terça-feira, 8 de abril de 2008
Anestesia
Quando a saudade for tão grande
a ponto de anestesiar-te o peito,
observa...
É serviço do tempo garantir-te vivo.
Desnuda-te e perdoa.
O que é teu, não esquece.
Acorda e sonha,
que o desejo, um dia, amanhece....
08.04.2008 - 02h08min
Exílio
...à noitinha,
o crepúsculo pinta de vermelho
um imenso céu azul...
Nas conchas das mãos
as lágrimas derramadas
pelo absurdo silêncio.
O desespero é parte de quê?
Do abandono ou
da esperança?
Na prancheta as últimas palavras
tristemente pronunciadas
como um toque de amargura
pincelado na delícia de viver.
E uma saudade do não-tido
anestesiando o peito
gritando por uma anistia
impossível de se conceder!
O exílio é o castigo do desobediente
que insiste na procura vã
de uma atenção ausente
ou da presença que não pode ser.
Exílio é tortura consentida,
dor que brota de noite
e te acompanha nas horas do dia,
com cheiro de flor quase parida
entre as contrações e os tremores
e os espasmos que a solidão,
essa furada canoa, provoca no peito
de quem já não tem no que sonhar,
além de um coração vermelho
e de um céu azul a pulsar...
08.04.2008 - 01h58min
sábado, 5 de abril de 2008
Graham Bell
Depois do acidente, o orelhão,
a meio caminho de espatifar-se no chão,
sugere um pensamento:
Que comunicação é essa, que estilhaça
os vidros e não desvia das linhas
cruzadas entre a razão e a não-razão?
Que vida é essa, que pouco vale
e vale pouco menos que um cartão
que se gasta na primeira ligação?
Que sonho tão curto,
que se quebra numa esquina,
aos pés de Bell?
Pra que lado fica o céu?
05.04.2008 - 19h13min
(Será que é no lado de dentro?)
Brrrrrrr......
Amendoim, pinhão na chapa, fogão à lenha,
blusa de lã, cobertor, meia grossa, bota de cano alto,
cachecol, touca, aquecedor, chocolate quente,
chocolate em barra, pipoca, batata na brasa.
Da boca, saindo fumaça de frio. Luvas, batom vermelho,
churrasco, fogueira, cantoria, gripe, espirro, espiriteira.
Ah... Inverno bom. Chuva e cerração de manhã cedinho.
Vontade de dormir até mais tarde. Quem não sente?
Casaco pesado, polainas, montanha de edredons na cama.
Pantufas de bichinhos. Pijama de flanela. Sopa quente na panela.
Ah... Inverno bom...
Outono foi sopro breve, secou as folhas, despetalou os galhos.
Outono é só convenção na folhinha.
E o frio vem depressa, conserva meu riso,
conserva na despensa do meu velho peito
a certeza de que o dia amanhece
e de que a vida se renova, sempre.
Debaixo de geada, vem novinha,
saudar a alegria que se inicia.
05.04.2008- 19h04min
blusa de lã, cobertor, meia grossa, bota de cano alto,
cachecol, touca, aquecedor, chocolate quente,
chocolate em barra, pipoca, batata na brasa.
Da boca, saindo fumaça de frio. Luvas, batom vermelho,
churrasco, fogueira, cantoria, gripe, espirro, espiriteira.
Ah... Inverno bom. Chuva e cerração de manhã cedinho.
Vontade de dormir até mais tarde. Quem não sente?
Casaco pesado, polainas, montanha de edredons na cama.
Pantufas de bichinhos. Pijama de flanela. Sopa quente na panela.
Ah... Inverno bom...
Outono foi sopro breve, secou as folhas, despetalou os galhos.
Outono é só convenção na folhinha.
E o frio vem depressa, conserva meu riso,
conserva na despensa do meu velho peito
a certeza de que o dia amanhece
e de que a vida se renova, sempre.
Debaixo de geada, vem novinha,
saudar a alegria que se inicia.
05.04.2008- 19h04min
sexta-feira, 4 de abril de 2008
Hoje é Sexta-feira
Sexta-feira, e a vida anda mole
assim, meio de bobeira,
como se hoje não fosse agora
como se agora não fosse hoje
como se já e daqui a pouco
nada mais fossem que só
um ponto ou uma vírgula
ou uma expectativa
não se sabe de quê.
Sexta-feira, e a vida enrola
um novelo de lã quentinha
pra tricotar casaco pra filhinha
que dorme tranqüila, na cama macia.
Sexta-feira, e o informe oficial
é de que, depois dela,
vem o fim de semana esperado
pra um descanso invejado
por quem não pára nem em feriado
muito menos em pleno sábado.
Sexta-feira...
Festival do Beijo, em Madri,
e eu aqui...
Sexta-feira...
Aos 9 minutos do dia 05.04.2008
Cotidiano poético
Há poesia em cada canto da cidade.
Há poesia nos cantos dos muros,
nos cantos das praças, nos cantos dos fundos
dos poços do cotidiano dos citadinos
que se apressam para chegar ao nada.
Há poesia na lágrima que rola no rosto da menina,
no latido do cão preso na coleira,
no sinal fechado, na rua vazia, no trilho do trem
que não partiu hoje por falta de turistas.
Há poesia no perigo da limpeza da vidraça,
no jogo com a vida que se faz diariamente
sem que se perceba, sem que se atormente,
já que as contas não fazem perguntas,
nem os credores querem respostas,
apenas as notas, umas sobre as outras,
no vencimento das prestações mortas.
Há poesia no carro que passa, na buzina estridente,
no mendigo, no pedinte, no doente, no indigente,
na moça bonita, na velha elegante, na cor do fim do dia
que enfeita a vida e pinta de vermelho o horizonte.
Há poesia no cheiro de flor que ficou da primavera
e na folha seca partida debaixo dos pés,
no início de um outono frio e bem-vindo.
Há poesia na correria que acontece
entre os pedestres, entre as pedras paradas
que observam os pombos e seus vôos,
na praça defronte à prefeitura municipal.
Há poesia na cidade, nas coisas pequenas,
na sirene da polícia, dos bombeiros, da ambulância,
ainda que sejam esses versos cantados tristemente,
como quem chora ou como um lamento doído
de quem perdeu o que não voltará, nem com forte pedido.
Há poesia no bom e no que é visto de soslaio
que a gente evita o contato, que a gente finge não ver.
Tudo parte do soneto universal
cotidiano poético por todos lido
por quase ninguém entendido como tal...
04.04.2008 - 23h38min
Há poesia nos cantos dos muros,
nos cantos das praças, nos cantos dos fundos
dos poços do cotidiano dos citadinos
que se apressam para chegar ao nada.
Há poesia na lágrima que rola no rosto da menina,
no latido do cão preso na coleira,
no sinal fechado, na rua vazia, no trilho do trem
que não partiu hoje por falta de turistas.
Há poesia no perigo da limpeza da vidraça,
no jogo com a vida que se faz diariamente
sem que se perceba, sem que se atormente,
já que as contas não fazem perguntas,
nem os credores querem respostas,
apenas as notas, umas sobre as outras,
no vencimento das prestações mortas.
Há poesia no carro que passa, na buzina estridente,
no mendigo, no pedinte, no doente, no indigente,
na moça bonita, na velha elegante, na cor do fim do dia
que enfeita a vida e pinta de vermelho o horizonte.
Há poesia no cheiro de flor que ficou da primavera
e na folha seca partida debaixo dos pés,
no início de um outono frio e bem-vindo.
Há poesia na correria que acontece
entre os pedestres, entre as pedras paradas
que observam os pombos e seus vôos,
na praça defronte à prefeitura municipal.
Há poesia na cidade, nas coisas pequenas,
na sirene da polícia, dos bombeiros, da ambulância,
ainda que sejam esses versos cantados tristemente,
como quem chora ou como um lamento doído
de quem perdeu o que não voltará, nem com forte pedido.
Há poesia no bom e no que é visto de soslaio
que a gente evita o contato, que a gente finge não ver.
Tudo parte do soneto universal
cotidiano poético por todos lido
por quase ninguém entendido como tal...
04.04.2008 - 23h38min
quinta-feira, 3 de abril de 2008
Amor menino
E o amor é esse menino travesso
que apronta arruaças e levanta
vôo entre as moças, nas praças
só pra lançar seus dardos avermelhados
nos corações de jovens poetas
que por ali passam, desavisados.
Ah, amor levado e imprevisto, que
vem de mansinho, se acerca do ouvido
e sopra nele versos leves de algodão.
Ah, amor sapeca e bem ligeiro
planta no peito um fiapo faceiro
da mais pura e verdadeira paixão.
E aí é um deus nos acuda
um valha-me ó deus
um salve-se quem puder
porque então nem de reza braba resulta
a cura pra essa loucura do coração...
03.04.2008 - 01h21min
terça-feira, 1 de abril de 2008
Ofício: pastora da alegria
Ensinar: plantar flores
em canteiros floridos.
Ensinar: entender-se pequeno
ante tremenda diversidade
com olhos ávidos que nos espreitam
e nos perguntam sem palavras,
'o que vamos descobrir hoje?'.
Ensinar: crescer junto.
Ensinar: esquecer da gente,
entrar num universo mágico,
r e a l i z a r...
Meu ofício? Pastora da alegria.
01.04.2008-22h59min
*O termo 'pastora da alegria' foi tomado emprestado
de Rubem Alves, admirável educador.
em canteiros floridos.
Ensinar: entender-se pequeno
ante tremenda diversidade
com olhos ávidos que nos espreitam
e nos perguntam sem palavras,
'o que vamos descobrir hoje?'.
Ensinar: crescer junto.
Ensinar: esquecer da gente,
entrar num universo mágico,
r e a l i z a r...
Meu ofício? Pastora da alegria.
01.04.2008-22h59min
*O termo 'pastora da alegria' foi tomado emprestado
de Rubem Alves, admirável educador.
**Imagem: Minha turma do 1º ano do Ensino Fundamental,
em plena atividade de pesquisa. Concentradíssimos!!!!!!!
Desejo
Que estejamos todos
poeticamente prenhes
da beleza traduzida
em versos...
