sábado, 21 de novembro de 2009

Rastro

Não deixo pistas
repito o mantra
das perguntas sem resposta
e descontraio a fibra exausta.
Não deixo iscas
reparo a mancha
das respostas sem pergunta
e desenlaço o assovio exposto.
Não deixo assombros
escondo a goma na grama amanhecida
enveredo pelo compartimento
que não existe
mas me insta a silenciar.
Não deixo rastro.
Estou.






21.11.09 - 01h11min

Ver

Teus olhos tristes
te acompanham desde sempre
debaixo das tuas pálpebras
nos teus porões
nas tuas superfícies.

Não disfarçam,
esses teus olhos tristes
nem mudam;
enternecem...





Aos 17 minutos do dia 21 de novembro de 2009

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Merecida pausa


Descanso minh'alma cansada
n'alma d'arte
pr'eu não esquecer
do que mais prezo
em tudo e em mim:
 sentir...






19.11.09 - 20h11min
*Foto tirada na 7ª Bienal do Mercosul - POA - 07.11..09

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Não quero partir

Se quero partir
sopra-me à nuca
o vento norte
minuano fresco
de livre calor.
Se quero partir
à mente me vem
tuas pastas
teus estudos
os protestos teus.
E não quero partir...



18.11.09 - 23h19min

domingo, 15 de novembro de 2009

Poetar

Fazer versos é postar construções d'alma
desfazer os monstros em rimas
afrontar a imagem de costas
contar os dias com cantigas de ninar.
Fazer versos é modelar a lua
escalar montanhas de tremores
abdicar do próprio espaço
assumir os pés descalços
eclipsar  a alegria
poetar...





15.11.09 - 14h07min

Bem querer

Se houvesse medida
eu te diria
que é esta
e assim seria
a forma precisa
do quanto te quero.
Se houvesse...




15.11.09 - 14h02min

Caos

Tomo nota de restos de antigos versos
que não cheguei a escrever
na tábua rasa do meu quarto vazio
nas asas de aleijados querubins.
Resgato passos em falso
falseio indicações precisas
das quais desconfio, não sei por que.
Encontro desatinos e intervalos
mergulhados nas fendas escuras da dúvida
de tudo o que ficou suspenso
do que nunca foi esclarecido
nem o será.
Retiro minhas migalhas de estrelas
das frestas do telhado de vidro
quebrado pela nota aguda mais alta
saída da garganta do tempo
que eu cansei de destruir.
Nego a luz da ribalta
arremesso balões no meio do caos
cascalhos de assuntos quebrados
entornos de espelhos sem fios.
Descanso na rede
esqueço a hora e a melodia.
Desisto da tarde
por ser cedo
ou por não haver mais...
Recomeço.




15.11.09 - 13h57min

Milagre

Jurei meus dedos oprimidos
juntei-me às turbas
investi meus diários
às folhas vazias
de estreitas linhas tortas.
Não fui única nem mágica.
Não fui coroa nem reza nem canção.
Nasci no riso da lua
no coachar de um sapo rebelde
na alegria do óleo sagrado.
Assumi a chuva de pétalas brancas
converti meus escritos em testamento
cerrei as pálpebras.
Cri.







Aos 7 segundos do dia 14.11.09

sábado, 14 de novembro de 2009

Pra valer

Às vezes se fala
outras se cala
nem sempre se consente
nem sempre se entende
nem sempre é sempre ou nada.
Às vezes é tudo
outras é pele
nem sempre é sangue
nem sempre é sede
nem sempre é céu.
Às vezes é exato
outras é demência
nem sempre é tempo
nem sempre é raso
nem sempre é mundo.
Às vezes é dor
outras é pensamento
nem sempre é razão
nem sempre é rasgo
nem sempre é fundo.
Às vezes é temperatura
outras é escolha
nem sempre é corrida
nem sempre é luta
nem sempre é solução.
Às vezes é vida
outras é literatura
nem sempre é existência
nem sempre é velocidade
nem sempre é pista molhada
aventura
ou ilusão...





14.11.09 - 23h
Às vezes é pra sempre.
Essa vez é pra valer...

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Pequeno Príncipe

Não é um livro
é uma pessoa
e não é qualquer
não é pequeno
nem é príncipe;
é mais...

Não responde,
pergunta
e exige resposta imediata.
Não pergunta
e exige resposta imediata.
Não exige
tem imediata resposta.
A única possível:
SIM.






13.11.09 - 03h17min

Companhia

Dispenso as respostas e as perguntas
quando tua vez me alcança
sem licença ou pedido qualquer.
Se passeio por aqui ou a...qui
é por essa razão fora das convenções todas
(essas mesmas que te disse detestar)
e que te inclui, meio que à revelia.

Revelaria todas as minhas intenções
se isso não me custasse a tua companhia
que me sustenta sobre meus pés
e estes sobre essa terra fria:
firme e forte
e, principalmente, conTIgo
pelo que for.








13.11.09 - 03h03min

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Vício

Palavra  é vício
cultivado alegremente.
Planta regada religiosamente
pra não perder os acentos
os tremas e as tremedeiras
provocadas pelos tons
pelos tonéis
pelos tamanhos
das letras e dos sentidos
experimenta(menta)dos
na ponta
dos dedos
dos olhos
das línguas...



12.11.09 - 21h22min

Sim (não?)

Algumas coisas são mais simples
que qualquer explicação possível
resumem-se a um curto SIM
ou, talvez, outras e muitas vezes,
a um questionável definitivo NÃO.
Algumas sangram doces suores
outras mascaram dissabores
pisam cascalhos de gelatinas
cospem fagulhas de flores.
São pétalas guardadas de lágrimas ditas
ou restos de folhas rasgadas
fotografias esquecidas
em gavetas de móveis desenhados.
São roupas coloridas
e afetos necessários bem servidos
em bandejas de prata reluz-ente
pela espera prometida
crida
um dia alcançada
(talvez).
Algumas coisas são SIM
as outras, todas....






também....








12.11.09 - meio dia
SIM ( "...não?")

Voejar

Voo a pé
talvez chegue mais tarde
mais devagar
mais cansada;
talvez, às vezes,
desista,
e volte atrás
na nuvem da rua 2003.

Voo a pé
faço bolhas
e machucados
nas plantas dos caminhos
entre os dedos das ruas
que trilho, na pressa
de chegar onde não sei.

Voo a pé
e não presto atenção
se ao meu lado seguem
cegos ou videntes astutos;
meu desejo é alcançar o destino
pintado na pedra da vida
antes mesmo d'eu nascer.

Voo a pé
sem asas ou bengalas
de hastes de bandeiras e margaridas brancas
sem diferença alguma entre umas e outras
ou entre os dentes e os ossos das pernas nuas
debaixo do lençol de soft
qu'inda não tirei da cama deste persistente inverno.

Voo a pé
sou som
imagem e lembrança
no meio de uma tarde qualquer
ou numa madrugada afinada
de um reflexo iluminado
por um par de jovens sobrancelhas negras.

Voo a pé
encerro o dia
cerro a cortina
assino a obra.






Aos 9 segundos do dia 12.11.09
Um voo raso
por um meio sorriso teu...

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Tu

Mãos estendidas sobre o cetim avermelhado
ventos esticados sob o tapete aveludado
dias desiguais, sem sombras ou dúvidas
inesperados afagos de rastros no meio de uma tarde qualquer.
Hoje.

Algodões embrulhados na areia do tempo.

Não conto as horas nem as partilhas
muito menos antecipo sonhos amassados.
Cozinho as porções de alegrias no calor do corpo
que te doo sem reservas,
invólucro da alma que a ti pertence há tempos.

Se forem opiniões conjuntas
ou compartilhados méis
que sejam...




11.11.09 - 23h09min

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Poesia




Em 07.11.09; mais que só uma visita: POESIA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!



09.11.09 - 22h21min

Pintura

Voam pétalas de lembranças
nos ventos das corças
amarradas à chuva de nuvens suspeitas.
Circulam querubins e quebrantos
nas claras campinas de velas
nas peles das virgens calmas:
chamas de melodias extintas. Sutís.
Banham livres os raios de escaldante calor
remexendo as marés e os amores
de faunos e freiras, mortificados de pudor.
Embriagados de familiares escolhas
cortam universos barbeados de encantos
e flores azuis, festivas guirlandas avessas.

Cá comigo, entorno o caldo da vida
entrego as algemas e os anéis que nunca usei
abro as comportas de vibrações escuras
observo papéis picados aos montes
e absorvo a linha sem sentido
que devora os índices enjaulados
e beija a canção presa na garganta.

Cá comigo, entorto a manhã
devolvo as explicações que não tenho
invento uma nova forma de beijo
e castigo a linha do sentido.

Delicada sensação de vidro fosco
na embaçada fúria suspensa...





09.11.09 - 21h24min

domingo, 8 de novembro de 2009

Havido

DIANTE DO MURO
A PORTA NÃO BATE
O PULSO DO AR NÃO TRANÇA
A CRIANÇA NÃO ESPERNEIA
E O TRATO NÃO TRANCA.
DIANTE DO MURO
O PARTO É À PARTE
E OS PROTESTOS ESPREITAM
AS ESTREITAS LETRAS PARES...

