terça-feira, 21 de outubro de 2008
Da violência
A violência?
A violência é maldita.
Melhor é a malemolência,
que não faz mal a ninguém,
apesar de começar com 'mal'.
A violência suga a alma,
rasga a carne,
provoca chuvas de água salgada
no peito das gentes.
A violência é maldita
e malditos os seus dissidentes.
Torno-me, eu mesma, violenta,
contra a violência,
tamanho é o poder dessa infeliz.
Varre a decência,
escurraça a decência,
cospe na decência,
ela, a violência.
Toma conta de tudo
à sua volta e não pergunta
se é bem-vinda,
por se saber sempre indesejada.
Mas toma conta de tudo,
mesmo assim, a maldita.
E nessa conta,
toma as vidas de quem amamos,
toma os sonhos de quem amamos,
toma os amores,
toma até as dores,
toma os créditos,
toma os desejos e toma a alma,
de quem amamos.
Ceifa vidas feito campo aberto.
Ninguém a segura.
Ela, a maldita; ela, a violência.
E apesar de acreditarmos
que amar é que vale a pena,
violentamente desejamos
que os violentos se danem.
Eu desejo.
Talvez uma parte dessa violência
que tanto maldigo
esteja arraigada em mim,
também.
Maldita violência!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
21.10.2008 - 02h40min
sábado, 11 de outubro de 2008
Cultura
Cultura alimenta
o espírito
a mente
o corpo
a alma
a semente
do qu'inda nem nasceu.
Cultura dá brilho
dá compasso
dá certidão de nascimento
pra alegria
que dormia
no quarto ao lado.
Cultura dá poesia
e dá o que não vende
e vende o que desvenda
e empresta o que desprende
do corpo
do olho
do pão de centeio
que o corvo não comeu.
Cultura não é ópio
não é disfarce
não é desfalque
não é distorção.
Cultura é o culto
ao que surge do povo
que brota da veia
que vela pela veracidade
do que anda escondido
por detrás das cortinas
das individuais solidões.
Cultura é o cara que declama
o poema do poeta eterno.
Cultura é o índio que dança
e divulga o som da sua tribo.
Cultura é a peça em cartaz
há anos e anos e anos
e é sempre nova,
e é sempre honesta.
Cultura é o que a gente espelha
é o que a gente espera
é o que a gente É.
A cultura anda nas ruas
sai de casa e vai ver...
11.10.2008 - 23h12min
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Quando a atração é só física
A gente pode morrer de atração por alguém
aí se chega perto, se olha nos olhos, se conversa
e o inesperado pode acontecer:
a atração por esse alguém
pode morrer na gente...
09.10.2008 - 20h41min
Troca
Eu sei que parece injusto,
mas tudo o que eu queria
era que fosses TI
no lugar dele...
09.10.2008 - 20h39min
O jogo, o mesmo
Um passo.
Uma hora.
Um começo.
Um interesse.
Um sentido.
Uma descoberta.
Uma percepção.
Uma alegria.
Outro passo.
Outra hora.
Outro começo.
Outro interesse.
Outro sentido.
A mesma descoberta.
A mesma percepção.
A mesma alegria.
Outra descoberta.
Outra percepção.
Outra alegria.
A exatidão do que vejo.
A visão do exato.
A vida, a mesma.
A visão, a mesma.
A alegria, a mesma.
O jogo, o mesmo.
As cartas na mesa.
E eu disse NÃO.
A alegria, a mesma.
A alegoria, a mesma.
A vida, a mesma.
09.10.2008 - 0h22min
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
The best real life
Existe.
E, um dia,
passas por 'ele',
olhas,
constatas O fato,
és correspondida
e segues teu caminho.
No entanto,
no instante seguinte,
'ele' está do teu lado.
Mais uma alucinação?
Mas 'ele' está falando contigo.
De verdade.
E é real...
The first life!
Então te dás conta
de que a realidade
é muito mais excitante
que a fantasia.
Ele sorri,
te elogia,
tenta ser gentil.
Tu sabes que faz parte do jogo.
Tu sabes o que ele quer.
Tu sabes o que também queres.
E sabes jogar muito bem.
E esta é a vida real...
The best real life...
08.10.2008 - 03h13min
(Porque é bom olhar para o lado
e saber que a vida pulsa, apesar de tudo,
e não apenas ao teu redor,
mas também dentro de ti...
e é muito bom redescobrir
o melhor da vida real...)
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Tranca
Um passo depois do outro
uma arrastada pegada na terra molhada
de lágrimas e ventos significantes.
Um rastro depois do outro
um toco de cigarro amassado no meio
de um caminho que jamais percorri
da fumaça que jamais traguei
do delírio de onde jamais saí.
Um posto rente ao chão
o pasto gasto de tantos círculos desenhados
pelo andar da carruagem
que, longe de ser de princesa,
é de sombria indignação.
Um dia depois do outro
uma noite depois da outra
um tijolo sobre o outro
e eis edificada a cura.
Basta que a porta se abra
basta que a mão se estenda
basta que se encontre a chave.
A chave
a chave
a chave
a chave
a chave
a chave...
A chave ainda agüenta...
Aos dois segundos do dia 07.10.2008
Voltando... devagar... bem devagar...
Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.
Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se formosa a Luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?
Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.
Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.
(Gregório de Matos)
É como acordar de um longo sono. Não um sono restaurador, daqueles que te renovam as forças, que te fazem respirar diferente, que te trazem fôlego para o dia que te aguarda depois da madrugada. Não. É como acordar de um sono agitado, desses que te fazem acordar cansado, suado, exausto, louco de vontade de dormir de novo.
Mas desperto.
A despeito da inconstância deste Sol que não dura.
A despeito da pouca firmeza dos dias que ignoro.
A despeito da baixa destreza de minhas mãos trêmulas.