Que seja a dor,
o amor, o horror,
o dia, a noite, a doçura,
amargura, alegria ou lerdeza.
Que seja a saúde,
a doença ou a tempestade,
o sabor adocicado de um beijo
ou o sangue da ferida aberta.
Que seja a risada gostosa
do palhaço ressurgido
ou o regurgito do fel engolido.
Que seja o que tiver de ser.
Em todas as fases as faces
da poesia bendita.
Pra fazer valer essa nossa alma
que não é pequena,
é vida de Pessoa...
01.04.2008 - 02h10min
(E toca o barco pra frente
que tem muita água pra navegar...)
Hoje eu morri (ou Poema da Indiferença)

Dou passos arrastados na areia
A maré removerá todos os vestígios
Arbustos mortos rolam na rebentação
O horizonte respira melancolia
Navios duvidosos vogam em direcção a Ormuz
Pescadores enrolam redes remendadas
Um gato procura abrigar-se da pesada chuva
O chamamento do mulá perde-se nas ondas
Recitando uma oração volátil
Mensagens de submissão incondicional
Cantos para Deus, que não desejo ouvir.
Sou aquele que sempre deu a outra face
Fui mil e uma vezes agredido
E em mil ocasiões tudo perdoei
Educado para dar, sem nada esperar
Nunca neguei um apoio gentil
Jamais regateei uma palavra doce.
Porém, hoje eu morri
A visão do mundo turvou-se
Os sons destilaram-se em silêncio
O sangue esvaiu-se lentamente
Parti sem prantos ou lágrimas
Quando me quis, já não me encontrei.
O meu fantasma acordou agnóstico
Ergueu-se com um sabor de fel na boca
Olhou para inúmeras cicatrizes por sarar
Todavia sentiu-se incapaz de sofrer
Sacudiu a areia dos farrapos que lhe cobriam a alma
Soltou o espartilho dos seus valores
Envergou vestes de imaculado negro
Sorveu uma deliciosa taça de indiferença
Sentiu-se mais vivo que em vida
Já nem todas as faces merecem um sorriso.
M.Daedalus
01.04.2008 - 01h45min
(publicado pelo meu querido amigo poeta DOUGLAS, em
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=42836441&tid=2576314501045743642&na=2&nst=252
A maré removerá todos os vestígios
Arbustos mortos rolam na rebentação
O horizonte respira melancolia
Navios duvidosos vogam em direcção a Ormuz
Pescadores enrolam redes remendadas
Um gato procura abrigar-se da pesada chuva
O chamamento do mulá perde-se nas ondas
Recitando uma oração volátil
Mensagens de submissão incondicional
Cantos para Deus, que não desejo ouvir.
Sou aquele que sempre deu a outra face
Fui mil e uma vezes agredido
E em mil ocasiões tudo perdoei
Educado para dar, sem nada esperar
Nunca neguei um apoio gentil
Jamais regateei uma palavra doce.
Porém, hoje eu morri
A visão do mundo turvou-se
Os sons destilaram-se em silêncio
O sangue esvaiu-se lentamente
Parti sem prantos ou lágrimas
Quando me quis, já não me encontrei.
O meu fantasma acordou agnóstico
Ergueu-se com um sabor de fel na boca
Olhou para inúmeras cicatrizes por sarar
Todavia sentiu-se incapaz de sofrer
Sacudiu a areia dos farrapos que lhe cobriam a alma
Soltou o espartilho dos seus valores
Envergou vestes de imaculado negro
Sorveu uma deliciosa taça de indiferença
Sentiu-se mais vivo que em vida
Já nem todas as faces merecem um sorriso.
M.Daedalus
01.04.2008 - 01h45min
(publicado pelo meu querido amigo poeta DOUGLAS, em
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=42836441&tid=2576314501045743642&na=2&nst=252
Imagem: Remedios Varo)
Mentira!
No dia da mentira
menti pra mim mesma
que tudo tem um fim
que também marca
um recomeço.
No dia da mentira
sorri sem vontade
brinquei à força
forcei a barra
de uma alegria
que não existia.
No dia da mentira
respirei fundo
e enfrentei o mundo
com uma coragem fingida
e supostamente grande.
No dia da mentira
menti descaradamente
sem a menor culpa
ou sensação de engodo.
Enganei sem corar.
Corri contra o tempo
como quem sabe
para onde vai
e o que pretende achar.
No dia da mentira
calei a voz aos gritos
gritei sem voz, atritos
brilhei sem luz nos ritos
que o costume impôs
aos que crêem nos mitos.
No dia da mentira
rasguei a verdade
sem dó nem piedade
pisei nas farpas nos espinhos
nas lições da idade.
No dia da mentira
menti descaradamente
que o coração não sente
o que o peito encerra.
No dia da mentira
desfiz o acordo
e entendi a verdade.
No dia da mentira
acordei do sonho.
Renasci.
01.04.2008 - 01h33min
segunda-feira, 31 de março de 2008
Quem sou eu?
Talvez eu só tenha essa resposta daqui a alguns anos... Ou não...
Penso que sou água, águia,
fogo, ardente ilusão,
sensação permanente
de uma profunda solidão.
Penso que sou a procura
ou o estado letárgico
da completa loucura.
Sou égua solta nos prados
de uma vigília insólita.
Sou corrente que prende
meus pulsos ao passado
recente, indecentemente confuso.
Sou língua e pele e cabelos
vermelhos de pimenta malagueta.
Sou verso e prosa e conto
que ninguém conta
porque até eu duvido
e não divido a lente azul contigo.
Sou curso contido de água furiosa.
Sou alinhavo de espera
enquanto corro sem trégua
para um horizonte
que sempre sai do lugar
e fica mais distante.
Sou alegria e doçura
submissão e ternura
tristeza e desânimo
dor e amargura.
Sou mulher.
31.03.2008 - 19h18min
domingo, 30 de março de 2008
Pintura
Minha alma, que era azul,
ficou cinza.
Alguém aí tem tinta
cor de rosa, pra emprestar?
30.03.2008 - 23h38min
Quintana, o eterno
"Existe somente uma idade para a gente ser feliz, somente uma época na vida de cada pessoa em que é possível sonhar e fazer planos e ter energia bastante para realizá-los a despeito de todas as dificuldades e obstáculos. Uma só idade para a gente se encantar com a vida e viver apaixonadamente e desfrutar tudo com toda intensidade sem medo nem culpa de sentir prazer. Fase dourada em que a gente pode criar e recriar a vida à nossa própria imagem e semelhança e vestir-se com todas as cores e experimentar todos os sabores e entregar-se a todos os amores sem preconceito nem pudor. Tempo de entusiasmo e coragem em que todo desafio é mais um convite à luta que a gente enfrenta com toda disposição de tentar algo NOVO, de NOVO e de NOVO, e quantas vezes for preciso. Essa idade tão fugaz na vida da gente chama-se PRESENTE e tem a duração do instante que passa".
(Mário Quintana)
30.03.20085 - 22h53min
Atentado contra a poesia
" Existem milhões de germes de poesia morrendo dentro dos seres humanos. Serão mortos por não serem devidamente alimentadas com os nutrientes da realidade, da paixão, da esperança, da liberdade, da Verdade.Eles foram aprisionadas pelo homem cotidiano, abandonados à fossa, sem água e sem luz. Deram ao tempo a infeliz missão de buscar arrancar-lhe o suspiro vital. Foram amordaçados e serão destruídos pela suas próprias emanações de emoções e forças instintivas, produzidas naturalmente para serem canalizadas em atividades criativas, enriquecendo-lhes suas existências neste universo de beleza e mistério.Os homens cotidianos são máquinas hipnotizadas pelo dinheiro, sexo e sucesso (sucesso?), sucesso da fama, do infantil desespero pela atenção, não o sucesso da realização da autêntica felicidade que nada mais é que a paz. Assassinarão a graça, e beberão para tentar gargalhar. Assassinarão a sabedoria, e fumarão para tentar pensar. Assassinarão o amor, e se masturbarão para relaxar. Assassinarão a liberdade, a justiça, e vão obedecer a lei do egoísmo, do nepotismo, da convencionada corrupção. Fechar-se-ão para sua característica de colocar-se no lugar do próximo em nome da ambição.Os homens cotidianos estão exterminando o que existe de vida neles, para depois seguirem como zumbis em direção a igrejas, procurando em imagens e no céu o Criador, sem se darem, por nenhum ínfimo segundo, conta que a divindade habitava o seu ser, em forma de liberdade, de criatividade. Sofrerão de lapsos, vultos da alma pura, impotente, derrotada pelo jogo dos sentidos que cuidará de fazer de seus donos mortos-vivos esperando a hora de dormir. "
Shirov Jarzida
*Texto postado por MANUEL, em
30.03.2008 - 20h04min
VIVA.
Ria.
ore.
minta.
ceife.
enfrente.
negue.
busque.
traga.
puxe.
espalhe.
compare.
chore.
entregue.
coma.
ame.
durma.
sonhe.
saque.
assista.
suspenda.
insista.
surpreenda.
alegre.
sofra.
conquiste.
conturbe.
apronte.
aponte.
cubra.
tombe.
trepe.
tampe.
escreva.
risque.
sussurre.
cale.
concentre.
cuspa.
desista.
opere.
compre.
corra.
sorva.
seja.
morra.
30.03.2008 - 17h37min
Partida
Alcei vôo sobre um MAR de possibilidades
uma imensidão de flores e espinhos
misturados a sorrisos e lágrimas
e ausências e presenças repentinas.
Fui embora sem avisar nem olhar as nuvens
ou o frescor dos ventos que vieram do Norte.
Fui embora e não deixei rastros
nem restos de vestes nos espinhos
que insistiram em rasgar-me a pele.
As canções que embalaram os momentos
marcaram a volta das ondas quentes
que empurram meu corpo contra a areia
e lambem os passos marcados no chão.
Apagam o que se foi e não salvam nada.
Nada fica pra trás quando amanhece.
Nenhuma mancha resiste a um beijo doce.
Nenhum beijo é suficiente pra fazer esquecer
que nem tudo foi pintado de azul.