TODAS AS PARTICULARIDADES
JÁ TENDO HAVIDO...


Aos 23 segundos do dia 08.11.09

Arte



A arte nos absolve
dos nossos próprios desejos
das vezes que não contamos
quantos sopros tem um começo
ou quantos começos tem um SIM.
A arte nos desobriga
dos desertos e das paciências
das tantas vorazes promessas feitas
e das outras tantas quase cumpridas
por não dependerem quase da gente.
A arte é grão de areia colado
em pingo de chuva impertinente;
um verso, um feto, uma dúvida,
um nome, um vento, um fato, um líquido,
uma porta, uma saída, um caso,
uma escolha, um encontro, uma linha,
uma obra, um veneno, uma folha em branco.

Uma folha,
um branco,
um dia...


A arte é um dia...




No primeiro segundo do dia 08.11.09

sábado, 7 de novembro de 2009

ParTIcularidades

Imagino as sendas

por onde plantas as plantas dos teus pés

nas tuas corridas.

Apresento construções interiores

aos meus outros 'eus'

e eles não reconhecem nada

além dos teus traços,

os rastros que te seguem

e arrastam meus versos

por conta própria

e livre e alegre vontade.

Não sou dona de mim:

emprestei minhas verdades

aos teus 'is'

que permeiam os grãos de arroz

no meio do teu prato branco.

Ninguém mais com teu sotaque

ou teu jeito de calcular um pé após o outro

como se desse único passo

dependesse todo o teu futuro.

Ninguém mais com tuas histórias

ou teu riso de menos da metade de tudo

ou tua lista de livros preferidos,

tuas escolhas vegetais,

teus filmes, canções e formas.

Ninguém mais com teu suspeitado gosto,

teus gestos contidos,

teus mistérios, tuas exigências.

Ninguém mais com tua exclusividade

ou tua presença continuada.

Ninguém mais com tuas cobranças,

interferências, provocações.

Ninguém com tua fartura

ou com teus propósitos,

tuas intenções,

teus fins de semana,

teus telhados, teus esportes,

teus tratados, conhecimentos, compromissos,

teses, des-crenças, dúvidas,

inícios ou coragens.

Ninguém mais a TI repetir.

Ninguém mais...

em mim...







21.10.09 - 17h07min

Acontecências




Consciências
consequências
insolências
sonolências
insistências
desistências
solvências
advertências
reticências...



Aos 12 minutos, das 23 horas, do dia 07 de novembro de 2009


terça-feira, 20 de outubro de 2009

Promessa

Nenhuma outra postagem,
em nenhum dos meus blogs,
até que.... ACONTEÇA!
.
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.
.
.
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20.10.09 - 23h

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Cá entre nós

Ao pé do ouvido
nessa noite fria te conto:
descobri não sem medo
que a alegria é maior
e muito mais bonita
que a felicidade.
A primeira é calma
traz meio sorriso
e dura uma vida inteira
inda que uma lágrima
bochecha abaixo role
de quando em vez
ou de vez em sempre;
a segunda é gargalhada
faz barulho e preenche
todos os espaços em branco
mas dilui-se entre os dedos
e se perde nas luzes
ou nas vertigens
por ela mesma provocadas.
Sempre haverá
quem de mim discorde.
Não faz mal, não.
O que valor tem de fato
é que se busque
com cuidado e paciência
essa coisa que sentido
dá à vida
e aos olhos, brilho.
O resto
é consequência...
14.10.2009 - 20h55min

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Se quiseres me ganhar

Há que teres a dose certa de inteligência
que inteligência se mede, sim,
com fita métrica de pensamento,
coerência e coesão, yang e ying.
Há que teres uma pitada de ironia
e um toque de antipatia
pra eu nunca vir a saber
se estás rindo de divertido
ou se me provocas por prazer.
Há que teres uma depressão contida
e um fundo de tristeza, no olhar;
gostar de arte, criança e mar,
e inventar rimas, fingindo poetar.
Há que teres disponível
muito tempo para o estudo
e disposição dobrada
pra me ensinares tudo.
Há que seres humildemente orgulhoso
e orgulhosamente sutil.
Há que teres no nome
um recheio oblíquo
e que no peito te palpite
um mais que bom coração.
Se quiseres me ganhar...
09.10.2009 - 20h18min

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Bipolaridade?Eu sei a quantas ando...

Estou na fase eufórica.
Tinha até esquecido
a sensação única
desse pólo de cá.
Os últimos meses,
temperados de chuva
e nublados dias
foram de uma depressão-monstro.
Não tão violenta
a ponto de desejar
não mais existir pra sempre
mas não mais existir
por um tempo...
Forte o bastante
pra roubar-me as forças
os desejos
as curiosidades
as pequenas (e grandes) alegrias
todas.
A eternidade
termina um dia
e eu rolei
pr'esse extremo de energia;
o colorido é outro
o perfume é outro
o ritmo é outro
outras são as pessoas
outras palavras
outras canções.
Tenho vontade de ouvir música
e criar.
Tenho ganas de ler poesia
e criar.
Tenho desejo de beber alegorias
e criar.
E dividir.
Não deixo de ver os problemas
mas eles já não me assustam.
Não deixo de sentir cansaço
mas ele já não me trava.
Nem física
nem emocionalmente.
Sou grande e inteira.
E até sou bonita!
Ah,
é tão bom ficar por aqui!....
07.10.2009 - 19h28min

terça-feira, 6 de outubro de 2009

De louco e poeta

Tenho um amigo
paulista/poeta
que insiste em dizer
que me faço de louca
mas certa da cabeça
sempre vou ser.
Esse tal amigo
diz que meu sonho
acordada ou dormindo
era ter nascido doida
de pedra
de ouvido
de delirante umbigo
só pra ter o prazer indizível
de ser diferente
e talvez dessa forma
não precisar 'dizer'.
Não sei se é nele a razão
não sei se a razão é em mim
não sei sequer se quero saber
até porque
de louco e poeta
além de mendigo e doutor
todo o mundo tem um tanto
o meu pouco eu guardo aqui
e te ofereço
se aceitas, fico grata
caso não, sinto, mas não morro
que de vida tenho sede
e de morte um dia vejo
agora não
agora não
que agora estou ocupada
à milésima maluquice
dando plena vazão
.
.
.
06.10.2009 - 21h41min

Desejo

... roçar
inda que por breve instante
as vestes do impossível...
06.10.2009 - 21h33min

Ventania

Não erre.
Não são poesias
que publico nessa folha virtual.
São meus sangues
sangrantes motivos
dilacerando-me as carnes vermelhas.
Não erre.
Não minta.
Não são palavras
que escrevo nessa fina linha virtual.
São meus sabores
saboreantes limites
deliciando-me as auras azuis.
Não erre.
Nem tente.
São minhas vidas
que derramo nessa fria via virtual
viventes amores
amparando-me as asas (vio)lentas.
Não erre.
Vente...
06.10.2009 - 21h07min

Circo e fome

Circo, para o povo,
que o pão,
há muito deixou de ser
moeda de troca,
já que essa mesma gente,
que tanto o espetáculo cega,
não come mais,
nem pão
nem esperança
(nem ilusão?
essa existe, ainda,
no picadeiro prometido
pra dois mil e dezesseis...
triste ilusão...)...
06.10.2009 - 20h23min

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Ele é quem eu queria ser

Ele é uma daquelas boas surpresas
que a vida, de vez em quando, nos reserva:
tem um riso lindo
que pouco usa;
tem pouca idade
que parece muita;
tem hábitos saudáveis
que eu invejo,
mas não copio;
tem uma legião de fãs
eu, a última;
tem uma Gorda que ele adora
e um milhão de loiras muito lindas;
tem uma inteligência rara
e raros momentos de loucura
embora eu o considere doido
daquela maluquice bem-vinda
que té parece não ser, mas é;
tem um jogo de cintura
um jogo de palavras
um jogo de cartas marcadas
que eu não sei onde aprendeu
mas que dá lição sem dó
sem pena
sem pudor algum;
tem a língua presa de vez em quando
e o S mais lindo que eu já ouvi;
tem paciência
sapiência
competência de sobra,
e não admite o fato
de jeito nenhum;
tem um SIM que vive ao lado dele
e no fim de uma frase qualquer,
tem um 'NÃO?';
tem um movimento que é só dele
e um sentimento que ninguém tem;
tem um par de tênis velhos
e um bloquinho de anotações;
ele é completamente deprimido
depressivo jamais;
em dois anos
ele mandou um e-mail,
mas esteve sempre aqui;
ele odeia meus escritos
(às vezes)
e ama meus versos
(às vezes)...
Goste ou não
inda que nada
se invente
eu queria ser ele
mas não posso ser,
'NÃO?'...
02.10.2009 - 20h13min
(A rima óbvia da última estrofe
é só uma obviedade...hehe...
O que será que ele vai me dar,
no Dia da Criança? :-))