Desperto.
E tenho minha vida inteira pela frente.
E temo minha vida inteira pela frente.
E tremo minha vida inteira pela frente.
Desperto.
Se a beleza se desfigura, se são tênues as conquistas,
se os passos que dou são trôpegos
e me fazem hesitar entre as ruínas do que de mim sobrou
depois do terremoto,
desperto.
E despertar é uma escolha.
Escolhemos o tempo inteiro, inclusive a doença.
Escolho despertar.
Por mais que a alegria seja ilusória
por mais que a tristeza seja palpável
por mais que a vontade seja de morte
por mais que a verdade seja de sorte,
desperto.
Escolha feita.
Volta sacramentada.
Assim,
devagar,
lenta,
imprecisa quase.
Mas escolhida.
Desperto.
06.10.2008 - 20h51min
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Aviso aos navegantes
Queridos leitores, eu sei que estou em falta com vocês. Garanto que essa ausência 'obrigatoriamente voluntária' não se estenderá, ainda, por muito tempo.
Estou tentando me adaptar a novas situações. Bem, digamos que não sejam assim tão novas, apenas que agora é que se desvendam e também explicam muitas coisas nessa minha complexa vida real.
Não tenho conseguido, por 'N' razões, escrever, e não sei de quanto tempo ainda precisarei, mas, como já afirmei acima, espero que, em breve, minha produção se normalize.
Até lá, alimento minh'alma com os escritos dos que me são queridos, no Recanto das Letras: MSanttos, Jorge Fernandes, Glauco César II, Gianluca Garbatti, Ibrahim Zukr.
Até lá, alimento meu espírito com os escritos dos eternos: Quintana, Clarice Lispector, Borges, Drummond...
Perdoem, então, esse meu silêncio. Encarem como um curativo sobre uma ferida que está sendo tratada, e vai melhorar... quando isso acontecer, voltarei.
Obrigada por apreciarem, durante todo esse tempo, meus versos, contos, crônicas, minicontos, e até minhas bobagenzinhas...rs...
Obrigada.
Beijos e até a volta.
domingo, 14 de setembro de 2008
Do homem, do mundo e do amor*
Asas de seda em homens-dragões
que cospem fogo e perguntas,
sempre as mesmas.
Asas de seda derretendo
ante o calor do fogo ininterrupto.
Homem-dragão, acabando consigo mesmo
no desespero da busca
pelas mesmas respostas,
que estão a um palmo do seu nariz,
mas que ele não vê,
entretido que está
com a própria guerra.
As respostas?
Estão nas perguntas.
Estão nas perguntas,
derretidas entre as asas de seda
dos dragões que se pensam
INVENCÍVEIS,
mas que rumam à própria extinção.
Falta de amor...
12.09.2008 - 13h15min
*Comentário para o poema
DO HOMEM, DO MUNDO E DO AMOR,
do incrível Jorge Fernandes
sábado, 13 de setembro de 2008
Mãos II
Escondo o rosto entre as mãos
Entre as mãos tricoto o destino
Comprometo o dia entre as mãos
Entre as mãos prometo um novo dia
Escrevo a linha da vida entre as mãos
Entre as mãos transcrevo a linha fantasma da vida
Medito de mãos postas
Ponho as mãos para trás
e meço a distância
entre mim e
essa minha
enorme
ignorância
.
.
.
13.09.2008 - 02h47min
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Rotina
Cravo as unhas
na paredes da rotina.
Ranhuras diárias
rugas que contam a história
do que poderia ter sido
e, por isso mesmo, foi.
Previsíveis rusgas
estorvos
estouvos
extorções
de uma energia já parca.
Parto,
para partilhar de graça
o que jamais tive.
Participo do ritual do leite
da carne, do sangue, do vinho,
da sede das multidões omissas.
Omito que sou uma delas.
Só uma delas, minto.
Uma.
Delas.
E nada mais.
11.09.2008 - 16h36min
Desalinho
Desiludo a energia;
concentro a nudez
diante do véu vazio.
Escrevo pra entender
mas também pra mostrar
que não entendo.
Desenho pra pretender
encontrar o traço
que perdi n'algum lugar
desse trajeto que desconheço.
Escancaro as portas e janelas
e pesco palavras em outros idiomas
na busca d'alguma tênue ligação
com o resto da humanidade.
Desiludo a concentração
que já desistiu de mim faz tempo.
A saudade não me dói mais.
Anestesio meus passos
a r t i f i c i a l
m e n t e...
Decido dormir mais cedo
decido fazer mais coisas
decido roer meus dedos
decido rompantes outros
pra depois
decidir desistir de todos eles.
As pessoas se perdem
nas ondas de um mar
d'águas dessalgadas;
nem doces nem pequeninas,
muito menos acesas
por ventarolas agitadas.
As pessoas se perdem
na marola.
Desiludo a folha seca
que esvoaça ao vento
feito pena
feito feno
feito flor em movimento
devasso.
Desiludido de tudo.
Desencontrado de nada.
De-se-qui-li-bra-do.
Quem, eu?
11.09.2008 - 01h08min
Mãos
As mãos espalmadas
sobre a bancada de vidro
esperam.
Espreitam os exercícios
que chamam de lamentos
e desencontros chamuscados
por invisíveis labaredas
de ilusórias canções.
Estreitas são as estradas
por onde trafegamos nós,
voluntários aprendizes
de nada.
As mãos espalmadas
sobre a bancada de vidro
esparramam os líquidos
os sentidos das viagens não feitas.
As mãos espalmadas
sobre a bancada de vidro
espalham pedidos de cidra
de contato disfarçado
de verdade e cordel.
As mãos espalmadas
sobre a bancada de vidro
não passam de senões...
Aos 45min do dia 11.09.2008
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Ostra
.
Sou Ostra.
