segunda-feira, 24 de março de 2008
Da morte...
O brilho da estrela só é visto
após a sua morte. Antes disso
ela brilha sozinha, na escuridão
de um universo inteiro,
que pesa sobre ela.
24.03.2008 - 01h09min
Restauração
Prudência
Embaçado, o meu olhar
Meus olhos, anuviados,
o que traduz meus passos
em atrapalhadas trocas de pés.
Melhor ficar parada
e esperar que o céu se abra.
Dissipar a densa névoa
é obra da passagem do tempo.
Escolher o caminho a seguir
é responsabilidade minha.
Esperar é sensatez.
Calar, inteligência...
Shhhhhhhh.....
O próximo passo
ninguém deve saber...
Aos 42 minutos do dia 24.03.2008
Imagem
A luta é diária... extrapola a escultura.
Espada que trespassa o dia.
Dor.
23.03.2008- Domingo de Páscoa
quinta-feira, 20 de março de 2008
Desiderata*
Siga tranqüilamente entre a inquietude e a pressa,
lembrando-se de que há sempre paz no silêncio.
Tanto quanto possível sem humilhar-se,
mantenha-se em harmonia com todos que o cercam.
Fale a sua verdade, clara e mansamente.
Escute a verdade dos outros, pois eles também
têm a sua própria história.
Evite as pessoas agitadas e agressivas:
elas afligem o nosso espírito. Não se compare aos demais,
olhando as pessoas como superiores ou inferiores a você:
isso o tornaria superficial e amargo.
Viva intensamente os seus ideais
e o que você já conseguiu realizar.
Mantenha o interesse no seu trabalho,
por mais humilde que seja,
ele é um verdadeiro tesouro
na continua mudança dos tempos.
Seja prudente em tudo o que fizer,
porque o mundo está cheio de armadilhas.
Mas não fique cego para o bem que sempre existe.
Em toda parte, a vida está cheia de heroísmo.
Seja você mesmo.
Sobretudo, não simule afeição
e não transforme o amor numa brincadeira,
pois, no meio de tanta aridez, ele é perene como a relva.
Aceite, com carinho, o conselho dos mais velhos
e seja compreensivo com os impulsos inovadores da juventude.
Cultive a força do espírito
e você estará preparado para enfrentar
as surpresas da sorte adversa.
Não se desespere com perigos imaginários:
muitos temores têm sua origem no cansaço e na solidão.
Ao lado de uma sadia disciplina conserve,
para consigo mesmo, uma imensa bondade.
Você é filho do universo,
irmão das estrelas e árvores,
você merece estar aqui e,
mesmo se você não pode perceber,
a terra e o universo vão cumprindo o seu destino.
Procure, pois, estar em paz com Deus,
seja qual for o nome que você lhe der.
No meio do seu trabalho e nas aspirações,
na fatigante jornada pela vida, conserve,
no mais profundo do seu ser, a harmonia e a paz.
Acima de toda mesquinhez, falsidade e desengano,
o mundo ainda é bonito.Caminhe com cuidado,
faça tudo para ser feliz
e partilhe com os outros a sua felicidade.
20.03.2008 - 23h43min
*DESIDERATA - Do Latim Desideratu:
Aquilo que se deseja, aspiração.
Este texto foi encontrado na velha Igreja de Saint Paul,
Baltimore, datado de 1692. Foi citado no livro
"Mensagens do Sanctum Celestial", do Fr. Raymond Bernard.
O texto é de Max Ehrmannn
e foi registrado pela primeira vez em 1927.
Hoje em dia pertence a © Robert L. Bell.
Texto e informações no site:
http://ilove.terra.com.br/lili/palavrasesentimentos/desiderata.asp
Cosmopolita
Não é sempre que se abre
uma clareira no meio de densas árvores
de concreto e cimento armado.
Não é sempre que se trançam os cabelos
nos passos da embriaguez da alma
não provocada por álcool ou destilados
mas pela beleza da candura da menina
ou pela delicadeza do vôo da borboleta branca.
Não é sempre que se faz dia claro
que o orvalho congela na ponta
da folhagem protegida pela marquisa
que um raio de sol acaricia teus olhos
que um pingo de chuva se junta a uma lágrima tua.
Não é sempre que o burburinho da cidade
é apenas e tão somente som difuso
mas é sinal de vida e pulsação
para o bem e para o mal
para o sonho e para o real
para a coragem e a escravidão.
Não é sempre que um eclipse
se deixa ver por olhos humanos
corrompidos pela tristeza do mundo moderno.
Não é sempre que uma estrela nova
explode na escuridão do universo
em meio ao silêncio solitário do cosmos
ou ao barulho ensurdecedor desse mesmo
c o s m o s...
Cosmopolitas somos nós todos
filhos de uma cultura dinâmica
e imprevisível, que dá e tira com a mesma
rapidez e sem nenhuma cautela
que oferece e remete ao óbvio
e também à novidade tão grande
que fica difícil definir...
"Você é filho do universo
irmão das estrelas e árvores
você merece estar aqui..."*
20.03.2008 - 23h32min
*Trecho da Desiderata
http://ilove.terra.com.br/lili/palavrasesentimentos/desiderata.asp
quarta-feira, 19 de março de 2008
Do vil metal
pode até ser comprado;
uma vida, não...
Um dia ainda escrevo um tratado
sobre o trato que penso merecer
essa gente que só valoriza e vê
o brilho do metal que compra tudo
menos a alegria de viver....
Aos 10 minutos do dia 19.03.2008
(Imagem: http://www.cosmo.com.br/humor/images/2007/5/31/moedas1.jpg)
terça-feira, 18 de março de 2008
Eu SOU...
Sou alguém em permanente construção.
Sou quem grita e ensurdece o vizinho.
Sou quem cala e nunca consente.
Sou agressiva e cruel, doce e carinhosa.
Sou ingênua e geniosa.
Sou a força e o fel, o medo e a ansiedade.
Sou estátua e dança.
Sou alguém que anseia por liberdade.
Sou alguém que chora de saudade.
Sou alguém que ama e odeia
em medidas iguais.
Sou intensa e desnuda.
Não finjo, não minto,
não torço pela injustiça alheia.
Sou rouquidão, silêncio, loucura.
Mas antes, e principalmente,
sou solidão...
18.03.2008 - 23h43min
Só...
Decididamente
estamos sós...
rodeados de estranhos,
somos ilhas...
serpenteando entre nós,
nosso sangue...
sós...
eu...
tu...
nós...
isolados entre saldos
negativos de verbos
silenciados de outros...
sós...
o poder que sobe à cabeça
o saber que desce aos pés
o sonhar que morre no dia
a morte que ronda o prato
da ceia do domingo de Páscoa.
sós...
eu...
tu...
nós...
que não estamos juntos
embora pareçamos unidos...
nós...
miseráveis
embora tenhamos nascido juntos...
nós...
que crescemos sem lei
embora pareçamos retos...
sós...
nas mãos dos manipuladores profissionais
sós...
Um dia desatamos os nós a sós
como sempre estivemos...
sós...
18.03.2008 - 23h31min
segunda-feira, 17 de março de 2008
Castelos de areia
Construo castelos de areia.
Na beira da praia
as ondas que quebram
são língua de sereia
cântico de morte e encanto.
A filosofia não protege quem sabe.
A sabedoria não esconde quem foge.
A história não depende de quem morre.
Escolho as palavras exatas
que encolham o sentido do verbo
que ainda não encontrei.
Compreendo a sorte e planejo
a próxima estratégia para fugir dela.
Não trago ferimentos abertos
ou cicatrizes profundas
oriundas das dores e vertigens
de cegamente andar nas sombras
do que desconheço e do que busco
desintoxicada das convenções
impostas diariamente a todos os seres.
E aceito os açoites das terceiras intenções
que desconhecem os perigos que enfrento
ou que desdenham do que considero ilusão.
Sou contrária e ouço vozes alegres
que falam de coisas distantes que eu não vi.
Sou louca, originária de uma terra onde não nasci.
Sou impaciente, intolerante, intransigente.
E construo castelos na areia
e moro neles
e neles sou feliz....
Aos 49 minutos do dia17.03.2008
E agora, Drummond?

Se fico, sou presa fácil
a ver navios sem velas
sem velar o mar azul.
Se parto, morro na praia
esgueirando-me à toa
entre as palmeiras e os orvalhos
de madrugadas sem estrelas
de versos soltos sem poemas
de encantamentos derretidos
nas horas de absoluto pesar.
Se sonho, corro o risco
de acordar exausta e vazia
pra descobrir que o mundo é este
que rodeia minhas crinas
que rareia meus imprevistos
que diminui as possibilidades.
Se acordo, aceito o fato
do sol estar morrendo
do dia ser meu hoje
do riso real que sou aqui.
Se espero, desconfio.
Se desespero, confino.
Se construo, não sei.
Se sei, desenformo.
Torno novo o ontem feito.
Dito minhas próprias regras
meus fusos horários desordenados
minhas impressões escassas
na roda da vida no sono de agora.
A oportunidade estendida
tapete vermelho na escada
que sobe, não se sabe pra onde.
Mas sobe...
E eu não sei onde a opção.
E eu não sei onde a versão
do que é verdadeiro e forte.
E eu não sei onde a escolha.
E agora, Drummond?
Aos 31 minutos do dia 17.03.2008
domingo, 16 de março de 2008
Eternos poetas
... poetas nunca deveriam desistir,
ainda que as musas se alternem,
ainda que inexistam,
ainda que se revelem
imperfeitas ou
inadequadas ou
infelizes...