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

EnTItular

Comparei gato com lebre
empreendi outras luas
e saciei a vontade de liberdade
que consumia os meus sinônimos.
Sou Shim'On sem temperatura ou ligação com tempo aliás nem sem mais o que é o tempo ou sei tão bem, que tremo. Concordo com o senso comum e desvencilho meus pés da estrada que não trilho nem conheço por absoluta falta de precisão. Convenço terceiros, quartos e quintos da minha proposta incoerente e sempre tenho um P ou um B antes dos meus EMES. Todos os cantores entoam canções de chuva e os trovões retornam sem pena às gargantas dos espectadores às minhas gargantas todas de todas as outras que habitam em mim. Sou dezenas de extremos feito pernas de polvos gigantes tentáculos ensurdecidos por interrogações mil. Se não tens sequer uma resposta afasta-te de mansinho e só observa de longe essa minha dança de feridas e mordeduras descalças. Se tiveres ao menos uma suspeita sê bem-vindo às minhas questões transforma meus mistérios em soluções e desvenda minhas tramas nas reticências que nem eu ouso despertar. Se tiveres um pote de vegetais nas tuas veias e se tua poesia for irônica se teus gargalos escolherem o sarcasmo e se tua imagem refletir orgasmos de raios de sol se tuas lembranças incluírem meios sorrisos e se a 'Gorda' dormir aos teus pés se tuas escolhas forem diferentes e se relutares em dividir tuas dores então haverá um líquido horizonte nas tuas pálpebras e te reconhecerás nas minhas pupilas dilatadas ao mirarem as tuas... 01.10.2009 - 22h11min

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Cegueira

Aumentei o tamanho dos fatos deliciei a retina úmida nos olhos secos de inverno primaveril; concordei com as eras e as heras invadiram os selos; solucionei mistérios importunei ausências retornei à adolescência adormecida; despenteei as horas despenquei dos sentidos santifiquei orvalhos amassei o pão que não comi nem precisei. Ataquei as franjas dos minutos desvencilhei a garganta tranquei as mordaças abri as janelas e as vidraças. E nada vi... 30.09.09 - 21h (... mas ouvi um riso de criança e foi só por isso que sobrevivi...)

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Emocionar-se

Gosto das letras que emocionam gosto de não poder conter as lágrimas essas gotinhas insistentes que aparecem sem licença e despudoradamente assumem o comando dos nossos olhos pra não falar do coração... Gosto mesmo quando as tais gotinhas chegam a existir sem aparecer - quantos outros sentires guardamos que jamais aparecerão aos outros? - mas inundam o peito de tal maneira que é como se tivéssemos chorado a vida inteira. Exagero? Qual nada! É assim que deve ser a emoção verdadeira. Aquela coisinha miúda que não desgruda que é eterna e que tanto bem faz à gente. Experimente.... 28.09.09 - 21h40min

Poetar

Quando a poesia te corre nas veias basta uma vírgula um riso um sal nos olhos um colírio qualquer uma flor uma frase uma alegria mínima uma tristeza mínima uma agonia mínima; basta uma cor de sangue ou um sangue azul talvez só o tipo do teu sangue; talvez só um nervosismo repente ou um repentino aperto de mãos ou uma partida num repente ou um repartido aparente, pra fazer verter essa coisa que não se explica mas que te habita e te domina e te toma num instante sem licença ou aviso: in-verso... 28.09.09 - 02h13min

Promessa

Se não parar de chover
juro que viro Sol...
28.09.09 - 02h07min

Imagem

Um sopro de lua estrelou-me a pele de arrepios derreteu-me os suores noturnos desenhou-me a dança no ventre da noite. Nas pontas dos pés o sono não veio. Nas pontas dos pés Morpheu insone foi meu par ... 28.09.09 - 02h04min

Insolente insônia

Não dormir hoje
é quase como impedir
que a manhã rompa a noite
e outro dia comece tudo de novo.
Não dormir hoje
é iludir-se que o hoje não termine
de puro medo do que amanhã haverá.
Amanhã não guarda
nada além de mistérios
e são eles que afogam os delírios
são eles que fazem tudo se transformar
em possíveis eventos
em passíveis eventos
em plausíveis eventos
inventos
intentos
insultos.
Amanhã torna tudo palpável
ao virar hoje
e matar o hoje
que se perdeu;
com ele, tudo o que foi meu.
Amanhã mitifica hoje
pinta de um colorido inexistente
- e é tão pouco provável o inatingível -.
Não dormir hoje
é perpetuar a hora.
Ou não...
01h58min - 28.09.09

Desconcerto

Não preciso de permissão pra sonhar nem ele precisa da minha, pra invadir-me as noites; ele, o sonho, esse monstro diuturno esse monte cancioneiro. Provoco ondas na relva pranteio curvas na relva pressinto ossos na relva. Vendaval assusta os cães raivosos arranca os telhados das luas despenteia as melenas dos leões prepara a travessia d'outra noite insone povoada de vícios e tramelas nas janelas velhas. Caminho aberto nem sempre é certo nem sempre é seguro. Muitas vezes, melhor lavar a roupa antes de despudorar-se no banho de chuva fria escorrida das cordas do violão desafinado que jamais aprendi a cantar... Desatino desconcerto sonho ou loucura? 28.09.09 - 01h20min

Tempero

Hei de arredondar as arestas do poço seco da garganta vazia como nascem todas as estrelas nas noites de inverno ou de verão ou de perfumada primavera sem vigílias ou restos ou desconhecidos rostos nos panos rotos das cortinas levadas pelos ventos tortos que balançam meus cabelos encaracolados de revoltas e reviravoltas entre teus dedos de lua e vertigem ardida. Pimenta e sal. Aos 59 minutos do dia 28.09.09

Entre a palavra e o silêncio

Tem vezes que só o que eu quero é calar.
Não brota de mim um único verso;
sequer um verso amargo.
Nada.
Nenhuma frase que se aproveite.
Nenhuma palavra que provoque outras ao grito.
Nenhum desejo de dizer.
O silêncio, então, é meu companheiro,
e mergulha comigo numa mudez severa,
quase doída,
completamente doida,
daquela doideira
que os outros consideram normalidade.
Porque a minha palavra é louca.
E quando ela cala,
eu até pareço igual aos que me cercam:
o orvalho me molha,
a chuva me molha,
o suor me molha.
Quando ela fala
eu sou outra,
eu não existo:
a água me adormece,
o calor me atiça,
o tiro me aviva.
Quando a palavra me fala,
sou qualquer coisa que triunfa,
n'algum ponto que ninguém desvenda,
porque não encontra,
e não encontra porque está perdido
entre as folhas amareladas
do livro da minha vida torta.
A mesma vida que de vez em quando
se dá o direito de calar,
e,
por instantes,
se acreditar parte d'algo maior,
té que a torrente de vocábulos
exploda de novo
destrua o dique
e me obrigue a abraçar
minha assumida sina:
a solidão completa...
Aos 49 minutos do dia 28.09.09

Volta

Volto assim, meio sonolenta
meio dispersa
meio confusa
como desnorteados são meus dias
e meus pensamentos de versos difusos.
Volto assim, meio extremada
que não sou mulher de meios:
meias palavras
meias usuras
meias entregas
nunca.
Volto assim, meio desconfiada
e afio as facas sem gumes
nos lumes das estrelas vagas.
Volto assim, meio voraz
de bênçãos
de beijos
de balanços gerais.
Volto aos poucos
pra chegar inteira
e preferir ficar.
Volto...
Aos 37 minutos do dia 28.09.2009

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Omertà

Shhhhhhhhhhhhhhhh 25.09.09-22h58min

Na cara

Vergonha na cara é coisa que não tenho. Na cara tenho uma pinta uma dúzia de rugas e um brilho oscilante que se acende quando TI vê... Vergonha não sei onde foi nem sei se sequer existiu. Na cara tenho uma pinta onde planto uma dúzia de estrelas e oscilantes rugas acesas. Anis. Quando TI vejo ou TI sonho ou TI adivinho. Ou... (Tá na cara, tchê...) 25.09.09 - 22h26min

Cicatriz

Carga de telhas quebradas nas calhas enluaradas de jóias castigos de pontas de vidros em vôos de asas sem anjos quadrantes de brotos de vagens sem caldos doces ou caveiras dispostas em círculos ou raios de sol. Amanhece num rasgo o experimentado futuro inspirador... 25.09.09 - 22h10min

Reivindico o vento....

Reivindico o direito de ficar muda de não ver nascer a inspiração de sobreviver ereta e tranquila sem sobressaltos ou ilusões. Reivindico um quarto de lua e uma dose de coragem na veia de rum pra nunca mais sacrificar o espelho na imagem que não vi se formar. Reivindico a vontade de sol e calor a moldura do dia e o brilho da madrugada a canção sofrida e a voz do fantasma desnudo. Reivindico a claridade a clareza a clarividência a verve a virtude o vento o vento... 25.09.09 - 22h

Sei não...