Recuso a aterrissagem nessa terra devastada.
Aguardo o momento propício pra fechar as asas.
E voltar a andar com minhas próprias pernas;
nadar nesse mesmo MAR de possibilidades
que não evaporaram entre os suspiros de dor
dos últimos dias, dos últimos laços, das últimas culpas.
Há flores na praia.
Vou pra lá...
30.03.2008 - 17h26min
(Encontrei uma concha, na beira da praia;
dentro dela, as canções que embalaram
uma alegria há muito esquecida... O MAR...)
O mar
SE
eu não estivesse ali
naquele momento
ou em outro qualquer
SE
eu não tivesse escolha
e a roda dos ventos
soprasse em outra direção
SE
eu os is tivessem os pontos
exatamente postos
uns sobre os outros
e nenhum fosse tão parecido
com um L ou com um
ponto de exclamação ao contrário
SE
eu não fosse quem sou
SE
tu não fosses quem és
nem tivesses representado
o que representaste pra mim
SE
a vida tivesse menos suposições
SE
as estrelas fossem quadradas
ou tivessem realmente as pontas
que insistimos em desenhar nelas
SE
o mundo não fosse redondo
e a gente pudesse chegar ao fim dele
e simplesmente cair fora
SE
não houvessem tantas suposições
e a gente pudesse, de uma hora pra outra
entender os desígnios todos
que nos cercam e que nos circundam
e que nos devoram e que nos derrubam
TALVEZ
eu pudesse deixar de ouvir
o mar...
30.03.2008 - 01h21min
Mea culpa, mea máxima culpa!
Culpada, ofereço meu pescoço à forca
meu corpo ao apedrejamento
minha alma aos tormentos do inferno.
Culpada, pergunto as razões sem respostas
as sombrias fendas abertas no silêncio
que cresceu insolente entre as paredes
de um deserto de promessas improváveis.
Culpada, espero o inevitável castigo terrível
de carregar na minha história a lembrança
do momento exato em que sucumbi.
Culpada, bato no peito e ardo as entranhas
na busca da palavra ainda não inventada
pra substituir aquela que me provoca arrepios
e que irremediavelmente deverá ser pronunciada
por esses meus lábios trêmulos de culpa.
Culpada do maior de todos os pecados...
e não me arrependo...
30.03.2008 - 01h14min
sexta-feira, 28 de março de 2008
Ninguém...
Trilhos
Parto
Sair de dentro de mim.
Nascer.
De preferência em noite de lua cheia
ou em dia de torrencial chuva fria;
só não pode ser em hora comum,
dessas que a gente nem lembra nem vê
dessas que o sino da igreja não toca
que o despertador não desperta
que a gente não salta da cadeira
de repente, como se alguma coisa
muito importante, estivesse por fazer.
Nascer.
Abrir com dificuldade os olhos
e com cuidado esticar as pernas e os braços
numa imensidão incalculada, antes pressentida,
jamais apalpada ou plenamente acolhida.
Nascer.
Descobrir as descobertas todas
e os espantos, espasmos e encantos dos novos
e dos não tão novos desafios recolhidos
nos cantos da vida que se inicia e recomeça
a cada novo dia, em cada nova fresta.
Nascer em dia de tempestade.
Em dia de tormenta, nascer.
E ter os azuis olhos de e-tern(a)idade.
Dar à luz....
28.03.2008- 01h31min
quinta-feira, 27 de março de 2008
Estradas
Atrevimento...

Atrevo-me a investir na bolsa de ilusões
nos milhões de senões e de situações
em que os mortais se vêem sem ter
para onde fugir ou como se proteger.
Atrevo-me a explorar os cantos escuros
escusos, inclusos na lista dos destemperos
todos que assombram meu particular país.
Atrevo-me a ser eternamente transgressora
das regras e metas oficiais que afligem
e infligem toda sorte de ordinárias maldades
contra a liberdade, o pensamento e a opinião.
Atrevo-me a ser eu mesma
num mundo mascarado e fútil
que mente e devora essa mesma mentira
como se fosse a semente de um amanhã
mais limpo e mais puro. Impossível!
Atrevo-me a contestar a ordem estabelecida,
a desestabilizar as pedras concretadas
de uma verdade há muito falecida,
a nadar contra a maré e a firmar meu pé
naquilo que considero forte e seguro.
Atrevo-me a pagar o preço.
Atrevo-me a sofrer.
Atrevo-me a sorver o suco da adversidade.
Atrevo-me a sobreviver.
Aos 41 minutos do dia 27.03.2008
Um novo dia que nasce da escuridão...
quarta-feira, 26 de março de 2008
O Circo
Hoje o circo enfeitou as ruas
alamedas, edifícios, sorrisos,
provocou exclamações e ternuras
lembranças de uma infância
que vai longe, nas esquinas da vida,
ou alegrias de uma infância
que anda agora, entre outras crianças,
nas praças e escolas e parques
da cidade com gosto de pipoca
e picadeiro divertido.
Hoje o circo coloriu de vida
a minha vida suada de trabalho
e seriedade e compromisso diário.
Hoje o circo me fez subir na mesa
e declamar poesia feito saltimbanco
em dia de estréia de espetáculo.
Hoje o circo despertou, entre suas canções,
palhaçadas, equilíbrios e paixões,
a menina que eu insisto em fazer dormir
mas que ainda mora em mim...
26.03.2008 -19h06min
(Hoje é o dia do circo.
A imagem é de um mini cortejo circense, acontecido
no final desta tarde, nas ruas do centro de minha cidade.
Viva a magia do circo! Viva a criança que vive em nós!)
Canção sem compromisso
Desafino de dar Dó
entro por uma nota
saio pela culatra.
Entre um Lá e um cá
encontro um Fá
que não deveria estar ali.
Quem me ouve, releve
que revelo só o que quero
o resto, não digo, não conto,
não canto, não recito.
Acompanhe minhas notas
que denotam nostalgia
dance, requebre, delire.
Que tudo isso, assim,
sem compromisso,
também é poesia...
26.03.2008 - 10h47min
Endereço certo é coisa complicada
tão complicada quanto amor eterno
jurado entre quatro paredes descascadas
em noite de lua cheia e cama compartilhada.
Caminhos sem volta existem aos montes
mas dependem, todos eles, do primeiro passo,
do momento da escolha, que espreita, ao acaso,
entre desejos de loucura e culpas freqüentes.
Endereços, amores, complicações,
luares, desejos, alucinações,
dependências, acasos, loucuras, paixões,
tudo acaba sempre em ternura,
ainda que essa ternura seja apenas a saudade
de alguma coisa que jamais vivi...
26.03.2008 - 01h26min
Bilhete
Esgotei os argumentos.
Talvez não valha a pena mesmo.
Talvez teu medo é que tenha razão.
26.03.2008 - 01h15min
Do silêncio...
Prova de fogo, o silêncio.
O largo e impenetrável silêncio.
Fogo devorador das horas
reservadas para a troca.
Implacável silêncio
de peso não calculado;
desmedido silêncio que cala
o que está por ser dito.
Maldito silêncio que abala
a estrutura do construído.
Silêncio que desmorona o edifício.
Poeira.
26.03.2008 - 01h11min
terça-feira, 25 de março de 2008
Despedida
Ajusto a saia na subida da escada
não caio nem titubeio na decisão
as fotos antigas ficam no álbum
esquecido dentro do armário
igualmente esquecido num canto
da sala de estar vazia.
Ajeito as malas e as tralhas
na porta de saída da casa.
As caixas e os depósitos de lembranças
amargas e distorcidas pela culpa
ficam no divã do analista
enriquecido pelas minhas moedas
sedentas de ouvinte e de opinião.
Estou seca e dura. Pedra pouco preciosa.
Sem lágrimas, dobro a esquina do medo
e não olho pra trás nem admito arrependimentos.
Nada carrego comigo além do desejo
de uma liberdade que já tive um dia.
Passo pelo espaço frio da falta de companhia.
Esse, velho conhecido.
Não ando nua. Não mais. Nunca mais.
As feridas expostas significam luta e sobrevivência.
Doeu, mas estou aqui.
As feridas expostas significam cautela agora.
E silêncio.
Nos primeiros 11 minutos, do dia 26.03.2008
O que será...
Embriago a alma com poesia e música
troco as pernas na dança esguia
de uma liberdade que desejo
e que ainda escorre entre meus dedos
água quente pré-filtrada pela areia alheia.
O egoísmo é uma forma selvagem
de violência doméstica.
Infrinjo as regras das boas maneiras.
Deito meu corpo cansado nos braços
do amigo do peito que me acompanha
diuturnamente e que me ama
apesar de saber-me bem.
Concentro as energias na fervura do sangue
nas veias que carregam meus últimos planos
na vermelhidão que incendeia meus cachos.
Não como, não durmo.
Há dias que os dias se sucedem como mantos
brancos de pura feitiçaria.
Há dias que as noites são turvas
e as curvas não escondem os desvios
das trilhas que me forçaram seguir.
Traço a rota do desvio no desvario
das troças que me obrigaram ouvir.
Agora é questão de honra e brio.
Por enquanto, ainda rondam os palhaços
no circo erguido pra despistar percepções.
Eu não durmo.
Eles haverão de dormir.
E então, irei...
e
será pra sempre....
25.03.2008 - 21h20min
Coragem
Foges. Te escondes dentro de ti mesmo.
Procuro por ti entre as letras lançadas
ao vento, colhidas pela folha de papel
que eu já conhecia...
Foges. Tens medo de qual de nós dois?
É de mim, ou de ti que te recolhes?
Um vento frio anuncia a chegada do outono
e a continuação da tua fuga.
Até quando?
25.03.2008 - 01h09min
Inclusão
As diferenças tantas, tamanhas, tacanhas...
As diferenças são cantos, arestas, volumes...
As diferenças são cordas que nos amarram ao outro,
ao invés de nos amarrarem ao poste da indiferença.
As diferenças são bem-vindas à minha vida,
à tua, aos espaços e planetas que nos circulam.
As diferenças nos fazem únicos e permanentes
ao mesmo tempo que nos mostram o quanto somos
i n t e r d e p e n d e n t e s.