Os poetas, esses,
devem permanecer pra sempre,
ainda que doloridos
pelas descobertas ou
pelas encobertas dores...
Os poetas, esses, não podem deixar de escrever...
Nunca.
16.03.2008 - 01h26min
Tecelã de versos
Com uma palavra
teço a trama do verso
na folha branca da agenda
vazia de si mesma
transbordante de mim
e de além de mim.
Meu vôo nas asas poéticas
não tem descanso
ou agito ou remanso.
É viagem certa no verbo
é vantagem vasta no dito.
Mergulho no mar dicionário
dirijo sem rumo, me aprumo.
Agora não sou mais eu.
Agora é a palavra que mora em mim.
Teço a trama do verso
o resto é resto...
16.03.2008 - 01h04min
Meus versos esperam....
Meus versos são desesperadas tentativas de fuga
do silêncio que ronda meus ouvidos na madrugada madura
do roubo de vida que os dias me obrigam a ver
do rombo na lua que a chegada da estrela vazia
torna precisa e insegura a estrada que estou por dizer.
Meus versos são salvação e susto d'alma branca
ligeiros deslizes da sofreguidão com que corro
ao encontro desses braços que não estarão lá
que inexistem ou sugerem o sonho desfeito
insatisfeito desejo de razão entre os ventos e
incertezas nas curvas percorridas pelo coração.
Meus versos são marcas na pele arrepiada de frio
tatuagens de símbolos significados sussurros suores sons
são linhas dançantes de bailarinas invisíveis
que prevêem o próximo movimento e entristecem
são luzes vermelhas que indicam o perigo e o cuidado
são cruzes e velas e barcos e algozes e exércitos e charcos
por onde meus pés se molham e por onde minhas mãos
deslizam e desligam e desmontam e desmentem e desesperam...
Meus versos esperam...
Aos 52 minutos do dia 16.03.2008
quinta-feira, 13 de março de 2008
Por mim...
Sombras são princípios de formas
inexatas de algo que vai além.
Formas são princípios de sombras
exatas de algo que não vêem.
Moldo a forma da autoria da minha vida:
quem me deu o direito de ser eu mesma?
EU!
Escolho os feijões que quero plantar
na horta mágica das minhas alquimias
de letras e versos e monossílabos átonos
misturados às sensações dos invernos passados
ao pé de um fogão à lenha e
um disco de pinhões assados na brasa.
Saudade de um sossego quentinho
do ombro do homem que amo
do som da risada de algodão ao meu ouvido
espumante poema escrito com gosto e cor de vinho.
Calculo a falta que fazem as páginas de amanhã
nessa leitura que sempre me espera
com gosto de surpresa e admiração.
E agradeço...
13.03.2008 - 23h52min
Liberdade
Abro as asas
alço vôo
liberdade
eis-me aqui!!!!!!!!!!!!!!!
Ando livre pelos caminhos abertos por mim
sem pegadas alheias, diviso as direções que me pertencem
ou que traçam meus avanços pela estrada afora
que não se interrompe nem cessa de estender-se à frente.
Labaredas de fogo iluminam meus passos paroxítonos
escrevo versos como quem toma um copo d'água doce
e se acalma da barbaridade da rua de fora
do meu mundinho de poemas escolhidos a dedo-de-dama.
Domo a passagem do tempo e adormeço entre as plumas
das vertigens dos concursos dos folhetos das fuligens dos folguedos
que sopram num vento de insônia na minha espinha vertebral.
Ilusão é o delírio de uma realidade que trafega náufraga
no dilúvio de acertos e desacertos que castigam os dias
que vêm chegando nos atropelos das horas medidas e contadinhas
enfileiradas diante dos relógios de pulso de bolso de parede
medíocres marcações do fatídico efeito da passagem de um tempo
que não se sabe direito o que é a que veio quando quanto onde é se é que é
ou o que quer que se considere que seja... ou não...
O outono solta as folhas das árvores e espreguiça as palmeiras azuis
ah... palmeiras sempre serão azuis...
E 'sempre' é um espaço que cabe nos meus dias
D I A R I A M E N T E
minha estrada se esparrama por esse espaço
é nele que danço
é nele que sei ser
essa
que sou...
13.03.2008 - 23h39min
Palav...
As palavras dançam nas folhas, nos ouvidos, nos lábios,
bailarinas suaves de hipnotizantes movimentos leves
convincentes argumentos poéticos delirantemente belos
p a l a v r e a d o . . .
13.03.2008 - 01h07min
quarta-feira, 12 de março de 2008
Miscelânia
Voa ao vento minha saudade
sopra o pensamento e a espera
da canção ouvida à janela
no espaço aberto sem lei.
Sopra ao vento a eternidade
voa o instante e o lamento
o consolo de um anjo distante
que sorri, complacente e belo,
embala a coragem de não-saber
o que haverá de ser
o que haverá de vir.
Canta o vento na proximidade
o esforço de nitidez e de tormento
nas cortinas dançantes
de tule transparentemente branco.
O banco da praça aguarda
que o dia amanheça
que a noite anoiteça
que novos passantes nasçam
que a vida aconteça normalmente
como se o sol ou a chuva
não se importassem se o trem descarrila
ou se a porca torce o rabo
ou se o xarope é bom pra tosse.
O trinco da porta destranca o riso
e abençoa a floricultura da esquina
onde as bromélias são viçosas
e os vínculos têm afetivo odor de rosas.
O enfeite na porta convida à entrada
de quem se considera eleito
de deuses e anjos diferentes
que perambulam pelos campos solitários
e encontram, em seus preâmbulos,
nada além de uma xícara de chá de hibiscus
pra pintar de vida o nosso tão comum
dia de hoje...
12.03.2008 - 20h01min
terça-feira, 11 de março de 2008
... a melodia da saudade...
te sè
y eso es todo
porque lo demàs es
aquello de amar y desamar
es como reìr y doler
el asunto es que te sè
somos
y es màs allà de eso
canta meu peito ao som da tua voz distante
aproxima meu peito do som da tua voz presente
las repercusiones de su canto, el silencio
el silencio distendido por los kilòmetros
pero no hay distancia ninguna
al final y al principio la voz nace en el otro
el que por momentos es uno
ninguno
distancia e saudade
distância e saudade
aproxima meu peito do som da tua voz presente
las repercusiones de su canto, el silencio
el silencio distendido por los kilòmetros
pero no hay distancia ninguna
al final y al principio la voz nace en el otro
el que por momentos es uno
ninguno
distancia e saudade
distância e saudade
não há...
11.03.2008 - 01h01min
(Simone Aver e Roberto Amezquita)
11.03.2008 - 01h01min
(Simone Aver e Roberto Amezquita)
domingo, 9 de março de 2008
sábado, 8 de março de 2008
Quem eu penso ser...
Sou uma incógnita
e um livro aberto.
Sou letra que não pode ser
escrita
sou letra que não pode ser
lida
sou letra que não pode ser.
Sou ilusão.
Imagem na tela colorida
de um mundo em extinção.
Sou vulto, sombra, telepatia.
Sou viveiro de pássaros
na cabeça do poeta mexicano.
Sou assombração.
Sou constância e demência.
Ouço vozes, vejo coisas,
desato nós e ato imprevistos
passos travessos na estrada
que está por ser aberta.
Sou linha de trem descarrilado.
Sou o trem.
Sou a linha.
Sou o vagão perdido
fechado em ostra.
Sou o nada
que desabrocha em cada verso
onde haja encanto
encontro da magia com a música.
Poesia.
Paixão.
08.03.2008 - 20h43min
e um livro aberto.
Sou letra que não pode ser
escrita
sou letra que não pode ser
lida
sou letra que não pode ser.
Sou ilusão.
Imagem na tela colorida
de um mundo em extinção.
Sou vulto, sombra, telepatia.
Sou viveiro de pássaros
na cabeça do poeta mexicano.
Sou assombração.
Sou constância e demência.
Ouço vozes, vejo coisas,
desato nós e ato imprevistos
passos travessos na estrada
que está por ser aberta.
Sou linha de trem descarrilado.
Sou o trem.
Sou a linha.
Sou o vagão perdido
fechado em ostra.
Sou o nada
que desabrocha em cada verso
onde haja encanto
encontro da magia com a música.
Poesia.
Paixão.
08.03.2008 - 20h43min
quinta-feira, 6 de março de 2008
Hora marcada
Exupéry escreveu, eu assino embaixo:
"se vens às quatro da tarde,
desde as três começarei a ser feliz";
e acrescento, humildemente, no meu terno desejo
de fazer-te ver o quanto me és caro:
se vens às quatro da tarde,
desde o instante primeiro
em que eu soube disso
ou que adivinhei, ou sequer suspeitei
que viesses às quatro,
ou às três,
ou à meia noite,
ou quem sabe às seis,
fui mais do que feliz.
Andei saltitante à tua espera.
Corri pelos bosques e ri alto,
criança solta entre brinquedos raros.
E sonhei contigo.
E cantei com o sonho que tive contigo.
E dei-te minhas mãos e minha vida,
no sonho que tive contigo.
E sentamos juntos, debaixo da macieira,
pra contar histórias vividas,
engraçadas ou sofridas,
pra lembrar passados
e rir das lembranças tidas;
no sonho que tive contigo.
Até que venhas à hora marcada
e ao invés de sonhar
eu viva contigo...