Houve um tempo em que minha poesia foi um suspiro de dor de alívio de tensão... sei não... Sei não onde foi parar o verso que não escrevi a rima que ficou no ar o riso que não explodi o suspiro... sei não... A caneta não arrisca o verbo nem o antes nem o depois do que já não espero... sei não... Sequei... Sequei? Sei não não sei... 25.09.09 - 21h

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Extinta

Na última chuva forte afogou-se minha poesia. Triste dia triste dia... 11.09.09 - 15h17min

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Batom

Batom vermelho. Mais que sedução, força. De batom vermelho, enfrento o trânsito e transito entre os passantes desconhecidos, que nem suspeitam quem sou. Mais que colorir o rosto, minh'alma se ilumina de sangue quente. O mesmo sangue passional que me ferve nas veias expostas, versos do meu próximo poema. Uma leve melancolia me acompanha. Essa mesma que nasceu comigo, e comigo entrará no céu. De boca vermelha, ouço Maysa: "Ne Me Quitte Pas". Um adeus vermelho, sangrado, pulsante, vital. Um quase não-adeus... De boca vermelha, de alma vermelha, de vermelhas faces, abro a porta e recebo de braços abertos as flores da vida: pétalas de rosas vermelhas, ainda que ladeadas de espinhos, lindas, perfeitas, perfumadas. Vale a pena... 10.09.2009 - 15h37min

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Movimento

Invado a tenda e grito NÃO! Corto o fino e delicado umbilical cordão e lavo os panos sujos de sangue seco. Espero a redenção inexistente na irrevogável escolha de ir. Não olho pra trás nem sinto meus pés dormentes. Alcanço um invejável estado de calma depois da explosão expulsa d'onde nunca estive de fato d'onde jamais estaria. Nenhum argumento seria suficiente para colar-me às mãos letras mortas portanto não tente entender nem crucifique minhas entranhas nos paus da crueldade cética. Não tenho medo da troca nem da confiança. Desconfio do intruso e me intrometo nas minhas próprias escolhas como se o abandono fosse só uma estrada ou só a pétala de uma outra flor que eu desconheço embora pressinta o perigo que exala o perfume da estrela distante. Passagem. 31.08.2009 - 22h30min

Titubear

Todas as saliências dos ditos não-ditos dos engolidos engodos que não foram cuspidos dos folículos que sobraram das balbúrdias disseminadas por línguas mudas e mãos identificadas apenas pelas digitais, concentraram os pães e os sonhos nos cremes de barbear ou de diluir dizeres de tendas de ciganas mal pagas secas de fome de sangue vampiro. Canções envolvem os leitos da terceira geração investida de protuberantes impropérios. Morte sem aviso prévio... 31.08.2009 - 15h50min

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Arrependimento

Não me arrependo de ir nem de deixar de ir nem de ir indo assim, devagar. Não te culpo por ficar nem por deixares de ficar nem por ires ficando assim, de mansinho, de vagar. Não me arrependo de voltar nem de voltar a ir nem de ficar, querendo ir nem de ir, querendo voltar nem de não olhar pra trás nem de pra trás jamais deixar de olhar. Não me arrependo de não me arrepender do arrependimento que não tive nem vou ter inda que eu ande pra trás inda que, andando, não olhe inda que, olhando, não volte inda que, voltando, não queira ficar. Não me arrependo de falar o que eu não disse ou de dizer o que não podes porque a língua-coragem é na minha boca que mora e o peito forte é no meu pulso que bate. Não me arrependo de ser eu nem de ter sido nós muito menos de voltar a ser eu porque é em mim que se enraiza a tortura do que foge ao arrependimento... 28.08.2009 -23h

Arrastado rastro

Encontro o ponto do instante final
e ele não é nem tão duro
nem tão redondo
nem tão assustadoramente solitário
mas é duro e redondo e solitário
o ponto do instante final.
Encanto o fim do ponto no instante
exato em que ele chega ao seu limite
aquele mesmo definitivo
o que não tem retrocesso
o que não tem reversão
mas é pura e definida a exceção
do fim do ponto no instante.
É fato.
Não há o que fazer.
O ponto existe.
E mora no final.
O fim existe.
E no ponto mora.
Imprescindível colher a Hora.
Sem volta.
Ao invés da pegada, um ponto... final.
28.08.2009 - 22h30min

Sem ponto final

talvez tudo gire em círculos e gere um sem número de urgências talvez nada termine de fato ou de fato nada comece talvez nada aconteça talvez os exageros escorram pelos lados da boca do dia em etílicas convulsões talvez o desejo permaneça fetal eternamente fetal té que um beijo terno o torne fatal talvez a noite entorne o cansaço e o frescor entoe uma nota qualquer um esboço de prelúdio da ópera de uma vida dividida talvez o fole não seja suficiente e a improcedência da saliva encontre um canto ardente talvez a frase dance no ar e a aranha não arranhe o jarro nem brinque de saci-pererê nas bordas da janela da idade que a vaidade insiste em esconder talvez a hostilidade seja eterna e a ética não passe de uma palavra oca um toque estético pra negligência talvez não seja nada disso e a obrigação seja desmentir o todo e reescrever uma outra história nova
Atravesso a rua sem olhar para os lados e nem ouço as buzinas que obviamente voarão sobre meus ombros; pés descalços n'água gelada; concentração imperdível de uma dimensão diferente que depende do susto pra sobreviver; arranco os assoalhos e sobrevoo a torre de papel de seda; amasso os sombrios suspiros e descubro não saber se aprendi ou se desisto de ler
28.08.2009 - 19h10min

Metaforicamente

Deliciosas são as metáforas. Talvez delas eu tenha feito os ladrilhos do meu caminho. E o sal da minha vida: sabor. Metáforas deixam tudo mais colorido, principalmente quando tudo parece meio que só cinza... um tom apenas, não as muitas nuances desse mesmo cinza, que isso já seria uma espécie de colorido... hummmmm... Hoje estou prolixa... Melhor lixar as arestas e permitir que o sol queime esse resto de inverno. Metáfora? O que seria da vida sem ela? Vou casar com o Brad Pitt!!!!!!!!!!! Ah... que alegria trazem as metáforas à vida... 28.08.2009 - 10h Aí, Kersting... culpa tua...rsrsrsrs http://queropoema.blogspot.com/

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Um palhaço sonha

Acompanho a mim mesma procuro status de ocupada nas linhas do horizonte distante que tracei co'as tintas de meus cabelos outrora vermelhos, hoje breus. Pimenta são os olhos dos outros nos meus colírios. Banho as mãos n'água quente de espumas sem toalha pra secar as lágrimas ou os apuros mensais. Mulher, meu alimento é a poesia. Humana, me alimento de ar. Um passo após o outro e nenhum me tira daqui ou me arrebata de lá. Copio ilusões e tomo posse do qu'inda terei antes do tempo previsto na agenda descartada de ontem cheia de rabiscos e riscos sobre as letras descartadas também. Desperdício de inspiração. Entoo uma canção antiga daquelas que Antonio Marcos não canta mais. O palhaço sou eu ou a tinta que escorreu do meu quadro? Não entendo as balbúrdias e os desassossegos a que me obrigo ou aos quais obrigo os que me amam. Amasso o coração já partido e se participo do ritual macabro de aliar-me ao elo que me une a um mundo perdido é por não ter absolutamente mais nada pra fazer. Não avalio possibilidades nem elas a mim. Pretensão boba essa minha de querer ser vista pelas possibilidades distraídas que estão com a arte de serem mínimas. Meu voo não alça dança salsa enquanto o palhaço ri da minha crença. Dias melhores virarão... 26.08.2009 - 21h

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Luz

Réstias de luz é o que quero pra mim pequenos brilhantes nos olhos. Quem acenderá a chama? 25.08.2009 -22h25min

Histórica miscelânea

Diga ao povo que finco pé
para o meu bem
e que se dane o resto!

Desperdício E morte lenta cancerígena dependência corrupção tresloucada assalto aos cofres públicos que moram nos bolsos dos desesperados os mesmos que trabalham de sol a sol pra não ter o que comer no fim da tarde. Miscelânea de históricas frases fases de outrora misturadas ao aqui e agora. O riacho poderia ser qualquer um o grito poderia ser até uma gargalhada; se fosse, seríamos mais felizes quiçá mais afortunados, já que mentimos uma felicidade carnavalesca sobre os cascos da nossa própria miséria? EM DEPENDÊNCIA HÁ MORTE! IN DEPENDE A PENDÊNCIA DA MORTE! DEPENDE DA NOSSA SORTE! DEPENDE DA SORTE DE TERCEIROS! DEPENDE DE QUALQUER COISA MENOS DA MORTE! IN É A MORTE? OU SERÁ A DEPENDÊNCIA? DEPENDE DE QUE? DA MORTE? OU SERÁ QUE PENDEMOS À MORTE OU MORREMOS DEPENDURADOS NOS YINS E YANGS DE UMA HISTÓRIA DESCONHECIDA ESCRITA DESDE A NASCENÇA DO NADA? Quem se habilita ao grito? E à morte? Quem? Melhor: QUEM SE HABILITA À INDEPENDÊNCIA? (já que da morte não há como fugir...) 25.08.2009 - 22h

Antes que o Sete de Setembro

me pegue de surpresa...

Caras d'Arte

Máscaras são poemas ou muros onde a gente se esconde? Talvez nem isso... Talvez só uma outra forma de rosto... talvez o verdadeiro... talvez o sonhado... talvez o impensado... não sei. A pintura é um grito em verso, rasgado na tinta ou na tela. Da mente? 25.08.2009 - 21h30min Varatojo, tens cá uma fã de carteirinha. Belíssimo o teu trabalho. Sempre. Sempre. Bj. MÁSCARAS DE PAPEL; de José Antonio Varatojo: http://www.youtube.com/watch?v=FDdIrve5SVI

Aí, Brunno... vi no teu blog... COPIEI...rs...