Quais são as nossas diferenças? Idade, altura,
espaço ocupado na Terra, família, cultura,
que outro motivo nos impede de S E R M O S?
Que outra razão me impede
de te incluir
na minha vida?
Que outra razão te impede
de me incluir
na tua vida?
25.03.2008 - 01h03min
segunda-feira, 24 de março de 2008
Pela minha cabeça...
O que me passa pela cabeça
não é palavra não é sentença
não é delírio, sequer mistério.
O que me passa pela cabeça
é só um suspiro, um certo pesar
um pensar em branco, meio sombreado
feito de vinho e profunda solidão.
O que me passa pela cabeça não é nada
comparado ao que me passa pelas mãos:
facas, cordas e estilhaços
de vidros, de peles, de algodão...
Mas tudo isso é só um suspiro...
Nada mais que um breve suspiro...
Um suspiro só...
24.03.2008 - 20h28min
o que faz um ponto... III
O universo de cada um é um mistério
igualmente diferente um do outro.
Diferentemente único.
Unicamente esquecido entre os iguais.
Destaco as folhas em branco,
da agenda vazia de sentidos e opiniões.
O alfabeto é minha estrada.
O dicionário, meu pai.
O caderno, meu fado.
O desejo de dizer, meu carrasco.
Os pontos, as vírgulas, as reticências,
meus irmãos, parentes e amigos.
A caneta vazia de tinta
minha solidão anunciada....
24.03.2008 - 01h26min
Para Adrebal
o que faz um ponto... II
Será que a alma bate
ou é a vida que bate na gente?
E se a vida bate na gente
porque é que a gente não morre?
Batida de vida corrige ou seqüestra a alma?
Seqüestro de alma enlouquece ou faz ver mais longe?
Ver vale a pena, ou seria melhor não ter olhos?
São os olhos ou as palavras que vêem?
As palavras, então, têm alma?
24.03.2008 - 01h18min
Adrebal sempre me faz pensar...
o que faz um ponto...
um ponto desata um nó
ou o nó é o próprio ponto?
o ponto é o xis da questão
ou o xis é só outro alimento?
o alimento é um nó na garganta
ou a garganta é o nó da existência?
a existência é um nó que dói
ou a dor é que é a prova da existência?
24.03.2008 - 01h11min
A partir de uma conversa com Adrebal
Da morte...
O brilho da estrela só é visto
após a sua morte. Antes disso
ela brilha sozinha, na escuridão
de um universo inteiro,
que pesa sobre ela.
24.03.2008 - 01h09min
Restauração
Prudência
Embaçado, o meu olhar
Meus olhos, anuviados,
o que traduz meus passos
em atrapalhadas trocas de pés.
Melhor ficar parada
e esperar que o céu se abra.
Dissipar a densa névoa
é obra da passagem do tempo.
Escolher o caminho a seguir
é responsabilidade minha.
Esperar é sensatez.
Calar, inteligência...
Shhhhhhhh.....
O próximo passo
ninguém deve saber...
Aos 42 minutos do dia 24.03.2008
Imagem
A luta é diária... extrapola a escultura.
Espada que trespassa o dia.
Dor.
23.03.2008- Domingo de Páscoa
quinta-feira, 20 de março de 2008
Desiderata*
Siga tranqüilamente entre a inquietude e a pressa,
lembrando-se de que há sempre paz no silêncio.
Tanto quanto possível sem humilhar-se,
mantenha-se em harmonia com todos que o cercam.
Fale a sua verdade, clara e mansamente.
Escute a verdade dos outros, pois eles também
têm a sua própria história.
Evite as pessoas agitadas e agressivas:
elas afligem o nosso espírito. Não se compare aos demais,
olhando as pessoas como superiores ou inferiores a você:
isso o tornaria superficial e amargo.
Viva intensamente os seus ideais
e o que você já conseguiu realizar.
Mantenha o interesse no seu trabalho,
por mais humilde que seja,
ele é um verdadeiro tesouro
na continua mudança dos tempos.
Seja prudente em tudo o que fizer,
porque o mundo está cheio de armadilhas.
Mas não fique cego para o bem que sempre existe.
Em toda parte, a vida está cheia de heroísmo.
Seja você mesmo.
Sobretudo, não simule afeição
e não transforme o amor numa brincadeira,
pois, no meio de tanta aridez, ele é perene como a relva.
Aceite, com carinho, o conselho dos mais velhos
e seja compreensivo com os impulsos inovadores da juventude.
Cultive a força do espírito
e você estará preparado para enfrentar
as surpresas da sorte adversa.
Não se desespere com perigos imaginários:
muitos temores têm sua origem no cansaço e na solidão.
Ao lado de uma sadia disciplina conserve,
para consigo mesmo, uma imensa bondade.
Você é filho do universo,
irmão das estrelas e árvores,
você merece estar aqui e,
mesmo se você não pode perceber,
a terra e o universo vão cumprindo o seu destino.
Procure, pois, estar em paz com Deus,
seja qual for o nome que você lhe der.
No meio do seu trabalho e nas aspirações,
na fatigante jornada pela vida, conserve,
no mais profundo do seu ser, a harmonia e a paz.
Acima de toda mesquinhez, falsidade e desengano,
o mundo ainda é bonito.Caminhe com cuidado,
faça tudo para ser feliz
e partilhe com os outros a sua felicidade.
20.03.2008 - 23h43min
*DESIDERATA - Do Latim Desideratu:
Aquilo que se deseja, aspiração.
Este texto foi encontrado na velha Igreja de Saint Paul,
Baltimore, datado de 1692. Foi citado no livro
"Mensagens do Sanctum Celestial", do Fr. Raymond Bernard.
O texto é de Max Ehrmannn
e foi registrado pela primeira vez em 1927.
Hoje em dia pertence a © Robert L. Bell.
Texto e informações no site:
http://ilove.terra.com.br/lili/palavrasesentimentos/desiderata.asp
Cosmopolita
Não é sempre que se abre
uma clareira no meio de densas árvores
de concreto e cimento armado.
Não é sempre que se trançam os cabelos
nos passos da embriaguez da alma
não provocada por álcool ou destilados
mas pela beleza da candura da menina
ou pela delicadeza do vôo da borboleta branca.
Não é sempre que se faz dia claro
que o orvalho congela na ponta
da folhagem protegida pela marquisa
que um raio de sol acaricia teus olhos
que um pingo de chuva se junta a uma lágrima tua.
Não é sempre que o burburinho da cidade
é apenas e tão somente som difuso
mas é sinal de vida e pulsação
para o bem e para o mal
para o sonho e para o real
para a coragem e a escravidão.
Não é sempre que um eclipse
se deixa ver por olhos humanos
corrompidos pela tristeza do mundo moderno.
Não é sempre que uma estrela nova
explode na escuridão do universo
em meio ao silêncio solitário do cosmos
ou ao barulho ensurdecedor desse mesmo
c o s m o s...
Cosmopolitas somos nós todos
filhos de uma cultura dinâmica
e imprevisível, que dá e tira com a mesma
rapidez e sem nenhuma cautela
que oferece e remete ao óbvio
e também à novidade tão grande
que fica difícil definir...
"Você é filho do universo
irmão das estrelas e árvores
você merece estar aqui..."*
20.03.2008 - 23h32min
*Trecho da Desiderata
http://ilove.terra.com.br/lili/palavrasesentimentos/desiderata.asp
quarta-feira, 19 de março de 2008
Do vil metal
pode até ser comprado;
uma vida, não...
Um dia ainda escrevo um tratado
sobre o trato que penso merecer
essa gente que só valoriza e vê
o brilho do metal que compra tudo
menos a alegria de viver....
Aos 10 minutos do dia 19.03.2008
(Imagem: http://www.cosmo.com.br/humor/images/2007/5/31/moedas1.jpg)
terça-feira, 18 de março de 2008
Eu SOU...
Sou alguém em permanente construção.
Sou quem grita e ensurdece o vizinho.
Sou quem cala e nunca consente.
Sou agressiva e cruel, doce e carinhosa.
Sou ingênua e geniosa.
Sou a força e o fel, o medo e a ansiedade.
Sou estátua e dança.
Sou alguém que anseia por liberdade.
Sou alguém que chora de saudade.
Sou alguém que ama e odeia
em medidas iguais.
Sou intensa e desnuda.
Não finjo, não minto,
não torço pela injustiça alheia.
Sou rouquidão, silêncio, loucura.
Mas antes, e principalmente,
sou solidão...
18.03.2008 - 23h43min
Só...
Decididamente
estamos sós...
rodeados de estranhos,
somos ilhas...
serpenteando entre nós,
nosso sangue...
sós...
eu...
tu...
nós...
isolados entre saldos
negativos de verbos
silenciados de outros...
sós...
o poder que sobe à cabeça
o saber que desce aos pés
o sonhar que morre no dia
a morte que ronda o prato
da ceia do domingo de Páscoa.
sós...
eu...
tu...
nós...
que não estamos juntos
embora pareçamos unidos...
nós...
miseráveis
embora tenhamos nascido juntos...
nós...
que crescemos sem lei
embora pareçamos retos...
sós...
nas mãos dos manipuladores profissionais
sós...
Um dia desatamos os nós a sós
como sempre estivemos...
sós...
18.03.2008 - 23h31min
segunda-feira, 17 de março de 2008
Castelos de areia
Construo castelos de areia.
Na beira da praia
as ondas que quebram
são língua de sereia
cântico de morte e encanto.
A filosofia não protege quem sabe.
A sabedoria não esconde quem foge.
A história não depende de quem morre.
Escolho as palavras exatas
que encolham o sentido do verbo
que ainda não encontrei.
Compreendo a sorte e planejo
a próxima estratégia para fugir dela.
Não trago ferimentos abertos
ou cicatrizes profundas
oriundas das dores e vertigens
de cegamente andar nas sombras
do que desconheço e do que busco
desintoxicada das convenções
impostas diariamente a todos os seres.
E aceito os açoites das terceiras intenções
que desconhecem os perigos que enfrento
ou que desdenham do que considero ilusão.