É o que te bastará saber.
No mais, escreve e sonha;
que os dragões dormitam longe
vomitam incoerências ardentes
e sanguinolências indecentes.
Sou Ostra.
E que o orvalho da madrugada
te entregue um verso
soprado por um deus qualquer
daqueles que não se importam com nomes
daqueles que não têm rosto ou história conhecida
mas que te sabem ver.
Sou Ostra.
É o que te bastará viver.
No mais, mergulha e sonha;
que as balbúrdias pedem passagem
que as horas urgem sedentas
que as entregas atrasam deveras
e os mortais não ousam morrer.
Sou Ostra.
Ladeio meus versos com pérolas.
Sou eu tua pérola, Ostra,
santa E meretriz.
E que te bastem
tuas próprias gárgulas...
O S T R A!
E que te bastem
teus próprios demônios...
10.09.2008 - 01h03min
Passado/Presente
Ontem esgotei todas as possibilidades
de dizer.
Ontem esvaí meus líquidos
meus perfumes d'alma
meus mais sinceros votos
de boa vizinhança com o verso.
Ontem dei vida da minha vida
pra linha que tracei aqui.
Ontem pendurei a roupa limpa
no varal de roupa recém lavada
na pureza do que de mais leve
encontrei em mim.
Ontem abandonei-me aos meus próprios dedos
permiti que dançassem sozinhos
no teclado que sempre me ofertou poesia.
Ontem derramei desventuras
sorri voluntariamente
e voluntariamente verti meu sangue
diluído em rimas
emprestadas das estrelas
que não cheguei a ver.
Ontem madruguei.
Madruguei por não dormir.
Ontem.
Hoje ferve-me um novo suor.
Hoje estou recém-nascida.
Hoje converto a voz em clave de sol.
Hoje circundo a planilha da noite
e não encontro nenhum outro motivo
pra tornar a acontecer.
Hoje renovo a escolha da castidade
para terceiros
porque pra mim ela não serve.
Hoje recolho meus trapos
meus brincos
meus rascunhos todos
mas, principalmente,
meus espelhos.
Hoje é o teu grito
que eu quero ouvir...
Aos 40 minutos do dia 10.09.2008
terça-feira, 9 de setembro de 2008
No sétimo verso, descansar...
A exaustão me toma
devora-me as forças
grita-me dores
suga-me os nervos.
Exausta,
no ato da criação.
Depois de seis versos,
pelo certo,
mereceria um sétimo
de descanso.
Mas a arte não pede licença. O poema exige completude.
Em suas mãos entrego meu silêncio...
09.09.2008 - 04h24min
Dores
Que me importa se me roubam os versos?
Pois que meu coração já não mora em meu peito
fugido de mim faz tempo. Desertou-me.
Esses verbos que engasgo na folha suja de sangue
são os restos das veias ovais
palpitantes ainda do tanto de vida,
que te ofereço.
Bebe meu cântico desafinado
nessa noite fria de um inverno
que se recusa a partir.
Também meus olhos desistem de dormir.
Não querem sonhar com os teus.
Não querem chorar na escuridão.
As lágrimas ficam coloridas
na claridade de um dia de sol.
Viram poesia e dóem menos.
Pretextos pra não morrer.
Ilusão...
09.09.2008- 04h11min
Parturiente
Trago tantos versos em mim
que sinto vertigens e enjôos.
Uma quase gravidez me cerca.
Se acerca de mim o parto prematuro
do filho legítimo: poema único.
Não há tradução que o defina.
Nenhuma língua o garante.
Nem a original, em que foi escrito.
Talvez, de longe, sem certeza alguma,
a língua dos anjos, suficiente.
Talvez, não afirmo.
Porque o poema tem alma
um coração que pulsa
e um sangue que escorre
goela abaixo de quem o lê.
Lê?
Não.
Poemas não são nascidos
para leitores.
Poemas são paridos
para amantes.
Declama!
09.09.2008 - 03h55min
Trabalho
Uma noite inteira escrevendo?
Ora!
Não sou eu quem escreve.
São minhas mãos que escorregam
pelo teclado e vão juntando letras
na labuta que corta a madrugada
na disputa por um espaço
nessa minha vida
que eu não sei quanto dura...
09.09.2008 - 03h48min
Mapa Mundi
Alguém do outro lado do mundo
embora não me conheça
sabe que eu existo.
Mas quem disse que eu,
no mesmo lado do mundo
em que existo
me conheço?
Poesia tem disso.
Ou talvez seja a Internet.
Descobre a alma
esconde a gente.
Descobre a gente.
Esconde tudo.
E fica o dito pelo não-dito.
De passageiros.
De subterfúgios.
De novos roteiros.
Vôos diários.
Mapa mundi.
Poesia.
Virtual?
09.09.2008 - 03h44min
Miragem
Desenho a silhueta que vejo no espelho
confronto meu rosto com o dela
e sei que não sou quem mora em mim
mas pareço muito comigo mesma
e engano os mais renomados artistas.
A farsa diária se repete ininterruptamente;
matutina construção do personagem
que eu desconheço por completo.
Não quero rimar com flores ou amores
ou palavras leves, suaves, femininas.
A mulher é aguda e grave
concentra a força e a magia
dos mistérios que deslizam
lágrimas abaixo,
saliva protegida de silêncios.
A mulher está vazia.
09.09.2008 - 03h21min
Escravidão
Escrava das linhas que escrevo
deixo-me conduzir pelo vocábulo
que soa suave nesse setembro
de madrigal madrugada.
Sou o que eu quiser ser aqui.
Sou anjo ou sagitário,
esperma fecundante,
flor pisada no asfalto,
insuportável inseto esvoaçante.
Sou literata, culta, séria.
Seria inclusive sereia
se assim desejasse.
Mas sou apenas eu mesma,
escrava dessas linhas que escrevo...
