilusões intrusas que desencadeavam borbotões de luzes? Onde mais escrever? Escrever? Mais? Onde? Porquê? 26.04.2009 - 19h55min *Para meus amigos queridos, do Sarau On-Line: Lenita, Robson, Carlos, Ana, Douglas. Adoro vocês!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!