Sou contrária e ouço vozes alegres
que falam de coisas distantes que eu não vi.
Sou louca, originária de uma terra onde não nasci.
Sou impaciente, intolerante, intransigente.
E construo castelos na areia
e moro neles
e neles sou feliz....
Aos 49 minutos do dia17.03.2008
E agora, Drummond?

Se fico, sou presa fácil
a ver navios sem velas
sem velar o mar azul.
Se parto, morro na praia
esgueirando-me à toa
entre as palmeiras e os orvalhos
de madrugadas sem estrelas
de versos soltos sem poemas
de encantamentos derretidos
nas horas de absoluto pesar.
Se sonho, corro o risco
de acordar exausta e vazia
pra descobrir que o mundo é este
que rodeia minhas crinas
que rareia meus imprevistos
que diminui as possibilidades.
Se acordo, aceito o fato
do sol estar morrendo
do dia ser meu hoje
do riso real que sou aqui.
Se espero, desconfio.
Se desespero, confino.
Se construo, não sei.
Se sei, desenformo.
Torno novo o ontem feito.
Dito minhas próprias regras
meus fusos horários desordenados
minhas impressões escassas
na roda da vida no sono de agora.
A oportunidade estendida
tapete vermelho na escada
que sobe, não se sabe pra onde.
Mas sobe...
E eu não sei onde a opção.
E eu não sei onde a versão
do que é verdadeiro e forte.
E eu não sei onde a escolha.
E agora, Drummond?
Aos 31 minutos do dia 17.03.2008
domingo, 16 de março de 2008
Eternos poetas
... poetas nunca deveriam desistir,
ainda que as musas se alternem,
ainda que inexistam,
ainda que se revelem
imperfeitas ou
inadequadas ou
infelizes...
Os poetas, esses,
devem permanecer pra sempre,
ainda que doloridos
pelas descobertas ou
pelas encobertas dores...
Os poetas, esses, não podem deixar de escrever...
Nunca.
16.03.2008 - 01h26min
Tecelã de versos
Com uma palavra
teço a trama do verso
na folha branca da agenda
vazia de si mesma
transbordante de mim
e de além de mim.
Meu vôo nas asas poéticas
não tem descanso
ou agito ou remanso.
É viagem certa no verbo
é vantagem vasta no dito.
Mergulho no mar dicionário
dirijo sem rumo, me aprumo.
Agora não sou mais eu.
Agora é a palavra que mora em mim.
Teço a trama do verso
o resto é resto...
16.03.2008 - 01h04min
Meus versos esperam....
Meus versos são desesperadas tentativas de fuga
do silêncio que ronda meus ouvidos na madrugada madura
do roubo de vida que os dias me obrigam a ver
do rombo na lua que a chegada da estrela vazia
torna precisa e insegura a estrada que estou por dizer.
Meus versos são salvação e susto d'alma branca
ligeiros deslizes da sofreguidão com que corro
ao encontro desses braços que não estarão lá
que inexistem ou sugerem o sonho desfeito
insatisfeito desejo de razão entre os ventos e
incertezas nas curvas percorridas pelo coração.
Meus versos são marcas na pele arrepiada de frio
tatuagens de símbolos significados sussurros suores sons
são linhas dançantes de bailarinas invisíveis
que prevêem o próximo movimento e entristecem
são luzes vermelhas que indicam o perigo e o cuidado
são cruzes e velas e barcos e algozes e exércitos e charcos
por onde meus pés se molham e por onde minhas mãos
deslizam e desligam e desmontam e desmentem e desesperam...
Meus versos esperam...
Aos 52 minutos do dia 16.03.2008
quinta-feira, 13 de março de 2008
Por mim...
Sombras são princípios de formas
inexatas de algo que vai além.
Formas são princípios de sombras
exatas de algo que não vêem.
Moldo a forma da autoria da minha vida:
quem me deu o direito de ser eu mesma?
EU!
Escolho os feijões que quero plantar
na horta mágica das minhas alquimias
de letras e versos e monossílabos átonos
misturados às sensações dos invernos passados
ao pé de um fogão à lenha e
um disco de pinhões assados na brasa.
Saudade de um sossego quentinho
do ombro do homem que amo
do som da risada de algodão ao meu ouvido
espumante poema escrito com gosto e cor de vinho.
Calculo a falta que fazem as páginas de amanhã
nessa leitura que sempre me espera
com gosto de surpresa e admiração.
E agradeço...
13.03.2008 - 23h52min
Liberdade
Abro as asas
alço vôo
liberdade
eis-me aqui!!!!!!!!!!!!!!!
Ando livre pelos caminhos abertos por mim
sem pegadas alheias, diviso as direções que me pertencem
ou que traçam meus avanços pela estrada afora
que não se interrompe nem cessa de estender-se à frente.
Labaredas de fogo iluminam meus passos paroxítonos
escrevo versos como quem toma um copo d'água doce
e se acalma da barbaridade da rua de fora
do meu mundinho de poemas escolhidos a dedo-de-dama.
Domo a passagem do tempo e adormeço entre as plumas
das vertigens dos concursos dos folhetos das fuligens dos folguedos
que sopram num vento de insônia na minha espinha vertebral.
Ilusão é o delírio de uma realidade que trafega náufraga
no dilúvio de acertos e desacertos que castigam os dias
que vêm chegando nos atropelos das horas medidas e contadinhas
enfileiradas diante dos relógios de pulso de bolso de parede
medíocres marcações do fatídico efeito da passagem de um tempo
que não se sabe direito o que é a que veio quando quanto onde é se é que é
ou o que quer que se considere que seja... ou não...
O outono solta as folhas das árvores e espreguiça as palmeiras azuis
ah... palmeiras sempre serão azuis...
E 'sempre' é um espaço que cabe nos meus dias
D I A R I A M E N T E
minha estrada se esparrama por esse espaço
é nele que danço
é nele que sei ser
essa
que sou...
13.03.2008 - 23h39min
Palav...
As palavras dançam nas folhas, nos ouvidos, nos lábios,
bailarinas suaves de hipnotizantes movimentos leves
convincentes argumentos poéticos delirantemente belos
p a l a v r e a d o . . .
13.03.2008 - 01h07min
quarta-feira, 12 de março de 2008
Miscelânia
Voa ao vento minha saudade
sopra o pensamento e a espera
da canção ouvida à janela
no espaço aberto sem lei.
Sopra ao vento a eternidade
voa o instante e o lamento
o consolo de um anjo distante
que sorri, complacente e belo,
embala a coragem de não-saber
o que haverá de ser
o que haverá de vir.
Canta o vento na proximidade
o esforço de nitidez e de tormento
nas cortinas dançantes
de tule transparentemente branco.
O banco da praça aguarda
que o dia amanheça
que a noite anoiteça
que novos passantes nasçam
que a vida aconteça normalmente
como se o sol ou a chuva
não se importassem se o trem descarrila
ou se a porca torce o rabo
ou se o xarope é bom pra tosse.
O trinco da porta destranca o riso
e abençoa a floricultura da esquina
onde as bromélias são viçosas
e os vínculos têm afetivo odor de rosas.
O enfeite na porta convida à entrada
de quem se considera eleito
de deuses e anjos diferentes
que perambulam pelos campos solitários
e encontram, em seus preâmbulos,
nada além de uma xícara de chá de hibiscus
pra pintar de vida o nosso tão comum
dia de hoje...
12.03.2008 - 20h01min
terça-feira, 11 de março de 2008
... a melodia da saudade...
te sè
y eso es todo
porque lo demàs es
aquello de amar y desamar
es como reìr y doler
el asunto es que te sè
somos
y es màs allà de eso
canta meu peito ao som da tua voz distante
aproxima meu peito do som da tua voz presente
las repercusiones de su canto, el silencio
el silencio distendido por los kilòmetros
pero no hay distancia ninguna
al final y al principio la voz nace en el otro
el que por momentos es uno
ninguno
distancia e saudade
distância e saudade
aproxima meu peito do som da tua voz presente
las repercusiones de su canto, el silencio
el silencio distendido por los kilòmetros
pero no hay distancia ninguna
al final y al principio la voz nace en el otro
el que por momentos es uno
ninguno
distancia e saudade
distância e saudade
não há...
11.03.2008 - 01h01min
(Simone Aver e Roberto Amezquita)
11.03.2008 - 01h01min
(Simone Aver e Roberto Amezquita)
domingo, 9 de março de 2008
sábado, 8 de março de 2008
Quem eu penso ser...
Sou uma incógnita
e um livro aberto.
Sou letra que não pode ser
escrita
sou letra que não pode ser
lida
sou letra que não pode ser.
Sou ilusão.
Imagem na tela colorida
de um mundo em extinção.
Sou vulto, sombra, telepatia.
Sou viveiro de pássaros
na cabeça do poeta mexicano.
Sou assombração.
Sou constância e demência.
Ouço vozes, vejo coisas,
desato nós e ato imprevistos
passos travessos na estrada
que está por ser aberta.
Sou linha de trem descarrilado.
Sou o trem.
Sou a linha.
Sou o vagão perdido
fechado em ostra.
Sou o nada
que desabrocha em cada verso
onde haja encanto
encontro da magia com a música.
Poesia.
Paixão.
08.03.2008 - 20h43min
e um livro aberto.
Sou letra que não pode ser
escrita
sou letra que não pode ser
lida
sou letra que não pode ser.
Sou ilusão.
Imagem na tela colorida
de um mundo em extinção.
Sou vulto, sombra, telepatia.
Sou viveiro de pássaros
na cabeça do poeta mexicano.
Sou assombração.
Sou constância e demência.
Ouço vozes, vejo coisas,
desato nós e ato imprevistos
passos travessos na estrada
que está por ser aberta.
Sou linha de trem descarrilado.
Sou o trem.
Sou a linha.
Sou o vagão perdido
fechado em ostra.
Sou o nada
que desabrocha em cada verso
onde haja encanto
encontro da magia com a música.
Poesia.
Paixão.