Aos 11 minutos do dia 06.03.2008
quarta-feira, 5 de março de 2008
Condicionantes?
Sem chuva, que graça teria o sol?
Sem sol, qual o desejo de chuva?
Se não fosse a esperança, o que seria dos homens
que andam desgarrados, à procura de abrigo
não para o corpo, que este qualquer marquise oferece,
mas para a alma, para o peito coberto de feridas,
nenhuma cicatrizada, todas doloridas?
Se não fosse um sorriso, que cor teria o dia?
Se não fosse um abraço, qual a força da dor?
Se não fôssemos todos
o que seria da vida?
Se não fosse a vida,
o que seria do amor?
No primeiro milésimo de segundo do dia 06.03.2008
ou no último milésimo de segundo do dia 05.03.2008
A ORIGEM DA MORTE

Mitos sobre a origem da morte envolvem com freqüência uma discussão entre dois seres, como no seguinte relato do povo shoshoni das planícies ocidentais.
No tempo antigo, as duas figuras mais importantes eram o Lobo e o Coiote; este sempre tentava contrariar os desejos do Lobo. O Lobo disse que quando uma pessoa morria poderia ser trazida de volta à vida atirando-se uma flecha na terra abaixo dela. Mas o Coiote disse que era uma má idéia trazer pessoas de volta à vida, porque haveria gente demais. O Lobo concordou, mas decidiu em segredo que o filho do Coiote seria o primeiro a morrer, e só com esse pensamento provocou a morte do menino. Logo o triste Coiote contou ao Lobo que seu filho havia morrido. Ele lembrou as palavras do Lobo: que as pessoas poderiam reviver se uma flecha fosse atirada embaixo delas. Mas o Lobo alegou o que o próprio Coiote havia dito: os homens deviam morrer. E desde então foi assim.
In:MITOLOGIAS - Deuses, heróis e xamãs nas tradições e lendas de todo o mundo - Organizador: Roy Willis (Publifolha)
05.03.2008 - 23h28min
*Imagem: Obra de Salvador Dali, em http://z.about.com/d/cleveland/1/0/e/5/-/-/softcma.jpg
*"Mundo, mundo, vasto mundo..."
Há mundos e fundos
e fuscas velhos
abandonados em terrenos baldios.
Há mundos e mundos
abandonados em bairros baldios.
Há mundos e mundos
nos mundos dos fundos dos poços
em que abastados moços
riem alto e reclamam da boa sorte tida.
Há mundos e fundos
mergulhados na imundície humana
na lamentável falta de assistência
em todos os sentidos.
Há fundos mundos à parte
vivendo malditos e esquecidos.
E há medos nos mundos...
Em todos os mundos há medos fundos
de que outros mundos tomem
os mundos que pertencem a estes,
àqueles, ou a terceiros.
E há mundos perdidos dentro dos quartos,
entre as quatro paredes dos barracos
de uma única peça que não se sustenta há anos
mas que sobrevive...
e fuscas velhos
abandonados em terrenos baldios.
Há mundos e mundos
abandonados em bairros baldios.
Há mundos e mundos
nos mundos dos fundos dos poços
em que abastados moços
riem alto e reclamam da boa sorte tida.
Há mundos e fundos
mergulhados na imundície humana
na lamentável falta de assistência
em todos os sentidos.
Há fundos mundos à parte
vivendo malditos e esquecidos.
E há medos nos mundos...
Em todos os mundos há medos fundos
de que outros mundos tomem
os mundos que pertencem a estes,
àqueles, ou a terceiros.
E há mundos perdidos dentro dos quartos,
entre as quatro paredes dos barracos
de uma única peça que não se sustenta há anos
mas que sobrevive...
Os mundos convivem à força, e, no fundo,
forçam as entradas das entranhas das gentes.
Sim.
Os mundos são feitos de gentes....
Os mundos são feitos do fundo de nós...
05.03.2008 - 21h01min
*Esse título é um verso do Poema de sete faces,
05.03.2008 - 21h01min
*Esse título é um verso do Poema de sete faces,
do eterno Carlos Drummond de Andrade
**Imagem colhida esta tarde, enquanto esperava o ônibus
que me levaria ao meu destino...
terça-feira, 4 de março de 2008
'Sei que nada sei'
Rebuscando entre os poucos aprendizados
que tive ao longo de quase metade da minha vida
descobri que nada aprendi, que nada salvei.
Sou um tanto de conceitos que se renovam
a cada momento, como as células do meu corpo,
como as expressões do rosto de quem amo.
Não sei nada sobre nada, porque
tudo renasce a cada instante,
tudo se modifica toda hora,
tudo se reconstrói,
cresce, às vezes desaparece,
outras vezes simplesmente carece
de qualquer outra definição. Apenas é.
Rendo-me às lições que me rondam.
Nessa segunda metade da vida,
quero aprender....
04.03.2008 - 23h
Catarse
Escrever é um vício
que me traz alívio
de tudo o que me enche
e não tem por onde escorrer.
Transbordo o que me vai
por dentro de dentro de dentro
de...
Não guardo pudores neste ato
como não guardo pudores
naquele ato, é fato que
o fogo queima e levanta bolhas
e as bolas de fogo que cuspo
nas páginas brancas que lês
são meus desatinos
meus absurdos
meus impropérios
meus alfinetes
e colchetes
e remédios.
Sortilégios que se bastam
a si mesmos, exaustos de andarem
presos entre as grades das convenções
que me obrigam a andar numa linha imaginária
que eu não pintei!
Rente à vida segue a corrente maldita
da tradição.
Debato nos meus versos
a revolta que me cabe
e a que não me cabe
e a que não quero ver
e a que me cansa
e a que me lança
pra longe do universo direitinho
e estreito dos dois olhos que são um
e por isso mesmo vêem pouco
e limitam a visão do outro
por imposição
por disposição
de encaixotar o visto
e negar o existente
que está ali
nas fuças do vivente.
Esperneio pra que as cordas não me prendam deveras.
Soqueio as paredes e minhas mãos se ferem.
Choro.
Não sei para onde correr.
Busco explicações nos poetas que amo.
Alento.
Consolo.
Esperança.
Neles, esse mesmo desejo de muda.
Essa mesma gana de muda.
Esse mesmo grito de muda.
E mudo.
Emudeço.
Medito.
Sossego.
Ardo em febre.
Curo as feridas.
Suo.
Bendigo.
Mendigo um pouco de água
num deserto de belezas puras.
Purifico a mente.
Esqueço...
04.03.2008 - 22h52min
segunda-feira, 3 de março de 2008
Eis a questão:
Se uma fração de segundos pode mudar uma vida,
o que dizer de um dia inteiro?
03.03.2008 - 02h16min
domingo, 2 de março de 2008
Os 50 mais...
Atendendo a uma proposta do Fabrício, amigo, poeta e irmão (não de sangue, mas de coração), disponibilizo a lista dos 50 livros que mais gostei até hoje. Fabi pediu que eu colocasse na ordem de preferência. Infelizmente não vai ser possível fazer isso, com exceção dos dois primeiros. Os restantes não tenho como classificar, já que tenho todos como livros mais do que maravilhosos e para os quais volto sempre que possível, com a mesma gana da primeira vez; minto: com uma gana maior que da primeira vez, já que, depois da segunda, já sei o quanto aprendi naquelas páginas e quanto prazer sinto em revisitá-las. Logo, depois de tentar colocá-los em ordem de preferência muitas vezes, desisti de tamanho trabalho, não vi coerência na minha classificação; nem coerência nem constância, já que fiquei trocando de lugar muitas vezes...rs...
Aí vão os 50 mais, pra mim...
*Geórgicas - Virgílio
*Genoma - Roberto Amezquita
*Ensaio sobre a loucura - José Saramago
*Médico de homens e de almas - Taylor Caldwell
*Assim falava Zaratustra - Nietzsche
*O livro dos abraços - Fernando Galeano
*Einstein, explique, por favor - Jean Claude Carrière
*A escola que sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir - Rubem Alves
*O príncipe - Maquiavel
*Para além do bem e do mal - Nietzsche
*A sujeição das mulheres - Stuart Mill
*Ensaio sobre a liberdade - Stuart Mill
*A estátua e a bailarina - José A. Gaiarsa
*A cegueira e o saber - Affonso Romano de Sant'Anna
*Mensagem - Fernando Pessoa
*Ecce Homo - Nietzsche
*Amores sobre o Don - Heinz G. Konsalik
*Crônicas de uma educação vacilante - Claudio de Moura Castro
*A arte de escrever - Schopenhauer
*O alienista - Machado de Assis
*Estrela da vida inteira - Clarice Lispector
*O ser e o nada - Jean Paul Sartre
*A divina comédia - Dante
*A hora da estrela - Clarice Lispector
*A paixão segundo G.H. - Clarice Lispector
*Água viva - Clarice Lispector
*Mito e significado - Claude Levi-Strauss
*A psicanálise dos contos de fadas - Bruno Bettelheim
*Livro do desassossego - Fernando Pessoa
*O morro dos ventos uivantes - Emily Bronte
*Vigiar e punir - Michel Foucalt
*Casa grande e senzala - Gilberto Freyre
*1984 - George Orwell
*Quando Nietzsche chorou - Irvin D. Yalom
*O dia do curinga - Jostein Garder
*O mundo de Sofia - Jostein Garder
*Metamorfose - Kafka
*O caçador de pipas - Khaled Hosseini
*Insustentável leveza do ser - Milan Kundera
*A menina que roubava livros - Markus Zusak
*Confesso que vivi - Pablo Neruda
*A alegria de ensinar - Rubem Alves
*O nome da rosa - Umberto Eco
*Eneida - Virgílio
*O tempo e o vento - Érico Veríssimo
*Inteligência Emocional - Daniel Goleman
*O poeta ao piano - Michiko Kakutani
*Satiricon - Petrônio
*A hora de todos - Quevedo
*Todos os de Mário Quintana (o que me faz citar aqui mais de 50... desculpa, Fabi, ultrapassei os limites...rs)
02.03.2008 - 19h30min
Conseqüência
Forneces uma palavra
com ela te faço um verso
se me deres um verso
escrevo um poema
se me ofereces um poema
invento um conto
se,porém, um romance ofertares,
então terás nas mãos
a vida dessa poeta...