09.09.2008 - 03h
'Perambulâncias'*
Atravesso a madrugada
como quem dobra uma esquina.
Assumo forma nenhuma
quando finalmente me perco de sono.
Viajo sem nunca ter ido.
Ando sem saber porquê.
Não faço perguntas.
Detesto as respostas
sempre exatamente iguais.
O surpreendente é meu destino
e eu não sei onde ele mora
e eu não sei onde ele vive
e eu não sei se ele existe.
Enquanto isso desalinho
um horizonte certinho.
Enquanto isso todos os gatos
são pardos, são pretos,
são os gatos errados.
Enquanto isso o olfato
me engana
e eu penso ter descoberto
a América
ou a Europa
Oceania
qualquer coisa diferente
que me defina melhor
a visão do que me foge.
Enquanto isso o medo
atinge seu auge.
Enquanto isso a solidão
Ah...
a solidão...
09.09.2008 - 02h50min
*Licença poética auto-concedida
Estou
A foice me fia.
Enfraqueço.
Soluço sozinha.
Amordaço.
A faca força o açoite.
Contagio.
Respondo ao ritual da noite.
Neutralizo.
Assumo significado e significante.
Desisto.
Resisto.
Insisto.
Invisto.
Persisto.
Existo.
Sou isto.
ESTOU.
09.09.2008 - 02h30min
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Sombras de mim
Psico - A Poesia
Há que se exercer controle
sobre si mesmo
sobre as circunstâncias
sobre a insensatez
sobre a sisudez
ainda que os ritos
matematicamente impostos
não passem de rituais
castrantes das possibilidades
que se valem das manhãs ensolaradas
de um abril que nunca vem.
Há que se exercer controle
sobre as manias
que atropelam as calmas
e impõem seus próprios
alucinantes ritmos
que jamais se detêm.
Há que se exercer controle
sobre as horas malditas
que escorrem dos relógios de pulso
expostos nas vitrines
dos impulsos protegidos por alarmes
guardados dos desejos dos olhos
nos bolsos vazios de moedas furadas.
Há que se exercer controle
dos ventos dois de agosto
dos perfumes primaveris de setembro
das espalhafatosas infâncias de outubro
das presenças infames
do resto do ano invisível e infeliz.
Há que se engolir desgostos
desgastar as preces
invalidar vertigens
proteger o peito
dos entulhos desvairados
que sobre ele esvaziam
os atlas, mapas diariamente mundi.
Mundanos espaços
de estoques controlados.
Há que se controlar as loucuras
indecências
incêndios
impertinências
impotências
inaceitáveis verbos hostís
incalculáveis doçuras.
Doçuras?
Sim, há que se controlar as doçuras
e os afetos
e os infectos
e os desertos.
Há que se cultivar incertos.
Há que se distribuir desperdícios.
Há que se mesclar orações
religiões
recomeços.
Há que se exercer controle
sobre si mesmo.
Caso contrário...
08.09.2008 - 12h15min
domingo, 7 de setembro de 2008
Sem a letra
A letra desapareceu
perdida nas tralhas da vida
escorregada nos limos
das discordâncias várias
a letra sumiu
ninguém sabe
ninguém viu.
Inconformados os poetas
os literatos
os críticos
os incrédulos
não rimam
com diários
nem com nada
mais.
Nada que combine
a sílaba no espaço.
Nada que culmine
em beleza.
Nenhum ritmo
suficiente.
Nenhum laço.
Nenhum lapso.
Nenhum impertinente
pensamento.
Nenhuma orientação.
Não há Norte.
Não há morte.
Não há confusão.
Tudo na mais perfeita paz.
Harmonia artificial
sem a letra.
Sem a canção da voz.
Não há motivo
nem solução.
Hoje o sol não nasceu.
Hoje não se estendeu a mão.
Hoje falta o sentido
o significado
a razão.
A letra não apareceu.
Não houve chance de pedir perdão...
07.09.2008 - 23h58min
A esmo...
Mar
Ah, eu queria escrever-te um poema.
Descrever tuas ondas
que derrubam minhas resistências.
Todas as minhas reticências.
Eu queria escrever-te uma canção,
que cantasse teus encantos
enfeitiçasse qual canto de sereia,
na alma de quem ouvisse: invasão.
Mas a inversão de valores
te trouxe pra praia,
fez de ti um homem
grande, forte, viril, sedento de mim
sedento de ti mesmo e desses teus versos
que acompanham o vir e ir das tuas ondas.
Essas ondas que derrubam minhas resistências.
Essas tuas ondas que desembarcam
e desesperam meus obstáculos.
Os obstáculos que insisto em erguer
pra impedir teu avanço.
Essas ondas que apagam minhas interrogações
e molham minhas pernas bambas.
Essas tuas ondas que acentuam minha dança
quando explodem na praia,
ensurdecedor marulho.
Ensandecido murmúrio
aos meus ouvidos sonolentos
no início da manhã-surpresa
em que me despertas
marejando-me os olhos
marcados pelas tuas íris castanhas.
Meu Mar particular.
Eu, tua areia úmida.
Queria escrever-te um poema.
Não consegui.
Porque só sei te aMAR.
Aos 45 minutos do dia 07.09.2008
Tom
Eu quero o tom
o tom da lua
o teor da luz neon.
Eu quero o tom
da voz. Da voz madura
que se profere nas ruas
e prefere a circunstância
à cicatriz.
Eu quero o tom de azul
na minha lente
na minha camisa
na minha estante
de livros virtuais
que inda não li.
Eu quero o tom da tua
língua diferente da minha
a me dizer o que não sei
o que não aprendi.
Eu quero o tom da descoberta
do incerto, do impreciso, do indiscreto.