08.03.2008 - 20h43min
quinta-feira, 6 de março de 2008
Hora marcada
Exupéry escreveu, eu assino embaixo:
"se vens às quatro da tarde,
desde as três começarei a ser feliz";
e acrescento, humildemente, no meu terno desejo
de fazer-te ver o quanto me és caro:
se vens às quatro da tarde,
desde o instante primeiro
em que eu soube disso
ou que adivinhei, ou sequer suspeitei
que viesses às quatro,
ou às três,
ou à meia noite,
ou quem sabe às seis,
fui mais do que feliz.
Andei saltitante à tua espera.
Corri pelos bosques e ri alto,
criança solta entre brinquedos raros.
E sonhei contigo.
E cantei com o sonho que tive contigo.
E dei-te minhas mãos e minha vida,
no sonho que tive contigo.
E sentamos juntos, debaixo da macieira,
pra contar histórias vividas,
engraçadas ou sofridas,
pra lembrar passados
e rir das lembranças tidas;
no sonho que tive contigo.
Até que venhas à hora marcada
e ao invés de sonhar
eu viva contigo...
Aos 11 minutos do dia 06.03.2008
quarta-feira, 5 de março de 2008
Condicionantes?
Sem chuva, que graça teria o sol?
Sem sol, qual o desejo de chuva?
Se não fosse a esperança, o que seria dos homens
que andam desgarrados, à procura de abrigo
não para o corpo, que este qualquer marquise oferece,
mas para a alma, para o peito coberto de feridas,
nenhuma cicatrizada, todas doloridas?
Se não fosse um sorriso, que cor teria o dia?
Se não fosse um abraço, qual a força da dor?
Se não fôssemos todos
o que seria da vida?
Se não fosse a vida,
o que seria do amor?
No primeiro milésimo de segundo do dia 06.03.2008
ou no último milésimo de segundo do dia 05.03.2008
A ORIGEM DA MORTE

Mitos sobre a origem da morte envolvem com freqüência uma discussão entre dois seres, como no seguinte relato do povo shoshoni das planícies ocidentais.
No tempo antigo, as duas figuras mais importantes eram o Lobo e o Coiote; este sempre tentava contrariar os desejos do Lobo. O Lobo disse que quando uma pessoa morria poderia ser trazida de volta à vida atirando-se uma flecha na terra abaixo dela. Mas o Coiote disse que era uma má idéia trazer pessoas de volta à vida, porque haveria gente demais. O Lobo concordou, mas decidiu em segredo que o filho do Coiote seria o primeiro a morrer, e só com esse pensamento provocou a morte do menino. Logo o triste Coiote contou ao Lobo que seu filho havia morrido. Ele lembrou as palavras do Lobo: que as pessoas poderiam reviver se uma flecha fosse atirada embaixo delas. Mas o Lobo alegou o que o próprio Coiote havia dito: os homens deviam morrer. E desde então foi assim.
In:MITOLOGIAS - Deuses, heróis e xamãs nas tradições e lendas de todo o mundo - Organizador: Roy Willis (Publifolha)
05.03.2008 - 23h28min
*Imagem: Obra de Salvador Dali, em http://z.about.com/d/cleveland/1/0/e/5/-/-/softcma.jpg
*"Mundo, mundo, vasto mundo..."
Há mundos e fundos
e fuscas velhos
abandonados em terrenos baldios.
Há mundos e mundos
abandonados em bairros baldios.
Há mundos e mundos
nos mundos dos fundos dos poços
em que abastados moços
riem alto e reclamam da boa sorte tida.
Há mundos e fundos
mergulhados na imundície humana
na lamentável falta de assistência
em todos os sentidos.
Há fundos mundos à parte
vivendo malditos e esquecidos.
E há medos nos mundos...
Em todos os mundos há medos fundos
de que outros mundos tomem
os mundos que pertencem a estes,
àqueles, ou a terceiros.
E há mundos perdidos dentro dos quartos,
entre as quatro paredes dos barracos
de uma única peça que não se sustenta há anos
mas que sobrevive...
e fuscas velhos
abandonados em terrenos baldios.
Há mundos e mundos
abandonados em bairros baldios.
Há mundos e mundos
nos mundos dos fundos dos poços
em que abastados moços
riem alto e reclamam da boa sorte tida.
Há mundos e fundos
mergulhados na imundície humana
na lamentável falta de assistência
em todos os sentidos.
Há fundos mundos à parte
vivendo malditos e esquecidos.
E há medos nos mundos...
Em todos os mundos há medos fundos
de que outros mundos tomem
os mundos que pertencem a estes,
àqueles, ou a terceiros.
E há mundos perdidos dentro dos quartos,
entre as quatro paredes dos barracos
de uma única peça que não se sustenta há anos
mas que sobrevive...
Os mundos convivem à força, e, no fundo,
forçam as entradas das entranhas das gentes.
Sim.
Os mundos são feitos de gentes....
Os mundos são feitos do fundo de nós...
05.03.2008 - 21h01min
*Esse título é um verso do Poema de sete faces,
05.03.2008 - 21h01min
*Esse título é um verso do Poema de sete faces,
do eterno Carlos Drummond de Andrade
**Imagem colhida esta tarde, enquanto esperava o ônibus
que me levaria ao meu destino...
terça-feira, 4 de março de 2008
'Sei que nada sei'
Rebuscando entre os poucos aprendizados
que tive ao longo de quase metade da minha vida
descobri que nada aprendi, que nada salvei.
Sou um tanto de conceitos que se renovam
a cada momento, como as células do meu corpo,
como as expressões do rosto de quem amo.
Não sei nada sobre nada, porque
tudo renasce a cada instante,
tudo se modifica toda hora,
tudo se reconstrói,
cresce, às vezes desaparece,
outras vezes simplesmente carece
de qualquer outra definição. Apenas é.
Rendo-me às lições que me rondam.
Nessa segunda metade da vida,
quero aprender....
04.03.2008 - 23h
Catarse
Escrever é um vício
que me traz alívio
de tudo o que me enche
e não tem por onde escorrer.
Transbordo o que me vai
por dentro de dentro de dentro
de...
Não guardo pudores neste ato
como não guardo pudores
naquele ato, é fato que
o fogo queima e levanta bolhas
e as bolas de fogo que cuspo
nas páginas brancas que lês
são meus desatinos
meus absurdos
meus impropérios
meus alfinetes
e colchetes
e remédios.
Sortilégios que se bastam
a si mesmos, exaustos de andarem
presos entre as grades das convenções
que me obrigam a andar numa linha imaginária
que eu não pintei!
Rente à vida segue a corrente maldita
da tradição.
Debato nos meus versos
a revolta que me cabe
e a que não me cabe
e a que não quero ver
e a que me cansa
e a que me lança
pra longe do universo direitinho
e estreito dos dois olhos que são um
e por isso mesmo vêem pouco
e limitam a visão do outro
por imposição
por disposição
de encaixotar o visto
e negar o existente
que está ali
nas fuças do vivente.
Esperneio pra que as cordas não me prendam deveras.
Soqueio as paredes e minhas mãos se ferem.
Choro.
Não sei para onde correr.
Busco explicações nos poetas que amo.
Alento.
Consolo.
Esperança.
Neles, esse mesmo desejo de muda.
Essa mesma gana de muda.
Esse mesmo grito de muda.
E mudo.
Emudeço.
Medito.
Sossego.
Ardo em febre.
Curo as feridas.
Suo.
Bendigo.
Mendigo um pouco de água
num deserto de belezas puras.
Purifico a mente.
Esqueço...
04.03.2008 - 22h52min
segunda-feira, 3 de março de 2008
Eis a questão:
Se uma fração de segundos pode mudar uma vida,
o que dizer de um dia inteiro?
03.03.2008 - 02h16min
domingo, 2 de março de 2008
Os 50 mais...
Atendendo a uma proposta do Fabrício, amigo, poeta e irmão (não de sangue, mas de coração), disponibilizo a lista dos 50 livros que mais gostei até hoje. Fabi pediu que eu colocasse na ordem de preferência. Infelizmente não vai ser possível fazer isso, com exceção dos dois primeiros. Os restantes não tenho como classificar, já que tenho todos como livros mais do que maravilhosos e para os quais volto sempre que possível, com a mesma gana da primeira vez; minto: com uma gana maior que da primeira vez, já que, depois da segunda, já sei o quanto aprendi naquelas páginas e quanto prazer sinto em revisitá-las. Logo, depois de tentar colocá-los em ordem de preferência muitas vezes, desisti de tamanho trabalho, não vi coerência na minha classificação; nem coerência nem constância, já que fiquei trocando de lugar muitas vezes...rs...
Aí vão os 50 mais, pra mim...
*Geórgicas - Virgílio
*Genoma - Roberto Amezquita
*Ensaio sobre a loucura - José Saramago
*Médico de homens e de almas - Taylor Caldwell
*Assim falava Zaratustra - Nietzsche
*O livro dos abraços - Fernando Galeano
*Einstein, explique, por favor - Jean Claude Carrière
*A escola que sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir - Rubem Alves
*O príncipe - Maquiavel
*Para além do bem e do mal - Nietzsche
*A sujeição das mulheres - Stuart Mill
*Ensaio sobre a liberdade - Stuart Mill
*A estátua e a bailarina - José A. Gaiarsa
*A cegueira e o saber - Affonso Romano de Sant'Anna
*Mensagem - Fernando Pessoa
*Ecce Homo - Nietzsche
*Amores sobre o Don - Heinz G. Konsalik
*Crônicas de uma educação vacilante - Claudio de Moura Castro
*A arte de escrever - Schopenhauer
*O alienista - Machado de Assis
*Estrela da vida inteira - Clarice Lispector
*O ser e o nada - Jean Paul Sartre
*A divina comédia - Dante
*A hora da estrela - Clarice Lispector
*A paixão segundo G.H. - Clarice Lispector
*Água viva - Clarice Lispector
*Mito e significado - Claude Levi-Strauss
*A psicanálise dos contos de fadas - Bruno Bettelheim
*Livro do desassossego - Fernando Pessoa
*O morro dos ventos uivantes - Emily Bronte
*Vigiar e punir - Michel Foucalt
*Casa grande e senzala - Gilberto Freyre
*1984 - George Orwell
*Quando Nietzsche chorou - Irvin D. Yalom
*O dia do curinga - Jostein Garder
*O mundo de Sofia - Jostein Garder
*Metamorfose - Kafka
*O caçador de pipas - Khaled Hosseini
*Insustentável leveza do ser - Milan Kundera
*A menina que roubava livros - Markus Zusak
*Confesso que vivi - Pablo Neruda
*A alegria de ensinar - Rubem Alves
*O nome da rosa - Umberto Eco
*Eneida - Virgílio
*O tempo e o vento - Érico Veríssimo
*Inteligência Emocional - Daniel Goleman
*O poeta ao piano - Michiko Kakutani
*Satiricon - Petrônio
*A hora de todos - Quevedo
*Todos os de Mário Quintana (o que me faz citar aqui mais de 50... desculpa, Fabi, ultrapassei os limites...rs)
02.03.2008 - 19h30min
Conseqüência
Forneces uma palavra
com ela te faço um verso
se me deres um verso
escrevo um poema
se me ofereces um poema
invento um conto
se,porém, um romance ofertares,
então terás nas mãos
a vida dessa poeta...