25.08.2009 - 16h50min Obrigada, Brunno. Pela consideração, pelo respeito e pela simpatia (considere todos os ítens recíprocos). Saudações poéticas. Blog do Brunno Soares: http://cronicasdeafeto.blogspot.com/

Escritura

Escrevo o que sinto não exatamente o que vivo nem como penso ver o instinto. Escrevo meu suspiro meu fôlego largo meu pedido calado. Escrevo minha discrição tardia do que descrevi de dentro da câmara fria no instante exato em que sofri. É assim minha caneta minha tinta minha retina. É assim que me bate o pulso que me domina a energia dessa coisa que não comando nem entendo: a poesia. 25.08.2009 - 16h30min

Dá licença?

A poesia pede passagem perde uma vírgula no caminho uma perna de um A na outra esquina e um verso manco no banco da praça sem nenhum desmerecimento desse ou daquele sem nenhum constrangimento desse ou daquel'outro sem nenhum absurdo entretenimento de todos confunde B com C e defende a supremacia do grande T. A poesia inventa palavras absurdas e costura vocábulos de rua formando vestidos de sol pra lua nua dançar um tango em plena Praça da Alfândega em Paris. A poesia mistura tudo e já não diz coisa com coisa ou coisa com meretriz escrita em decassílabos perfeitos nos lençóis d'algum motel barato de beira de estrada deserta onde bêbados cantam enrolado e cães ladram sem trégua. A poesia penetra nas casas alheias e nas alheias mentes urbanas nas despertas mentes rurais e nas mentirosas mentes dos pedestais de prata inalcançáveis em suas brilhitudes. A poesia planta raízes de novos dizeres nunca dantes suspeitos de crimes contra a língua de sapo enrolada dentro da boca da mosca. E espanta os acomodados que tem olhos mas esqueceram de acender as luzes de dentro. Dá licença? 25.08.2009 - 16h20min

TRALHA!

Sugiro uma postura rígida de cabo de vassoura e balde de alumínio nos momentos de decisão 'per capita'. Por acaso aposto na cabeça do macaco que delibera leis de correntes e dita maledicências intraduzíveis aos ouvidos mais exigentes. Proponho um ponto de partida que seja chegada de outro, que é pra não bater de frente com a mesmice deliberada, muito em voga em tempos passados. Hoje não. Hoje tenta-se a todo custo ser único. O único bandido escapado. O único espertinho escondido. O único monstro disfarçado. Todos únicos. Ninguém igual. Ninguém de claro olhar. Nenhum gesto que não deseje algo mais, além do ato de gratuitamente dar. Entulho. Confissão macabra da falha. Percepção de mudança pra menos. Que o 'mais' é sonho de poeta. EU SOU POETA! Tralha jogada ao borralho. Lenha de fogueira já virada em cinza. Pó que ao pó voltou antes de fazer-se gente antes de fazer-se voz antes de fazer enluarada noite quente-se. Tralha perdida nas pedras do caminho que é de qualquer um menos de Drummond. No dele não havia sangue pra ser pisado. O sangue, no dele, dançava nas veias dos bendizentes e abençoados observadores de pedras e pássaros e carvalhos. Tralha de qualquer pedra, eu, poeta, que insisto em acreditar no que ainda não vi... Ainda... 25.08.2009 - 16h

Tantos olhos

Tantas formas, tantos ditos, tantas suposições tantas barganhas, tantos retornos, tantas imposições tantos sufocos, tantos delírios, tantas ilusões tantos tormentos, tantos martírios, tantas imperfeições tantas carcaças, tantas cachaças, tantas colisões tantos boêmios, tantos lamentos, tantas alusões tantos tântricos gestos digeridos nas imensidões tantas artimanhas góticas distribuídas nas estações tantos e tamanhos gostos diluídos nas incompreensões tantos INs, tantos ONs, tantos OFFs e siglas nas confissões tantos TILs, tantas sílabas, tantas juras pagas às prestações... Tudo muito lento tudo muito astutamente lerdo tudo limitado. Folha de outono rasgando os olhos da primavera... 25.08.2009 - 10h15min

sábado, 22 de agosto de 2009

Conjecturas

Se os limites tremerem os galhos da razão e os umbrais entrelaçarem os dedos nas cortinas de fumaça soltas pra disfarçar o embaraço e o abraço do vento nas costas da serpentina rasgada de feno e suor, se o término acompanhar o ritmo lento da canção de outono e o corpo despedir as brumas nos lençóis gastos de fibras nos altos das notas musicais soltas no ar - sonoras bolhas de sabão colorido - de imagens e carcaças de sucessos não-tidos, se se esvaem as areias nas mãos que não se fecham, se prendem as sensações arranhadas de minúsculas pedras preciosas, se os agradecimentos inutilizam os sacrifícios e se os cumprimentos arrependem os colírios nos lacrimosos olhos azuis, se não adianta mais implorar ou ouvir, sorrir ou invejar, saber ou converter em moeda corrente, se não vale o ouvido atento ou a boca sincera, então as conjecturas esconderiam verdades que não virarão... 22.08.2009 - 18h30min

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Agulha no palheiro

As dobras aparecem na fé da esmola escondidas nas bainhas dos olhares disfarçados sem a noite ou sem a sombra intermediária que supre os cantos das soleiras das portas. Mangas arregaçadas no frio de inverno intentam as cotas de orvalho que me dividem em quinze sobreviventes de outras eras. As heras crescem na loucura vã dos princípios que ninguém escolheu sem imposição macabra. Pastos secos acumulam olfatos de estrelada natureza. Esvaem-se as linhas de orgulho no meio das serragens. As ferragens retorcem os brincos de prata perdidos no rasgo do riso vermelho apagado de sopetão da tela fria. Alecrim. 20.08.2009 - 23h39min

Fotografia

Rasgo fotografias. A lixeira transborda. Transpassam-me os dias. Lembranças demais atrapalham impedem o passo adiante prendem os calcanhares ao que já foi. Amasso fotografias. A paciência transporta ilusões. Andanças demais extrapolam limites penetram intimidades desprendem afetos caros. Guardo fotografias. Imagens congeladas do que existiu. Transcrevo alegrias. Pensamentos preciosos encorajam impelem o passo adiante deslizam os calcanhares ao que há de vir. É o que deve ser. O que escrevi.... 20.08.2009 - 14h11min

Ambiente

O livro abandonado na gaveta denuncia a paralisia coletiva. Nenhuma discussão que encabece a noite. Nenhuma prenda que encerre a briga. Nenhuma confissão tardia. O coro entoa um não-sei-que desconhecido e a lua não dança nem ilumina parada na sua inconstância na madrugada escura e fria. Ao canto da parede, jaz o porta-retratos vazio. O silêncio embrulha o espaço ao redor e a escuridão é coberta de mendigo proteção contra inquisidores olhares que não buscam respostas abundam recriminações. Confome o combinado o dia nasce lento. A vida segue lenta tartaruga aleijada arrastante de cascos enfileirados num caminho vacilante numa trilha sem brilho ou gargalhadas. Névoa. Tentação de equilíbrios. Os mesmos que se renderam há anos e da mesma forma se cobriram de espantos e dizeres malditos. Tudo ferve. Pedra sobre pedra é coisa do passado. Tudo explode e se contradiz. O breve instante de ver.... 20.08.2009 - 14h08min

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Laço

Um único meio de contato e o laço rompido num repente. Assim, meio sem jeito, meio sem razão, meio sem susto, ou saturado dele. O laço rompido num repente. Um botão desligado um fio cortado um frio no estômago e o laço rompido assim num repente. Deserto escarrado na areia. Frequente cordão cedido solto n'água desnuda. E o laço rompido assim num repente. Parêntese aberto perdida a direção do laço rompido repente. Rebento de silêncio não-anunciado. Etéreo sonho desperto. Laço rompido num repente. Evidente primogênito da dor o tal laço rompido num repente. Ouve, ao longe, muito claro muito nítido muito limpo o barulho da janela que se fecha. O solista já não canta. Setembro não terá flores. Só um laço rompido num repente. 19.08.2009 - 21h37min

Coletivo

Encontramos curvas nos labirintos da mente ou desmentimos os cravos das madeiras que insistem em resistir ao tempo. Enfrentamos abraços de polvos enevoadas carcaças de pólvoras amanhecidas nas conchas das mãos em brasa. Esquecemos por onde andaram nossos pés ou os açúcares das letras pintadas nas paredes das impertinências fantasticamente criadas pra desviar as canções caladas nas gargantas dos outros, que não conhecemos. Espantamos os fatos nas pontas das canetas e embriagamos as vertentes de perguntas e palpitantes vôos de trombetas. Sacrificamos o sangue de terceiros porque do nosso já não há gota nem nada mais que valha um níquel. Mostramos as fontes no brilho das frontes postadas nas portas dos orfanatos que não visitamos dos quais tampouco ouvimos falar no raso das línguas superficialmente ornadas de pétalas vermelhas de flores e coloridos vasos alheios. Montamos quebra-cabeças antigos e entoamos recitais dos quais não lembramos nem queremos nem questão faríamos não fossem os delírios de uma sociedade anônima ou de uma lucidez entranhada nas veias envelhecida de pouco uso. Caminhamos a lentos passos trôpegos e não escolhemos o destino ele é que nos separa do trigo; joio, nós, os obtusos seres que perambulam nas ruas de pedras empertigados de tolos orgulhos que morrerão conosco ou antes de nós. Té que o controle se esgote e o sol brote das raízes jamais plantadas por mãos nunca conhecidas. 19.08.2009 - 21h26min