Traça na mão que escreve
a linha da vida...
02.03.2008 - 17h52min
Sangrando
Enlouquecida ando a passos largos
pelas avenidas de letras malditas
evitadas por transeuntes menos afeitos
às descobertas ousadas ou às perigosas
incursões pelo mundo hostil da escultura
em argila quente e da viagem sem volta
para o mundo construído além, que ninguém viu.
Volteio em danças sem acordes
e acordo os cães raivosos de baba venenosa.
Não busco nada além do verso
que jamais escrevi.
Não crio nada que não grite aos teus ouvidos.
Fúria e terror na linha do café expresso
sobre a mesa de um bar desconhecido
na companhia de um bêbado velho e sujo
de quem ninguém sabe o que será...
Medito sobre os passos que não dei
e sobre os fantasmas que carrego comigo.
Transporto os desejos que tenho nas costas
em largas aljavas feitas de saco amarrado
e tingidas com meu sangue fresco.
Sou sangue. Sangro o tempo todo.
Verto vida agri-doce por meus poros todos.
Energia que não cabe em mim.
Transbordo e te assusto deveras.
Não condeno as fugas ou os medos
ou os momentos em que evitas
o turbilhão de emoções que afugenta.
Eu sangro.
02.03.2008 - 17h42min
Desejo
Vestiu-se de negro e saiu na noite escura.
Assim camuflada descobriu que só o que queria era ser notada...
02.03.2008 - 17h13min
*Um miniconto
I-limitado
O limite da exaustão é uma marca.
Sono insuficiente.
Comida insuficiente.
Leitura insuficiente.
Amor demais....
02.03.2008 - 01h04min
Exposição
Esculpo versos numa folha virtual
que só toco através de um teclado.
Proponho imagens co'a imagem que faço de mim.
Exponho meu peito à crítica alheia
e enveredo por um caminho claro
de duas concepções: a minha e a de quem me lê.
Mas eu não conto.
Uma vez escrita, sou letra e impressão.
Uma vez escrita, transporto-me ao universo
único e plural das vozes múltiplas
dos conhecimentos diversos
das várias interpretações.
Meu corpo aberto e nu.
A alma sobre a mesa.
E olhos famintos a engolir
o interior do interior do interior
do que ainda virei a ser...
Aos 54 minutos do dia 02.03.2008
Criação
Compulsiva, crio poemas que gritam
de dentro de mim.
Repulsiva, grito crias poéticas de mim.
Criativa, esqueço de mim
e não crio....
Aos 45minutos do dia 02.03.2008
Sobriedade
Desordem na importância das horas
acordo quando deveria dormir
durmo quando deveria acordar
não devo, quando deveria
devo, quando não deveria
recuso-me a andar nos trilhos
evito as trilhas e prefiro os caminhos
ainda não abertos por mãos alheias
exploro, imploro, recolho impressões
inexatas e cheias de erros pagãos
não sei o que digo e
dito mistérios alquímicos
para um escrevente invisível
que me olha sem me ver
e me sorri um sorriso desdentado e cru
não sei o que sigo e
sinto a cegueira dominando o mar
não sei o que desconheço
nem o que conheço
nem o que não sei.
Ando a esmo, meio sem rumo
ou propósito de ilha perdida
ou deserta ou povoada de estranhos
seres compostos de estrelas
e brilhos artificiais.
Lúcida.
Aos 42 minutos do dia 02.03.2008
Transbordamento
A fonte do verso volta a verter
forneces alimento e loucura
suficientes para fazer nascer
verbos aos cântaros
palavras dançantes
delirantes desígnios vocabulares.
Escrevo sem pensar
sentir é que é o segredo.
A textura da linha
a textura da letra
a textura da pedra
que apanho devagar
e construo o primeiro
degrau da escada
que me fará ver
o que não sei...
Aos 32 minutos do dia 02.03.2008
Compasso
Confundo os caminhos que me levam ao destino exato
todas as pedras se fundem num só mistério
não há mais que estrelas mortas no céu sem luz
e o arco-íris brilha na minha janela, depois que teus olhos
lacrimejaram, saudosos de um tempo que ainda não vivemos
ou sim, ou já, ou além de nossa percepção pequena.
Confesso os descaminhos e desculpo os horários diversos
que entrelaçam as dificuldades e os abortos de monossílabos:
eu, tu, nós...
Visto-me de orvalho e infinito na noite fria e úmida
que se transforma em madrugada e escuridão precisa
conforme a inexistência do tempo ou da visão que tenho dele
e de tudo o que ele representa: os dragões, as serpentes, as rugas,
os equilíbrios e as loucuras, os desejos latentes e as conquistas suadas;
os versos, as canções, as imagens que não se formaram
e as que tivemos entre delírios e ilusões; e as que não tivemos...
e as que apenas tivemos, sem promessas ou propostas,
sem sequer palavras ou traduções em línguas nossas;
e as que tivemos em secreto ou em aberto ou em qualquer
outro espaço que não o de dentro ou o de fora ou de cima
sentidas sem pena ou compromisso com o que quer que seja
diferente do que é simples e belo, como o amanhecer de um novo dia.
Tempo.
Linearidade.
Distância.
Vontade.
Não há.
Corro entre as cobertas que escondem o amanhã
que desconheço e estremeço entre as penas que virão
ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não
os instrumentos de percussão tamborilam nos meus ouvidos
poesia instrumental que mora em mim
no meu peito
sempre que te vejo
sempre que te toco
sempre que te...
Há.
Aos 21 minutos do dia 02.03.2008
todas as pedras se fundem num só mistério
não há mais que estrelas mortas no céu sem luz
e o arco-íris brilha na minha janela, depois que teus olhos
lacrimejaram, saudosos de um tempo que ainda não vivemos
ou sim, ou já, ou além de nossa percepção pequena.
Confesso os descaminhos e desculpo os horários diversos
que entrelaçam as dificuldades e os abortos de monossílabos:
eu, tu, nós...
Visto-me de orvalho e infinito na noite fria e úmida
que se transforma em madrugada e escuridão precisa
conforme a inexistência do tempo ou da visão que tenho dele
e de tudo o que ele representa: os dragões, as serpentes, as rugas,
os equilíbrios e as loucuras, os desejos latentes e as conquistas suadas;
os versos, as canções, as imagens que não se formaram
e as que tivemos entre delírios e ilusões; e as que não tivemos...
e as que apenas tivemos, sem promessas ou propostas,
sem sequer palavras ou traduções em línguas nossas;
e as que tivemos em secreto ou em aberto ou em qualquer
outro espaço que não o de dentro ou o de fora ou de cima
sentidas sem pena ou compromisso com o que quer que seja
diferente do que é simples e belo, como o amanhecer de um novo dia.
Tempo.
Linearidade.
Distância.
Vontade.
Não há.
Corro entre as cobertas que escondem o amanhã
que desconheço e estremeço entre as penas que virão
ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não
os instrumentos de percussão tamborilam nos meus ouvidos
poesia instrumental que mora em mim
no meu peito
sempre que te vejo
sempre que te toco
sempre que te...
Há.
Aos 21 minutos do dia 02.03.2008
*O registro do arco-íris foi feito no instante
mesmo de lacrimejante saudade...
sábado, 1 de março de 2008
Caímos
perdemos de vista as luzes
alumiamos escuridões
escorregamos nos corrimões
das escadas que nos levaram
para além do espaço reservado
a cambaleantes ilusões.
Cercamos o jardim
recolhemos as folhas dos plátanos
espalhadas pelo caminho
amareladas de outono
esperanças claras de renovação
e alimento de beleza constante
anualmente presente no dia.
Cercamo-nos de sorrisos
e palavras inteiras
mordiscadas aos poucos
deliciosamente perfumadas
de essência de limão e mel
buscamos o alucinado ritmo
da manhã que se anuncia no horizonte
como se fosse um baile de formatura
como se fosse um sonho de princesa
e um embrulho de mistérios e névoas
brancas como as penas do ganso que voa
para seu destino e sua realidade única.
Queremos o gosto da vida.
Queremos a seiva da solidão...
01.03.2008 - 01h47min
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Pretexto
O endereço certo é o teu peito
aberto para meu verso
disposto à minha palavra.
O espetáculo marcado pra hoje
tem reprise amanhã
com novo elenco
porque nos renovamos
refazemo-nos constantemente
somos outros, somos vários;
diversos moram em nós.
Não somos singulares.
Plurais, dançamos em grupo
alternamos falas e conceitos
concebemos diferentes pretextos
pra sermos...
nós...
28.02.2008 - 23h21min
O que há
Há canções, espelhos, corações
segundas, terceiras, décimas intenções.