Eu quero o tom do que escolhi
entre tantas escolhas mal feitas
fadadas ao fracasso total,
eu quero o tom das que temi
porque tinham chance
de vingar, afinal.
Eu quero o tom da linha
de costura da minha mãe.
Eu quero o tom do saxofone
que ouvi distante,
na Praia Vermelha,
há anos atrás.
Eu quero o tom que não tive
o tom que ainda terei
o tom do dom lilás
do sorriso
que
te
dei...
07.09.2008 - 0h16min
sábado, 6 de setembro de 2008
Medidas
De tudo?
Se deixo de dizer, perco.
Se digo, esqueço.
Se exponho, experimento.
Se imponho, implemento.
Qual é a medida exata
do riso que te ofereço?
Qual é a medida exata
do interesse que te ofereço?
Qual é a medida exata
do poema que te ofereço?
Com quantos versos
se abre uma porta?
Com quantas imagens
se sonha uma sorte?
Com quantas esperas
se alcança o começo?
...
06.09.2008 - 18h
A Hora
Não acredito em coincidências.
Acredito na hora certa pra acontecer...
Seja lá o que for.
05.09.2008 - madrugada
Gotas de chuva*
Sozinhos,
os pingos são homens
que passeiam
à procura de tempestades,
nas mãos das mulheres
que deixaram de amar.
Tormentas.
Sem raios,
sem ventos,
sem dós
nem piedades.
Perdões
extrapolam as letras
e sopram obscenidades
sobre as cortinas molhadas
de grossos pingos azuis;
quedas impossíveis de impedir.
Chuvas são lágrimas
pelo que não fizeram.
Chuvas são gotas
dos que gostaram,
dos que tiveram,
dos que amaram.
Os pingos deixam de cair,
quando encontram os 'is'
e sobre eles se postam.
Aposto que teu 'i'
te aguarda n'algum canto
desta noite vazia,
sem amores...
06.09.2008 - 15h
*Comentário para o poema GOTAS DE CHUVA,
do fabuloso Jorge Fernandes
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Ainda...
Têm sono esses meus olhos risonhos.
Tem risos essa minha boca de sono.
Tem sonhos essa minha vida de passos
trôpegos pousos de vento...
O riso é meu desafio diário
que carrego debaixo do braço
para as ocasiões premeditadas
não por mim, pelas cartas marcadas
dispostas sobre uma mesa invisível
que eu não aprendi a virar.
Ainda.
Ando em zigue-zague e apronto
a refeição de sempre: poesia.
Porque meu trem já descarrila
na linha reta que se aproxima;
sem passageiros outros, além de mim.
A folha seca pelo sol
estala debaixo do meu pé.
(Ou será o sol que estala o meu pé,
sem querer?)
Conjectura infantil de quem se recusa a crescer.
As unhas se quebram.
Alguém quebrou a vidraça da loja.
Alguém quebrou o relógio da praça.
Alguém não quer que as coisas durem.
Dura é a partilha da dor.
Parto a laranja ao meio
e como as duas metades.
Medo é arrependimento antecipado.
O concurso ainda não mandou o resultado.
O paralelo é só o outro lado da mesma coisa.
O sufoco é só mais um jeito de mentir.
O poema ainda não calou o monstro.
Ainda.
(Alguém mora em mim...)
05.09.2008 - 01h28min
Delírio
Há canções nos sons dos passos
que passeiam pela escuridão
coberta de estrelas apagadas agora.
Observa...
São trilhões de astros quietos
que povoam teu universo.
ACORDA!
Sacrifica a preguiça do topo da montanha.
Exorcisa os demônios das luas
nas espadas de Jorges e samurais
escondidos debaixo dos abajures
da tua sala de estar nua.
Estejas nua quando o ponteiro chegar
na hora marcada pelo destino.
Os astros rastreiam as pegadas
dos grandes pensadores
que antecederam os anônimos
criadores de pseudônimos cruéis.
Cospe a centelha de cem lâminas
sobre as cortinas de fumaça
que despistam as ganas que te arrastam
para os caminhos que não pensaste trilhar.
Evita o abandono, o desabafo, a partilha.
Guarda teus segredos sem pudor algum.
Esconde os pensamentos que não juraste
diante do santo mumificado
que te obrigaram a ter no altar.
Abriga teus sonhos em panos quentes.
Assume tua luz apagada.
Acende a estrela cadente.
Ascende pra longe daqui.
Recupera.
05.09.2008 - 01h06min
Mas, afinal...
Mas o que é o tempo?
Maldição, talvez.
Bênção, perdição, qualquer coisa
que leve um til sobre um A;
qualquer coisa que rime com 'não'?
Quem terá as respostas
que insistem em ser perguntas
e, sobrepostas, são escadas
que não levam a lugar nenhum?
Mas o que é o vento?
Não admito a comodidade
do ar em movimento,
como se a carícia em meus cabelos
não passasse de um capricho
da natureza, dos deuses, das minhas fantasias.
Mas o que é o que sinto?
Exagero de um dia, talvez de um minuto,
quiçá de uma vida inteira,
mas sempre exagero,
sempre superlativa essa cadência
cá dentro do peito.
Mas o que é o futuro?
Mas o que é o presente?
Mas o que é a falta?
Essa falta que me consome a alma
e atormenta a mente?
Mas o que é esse excesso?
Essa necessidade de explodir
em brilhantes cores desiguais?
Mas o que é o porém
que impede-me o adiante
e castra a partida já preparada antes?
Mas o que é essa asa quebrada
sem gesso sem estrada sem esteio
sem mais nada além dela mesma
pela metade?
Mas o que é a palavra
insuficiente caminho por onde enveredo
meus desaforos.
Por onde desafogo minhas mágoas
disfarçadas de versos e poesia leve?
Mas o que há de novo, afinal?
Mas o que há para se recompor, afinal?
Mas o que há dentro do sol, afinal?