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Coletânea

Mudo minha mudez solto a língua e destravo a hora escolho a soma e a batalha não escondo as armas as que tenho são essas essas as de que disponho. Pontuo as condições conduzo o discernimento com base no que meus olhos não vêem. Meu corpo estremece. Compactuo com o tempo que passa. A pasta engrossa o caldo e eu já não vejo um palmo quanto menos os riscos da palma da mão que me disseram que indicavam longevidade. Estou muito distante dos meus dias preferia estar longe dos meus ais... 13.08.2009 - 15h30min

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Até o dia amanhecer

Insone aventura pelos teus risos. Madrugada: suculento abacaxi. Sucessivas histórias de dois e os olhos acesos e os lábios acesos e a vida acesa na via do afeto. 12.08.2009 - 16h20min TI

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Aceno o lenço branco da partida anunciada

Aceno o lenço branco da partida anunciada os avisos foram mil mil sonoras despedidas outras mil silenciadas pelo medo da hora que viria. E veio... Aceno o lenço branco da partida anunciada as composturas todas perdidas as forças todas agrupadas pra não dar trégua ao arrependimento e manter os pés na estrada escolhida. O medo da hora que viria. E veio... Aceno o lenço branco da partida anunciada jamais dirão que foi num repente jamais dirão que foi num arranque jamais dirão que foi sem medida. A medida do medo da hora que viria. E veio... Aceno o lenço branco da partida anunciada molhado d'água salgada vertida não se sabe d'onde. Jamais dirão que foi sem dor. A dor do medo da hora que viria. E veio... Aceno o lenço branco Aceno o lenço Aceno o branco O lenço O branco O aceno O medo A dor A hora A vida A outra vida Todas as outras vidas Todas as despedidas Todos os acenos Todos os lenços Todos os brancos Todos os medos Todas as dores... Tudo o que viria... O que veio... O aceno branco e o lenço da partida anunciada. O lenço anunciado e o aceno branco da partida. O branco aceno e o lenço anunciado, partido. A partida branca e o aceno no lenço anunciado. O anúncio partido e o lenço branco acenado. O lenço O aceno O anúncio O branco A partida que viria... E veio... 11.08.2009 - 15h41min

Das escolhas

Toda escolha implica uma perda perde-se tempo perde-se força perde-se sossego perde-se algo que muito se queria perde-se o fio da meada a bainha do dia a estrela sagrada Toda escolha exige que se abra mão d'algo que antes havia talvez fosse bom talvez nem tanto talvez nem deveria ser motivo da escolha outra aquela que se perdia. Toda hora cada instante cada partícula de vida é encruzilhada. E as escolhas sejam quais forem definem o agora... Amanhã... Minha escolha será hoje... 11.08.09 - 15h30min

sábado, 8 de agosto de 2009

Iguaria

Caviar? Ova de esturjão, isso sim. E sabe ser bom... 08.08.2009 - 17h19min Não é poesia? Porque?

Proporção

O mundo da minha infância
era largo e intangível milagrosamente enorme maior que uma bola de neve maior que uma tempestade. O mundo da minha infância era azul e leve bola de sabão intraduzível inalcançável espaço físico. O mundo da minha infância diminuiu... Cabeça de alfinete é o mundo da minha maturidade e eu confesso que preferia o antigo; naquele havia mais poesia... 08.08.2009 - 15h18min

De poesia e de criança

Só a poesia
e a criança
me fazem acreditar
que tem jeito.
Que tudo tem jeito.
Que tudo dança.
O resto me assusta.
O resto me entedia.
O resto é assunto pra outra instância
que eu não entendo
nem pretendo.
Só a poesia
e essa criança
o resto eu dispenso.
08.08.2009 - 15h
*Foto: minha filha

Brotoeja

Gosto de papéis amassados
reticências
e coisas antigas ...
Brotam poemas
brotos de maçã
batatas palha na folha
amassada
descartada
no canto da mesa de trabalho
onde ninguém se debruça
há anos-luz.
Reformas nas paredes da sala
e a continência dispensada
por saber que é sábado
dia de faxina na casa.
Papel de bala na cabeceira da cama.
Lâmpada apagada.
Digerida economia.
Suspeita pairando no ar:
quando é que o peito deixou de bater?
Não sei...
Não sei...
08.08.2009 - 14h32min

Absurdos

E se essa chuva tiver gosto
de bala de hortelã
na boca de uma (in)tensa manhã?
E se a tarde tiver incenso
cobrindo a avenida nua
e a rua orvalhada não der um passo
nem um martelo nem um sussurro?
E se a árvore da vida
jamais nascer de fato
e o cabo da vassoura
virar um grande retrato
no embrulho de presente
que esqueceram de oferecer?
E se a chave não couber na fechadura
e não houver outra saída
além da abóbada terrestre
onde os ETs estão de partida?
E se o bruto virar padre
e o cabelo abrilhantar o escuro
na pretensa despedida
de um sem terra ou sem estudo?
E se a proposta não passar de acaso
e o orgulho não cobrir o rasgo
feito no lençol do abuso
quando o gasto e o absoluto
simplesmente passarem da medida?
E se a conta e a perfeição
forem irmãs da conversa
e a discussão disser que não interessa
o fio da navalha estendida?
E se tudo não passar de um grande erro
ou de um tropeço
de um soluço
de um começo?
Que começo?
O começo do absurdo?
08.08.2009 - 14h15min

Amanheceu

Folgo em saber que a noite se fez dia. Dia chuvoso, é verdade. Dia triste e frio, é fato. Mas dia. Mais dia. Outro, depois da noite escura. Quantos ainda estarão por vir? 08.08.2009 - 14h05min

Ser ou não ser

Ser ou ser não há opção. Nenhuma outra escolha nenhuma alternativa correta ou não. Ser É ser. O QUE é que é a questão. 08.08.2009 - 13h59min

O Tudo e o Nada

Fera assumida desfaçatez no disfarce assola os tais dias cheios de nada mesclado a nada. É ocre a tez da noite. Lágrima engolida atravessada na garganta: câncer. A crise solta as amarras e o polvo dá cria. A prostituta gargalha uma gutural alegria. Perdidos os escritos o poeta se perderia? E o que há de comum naferananoitenocâncer nacrisenopolvonaprostituta nopoetaesuasembolias? Tudo. 08.08.2009 - 13h10min Para Sartre e Quintana; o que eles têm em comum? Tudo!

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Uma pitada de polêmica

Descobri assim meio que de repente num desses costumeiros insights que acontecem com toda gente que os homens muito carinhosos aqueles que se declaram diariamente aqueles que se desmancham nos elogios aqueles que estendem tapete vermelho e juram amor eterno e juram fidelidade eterna e juram juras eternas são os menos confiáveis ainda que sejam os mais agradáveis os mais bonitinhos, os fofos demais, aqueles com quem gostaríamos de passar o resto da vida se não fosse a multidão de concorrentes querendo o nosso lugar - e tendo, de vez em sempre. Os outros, todos os outros, os que são estúpidos de vez em quando que dificilmente falam de amor que não juram nem pela pele da sogra (o que aparentemente resolveria dois problemas) que nem sabem que existem tapetes vermelhos aliás, nem sabem que existem tapetes e que de vermelho só reconhecem a bandeira do time do coração. Todos os que roncam de noite os que roncam de dia os que não ronronam nunca os que vão embora sem se despedir os que não respondem pergunta alguma os que se divertem pouco e pouco riem os muito sérios os muito aplicados os muito bonitos os que evitam falar em fidelidade os que evitam falar em eternidade os que evitam falar em cumplicidade, são os que permanecem. Não se rasgam de gentilezas mas também não te rasgam o coração; não se declaram abertamente mas também não te machucam intencionalmnte. Não são a alegria em pessoa aliás, até que são meio tristes têm mesmo certa intimidade com a melancolia e não raras vezes são declaradamente infelizes. Mas são constantes. Estão ali. Aguentam o tranco (se a gente aguentar o ranço). São firmes e oferecem segurança inclusive essa, aos trancos e barrancos. Só não lhes peça romance que tudo tem um limite... Ah, se tem... 05.08.2009 - 15h (Porque a proximidade da primavera me deixa assim: engraçadinha..hehe)

Agosto

Arrisco dizer que senti um gosto de flor no ar um tentáculo primaveril roçou-me as faces um calor de sol invadiu-me a alma. Confesso que estava com saudade dessa leveza de não ter que vestir 5 blusas por baixo do casacão de não ter que enrolar-me no cachecol largo - quase um cobertor - e ainda assim sentir frio. Confesso gostar da despedida da montanha de edredons que me cobre toda noite desde que o rigor resolveu fazer morada nesse meu longo inverno gaúcho. E o gosto de flor no ar Ah... que gosto que gosto que gosto... Mal espia pela porta fria o mês de agosto setembro libera perfumes pr'avisar que já vem entrando pelos lados dos ventos uivantes que sopram nessa minha serra de morros muitos. O que me encanta desta feita é a surpresa do gosto de flor no ar... Ah.. gosto.... 05.08.2009 - 14h30min