Há línguas, linguagens, gestos e jeitos
de dizer e des-dizer, fazer e des-fazer.
Há toques, re-toques, escolhas e sentires.
Há construções e destruições
versos e contradições
surpresas e recepções.
E há nós...
28.02.2008 - 23h16min
Conteúdo
Um livro não carrega apenas a história contada pelas palavras nele impressas. Um livro contém a alma de quem o escreveu, mas também contém a de quem o leu. De quem o teve nas mãos e mergulhou em suas páginas. De quem chorou sobre suas folhas, ou colocou entre elas uma flor, para secar.
Um livro tem o cheiro e o humor daquele a quem pertenceu. Se descansa na prateleira da livraria, tem o cheiro característico da novidade, de quem pacientemente espera ser desvendado. Se mora na estante da tua casa, tem a tua cara, o teu jeito, a tua aura. Acrescentas às palavras contidas nele, as tuas próprias, escritas à caneta, ou não. Ainda que nunca rabisques uma linha sequer em suas páginas, ali estarão tuas impressões todas. Solenemente gravadas para toda a eternidade.
E se emprestas teu livro, a ele são acrescentadas as impressões de quem o leu. E ele cresce. E volta para ti, enriquecido. Relê, então. Constatarás que algo nele mudou, mesmo que tal mudança seja quase imperceptível.
Um livro é uma caixinha de música, que toca a melodia de várias almas.
Quem tem ouvidos, que ouça...
28.02.2008 - 22h37min
Somam-se planos
aos versos conjuntos.
Juntos, somamos anos
sonhamos ânimos
aninhamos versos
ninamos verbos
compramos terras
e construímos jardins.
Juntos, resgatamos livros
antigos escritos diversos
impressos amarelados
que o tempo não destruiu.
Somos.
Somamos espaços
incompreensíveis
voamos sem asas
mergulhamos sem máscaras
navegamos sem roupas
rompemos barreiras
enfrentamos distâncias
escolhemos caminhos
caminhamos lado a lado.
Somos...
28.02.2008 - 21h59min
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Notas
Calculei as horas incertas
na certeza que não tive
nem nunca desejei ter.
Busquei a surpresa no detalhe
que mora amanhã
no que será hoje.
Vim a ser infame
quis teu couro
instrumento de percussão
e saber
do balanço que me dança
no peito, desde o dia
ou a noite
ou o instante primeiro
gravado no infinito
-não importa quando-
em que chegaste à porta
da minha vida
que esperava por ti.
Data sagrada
bendita linguagem
interesse que grita
entre as distâncias
e os desassossegos
todos...
Muitas horas brancas
imagens jamais repetidas
esforços recompensados
arrepio na espinha.
Mais que isso...
Transcendente sensação de
infinito...
27.02.2008 - 23h35min
Sonâmbulo
O sono chega
na carona do sonho
desce na fala atrapalhada
conta de duendes e fadas
estica a coberta da noite
sobre a bandeira exausta.
O sono anda pelo quarto
e fala co'as paredes
conta causos e ri,
sonora melodia noturna.
Enverga a madeira escura
que a lua lixou com capricho
alhos e bugalhos são espelhos
da insônia rendida
nos braços do agitado dia.
Os passos dóem nas pernas
os compromissos acumulham cansaços
e os pesos se prendem aos ombros
a cama é sereia cantante
embriagante descanso que chama:
Vem...
24.02.208 - 23h17min
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
QUINTANARES
"Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquele alguém que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente não é o alguém da sua vida. Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você. O segredo é não correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até você. No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!"
Mário Quintana - Eterno!
26.02.2008- 21h23min
Criança que ninei
A risada gostosa de bebê
inda mora na garganta
daquela que se fez mulher.
Os primeiros passos relutantes
hoje são firmes e sabem ir;
seguem os caminhos escolhidos
as trilhas, os atalhos, as estradas
que a vida se encarregou de abrir
e os sonhos trataram de pavimentar.
A primeira escola, o primeiro tombo,
a primeira preciosa palavra,
a canção de ninar
e o primeiro salto alto.
Eu vi.
E sei que
a risada do bebê
inda mora na garganta
daquela que sabe o que quer.
Aos 17 minutos do dia 26.02.2008
(Para Carol, minha afilhada e sobrinha amada, no dia do seu aniversário)
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Gingado
A missa das seis parou quando ela atravessou a nave. Todos os anjos, solenemente, disseram "Amém"...
25.02.208 - 23h55min
*um conto minimalista
Tu
Criar
fazer acontecer
viver
plantar um sonho
alternativo
colher o fruto doce
deixar que escorra
o sumo da vida
garganta abaixo
navegar nas tuas intenções
tender a acreditar
na verdade que se borda
de obstáculos
caídos um a um
dizer estrelas
aprender a voar...
25.02.2008 - 23h23min
Nós
Trilha aberta a fogo
improviso do verso
que dirá a medida
inexistente do que
de ti há em mim
troca de energia
ativa e altiva
ultimatum da brasa
que arde sem dor
brilha a tua estrela
em plena luz do dia
irradia a esfera
de longos tentáculos
que me alcançam
e ditam a longitude
a latitude o ritmo
do sangue que me corre
impaciente
nas veias estremecidas
artérias que dão conta
desse teu sangue em mim.
25.02.2008 - 23h18min
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Intensidade
Tudo muito forte
tudo muito inteiro
tudo muito perto
entranhado no peito
feito fio de navalha quente
vem rasgando os instantes
os delírios, os imprevistos.
Tudo muito novo
muito presente
muito constante.
Energia.
Vida.
24.02.2008 - 23h43min
sábado, 23 de fevereiro de 2008
Vírtua
Nascer.
Nos primeiros passos, cambalear.
Nos seguintes, ser salva por ti.
Dançar sem música.
Mergulhar nas possibilidades.
Perder-me.
Encontrar direção nas tuas pegadas.
Navegarte a toda vela.
Corpo. Mente. Coração.
Pontos de vida na tela.
Virtudes reais.
23.02.2008 - 15h45min
(Simone Aver e Roberto Amezquita)
Declaração
Declaro aqui, agora, nesse instante,
que minha alma anda em outro corpo.
Que meu peito não me pertence.
Que meus sonhos são construídos diariamente.
Que gosto de tudo o que é natural e espontâneo.
Que o rio que me atravessa, é o mesmo que molha os teus pés.
Que a vida que escolhi não foi escolhida à toa
eu quis a que tivesse espaço pras coisas boas
eu quis a que me desse flores e dores
e pelo menos um amor verdadeiro
pra escrever uma história de sucesso.
O sucesso que passa ao largo das bilheterias
do que a mídia considera ideal.
Declaro que sou feliz.
23.02.2008 - 15h
Pertença
Não sou mais minha
não me pertenço mais
não me tenho mais em mim
troquei de casa
moro em ti desde sempre
desde quando esperava por ti
e não te sabia...
No te sabía
y sin embargo sabía que vendrías
no sé de saber
no sé de nada
hablo, muevo el microcosmos de tu presencia
siempre te supe danzando mi recuerdo infundado
siempre sentí que lo que sentía eran tus pasos
tu silencio
la atmosfera del placer de tu nombre
solo un nuevo suspiro de anhelarte me indicó
que aún sin saberte
te sabía
mia poeta amada
tu ondular el camino
tu improvizar la nada
ando tu sombra desde que la luz nos dejo otro tiempo
desde que la luna perdió el hilo de la marea
y no más marionetas giraron entre el alba
otra ves surge de ti, en ti, contigo,
un asomo cruzado de ésporas luminosos
somos desde siempre
somos...
Sei que me ouves nas horas do dia
nas horas da noite, nas madrugadas,
e vens ao meu encontro
pra fazer parte do meu sangue
pra respirar por mim
pra percorrer os centímetros
da minha pele
que é tua
da minha alma
que dança pra ti
dos meus instantes todos
que te entrego sem medo
dos meus sonhos
que incluem os teus
do que fui e do que sou
do que viremos a ser...
pele da minh'alma
olhar que me atravessa
mãos que alisam todas as curvas
e exploram todas as possibilidades...
Tua
Tuyo
23.02.2008 - 02h29min
(Roberto Amezquita e Simone Aver)
Catarse
São tuas as mãos
que carinhosamente descortinam
as presenças de teus outros
nos centímetros da minha pele.
Música.
Tens música nas mãos.
A mais perfeita já composta.
Melodia sentida pelos poros
dançada nos olhos, num crescendo...
...me laté más rápido el corazón
más perto de ti
mi respiración ha cambiado
el alma esta entre ti
es contigo...
Catártico encontro d'almas...
23.02.2008 - 01h12min
(Simone Aver e Roberto Amezquita)
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Contexto???
Latejantes vocábulos soltos
interjeições descontextualizadas
histórias entrecortadas e
lacrimejantes olhos de dentro
dos D O I S...
Es una larga sensación de volar
de caer de un precipicio...
Poema único
escrito a quatro mãos.
As minhas e as tuas
entrelaçadas, no encontro febril....
SOMOS
SOMOS
23.02.2008 - 02h
(Simone Aver e Roberto Amezquita)
Tua
Tua língua passeia pelas minhas palavras
porque a ti pertencem meus gestos
meus gostos, meus sais, meus suspiros todos.
Teus são meus nervos de aço
o que eu acho, o que eu penso,
suspeito, acredito e repasso.
Meus versos, meus reversos,
paranóias, neuroses e ilusões.