Mas qual será o final?
Mas há final?
Finada...
Aos 47min do dia 05/09/2008
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Quem eu sou
.
Alguém que vive aqui
perto ou longe de ti
com ou sem fuso horário
não importa.
Sou alguém que se importa,
que sente saudade,
que chora à toa,
que ri por bons motivos,
que dorme, às vezes,
mas tem sono o tempo todo.
Sou alguém que ama
mas esperneia
e incendeia as próprias crinas.
Crio meus problemas
e não lembro onde larguei o guia.
Não tenho manual de instruções
nem imponho condições
pra ser quem sou.
Mas sou. Estou. Vou.
Vôo adiante como se a liberdade
me fosse característica.
Mas sou.
Alguém que vive aqui,
sem fuso, sem fiar, sem cruz.
Alguém que vive aqui,
sem horário comum
ou palavras que combinem
entre si. Bobagens.
Brutamontes.
Brutas mentes.
Eu vôo.
Suo.
Sou.
04.09.2008 - 03h20min
.
Miss you
My name
Your name
Our dreams
Morpheu listen our voices?
Or
Our voices don't say
Don't speak other words
Across "I miss you, darling"?
(one short poem above all for you, my dear... kisses... and... Iyi geceler)
04.09.2008 - 02h40min
*For Átilla
**O inglês pode até estar ruim,
mas a idéia é tão bonitinha...
quase infantil....rs...
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Setembro II
Setembro
O diferente me atrai
mas não me prende.
A segurança se atrela
à minha pele. Permanece.Tensa.
É o constane que fica.
A mudança é só um vão
na silenciosa hora inesperada.
Salada gelada de exóticas frutas frescas
em dia de sol escaldantemente desértico.
Devoro o instante que me abre
as possibilidades que eu aposto ter.
É temeroso enfrentar o perigo
e eu não me dou conta dos riscos
que riscam círculos em volta do meu riso.
Brindo à vida com água,
nessa clara manhã,
anúncio de Primavera.
As flores abrem as portas
dos orvalhos mágicos
precioso pólen renovado.
Um diferente, que vem igual,
ou um igual que se apresente diferente?
Setembro.
Outras formas.
Outra vez.
02.09.2008 - 14h08min
Um conto... poeticamente romântico
Introspectar-se.
Contar um romance poético.
Poetizar um conto romântico.
Romancear uma poesia contada.
En-cantar.
02.09.2008 - 13h50min
Mestre*
É oportuna a tua idade.
São maníacos os mornos que esperam por ti.
Os bons ventos não trazem notícias,
trazem apenas movimentos,
que a gente transforma no que quiser,
no que puder, no que possuir.
Os muros dividem lotes.
E a lotação vem abarrotada de suores.
O suor do teu trabalho é mais forte
que a peçonha dos que se enroscam
entre as pedras vazias do chão que já pisaste.
O sucesso te aguarda logo ali,
depois da curva.
A mesma curva por onde desapareceram
os medos dos que arriscaram.
Vai.
E cá estou eu,
de novo,
embriagada com os versos
do maestro Segundinho.
Saturada da beleza de tuas letras.
Ressaca?
Não sei se perfeição produz ressaca.
Parece que sim.
Doem-me as têmporas.
Dói-me o peito,
como se teus versos fossem chagas
a me consumir. Não, isso não é ruim.
Não é um destruir.
É um corroer.
O que todo poema deveria provocar no leitor.
O corroer d'algo doente que habita na gente,
e que tem que morrer.
Poema-remédio.
Poema-dor.
Doem-me os olhos,
que lutam pra não deixar rolar a lágrima
que teima em sair deles.
Talvez ela também queira fazer parte do poema.
Ou roubar-lhe um pouco da força que há nele.
Quem pode saber?
Eu não sei.
Eu não sei de nada, quando quedo aqui,
e admiro a obra do maestro/mestre Segundinho.
E curvo-me, em reverência, antes de agradecer.
02.08.2008 - 0h40min
*Comentário para ASA DE COBRA e VERSOS AVESSOS
do Grande Glauco César II
Genialidade e L o u c u r a
Meu médico, pra me consolar, apresentou-me uma lista enorme de gênios-loucos. Piorou a situação. Eu não sou gênio... então...
Aos 21 minutos do dia 02.09.2008
Perda
Perdi a fita métrica,
daí meus versos desorganizados
completamente.
Perdi a cabeça na guilhotina da esquina,
daí essa minha tontura repentina
como se eu não soubesse pr'onde ir.
Perdi minha caneta preferida
e não consigo escrever no teclado
NO teclado, não COM o teclado
isso mesmo, foi assim que eu entendi.
Perdi o último ônibus para o hospital mais próximo.
Preciso de internação urgente
antes que o próximo delírio
me leve ao aeroporto
e eu embarque nas asas de um avião
para o Rio de Janeiro.
Só pra ver o Mar.
Perdi a noção do perigo.
Perdi alguma coisa que não identifico.
Perdi a pontuação do poema
ou no poema
ou por causa do poema.
Mas sei que a culpa é do poema.
De quem mais poderia ser?
Aos 15 minutos do dia 02.09.2008
Pânico
E eu, que fiz versos dessa minha insanidade...
E eu, que sou duas. Uma pura alegria
outra derramada em tristezas várias.
E eu, que me pensei concreta, sou delírio.
A lucidez abandonada no banco da praça.
A insensatez morando entre as paredes
da minha cabeça.
E eu, que me pensei segura,
sou desatino.
E eu, que me pensei sabida,
vôo perdida dentro de mim mesma.
E eu, que me pensei paixão,
sou confusão. E mais nada.
Agora é aceitar o distúrbio
e buscar informação.
Sentirei falta das alucinações,
da companhia dos que não existem de fato,
das vozes sem bocas,
dos rostos sem corpos,
dos corpos sem precisão.