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Uma

Eu hoje escrevi feito louca pra não perder o jeito ou não perder a loucura tanto faz as duas coisas andam juntas meu jeito minha loucura minha poesia. São três? Não. Nem duas. São uma. 04.08.2009 - 16h30min

Invenção

Estou boa de inventar um outro jeito de poetar um jeito assim meio moleque de quem não se arrepende de nada dizer direito. Estou pra inventar um jeito inocente de quem está ou é meio doente meio sem pé nem cabeça meio coluna do meio sem intenção de pretendente. Estou boa de inventar um jeito contente de poetar que não conte as sílabas nem os espelhos. Que não tenha vernáculos rebuscados ou formas estabelecidas antes do começo da escrita. Estou boa de inventar um novo invento uma coisa qu'inda não exista uma vírgula no verso um raio de sol que rasgue a noite sem lua um suspiro de alívio sem dor. Faço votos que meus novos versos esses mesmos assim meio desconexos meio sem medida mancos descalços ou de saltos altos ou de pernas de pau enormes sejam mais que versos sejam gritos. Que poesia é essa coisa absurda de dizer as coisas entre os dentes e não ir dizendo nada que construa e mesmo assim ir construindo paredes d'algo que ninguém enxerga mas que todo o mundo sente. Ando com muita vontade de inventar o verso mudo ou o verso de dois quilômetros de largura ou de mais de mil metros de diâmetro. O verso número mil o diverso o reverso o que dá vontade de ver ou não. O que dá vontade de ler ou não. O que dá vontade de ter ou não. Escrito gritado manipulado desfeito maldito comprido comprimido contrafeito destoado destonado desenterrado do mito do muito do famoso "diga ao povo que fico". Fico onde, se não caibo no espaço da folha? Fico aonde, se não minto o bastante? Estou pra inventar o verso mentiroso um jeito de poetar que finja alegria ou um sorriso faceiro quando chorar era o que eu queria. Estou pra inventar um jeito amargo de poetar o verso que não sustenta a língua nem o prato quanto menos o pranto. Estou boa de inventar essa reviravolta que eu não sei de onde tiro se foi ontem se ontem se foi se se cumpriu o delito. Se gaguejo poetando se, ao poetar, gaguejo se gargarejo um poema se cruzo os braços e praguejo. Estou boa de inventar esse jeito de poetar desamassado que compara a porta ao descabelado e estremece de dó de pena e de vínculo nos fios da tomada exposta desconstruída. Estou boa de inventar um novo unguento pr'essas minhas feridas doridas... Ai... 04.08.2009 - 16h17min

Tresloucada

Tresloucada escrevo novos versos meio sem nexo algum que é pra ver se desvirtuo um tantinho só um só tantinho essa minha vontade de ser certinha a certeza que eu nunca tive o caminho que eu não cheguei a seguir. Solto os dedos no teclado e permito que eles mesmos digam o que eu não ousaria dizer de boca lavada e cara limpa diante de um espelho quebrado ou de um microfone a todo volume. Quero distância das sinceridades todas prefiro as mentiras cabeludas pra fazer tranças e longos penteados e fingir que tudo permanece intocado feito relva virgem em clareira aberta na floresta desconhecida. Permito que meus membros gritem as coisas que eu não pronuncio nem sonho em dizer sem testemunhas ou quadros de funcionários e discursos de teses sem sentido sem intenção sem conclusão precisa. Eu quero a liberdade de saber-me nua despretensiosamente destituída de conceitos e propostas oficiais. Eu quero a cicatriz que me rasgou o peito e o peito que recebeu a cicatriz. Quero a marca a trégua a régua que traçou a linha que eu não fiz que eu não pedi pra fazer mas que tenho que seguir à risca dia após dia no interminável solo aberto diante de mim. Tresloucada escrevo e digo despudoradamente o que me vai nos extremos dos membros que me bastam dos socos sovados no estômago dos santos orados olhados ocupados pelas orações que eu não pedi. Tresloucada. Escrevo... E tu não entendes. Nem deverias. Nem poderias. Nem ousarias. Escrevo mesmo assim... 04.08.2009 - 15h

Cuidado comigo.Eu queimo!

É feita de sonho essa minha vertigem de frutas do conde de restos de tijolos das construções erigidas a dedo nu. Eu mesma entalho os quadros que penduro nas paredes imaginadas das celas dos quartos dos brancos hospitais internos. Incomodo uma meia dúzia e outra dúzia e meia abençoo. Se sou artista e soo comunista ou um tantinho autista busco as rimas na gaveta vazia de dicionários extintos vocábulos ardentes nas chamas das velas que anunciam um novo amanhecer. Dolorido amanhecer radiante de raios de sol coloridos. Quem pediu pra nasceu? Quem conduziu os braços e os padrões estabelecidos anteriormente quando nem sinal de vida havia? Se sou comunista e soo autista é que sou artista da letra desconjunta. Junto verbo com verbo e sai um amontoado de minhocas famintas de entendimento. O sebo não gruda as canelas nem os prantos liberam alegorias deveras. Das Veras, dos viadutos, dos verões que evaporaram nos dias de frio sucessivos arranhões nos portões de um céu sem nuvens. Vadio. Ou do inferno. Que seja. Se sou autista e soo artista é que sou comunista sem um pingo de remorso pelas noites mal dormidas insones pesadelos desacompanhados ou mal acompanhados ou indispostos pesos nos cabelos que operaram maravilhas num mundo inexistente in-ven-ta-do. Ventania. Se sou comum se sou arisca se sou feminista enfrento a conquista e todos os xis e todos os 'ipisilons' impostos pela minha condição de ser nada num mundo vazio de milhares de pontos finais de sem números de pingos nos is de incontáveis exclamações viris. De meninos hostis. De ocos homens soltos. De zumbis. Se arrisco se petisco se permeio se costuro se entretenho se encorajo se arrebento atormento enterneço atordoo é que sou pólvora e assoalho. Não me tem nenhum povo. Não me agrada nenhum enigma. Não me prende nenhum perdão. Danço e disfarço as letras em cantigas quase insaciáveis de compreensão. Se sou delírio não me abuse. Não lamba os beiços da lua. Que o mistério é explosão. E nenhuma costura te alcança a alma depois de rasgado o desejo depois de tida a expulsão. 04.08.2009 - 14h30min

Já vai tarde

Um passo em falso e já era. Foi num tempo disperso deixou de ser sem rastro nem pegada alguma que denuncie sua estada. Foi. Já era. Perdeu o bonde o trem andando o táxi na curva do caminho bem no meio da lida num dia chuvoso e escuro. Foi Já era. Perdeu a passagem o passe, o vale, o ticket. Foi. Já era. Traduziu o reduto do meio da linha no fim da linha o fundo. Foi. Já era. Nem um assovio nem um aceno nem um deslize. Nada que indique presença presente ou passada distante ou futura nem um vestígio. Foi. Já era. Os escombros os aquedutos os restos mortais os entulhos. Nada. Foi. Já era. Um fio de cabelo o fio da navalha o fel na lábia. Foi. Já era. É tarde. 04.08.2009 - 14h10min

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Epitáfio Segundo

Aqui jaz a aurora de dias ardentes tão ardentes que consumiram a si mesmos na própria chama. Aqui jaz a fauna e a flora a lágrima solitária o riso falante o desejo latente de permanecer n'algum brilho anoitecido n'algum som difuso n'alguma gota de chuva. Aqui jaz a que nunca esteve o estudo do improviso a exaustão em forma de gente. Aqui jazem os livros os versos os sonhos dormidos os sonos despertos. Jaz meu limite meu fôlego meu intelecto. Jazem minhas duras penas minhas pás diversas meus pés velozes meus papéis rasgados meus punhos cerrados meus erros meus medos meus modos. Aqui jaz meu epitáfio. 03.08.09 - 16h

Desassossego

De todos os imprevistos o que mais me desassossega é o que vem do coração. Do meu coração essa bomba relógio que fica tiquetaqueando sem trégua e sem aviso prévio do instante exato em que vai ser tomado de susto por algum repentino clarão. Ah... É quando tudo se ajeita todos os problemas ficam pequenos todas as ilusões possíveis as distâncias transponíveis os jargões aceitáveis. É quando todo mal vira cura toda intenção é saudável todo invento é bem vindo. Quando essa bomba relógio tiquetaqueia mais alto desfaz as trevas e as tremedeiras soma raízes e trepadeiras alumia o dia a noite o tudo o toldo do mundo... E me desassossega... 03.08.2009 - 15h33min