Meus acertos, medos, confusões.
Confortos, saudades, intenções.
Minhas mãos, estendidas pra ti.
23.02.2008 -14h27min
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Tantra
Arrepio
sopro leve no ouvido
sabor de sal na língua
pele
espaço preenchido
suspensão de delírios
propensão ao soluço
terremoto
tremor de pernas
torpor de idéias
confusões mentais
nos movimentos dos membros
embrionário desejo
olhos postos
nos olhos do outro
observação mútua
vertigem
sedução.
20.02.2008- 23h59min
Espera II
O sonho demorou tanto que o sono foi embora. E trancou a porta, ao sair....
20.02.2008 - 18h12min
De vinhos e escolhas
Devidamente escolhida, a taça quebrada.
O vinho partido na mesa
o riso partilhado no chão.
O pão e o queijo e a uva
a parte que te cabe na colheita madura
o sentimento de mais valia...
A longa viagem estende os braços
alonga o espaço e a espera dura.
O riso servido com pão.
A rosa partida na mesa.
O vinho rosé na taça.
A tênue linha
tensa...
20.02.2008 - 01h34min
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
tempo
... o tempo? Areia escorrida
entre
os
d
e
d
o
.
.
.
.
.
.
.
s
.
.
.
.
.
.
.
.
19.02.2008 - 21h58min
Confissão
Já te sentiste tão só a ponto de poder tocar a solidão
como se fora um ente, passível de abraço?
Foi assim que me senti todo o dia de ontem
e esse início de dia de hoje...
P r o f u n d a m e n t e
Só
19.02.2008 - 02h10min
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
Imunidade
Um dia, a noite te pega. E tu descobres que não estavas imune... ao medo da escuridão...
08.02.2008 - 02h07min
O Segredo
De repente, simples como quem encontra uma agulha no palheiro, descobriu o segredo. E um segredo descoberto vira notícia certa....
18.02.2008 - 02h
Viagem
Nada. Só a linha do trem continuava lá, seguindo sempre para a frente... Sempre na mesmíssima direção... Mas seguindo... Foi assim que ela começou a longa jornada...
18.02.2008 -01h58min
Reação
Deixou-se ficar quieta, quase paralisada, depois da grave revelação. Que importância têm os grandes acontecimentos, depois de cristalizados numa fotografia?
18.02.2008 - 01h52min
Perdição
Ela se perdeu ao virar a esquina. Nunca mais encontrou o caminho de volta...
Ele se perdeu ao endireitar a esquina. Nunca mais conseguiu dobrá-la novamente...
18.02.2008 - 01h30min
*Um miniconto...
domingo, 17 de fevereiro de 2008
Dica de leitura
ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA, de José Saramago (Companhia das Letras).
Não me perdôo por não ter lido esse livro até...ontem..rs...rs... aliás, já recomecei a ler, mal terminei. Identifiquei-me com tudo, desde a primeira linha à última. E eu, que tinha medo do Saramago, me apaixonei por ele (o quê? me apaixono muito facilmente? ah, mas meu coração tem lugar pra todo o mundo... meu coração é enorme...rs...se for um bom autor, tem lugar garantido...rs), vai ver por isso mesmo tinha medo, não era dele, era da paixão..rs...rs...rs.. "... já éramos cegos no momento em cegamos. O medo nos cegou, o medo nos fará continuar cegos"(p.108).
O tema "cegueira" me atrai grandemente, pelo seu valor metafórico. Muitas vezes me sinto cega num mundo de videntes, e outras muitas vezes sinto como se eu fosse a única vidente, num mundo de cegos, como a mulher do oftalmologista, no livro. O livro? Ah, conta a história de uma epidemia de cegueira, que se abateu de repente sobre um país inteiro. Bobagem? Vai ler....
Algumas frases saltaram do livro e ficaram dançando diante dos meus olhos, ganharam vida própria, e ainda estão aqui, diante de mim, me fazendo pensar, pensar, pensar...questionar meus próprios pensamentos, minhas posturas, meus conhecimentos (os poucos que tenho). Aí vão algumas delas, só pra compartilhar com vocês:
"É preciso cegarem-se todos, para que enxerguemos a essência de cada um? Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara" (p.01)
"Quantos cegos serão precisos para fazer uma cegueira?" (p.109)
"Lutar sempre foi mais ou menos uma forma de cegueira" (p.111).
"... vistas bem as coisas, não há no mundo nada que em sentido absoluto nos pertença" (p.119)
"... é sabido que as razões humanas se repetem muito, e as sem-razões também"(p.139)
"... certas coisas é melhor deixá-las sem explicação, dizer simplesmente o que aconteceu, não interrogar o íntimo das pessoas..." (p.143)
"... cada bala disparada é uma fração de autoridade que vai perdendo..." (p.172)
"... a cegueira também é isso: viver num mundo onde se tenha acabado a esperança" (p.173).
"Penso que não cegamos, penso que estamos cegos. Cegos que vêem. Cegos que, vendo, não vêem" (p.269)
Na verdade, não pude colocar aqui TODAS as partes que estão dançando, ainda, diante dos meus olhos... Por serem inúmeras...rs... Aliás, é quase que o livro todo...rs....rs... Um livro "devorável" (preciso invocar a licença poética?); tanto, que comecei a ler ontem à tarde e não fui dormir antes de terminá-lo.
Saramago desvirtua (maravilhosamente, aliás) as regras de pontuação, o que pode representar uma certa dificuldade na leitura do livro. Mas vou te ensinar uma tática: MERGULHE. Entre na história. Misture-se aos cegos. Seja também um cego (todos o somos, em maior ou menor grau). Então a pontuação não terá a menor importância. Porque vais ouvir as vozes dos outros cegos, conseguirás distinguir perfeitamente a do narrador e as dos personagens. Não estarás mais LENDO, mas VIVENDO a história.
Muito bem, hoje recomeço a leitura, agora com outros "olhos". Sou outra. Esse livro merece muitas leituras da mesma pessoa, com visões diferentes. Não entendeu? Então leia o livro. Depois me conte...ok?
Ah... também tenho ENSAIO SOBRE A LUCIDEZ... Ele está fresquinho, me aguardando, a partir de amanhã...
(Esses livros, entre muitos outros, estão disponíveis para download na Biblioteca Virtual Gratuita: http://portaldetonando.com.br/ )
17.02.2008
(Considero importante salientar que a minha intenção aqui não foi a de escrever uma resenha ou um resumo, nos chamados moldes acadêmicos. Resenhas e resumos são facinhos de encontrar na Rede, sobre qualquer livro. Só o que quero, sempre que comento um livro, é compartilhar com meus leitores o que essa obra FEZ comigo. Como me senti ao VIVER essa leitura. Como saio dela. E gostaria de receber teu retorno. Leste esse livro? Como te sentiste? Valeu? Não? Porquê? Me conta, quero saber...)
sábado, 16 de fevereiro de 2008
juventude e eternidade
A eternidade é um sopro quente de um anjo faceiro
que brinca com os homens, fingindo não ver
que o que eles mais querem é justamente ela,
a eternidade, embrulhada pra presente,
com uma fita sempre jovem e um amor que nunca morre.
E o anjo se ri dos tolos homens...
Ri-se da cegueira humana...
Ri-se da fragilidade humana...
Ri-se de tão profunda contradição...
16.02.2008 - 02h13min
MULHERES SEM ROSTO
Minha Série MULHERES SEM ROSTO é um trabalho que eu considero beirando a displicência. Não há nele nenhuma pretensão além do prazer de me expressar, através do desenho. Se tem ou não valor artístico, não sei. Confesso não ter curiosidade a respeito. É claro que sinto-me muito satisfeita, quando recebo retornos positivos de quem vê a Série. Isso é inquestionável, porque diz respeito à publicação de qualquer coisa que seja, produto da minha capacidade criativa. Mas não me considero uma artista, por isso. Gosto das minhas MULHERES porque gosto de mim. E elas são eu, como toda a minha obra, quer seja em versos, prosa, desenho ou interpretação. Sou eu.
A todas as pessoas que acompanham a construção diária dessa minha lida, agradeço: Obrigada por apreciarem meu trabalho.
Beijos.
Uma obra de arte é uma obra. A arte depende dos teus olhos. Vê!
16.02.2008 - 02h03min
(Exercício meio sem nexo)
Atravessar Américas.
Americanizar travessias.
Transpassar transeuntes,
Transcrever audaciosas sinfonias.
Acreditar, sonhando.
Sonhar, acreditando.
Amedrontar fantasmas.
Fantasmagoricamente, temer.
Enroscar os cabelos.
Torcer pela vitória.
Perceber a onda gigante.
Afogar-se sem medo.
Afundar-se sem susto.
Afrouxar-se sem custo.
Perceber a superfície.
Desgastar-se na busca.
Consertar o profundo.
Aprofundar-se na luta.
Estar só.
16.02.2008 - 01h18min
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Só para inspirar, com as palavras de outros:
EZRA POUND:
"É que eu
Sou um Poeta, e bebo vida
Como os homens menores bebem vinho.”
14.02.2008 - 23h37min
Poeminha despretensioso
No ouro de hoje
encontrei um sonho de prata
fitei bem fundo nos olhos dele
furtei-lhe a faca
libertei a espada
presa que estava
na pedra da história.
No ouro encontrei
um hoje bendito
risonho e claro
perfumado e aflito
por dizer-me que tudo
não passa de um raio
que o ouro real,
o que vale uma vida,
está no infinito...