Sentirei falta.
Mas isso também é sentir...
E eu, que me pensei eternamente sozinha,
não estarei...
Embora sem cura, o controle existe.
Eu vencerei.
01.09.2008 - 23h50min
(O dia D)
domingo, 31 de agosto de 2008
Gira-mundo...
Nada gira e ao mesmo tempo tudo volta.
Será porque o mundo é redondo
- se é que é redondo mesmo... -,
que a gente tem essa impressão
de gira(sol)?
30.08.2008
*Comentário para a frase AGORA EU FIQUEI EM DÚVIDA...
do incomparável MSanttos
sábado, 30 de agosto de 2008
Evet
Tenho sentido asas nas minhas raízes.
Na borra do kahve li meu desvio;
desvario no cheiro de koyu çay
enquanto rolo entre meus dedos
um boncuk nazar, de vidro.
Divido minhas sensações
as reprimendas se multiplicam
as soluções já não são.
Lá se vão as horas aflitas
na busca da palavra exata que defina
o que se quer dizer, sem voltas.
Arrisco?
Evet?
Hayir?
30.08.2008 - 23h55min
No fim da história...
... a gente precisa do começo...
30.08.2008 - madrugada
(...conversando com Adrebal)
Prisão
... talvez seja um conjunto de coisas que nos aprisionam...
O tempo, sim,
o medo, sim,
o dinheiro, sim,
a insegurança, sim,
as raízes,
a acomodação,
o sossego,
os outros,
a gente mesmo...
enfim.
Há que se lutar contra tudo isso
caso contrário
a prisão nossas pernas quebrará
vendará nossos olhos
venderá nossos trocados
varrerá pra longe de nós
a ousadia necessária
pra viver...
E eu tenho tanto medo, às vezes...
de estar só
mas eu SOU só
nem o medo me acompanha
nem a mim, nem a ninguém.
Somos todos sós;
e temer é quase
condição sine qua non
pra sobreviver...
Mas eu não quero estar só
mas eu não quero sobreviver
mas eu não quero sub-viver
mas eu não quero sofrer
mas eu só quero VIVER!
... meus olhos usam óculos...
e eu não sei o que sentir...
e eu não sei o que vou ver...
30.08.2008 - 18h
I believe I can fly!
Tenho asas cor de céu
e as alturas conheço bem.
Tenho íris cor de mel
espero a chuva, vou além...
O horizonte alcanço fácil
transito entre nuvens
algodão doce, colorido,
despido de intervalos
ou tempestades.
Vôo.
Conquisto o infinito
nos teus braços
de proteção.
Vôo.
Estreito o abraço
domino o véu
comprimo o laço
espanto o fel...
30.08.2008 - 16h55min
Enquanto espero...
... enquanto espero
... escrevo enquanto espero
... enquanto escrevo, também espero
... espero, e, por enquanto, escrevo
... escrevo pra esperar ou espero pra escrever?
talvez eu goste mesmo é da espera...
talvez eu espere a palavra certa
pingar na minha veia
... e isso é só mais um poema
perdido no meio da minha espera...
30.08.2008 - Madrugada de espera... Mais uma...
Descoberta
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Prefixo...
Desafinamos nessa nossa canção
desafiamos o entendimento?
desentendemos o desafio?
desfiamos a meta primeira?
Talvez só tenhamos desorganizado
a desordenada chama que nos impele
o próximo passo.
O próximo passo. Haverá?
28.08.2008 - 23h
Adeus*
Despedidas são dores.
Adeus tem gosto de sal.
E o sol se esconde,
pra chorar lágrimas quentes,
nesse anúncio de primavera descolorida.
As flores demoram mais pra abrir
e o brilho da vida parece perder
um pouco da intensidade.
Adeus tem gosto de saudade,
tem um quê que não se sabe
se é de barro ou perfume suave.
Despedidas são cores em tom pastel.
Liláses, talvez?
Talvez...
Ou quase...
Mas tudo,
subitamente,
tem gosto de sal...
de sol...
de solidão...
28.08.2008 - 14h28min
*Comentário para o poema ADEUS, de Ibrahim Zukr
Segundinho
Shhhhhhh...
Não diz, não.
Encontrar não é a solução.
Esconder é precioso.
Espreitar a cura pela poesia,
pela beleza do teu verso tratado a pão de ló,
ou de dó,
ré,
mi,
sei lá...
o FÁto só(l) se revela
no interesse da busca,
não na busca em SI.
Canta,
poeta,
que eu quero ouvir...
*Comentário para o poema TIMBRE, do maestro Segundinho
27.08.2008 - 01h21min
Eterno, enquanto dure
E a duração é eterna
se a eternidade for a medida
das ternuras que te aguardam.
Terno é o aconchego da madrugada.
Ternos são teus versos que me assombram
e não se despedem deveras....
Que seja eterno, infinito, grandiloquente,
o laço que te prende e que te solta
enquanto esperas, enquanto pressentes,
enquanto destacas a farsa ouvida como verdade:
"Que seja eterno, enquanto dure".
Pois que dure toda uma eternidade.
Nossa mais terna eternidade...
28.08.2008 - 14h15min
Saudosismo*
Dista.
Bem dito o que dista
distância que não dita
distúrbio de ausência.
Diz tu dessa tal saudade
que saúda a idade
que desdiz a crença
de que a distância tudo muda
de que emudece a confiança
de que insandece justo o que dista.
Dita a distância
nos dedos da saudade...
Bem dita
saudade
que saúda a bonança...
28.08.2008 - 01h20min
*Comentário para o texto SAUDOSISMO,
de GitanoAndaluz (Valeu, Gitano, obrigada pelo mote... Bjs)
Átilla
Nome de deus grego
riso de bom menino
cultura que desconheço
distância que nem imagino.