Aridez

Ando a esmo nos ermos trilhos de trens absolutos. Sou pardal meretriz luz divina em flash. Sou solução que não se busca e interrogação que carrega em si outra pergunta. Sou flor orvalho e pimenta nas frontes de desconhecidos. Ando a esmo nos ermos trilhos da vida sem espátula ou barganha, sem despedida. Sou folha ao vento filha de Minuano neta de Sicrano e mãe desmedida. Sou parente de mim mesma e da própria comida sou irmã e confidente. Sou a exaustão e o mistério a compra sem limite a coleção de borboletas espetadas num céu de aquário em pleno inverno primaveril. Sou a opção vermelha da queda brusca imprevista. Sou trilogia; sou artista; nesse mundo de orvalho de ermos caminhos de escombros de exemplos corrigidos e de descabidos estorvos. Ando a esmo nos ermos caminhos inválidos. Onde vão dar os trilhos dos descarrilados trens que eu tomo na xícara de chá preto entre uma estação e outra entre a minha primeira e a minha segunda e a minha terceira escolha que em breve haverá de ser ex? Ando esmo ermo ... árido... 03.08.2009 - 15h34min

domingo, 2 de agosto de 2009

Flores, jardins e arco-íris

Não sei mais escrever sobre jardins, flores e lírios. Deixo os arco-íris para Alberto Caeiro e seus rebanhos. Eu falo de angústias e quedas de solidão, assombro e raça. Eu falo do que não se diz, do que se tem medo de medir, do que se evita verbalizar. Eu falo do desejo de descobrir não o que todos já saibam mas o que ninguém voltou pra contar. Eu falo do talo da flor que murcha da folha rabiscada ao lixo jogada sem piedade ou dó. Eu falo do olho que não pisca do cabelo que não se ajeita das mãos paradas no ar esperando constantemente um motivo ou não. Eu falo do que te desacerta do que anula a parceria do que paralisa o gelo. Não falo de jardins flores ou arco-íris. Falo do que te incomoda e a mim... 02.08.2009 - 14h10mim

Pendência

Se escrevo sobre a morte quero morrer? Não sei. Dorme comigo e comigo amanhece essa idéia fixa: morrer. Traduzir o mistério. Abrir o parêntese. Atravessar a cortina. Conhecer. Será penumbra, breu, solstício? Será vazio, jardim, colchão? Será uma escapadela ou eterna vigília? Buscar a resposta será coragem ou covardia? Depende do dia? Depende da forma? Depende do curso? Depende do que se pretendia? Depende de quem me encontre? Depende de quem entenda? Ou in-depende de tudo? 02.08.2009 - 13h02min

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Pretexto

São claras as sombras que me permitem vaguear pelos desertos infestados de olhos. Cruzo os dedos das franjas enfeitadas de cinema e lembrança. Ensurdecedor silêncio mal visto anoitecido disfarce de lua ainda não desenvolvido. Folhas secas compondo auroras ranhuras de lábios nas conquistas e trilhas abertas pela esperança. Construo solidões e desintegro gotas de chuva. Afio a navalha cega. Sou poeira... Suposta invenção... 31.07.2009 - 23h16min

VeRtIgEm

Por vezes a vida me deixa tão tonta
que eu quero morrer.
Morrer deve ser mesmo um descanso
muito parecido com alívio
talvez um entreter,
não sei.
Divago devagar sobre as questões que me afogam.
Devagar me aventuro no interminável hoje
que transforma amanhã em agora
e ontem em nada além de uma lembrança cortada.
Devagar apresso o passo adiante
e não adivinho a têmpera
muito menos a temperatura
abaixo de zero
na grama tapada de geada dura.
A mesma geada que me endurece a manhã inteira.
Porque meu hoje é uma manhã
talvez uma noite
muito provavelmente uma madrugada fria.
Estanque talvez.
Talvez em movimento lento.
Não sei.
A repetição traz desinteresse
e o stress, repugnância.
Estanque, talvez, esse sangue
que me corre, ou não.
Talvez um lamento.
Alimento a sensação de vazio no oco do peito.
Ouço ecos na esquina da vida.
São meus mortos, chamando por mim.
São minhas chamas, morrendo por mim.
São os mins e os eu mesmas colhendo estrelas
que esqueceram de parir.
Desempato o jogo com um tiro no escuro
e acerto no ouro do vício.
Desmancho as cortinas e os cortes exaustos.
Entro na estrada e me perco
bem no meio do mapa das horas.
Não sei onde perdi meu tempo.
Não sei onde encontrei a noção
de perda de tempo .
Não sei como calar esse deus pagão
que desconheço.
Não erro nem acerto nem endireito.
Finco estacas bem no meio dos meus planos
e eles explodem
pra nunca mais.
Não sei onde perdi o encontro.
Não sei se perdi.
Não sei se encontro.
Não sei.
Não vi.
O fato é que a vida me deixa tonta
e eu quero partir.
31.07.2009 - 01h

Citação

Citações são perigosas. Palavras, em geral, o são, ditas por nós ou por terceiros, quartos, quintos, décimos, não sei. Palavras são serpentes. Pentes que despenteiam os nervos, sempre à flor da pele. Palavras são peles que cobrem auroras. Palavras são ranços e canções. Espuma e espelho. Palavras são dores ou cores, depende de onde são pintadas ou tatuadas, marcadas a ferro e fogo - no couro? - De quem? Aos 25 minutos do dia 31.07.2009 (Considerando as citações perigosas, cito a mim mesma, assim, brevemente... ?)

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Confessionário

Confesso que sempre que brigamos
eu disfarço o tamanho do sofrimento
que me acomete
porque penso que será a última vez.
Confesso que fica um rombo desse tamanho
quando tu não vens.
Confesso que tua primeira sílaba é minha
e que eu, de um jeito ou de outro,
estou sempre conTI*go.
Confesso que acho teu nariz lindo
e que adoro a tua risada
sempre tão limpa
sempre tão leve
sempre tão pra mim.
Confesso que essa tua juventude me assusta
e que não adianta contares o tempo
desse teu jeito maluco:
as duas décadas sempre serão duas.
Confesso que nem lembro disso tudo
quando estamos juntos
e que tua constância me conforta.
Há quanto tempo?
Quem se importa
se já se vão os dias
e tu permaneces
a despeito de tudo?
Confesso que viveres no meu mundo real
é mais que uma alegria
e mais que um prazer.
Confesso tudo o que tu sempre vais saber:
Eu TI* adoro.
29.07.2009 - 18h10min
*TI

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Ponto de Vista

"Amor é a gente querendo achar o que é da gente"
Ele aguenta o meu mau humor
sabe que eu adoro café
que assisto algumas novelas
que gosto de livros que ninguém lê
que estudo muito
e aprendo muito pouco
que não sei guardar dinheiro
que falo muito o tempo todo
e que não sei quando calar
que meu palavrão
mais cabeludo
é 'estúpido'
que gosto de chocolate quente no verão
e não tomo sorvete nunca
que odeio futebol de campo
futebol de salão
futebol de botão
e se for do Inter, então...
Ele sabe que eu adoro estar com ele
que quando ele some eu morro
de saudade
de solidão
de vontade
que sempre que tomo café
lembro que ele não toma
que penso no que ele pensaria
se estivesse lendo o que eu não leria
e o quanto de tudo isso eu aproveitaria
ele gosta de rimas
eu as evito
mas de vez em quando
caio no colo de uma delas
e acho confortável
e bonito
só por causa dele
eu copio as frases dele
e fico repetindo pra mim mesma
pra ver se entendo
onde ele quis chegar.
Ele sabe que admiração é pouco
pra descrever o que me vai
no peito, quando penso nele
(esse QUANDO é completamente
inadequado
já que penso nele o tempo todo)
ele mede o tempo sem relógio
e o relógio é meu senhor
ele é mais velho que eu
eu sou mais velha que deus
e esses anos todos me pesam
atrasam
crucificam
a oportunidade
que ele perdeu.
Ou não...
27.07.2009 - 16h24min
"...eu acordo de mal humor não tomo café não vejo novela gosto de livros estranhos não gosto de estudar,
mas gosto de competir não sei ganhar dinheiro as vezes falo muito as vezes não falo nada sou do tipo chato,
raramente me permito falar palavrão...rs gosto de sorvete no inverno e não perco um jogo do inter..." (TI, em 27.08.2009 – 16h)

Pensamento

À mesa de trabalho solto meus punhos escrevo sem sentido e sem sentir carrego meu mundo saco de vento e letra hermeticamente fechados. Os fios de encaracolado negrume despencam pelos ombros querendo voar. Querendo vaiar o tempo cumprimento a orla e o estribo; estreito as vias das veias e as velas são formigas companheiras que eu não deixei de arranhar. Desintegro a mão apertada na cintura e o espanto de pontas e prantos é produto dos ponteiros frios que aplainam as prateleiras dos panos de prato que destruí de tanto esfregar. Reedito minhas opiniões quantas vezes forem precisas. Navegar é preciso, diria Pessoa; impreciso é navegar, diria eu tanto quanto o é, viver. Variar estações e o tapete estender de flores às provocações; coisa de hospício e de delirantes vestimentas que assumo nos meus dias como se minha cara tivessem; como se minha cara teriam. Desmaio na tentativa. Corrijo o que carrego. Corro morro acima. Corroo minhas tramas. Coroo meu próprio medo. Sem ele não dou passo nem possuo. Sem ele não obstruo. Sem ele não obturo a pena nem ocupo o lugar que me é devido. Bem ou mal ele existe. O meu lugar. O lugar vazio. 21.07.2009 - 13h51min