14.02.2008 - 02h12min
Esquisitices
Bordo a página que me liberta
dos fantasmas, dos perigos,
das bonecas de pano rasgadas,
das estátuas, das bailarinas...
Meu corpo é palavra que alucina
alucinação que prevalece...
Palavra é faca de dois gumes.
Espada que fere e mata
o que há de vil na pele
o que há de mau na alma.
Palavra é magia dúbia
às vezes cala
às vezes grita.
Ninguém sabe ao certo
se está empapada de mandinga
ou de bom mistério...
Palavra é saco de risadas
aberto dentro da igreja.
S A C R I L É G I O !
Gritam os fiéis do silêncio,
explodem as bocas malditas,
dispostas a fechar a matraca
dos desobedientes, que insistem
em proferir dizeres vãos em solo crente.
Palavra é privilégio.
Peito que verte leite-alimento
aos poetas, aos loucos, aos insanos.
E S Q U I Z O F R Ê N I C O S
que ouvem vozes distantes
e são amigos de invisíveis homens nus
cantantes, de permanente bom humor.
COISA DE LOUCO!
Dirão os profetas do pessimismo barato
que fazem plantão, ladeados de serpentes,
nas portas das casas dos requerentes do
seu quinhão de vida e de alegria decente
(seja lá o que se considere decente na alegria
seja lá o que se considere recente decência
seja lá o que se considere decência no dia).
MORTE AOS POETAS!
Praguejarão os desprovidos de imagens
os desprovidos de suavidades
os desprovidos de provas de coragem
os des-providos de provimentos
de beleza, de amor, de sorrisos
de palavras.
Praguejarão os desprovidos de canetas
e os desprovidos de idéias
e os desprovidos de sonhos
e os desprovidos
de palavras.
Esses, sim, os esquisitos.
Vazios de sentidos ou mistérios.
Iguais. Robôs. Repetintes de medos
dos outros. Os outros. Os outros.
Os vazios de palavras.
Os vazios de verbos.
Os vazios de si mesmos.
Os que silenciam
e obrigam o silêncio dos outros...
14.02.2008 - 02h06min
Praia
O mar...
A vida, vindo em ondas...
Quebra na praia, o mar...
A vida, quebrada em ondas...
O mar...
O vento ventando na areia...
Molha a areia, o mar...
O vento levanta poeira...
O mar...
Cheiro de maresia...
Preguiça vadia...
Dani, espreguiçadeira...
O mar...
O banho lento do sol, no mar...
No fim do dia, o sal na pele...
O mar...
Água clara em movimento...
Espumantes as bordas...
Do mar...
Praia deserta de noite...
Já pode descansar...
O mar...
Só os olhos de Daniele,
assim distantes,
assim profundos,
assim presentes,
fitam o mar...
Só o sorriso de Daniele,
assim tão puro,
assim tão branco,
assim tão leve,
é assim tão belo
quanto o mar...
14.02.2008 - 01h20min
(Para minha sobrinha, Daniele, aniversariante de hoje,
que adora praia... Um dia, ela pediu um poema. Aqui está...)
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Horizonte
Tu estás na linha do horizonte.
No horizonte de dentro de mim.
Onde o ontem e o hoje são um só.
Onde o amanhã e o hoje estão sós.
Onde calco o pé e digo SIM.
Tu estás na linha de dentro de mim.
E aqui permanecerás, luz e sombra.
Descanso e sucesso das letras:
de todas as letras que criamos pra nós,
de todos os caminhos e redes que traçamos
e trançamos juntos, trabalho de mãos unidas,
vestidas de luvas ou não,
no frio daí,
no meu verão.
Tu és a linha do nosso horizonte...
Do horizonte de dentro de nós...
Três sóis somados na luz...
SOMOS...
13.02.2008 - 02h03min
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Graças
Sufoco meu medo na curva que se apresenta debaixo dos meus pés.
Estendo as mãos e encontro as tuas, fortes e firmes,
a guiar meus trôpegos passos, em direção ao que sempre desejei.
Sufoca-me o medo do desconhecido, que me aguarda logo ali,
entre as palavras amarelas e brancas, plantadas ao longo do caminho
que trilhei até hoje, sem perceber -ou justamente percebendo que-
eu chegaria no exato ponto onde eu quis estar. Agora estou aqui.
E tu estás comigo.
Em meio ao desconforto da falta de ar,
que sucede o instante esperado,
tua companhia me conforta,
me anima e aquece.
Obrigada pelo braço dado.
12.02.2008 - 02h
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Ritmo
Inspira a vida
inspira a letra
da canção por cantar.
Suspira a vida
suspira a letra
da canção a inventar.
Conspira a vida
conspira a letra
da canção a enfeitiçar.
Inspira
suspira
conspira
a vida
a letra...
Amar.
11.02.2008 - 03h22min
Mais
Imagem, música ou letra.
Poema, canção, silêncio.
Conto, surpresa, palavra.
Partes perdidas de um todo maior
guardado dentro do teu olhar...
11.02.2008 - 03h19min
200
Publiquei 200 contos.
Cantei 200 árias.
Ariei 200 panelas.
Abri 200 janelas.
E sofri 200 vezes
pelas mesmas coisas.
Cometi 200 erros
e apaguei 200 trilhas
do meu caminho torto.
Conheci 200 cidades
e tremi 200 vezes
antes de te encontrar.
Depois, 200 beijos
num só dia, até esgotar...
Vivi 200 anos
pra te contar
que os 200 planos
feitos juntos
separados
ou presos
nos bicos dos pelicanos,
inda ardem
inda queimam
inda incendeiam
os 200 nervos
que sobreviveram
a rezar...
11.02.2008 - 03h16min
Movimento
Uma janela aberta.
Um vento forte.
Pronto,
foi-se a cortina
presa num raio de sol.
Uma porta aberta.
Um vento norte.
Pronto,
foi-se a menina
solta num raio de sol.
Um sonho aberto.
Uma brisa leve.
Pronto,
veio a saudade
na carona
de um suave raio de sol....
11.02.2008 - 03h11min
Orfandade
De vez em quando
a gente fica assim
meio órfã de norte.
De vez em quando
parece que o mundo
gira para trás
e nos deixa tontos,
meio órfãos da sorte.
De vez em quando
o riso cala e cola
na cara de outro cara.
Na tua, fica a morte,
meio órfã de aviso.
De vez em quando
a tarde se faz pranto
e a gente fica assim
meio órfã de encanto.
De vez em quando
passa um pássaro
cantando
e a gente fica assim
meio órfã
de quebranto.....
11.02.2008 - 02h32min
In-certeza
Ainda que não queiramos,
ainda que esperneemos,
gritemos, nos atiremos ao chão,
aos leões, aos porcos, aos bandidos,
ainda que rasguemos as roupas todas
e façamos greve de tudo,
sempre haverá uma
(ao menos uma)
certeza:
a de que tudo é incerto
e não-sabido.
Inclusive esse dito...
11.02.2008 - 02h27min
Angústia temporã
Depois da última hora da noite,
o dia dobra a esquina.
E a gente continua a medir o tempo
e a guiar a vida, pelos ponteiros
que rodam, que rodam, que rodam.
Passam sempre pelo mesmo lugar.
As horas são sempre as mesmas.
Por isso não são.
Marcamos o tempo
pra não perdermos a cabeça.
Contamos do tempo que passamos
pra não perdermos a história.
Nossas referências, baseadas nas horas tidas.
Tempo é hora. Lembrança é hora presa no tempo passado.
Ou será tempo preso na hora passada?
Talvez lembrança não seja nada,
além de um registro qualquer,
cuja única finalidade seja impedir
que façamos a mesma besteira
mais de duas vezes...
Tenho cá pra mim uma teoria muito particular:
o tempo, sua passagem ou sua lembrança,
não passa de um poema escrito com o cuidado de um artista.
Um poema engraçado, que ri da falta de tato da gente,
ao tratar com ele, presente, futuro ou passado.
Um poema com lacunas enormes, que a gente vai preenchendo
mesmo sem saber, mesmo sem nunca perceber,
mesmo sem sequer entender.
Um poema perfeitamente compreensível
caso o soubéssemos ler...
11.02.2008 - 02h18min
Possibilidades
O que significa plantar um sonho?
Regar um desejo é mantê-lo vivo?
Calcular o valor dos instantes preciosos
Impossível?
Quedo-me aqui, com meus sonhos todos,
dispostos sobre a mesa branca.
Quantos vingarão, não sei.
De quantos abrirei mão, em favor de...
(não sei em favor de quê se pode abrir mão de um sonho!).
Quantos permanecerão aqui mesmo
esperando ser colhidos...finalmente colhidos...
não tem importância real nada disso
não importa que nada aconteça
que a tarde se transforme em noite
que a manhã nasça avessa
que os olhos não festejem o dia
que o sol entristeça
que a febre não encontre cura
que o passo não apareça.
Pouco importa que a planta floresça
que penda, lentamente, minha cabeça
ou que, inda hoje, o mundo enlouqueça.
Mais do que já está. Mais do que já estou.
Mais do que será possível suportar.
Pouco importa se o escrito se apagar
e se o começo for cair lá no fim
se é que há começos, se é que há finais.
Pouco importa que as chaves não estejam nas gavetas.
Estou exausta.
E posso desistir...