Traça na mão que escreve
a linha da vida...
02.03.2008 - 17h52min
Sangrando
Enlouquecida ando a passos largos
pelas avenidas de letras malditas
evitadas por transeuntes menos afeitos
às descobertas ousadas ou às perigosas
incursões pelo mundo hostil da escultura
em argila quente e da viagem sem volta
para o mundo construído além, que ninguém viu.
Volteio em danças sem acordes
e acordo os cães raivosos de baba venenosa.
Não busco nada além do verso
que jamais escrevi.
Não crio nada que não grite aos teus ouvidos.
Fúria e terror na linha do café expresso
sobre a mesa de um bar desconhecido
na companhia de um bêbado velho e sujo
de quem ninguém sabe o que será...
Medito sobre os passos que não dei
e sobre os fantasmas que carrego comigo.
Transporto os desejos que tenho nas costas
em largas aljavas feitas de saco amarrado
e tingidas com meu sangue fresco.
Sou sangue. Sangro o tempo todo.
Verto vida agri-doce por meus poros todos.
Energia que não cabe em mim.
Transbordo e te assusto deveras.
Não condeno as fugas ou os medos
ou os momentos em que evitas
o turbilhão de emoções que afugenta.
Eu sangro.
02.03.2008 - 17h42min
Desejo
Vestiu-se de negro e saiu na noite escura.
Assim camuflada descobriu que só o que queria era ser notada...
02.03.2008 - 17h13min
*Um miniconto
I-limitado
O limite da exaustão é uma marca.
Sono insuficiente.
Comida insuficiente.
Leitura insuficiente.
Amor demais....
02.03.2008 - 01h04min
Exposição
Esculpo versos numa folha virtual
que só toco através de um teclado.
Proponho imagens co'a imagem que faço de mim.
Exponho meu peito à crítica alheia
e enveredo por um caminho claro
de duas concepções: a minha e a de quem me lê.
Mas eu não conto.
Uma vez escrita, sou letra e impressão.
Uma vez escrita, transporto-me ao universo
único e plural das vozes múltiplas
dos conhecimentos diversos
das várias interpretações.
Meu corpo aberto e nu.
A alma sobre a mesa.
E olhos famintos a engolir
o interior do interior do interior
do que ainda virei a ser...
Aos 54 minutos do dia 02.03.2008
Criação
Compulsiva, crio poemas que gritam
de dentro de mim.
Repulsiva, grito crias poéticas de mim.
Criativa, esqueço de mim
e não crio....
Aos 45minutos do dia 02.03.2008
Sobriedade
Desordem na importância das horas
acordo quando deveria dormir
durmo quando deveria acordar
não devo, quando deveria
devo, quando não deveria
recuso-me a andar nos trilhos
evito as trilhas e prefiro os caminhos
ainda não abertos por mãos alheias
exploro, imploro, recolho impressões
inexatas e cheias de erros pagãos
não sei o que digo e
dito mistérios alquímicos
para um escrevente invisível
que me olha sem me ver
e me sorri um sorriso desdentado e cru
não sei o que sigo e
sinto a cegueira dominando o mar
não sei o que desconheço
nem o que conheço
nem o que não sei.
Ando a esmo, meio sem rumo
ou propósito de ilha perdida
ou deserta ou povoada de estranhos
seres compostos de estrelas
e brilhos artificiais.
Lúcida.
Aos 42 minutos do dia 02.03.2008
Transbordamento
A fonte do verso volta a verter
forneces alimento e loucura
suficientes para fazer nascer
verbos aos cântaros
palavras dançantes
delirantes desígnios vocabulares.
Escrevo sem pensar
sentir é que é o segredo.
A textura da linha
a textura da letra
a textura da pedra
que apanho devagar
e construo o primeiro
degrau da escada
que me fará ver
o que não sei...
Aos 32 minutos do dia 02.03.2008
Compasso
Confundo os caminhos que me levam ao destino exato
todas as pedras se fundem num só mistério
não há mais que estrelas mortas no céu sem luz
e o arco-íris brilha na minha janela, depois que teus olhos
lacrimejaram, saudosos de um tempo que ainda não vivemos
ou sim, ou já, ou além de nossa percepção pequena.
Confesso os descaminhos e desculpo os horários diversos
que entrelaçam as dificuldades e os abortos de monossílabos:
eu, tu, nós...
Visto-me de orvalho e infinito na noite fria e úmida
que se transforma em madrugada e escuridão precisa
conforme a inexistência do tempo ou da visão que tenho dele
e de tudo o que ele representa: os dragões, as serpentes, as rugas,
os equilíbrios e as loucuras, os desejos latentes e as conquistas suadas;
os versos, as canções, as imagens que não se formaram
e as que tivemos entre delírios e ilusões; e as que não tivemos...
e as que apenas tivemos, sem promessas ou propostas,
sem sequer palavras ou traduções em línguas nossas;
e as que tivemos em secreto ou em aberto ou em qualquer
outro espaço que não o de dentro ou o de fora ou de cima
sentidas sem pena ou compromisso com o que quer que seja
diferente do que é simples e belo, como o amanhecer de um novo dia.
Tempo.
Linearidade.
Distância.
Vontade.
Não há.
Corro entre as cobertas que escondem o amanhã
que desconheço e estremeço entre as penas que virão
ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não
os instrumentos de percussão tamborilam nos meus ouvidos
poesia instrumental que mora em mim
no meu peito
sempre que te vejo
sempre que te toco
sempre que te...
Há.
Aos 21 minutos do dia 02.03.2008
todas as pedras se fundem num só mistério
não há mais que estrelas mortas no céu sem luz
e o arco-íris brilha na minha janela, depois que teus olhos
lacrimejaram, saudosos de um tempo que ainda não vivemos
ou sim, ou já, ou além de nossa percepção pequena.
Confesso os descaminhos e desculpo os horários diversos
que entrelaçam as dificuldades e os abortos de monossílabos:
eu, tu, nós...
Visto-me de orvalho e infinito na noite fria e úmida
que se transforma em madrugada e escuridão precisa
conforme a inexistência do tempo ou da visão que tenho dele
e de tudo o que ele representa: os dragões, as serpentes, as rugas,
os equilíbrios e as loucuras, os desejos latentes e as conquistas suadas;
os versos, as canções, as imagens que não se formaram
e as que tivemos entre delírios e ilusões; e as que não tivemos...
e as que apenas tivemos, sem promessas ou propostas,
sem sequer palavras ou traduções em línguas nossas;
e as que tivemos em secreto ou em aberto ou em qualquer
outro espaço que não o de dentro ou o de fora ou de cima
sentidas sem pena ou compromisso com o que quer que seja
diferente do que é simples e belo, como o amanhecer de um novo dia.
Tempo.
Linearidade.
Distância.
Vontade.
Não há.
Corro entre as cobertas que escondem o amanhã
que desconheço e estremeço entre as penas que virão
ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não
os instrumentos de percussão tamborilam nos meus ouvidos
poesia instrumental que mora em mim
no meu peito
sempre que te vejo
sempre que te toco
sempre que te...
Há.
Aos 21 minutos do dia 02.03.2008
*O registro do arco-íris foi feito no instante
mesmo de lacrimejante saudade...
sábado, 1 de março de 2008
Caímos
perdemos de vista as luzes
alumiamos escuridões
escorregamos nos corrimões
das escadas que nos levaram
para além do espaço reservado
a cambaleantes ilusões.
Cercamos o jardim
recolhemos as folhas dos plátanos
espalhadas pelo caminho
amareladas de outono
esperanças claras de renovação
e alimento de beleza constante
anualmente presente no dia.
Cercamo-nos de sorrisos
e palavras inteiras
mordiscadas aos poucos
deliciosamente perfumadas
de essência de limão e mel
buscamos o alucinado ritmo
da manhã que se anuncia no horizonte
como se fosse um baile de formatura
como se fosse um sonho de princesa
e um embrulho de mistérios e névoas
brancas como as penas do ganso que voa
para seu destino e sua realidade única.
Queremos o gosto da vida.
Queremos a seiva da solidão...
01.03.2008 - 01h47min
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Pretexto
O endereço certo é o teu peito
aberto para meu verso
disposto à minha palavra.
O espetáculo marcado pra hoje
tem reprise amanhã
com novo elenco
porque nos renovamos
refazemo-nos constantemente
somos outros, somos vários;
diversos moram em nós.
Não somos singulares.
Plurais, dançamos em grupo
alternamos falas e conceitos
concebemos diferentes pretextos
pra sermos...
nós...
28.02.2008 - 23h21min
O que há
Há canções, espelhos, corações
segundas, terceiras, décimas intenções.
Há línguas, linguagens, gestos e jeitos
de dizer e des-dizer, fazer e des-fazer.
Há toques, re-toques, escolhas e sentires.
Há construções e destruições
versos e contradições
surpresas e recepções.
E há nós...
28.02.2008 - 23h16min
Conteúdo
Um livro não carrega apenas a história contada pelas palavras nele impressas. Um livro contém a alma de quem o escreveu, mas também contém a de quem o leu. De quem o teve nas mãos e mergulhou em suas páginas. De quem chorou sobre suas folhas, ou colocou entre elas uma flor, para secar.