11.02.2008- 02h05min
domingo, 10 de fevereiro de 2008
Livro
...e as palavras se perdem no espaço
que separa o marco do começo e do fim
que intercede por nós e por outros
junto ao espelho do dia e da noite turva
que aguarda os passantes, transeuntes
da vida, dos sonhos e da alegria
que os abraça nas esquinas do sofrimento diário
de saber-se pequeno
diante de tudo o que há para ser dito...
... e as palavras se perdem no espaço
no grande mistério que é o desejo de dizer
o que jamais foi dito...
10.02.2008 - 17h44min
sábado, 9 de fevereiro de 2008
Shhhhh
Encaixo palavras, umas às outras.
Nenhuma alcança o sentido.
Nenhum encaixe parece perfeito.
Concentro a experiência do selo
na língua materna, impeço
a coerência, desfaço a coesão.
De que me vale o texto completo
se sou confessamente paralela,
avessa ao que me vem pronto,
querendo construir aos poucos
o que pretendo ter de base?
Examino as possibilidades todas.
Nada me parece difuso agora.
Nada me parece impossível.
Tudo difícil. O passo escolhido já dado.
Tapete estendido vermelho.
E o primeiro passo dado.
A escolha consciente dentro da mala.
A ternura quente dentro do peito.
E a palavra... A palavra.... O último encaixe...
Me foge...
E eu não sei o que dizer...
10.02.2008 - 0h59min
Escolha
O tempo é AGORA.
Perdeu-se o trem da história?
Perdeu-se a linha do hoje?
Perdeu-se o dia de outrora?
O tempo é AGORA.
A vida não espera por ti.
O relógio não deixa de tique-taquear.
Os instantes se sucedem e se somam
e somem na longa linha do horizonte.
As escolhas são múltiplas
mas exigem ser feitas.
Não são elas que te escolhem
tu é que o fazes,
queiras
ou
não
gostem elas ou não.
Teu futuro está no passo de hoje.
Agora é a tua decisão de amanhã.
Ontem já está.
Hoje urge.
Hoje
é.
Vive.
09.02.2008 - 20h54min
Eu sinto
Quando acordo parece que vejo uma
luz branca
Quando vejo letras ou luz bonita
sinto felicidade
Como uma vez eu estive dançando, dançando, dançando
Tipo olhando para alguem que esteja com
oculos olhando no computador
vejo luzes brancas
E sinto felicidade
Amor é muito lindo
E sinto
Felicidade
08.02.2008 - 22h39min
(Alina Aver, aos 6 anos de idade)
Debaixo Da Cama

Érase una vez...
A Chapeuzinho queria dar uma cesta com um monte de maçãs para a vovozinha. Acontece que uma das maçãs estava verde demais para dar para a vovozinha, que já não tinha dentes muito fortes. Entonces buscó la manera de que la manzana fura apropiada para a vovozinha, y se encontró con que un conejo que vivía muj lejos,
sabía de unas manzanas que podía comer ela con sus dientes brillantes y pequeños.
Pero el país del conejo no era facil de encontrar...
Ela andou muito por toda a floresta e achou uma árvore. No fim da árvore tinha uma porta que ela viu e quis entrar; lá estava a casa do coelho!
Ela bateu, bateu, bateu, mas o coelho não estava lá. Apareceu então um macaco com sininhos no pescoço, que faziam tilim tilim tilim...
O macaco avisou que o coelho havia mudado para beeeeeeeeeemmmmmmm longeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee.....
E a menina chorou.
Y con las lágrimas de la menina crecieron nuevas flores en la casa del macaco y del conejo.
Entonces una de estas flores dijo que el conejo se había mudado a otro país, a un paìs muy cerca, pero muy lejos; las dos cosas al mismo tiempo. Pero las manzanas en ese país eran transparentes, igual que los conejos, así es que sería dificl mirarles y comerles tambièn...
Pero no importando esto decidió viajar al país que las flores llamaron 'Debaixo Da Cama'...
A Chapeuzinho Vermelho achou um túnel dentro daquela casinha do coelho (a casinha abandonada). Ela entrou no túnel, andou, andou, andou, até que viu algumas pegadas que pareciam pé de coelho. Ela seguiu, seguiu, seguiu...
Como os coelhos eram transparentes, ela não conseguiu achar. Mas ouviu barulhos! E
quando ela colocou a mão, pareceu sentir uns pêlos; pensou que fosse o coelho. Ela disse:
-Como eu posso arranjar essas maçãs? Por favor, responda.
Ele respondeu:
-Vá numa árvore, pegue uma delas e faça o que você precisa.
Acontece que o coelho era transparente e via as maçãs, que também eram transparentes. Logo, era muito fácil pra ele dizer que ela fosse até a árvore e apanhasse, simplesmente, as maçãs. MAS ELA NÃO VIA AS MAÇÃS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Nem sequer a tal da árvore; afinal, no país 'Debaixo Da Cama', tudo era transparente!
El conejo le dijo que solo una vez le iba a contar la historia del país de 'Debajo De La Cama'.
Que pusiera mucha atención en este paìs maravilloso: la realidad es un parecida a la de fuera
pero con algunas diferencias pequeñitas.
'Debajo De La Cama' todo lo que hay, conejos como yo, manzanas, palabras, árboles o túneles, todo es parte del reino de la imaginación; así es que precisas poner cada día nuevas cosas, cuando te encuentres debajo de la cama. 'Debaixo Da Cama' es lo que tu quieras, lo que puedas imaginar mientras cierras los ojos, o cuando los tienes abiertos.
Entonces el conejo deapareció, y ella empezo a crear debaixo da cama...
08.02.2008 - 22h31min
(Uma história, três mãos... SOMOS... Alina, Simone e Roberto)
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Torre
Montei uma torre de palavras
todas elas insuficientes,
daí a necessidade de várias.
As cartas todas no armário
guardadas pra enfeite da casa.
O toque tântrico por aprender
e as pontas picotadas das páginas
do livro que estou por escrever.
A torre só sobe
em busca do céu, que é anil.
08.02.2008 - 16h18min
Escritos
Gosto da letra que escrevo
e fico de olho se ela não dança
na linha curva do medo
que anda à minha espreita
às vésperas do sonho.
Gosto do cheiro daquilo que escrevo;
parece canela, incenso suave,
perfume de infância,
de breve avenida florida.
Gosto da cor do que escrevo
a cor do soluço que tive, de rir
contigo e sozinha, dos absurdos
que a vida apronta pra gente.
Gosto, principalmente,
dos motivos pelos quais escrevo.
Esses, guardados pra mim.
São meus, não conto.
Só teus olhos é que divisam,
mesmo assim, de longe,
os porquês desse meu dizer...
07.02.2008 - 23h15min
Paz?
Não quero paz.
Eu quero o que existe.
O desassossego, a procura,
o instante que se perde
num piscar de olhos.
Eu quero a pressa,
a incerteza, a incompletude.
O que não vi,
o que não sei,
o que jamais serei.
Eu quero o fundo
do poço e da alma.
Eu quero o risco,
o rabisco, a salsa,
a rumba, o merengue,
de preferência cor de rosa.
Eu quero algodão doce
derretendo na mão.
Calor de 40 graus,
neve em pleno verão.
Eu quero sede de beijo,
abraço que não termina,
risada tão alta,
tão longa, tão nossa,
que seja quase um desatino.
Eu quero a manhã ensolarada
depois da noite, em Porto Alegre.
Eu quero o nervoso
na tua chegada,
quero o amor que se bebe.
E quero antes e principalmente
essa mania de querer tudo
o que tenho direito
e mais um pouco.
Além do que alcanço,
além do que mereço.
Eu não quero a paz.
Eu quero o estorvo,
o torto, o turvo, o maldito.
Quero a tua insanidade
as vozes que ouvimos
as mentes brilhantes
que cercam o infinito.
Eu quero o vôo da águia
sobre a rica planície.
Eu quero a língua
da serpente
a peçonha da aranha
o veneno da vida
na minha garganta
no meio da minha lida.
Eu quero te ver chegando
de braços abertos pra mim.
Eu não quero a paz.
Eu quero tudo
menos paz....
07.02.2008 - 23h05min
(Alina e Simone Aver)
Orações
Desde que vieste,
tudo o que construo
tem a tua assinatura.
Desde que surgiste,
tudo o que crio
tem o teu suspiro.
A tua vida invade a minha
porque se sabe bem-vinda.
A tua vida canta na minha
e enche de melodia a tarde
que vive na gente.
Somos três, com a quase
exata diferença que nos marca.
Somos três, elos
compostos de estrelas,
luzes e bilhetes de amor.
Desde que surgiste,
não somos mais duas...
Somos três...
Orações...
07.02.2008 - 02h12min
Escritura
Se estava escrito?
Claro que estava!
Minha vida está toda no papel
cada suspiro, cada sorriso.
Minha vida não poderia
não estar descrita em palavras.
A palavra sou eu.
Sou letra ambulante
esperando ser lida.
Não sei se sou verso
conto ou despedida.
Não sei se sou letra sozinha
ou história completa,
na folha da vida.
Mas estou escrita.
Espera...
Eis outra escritura
na primeira metade
desse meu caminho.
Tu, sonho bendito.
A frase que faltava.
A crônica,
que esperava ser escrita.
Tu, sonho bem-vindo.
Sopa de letrinhas
pra alimentar o meu peito.
Tu, alento, sossego
na construção dessa
que pretende ser a minha história.
Não mais só minha.
Agora, nossa história.
Essas páginas são nossas...
07.02.2008 - 02h
Assinar:
Postagens (Atom)