Um livro tem o cheiro e o humor daquele a quem pertenceu. Se descansa na prateleira da livraria, tem o cheiro característico da novidade, de quem pacientemente espera ser desvendado. Se mora na estante da tua casa, tem a tua cara, o teu jeito, a tua aura. Acrescentas às palavras contidas nele, as tuas próprias, escritas à caneta, ou não. Ainda que nunca rabisques uma linha sequer em suas páginas, ali estarão tuas impressões todas. Solenemente gravadas para toda a eternidade.
E se emprestas teu livro, a ele são acrescentadas as impressões de quem o leu. E ele cresce. E volta para ti, enriquecido. Relê, então. Constatarás que algo nele mudou, mesmo que tal mudança seja quase imperceptível.
Um livro é uma caixinha de música, que toca a melodia de várias almas.
Quem tem ouvidos, que ouça...
28.02.2008 - 22h37min
Somam-se planos
aos versos conjuntos.
Juntos, somamos anos
sonhamos ânimos
aninhamos versos
ninamos verbos
compramos terras
e construímos jardins.
Juntos, resgatamos livros
antigos escritos diversos
impressos amarelados
que o tempo não destruiu.
Somos.
Somamos espaços
incompreensíveis
voamos sem asas
mergulhamos sem máscaras
navegamos sem roupas
rompemos barreiras
enfrentamos distâncias
escolhemos caminhos
caminhamos lado a lado.
Somos...
28.02.2008 - 21h59min
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Notas
Calculei as horas incertas
na certeza que não tive
nem nunca desejei ter.
Busquei a surpresa no detalhe
que mora amanhã
no que será hoje.
Vim a ser infame
quis teu couro
instrumento de percussão
e saber
do balanço que me dança
no peito, desde o dia
ou a noite
ou o instante primeiro
gravado no infinito
-não importa quando-
em que chegaste à porta
da minha vida
que esperava por ti.
Data sagrada
bendita linguagem
interesse que grita
entre as distâncias
e os desassossegos
todos...
Muitas horas brancas
imagens jamais repetidas
esforços recompensados
arrepio na espinha.
Mais que isso...
Transcendente sensação de
infinito...
27.02.2008 - 23h35min
Sonâmbulo
O sono chega
na carona do sonho
desce na fala atrapalhada
conta de duendes e fadas
estica a coberta da noite
sobre a bandeira exausta.
O sono anda pelo quarto
e fala co'as paredes
conta causos e ri,
sonora melodia noturna.
Enverga a madeira escura
que a lua lixou com capricho
alhos e bugalhos são espelhos
da insônia rendida
nos braços do agitado dia.
Os passos dóem nas pernas
os compromissos acumulham cansaços
e os pesos se prendem aos ombros
a cama é sereia cantante
embriagante descanso que chama:
Vem...
24.02.208 - 23h17min
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
QUINTANARES
"Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquele alguém que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente não é o alguém da sua vida. Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você. O segredo é não correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até você. No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!"
Mário Quintana - Eterno!
26.02.2008- 21h23min
Criança que ninei
A risada gostosa de bebê
inda mora na garganta
daquela que se fez mulher.
Os primeiros passos relutantes
hoje são firmes e sabem ir;
seguem os caminhos escolhidos
as trilhas, os atalhos, as estradas
que a vida se encarregou de abrir
e os sonhos trataram de pavimentar.
A primeira escola, o primeiro tombo,
a primeira preciosa palavra,
a canção de ninar
e o primeiro salto alto.
Eu vi.
E sei que
a risada do bebê
inda mora na garganta
daquela que sabe o que quer.
Aos 17 minutos do dia 26.02.2008
(Para Carol, minha afilhada e sobrinha amada, no dia do seu aniversário)
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Gingado
A missa das seis parou quando ela atravessou a nave. Todos os anjos, solenemente, disseram "Amém"...
25.02.208 - 23h55min
*um conto minimalista
Tu
Criar
fazer acontecer
viver
plantar um sonho
alternativo
colher o fruto doce
deixar que escorra
o sumo da vida
garganta abaixo
navegar nas tuas intenções
tender a acreditar
na verdade que se borda
de obstáculos
caídos um a um
dizer estrelas
aprender a voar...
25.02.2008 - 23h23min
Nós
Trilha aberta a fogo
improviso do verso
que dirá a medida
inexistente do que
de ti há em mim
troca de energia
ativa e altiva
ultimatum da brasa
que arde sem dor
brilha a tua estrela
em plena luz do dia
irradia a esfera
de longos tentáculos
que me alcançam
e ditam a longitude
a latitude o ritmo
do sangue que me corre
impaciente
nas veias estremecidas
artérias que dão conta
desse teu sangue em mim.
25.02.2008 - 23h18min
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Intensidade
Tudo muito forte
tudo muito inteiro
tudo muito perto
entranhado no peito
feito fio de navalha quente
vem rasgando os instantes
os delírios, os imprevistos.
Tudo muito novo
muito presente
muito constante.
Energia.
Vida.
24.02.2008 - 23h43min
sábado, 23 de fevereiro de 2008
Vírtua
Nascer.
Nos primeiros passos, cambalear.
Nos seguintes, ser salva por ti.
Dançar sem música.
Mergulhar nas possibilidades.
Perder-me.
Encontrar direção nas tuas pegadas.
Navegarte a toda vela.
Corpo. Mente. Coração.
Pontos de vida na tela.
Virtudes reais.
23.02.2008 - 15h45min
(Simone Aver e Roberto Amezquita)
Declaração
Declaro aqui, agora, nesse instante,
que minha alma anda em outro corpo.
Que meu peito não me pertence.
Que meus sonhos são construídos diariamente.
Que gosto de tudo o que é natural e espontâneo.
Que o rio que me atravessa, é o mesmo que molha os teus pés.
Que a vida que escolhi não foi escolhida à toa
eu quis a que tivesse espaço pras coisas boas
eu quis a que me desse flores e dores
e pelo menos um amor verdadeiro
pra escrever uma história de sucesso.
O sucesso que passa ao largo das bilheterias
do que a mídia considera ideal.
Declaro que sou feliz.
23.02.2008 - 15h
Pertença
Não sou mais minha
não me pertenço mais
não me tenho mais em mim
troquei de casa
moro em ti desde sempre
desde quando esperava por ti
e não te sabia...
No te sabía
y sin embargo sabía que vendrías
no sé de saber
no sé de nada
hablo, muevo el microcosmos de tu presencia
siempre te supe danzando mi recuerdo infundado
siempre sentí que lo que sentía eran tus pasos
tu silencio
la atmosfera del placer de tu nombre
solo un nuevo suspiro de anhelarte me indicó
que aún sin saberte
te sabía
mia poeta amada
tu ondular el camino
tu improvizar la nada
ando tu sombra desde que la luz nos dejo otro tiempo
desde que la luna perdió el hilo de la marea
y no más marionetas giraron entre el alba
otra ves surge de ti, en ti, contigo,
un asomo cruzado de ésporas luminosos
somos desde siempre
somos...
Sei que me ouves nas horas do dia
nas horas da noite, nas madrugadas,
e vens ao meu encontro
pra fazer parte do meu sangue
pra respirar por mim
pra percorrer os centímetros
da minha pele
que é tua
da minha alma
que dança pra ti
dos meus instantes todos
que te entrego sem medo
dos meus sonhos
que incluem os teus
do que fui e do que sou
do que viremos a ser...
pele da minh'alma
olhar que me atravessa
mãos que alisam todas as curvas
e exploram todas as possibilidades...
Tua
Tuyo
23.02.2008 - 02h29min
(Roberto Amezquita e Simone Aver)
Catarse
São tuas as mãos
que carinhosamente descortinam
as presenças de teus outros
nos centímetros da minha pele.
Música.
Tens música nas mãos.
A mais perfeita já composta.
Melodia sentida pelos poros
dançada nos olhos, num crescendo...
...me laté más rápido el corazón
más perto de ti
mi respiración ha cambiado
el alma esta entre ti
es contigo...
Catártico encontro d'almas...
23.02.2008 - 01h12min
(Simone Aver e Roberto Amezquita)
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Contexto???
Latejantes vocábulos soltos
interjeições descontextualizadas
histórias entrecortadas e
lacrimejantes olhos de dentro
dos D O I S...
Es una larga sensación de volar
de caer de un precipicio...
Poema único
escrito a quatro mãos.
As minhas e as tuas
entrelaçadas, no encontro febril....
SOMOS
SOMOS
23.02.2008 - 02h
(Simone Aver e Roberto Amezquita)
Tua
Tua língua passeia pelas minhas palavras
porque a ti pertencem meus gestos
meus gostos, meus sais, meus suspiros todos.
Teus são meus nervos de aço
o que eu acho, o que eu penso,
suspeito, acredito e repasso.
Meus versos, meus reversos,
paranóias, neuroses e ilusões.
Meus acertos, medos, confusões.
Confortos, saudades, intenções.
Minhas mãos, estendidas pra ti.
23.02.2008 -14h27min
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Tantra
Arrepio
sopro leve no ouvido
sabor de sal na língua
pele
espaço preenchido
suspensão de delírios
propensão ao soluço
terremoto
tremor de pernas
torpor de idéias
confusões mentais
nos movimentos dos membros
embrionário desejo
olhos postos
nos olhos do outro
observação mútua
vertigem
sedução.
20.02.2008- 23h59min
Espera II
O sonho demorou tanto que o sono foi embora. E trancou a porta, ao sair....
20.02.2008 - 18h12min
De vinhos e escolhas
Devidamente escolhida, a taça quebrada.
O vinho partido na mesa
o riso partilhado no chão.
O pão e o queijo e a uva
a parte que te cabe na colheita madura
o sentimento de mais valia...
A longa viagem estende os braços
alonga o espaço e a espera dura.
O riso servido com pão.
A rosa partida na mesa.
O vinho rosé na taça.
A tênue linha
tensa...
20.02.2008 - 01h34min
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