Pra que lado fica a Turquia?
Quantos quilômetros pra chegar?
Quantas xícaras de chá até lá?
E a fábrica maquina o laço
da inusitada amizade
nascida nessa tal globalização.
Tu me vês tão louca
'You are crazy'
eu te vejo tão lindo
toda frase é pouca
todo 'evet' vindo.
Have a nice day.
Masaallah!
Kisses for you, my friend!
28.08.2008 - 0h15min
terça-feira, 26 de agosto de 2008
Decisão
Aboli os saltos altos.
Doei meus sapatos.
Optei pelo conforto.
O próximo passo?
As peças íntimas.
Depois?
Despirei as vestes todas,
mudarei para uma colônia naturista.
SEREI-a...
(Vem comigo?)
26.08.2008 - 16h
De mãos dadas
Desconto a falta do ponto final
no texto que jamais escreverei.
Essa ruga que me corta a testa
há anos colou em mim.
Antes que eu me dê conta,
uma vírgula tropeçará na linha das horas.
E eu já não serei mais eu...
Nenhuma oração impede o destino.
Imponho minhas escolhas
como se as tivesse, de fato.
Afasto a mudez da transcendência
e reconheço, em certo grau, inda ser menina.
Quero colo. Tenho colo pra oferecer.
Avalio as conclusões da primeira quarentena
e descubro ter alcançado mais do que desejei.
As rimas pobres me atraem
as miseráveis me apaixonam.
Quero todas as escadarias na minha casa
degraus pra onde não sei
degradês de versos tolos
que vertem dos vôos que não fiz.
Que jamais farei.
Milagre é a minha caneta riscar sabores
nessa página manchada de tinta incolor.
Acomodo as pernas sobre a cadeira
e faço deste o meu mundo,
longe dos tapetes persas e dos moribundos
marimbondos e suas vespas.
Decido que minha trilha sonora diária
será essa tua voz de música.
Não amasso o pão já amassado da noite;
compro drops de hortelã e não chupo nenhum
é o teu gosto que eu procuro
no barulho das ruas do centro da cidade que borbulha.
Poesia é desabafo de paixão.
Assombração que persegue a ciência que nos confunde.
Não quero verdades inexistentes.
Não quero a morte disfarçada de erudição,
muito menos de fidelidade fingida.
Prefiro um 'nóis vai sê vencedô'
enquanto tiro o corpo da roupa
e banho a pele despida de pêlos.
Sou raíz exposta às intempéries
e todas as possibilidades
me são prováveis.
Ou não...
Ou não...
26.08.2008 - 15h02min
Êxito
A sala vazia aguarda um movimento
que o ponteiro do relógio trará.
Alimento a corda que passa tique-taqueando
devagar.
Espalho estudos de nada no vácuo escuro.
Recuo.
Encontro facas pelo caminho
e as perguntas não satisfazem
as respostas que canso de garimpar
mas que não espero descobrir.
Experimento uma pitada de sal
na ponta da língua do dia.
Explico quase tudo o que não entendo
e escrevo versos na tentativa frustrada de fuga.
Evito.
Tenho vontade de capa de chuva e paraglider.
Essa minha vitalidade é quase uma afronta
à miséria econômica da minha conta bancária negativa.
Hesito.
Nego minhas vestes poéticas
e espreito teus pontos fracos
pra ver se te alcanço
no alto das tuas dores.
Não apago as cores que te continuam
conto nos dedos as vezes que não te quis
e brinco de amnésia. A mesmice me apavora.
As pontas das estrelas circulares
alcançam o céu da tua boca
e é lá que vou colher meu descanso.
26.08.2008 -14h24min
Identificação
Estendo esteiras nas estreitas vias
da minh'alma vazia de estorvos.
Uma canção me persegue, implacável
embala meus passos na valsa da espera.
Diminuo as sombras das árvores
dispostas em círculos que ladeiam os prados
abertos de raios de luz.
Declaro suficiente essa minha poesia
para os corpos perdidos na multidão.
As madrugadas cobrem-me as carências.
Encaro de peito abero as tuas fugas
transparentes afirmações desse teu medo-menino
que devora as entranhas da coragem que não tens.
Dispenso os nomes das coisas
teu calor derrete meu gelo
e eu não sei o que esperar da tua volta
na tua volta
quando ela vier. Talvez.
Não estanco o fluxo da vida
enquanto os clássicos me fazem companhia.
Desconheço o que motiva as lágrimas
do solitário violeiro, no banco da praça vazia. Mas
intuo os meus próprios motivos
as razões das alegorias que invento
e que disfarçam essa falta que sinto de ti
que secam essa minha lágrima
que também queria cair...
26.08.2008 - 14h03min
Um bom amor
Um bombom.
Um amor.
Um bom humor.
Quem sabe um Ouro Branco. Nada! Quiçá um Amor Carioca. Amor Gaúcho. Amor Paulista. Amor é sempre amor, seja embrulhado em papel celofane, seja derretido sorvete de fábrica, ou artesanal...
Uni-versal... Um bombom. Um amor. Um bom humor amoroso. Um humor, amoroso e bom. Um bom amor. Um mar de amor. Amar. Ah... o Mar... Ah... o Amor... 26.08.2008 - 01h
Ser e estar
SER é diferente de ESTAR. Evito ESTAR do mesmo jeito, por muito tempo. Prefiro SER sempre, com pequenas variações. Meu SER inunda meus ESTARES.
Agosto/2008
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Sereia
Serei sereia
de seios desnudos
e voz suave
pra te encantar.
Cantarei mágicos acordes
direi de aventuras suaves
soprarei maravilhas profanas
aos teus pêlos masculinos
que roçam e arrastam minhas unhas
atravessam a heresia de endeusar-te
enlouquecem a primazia de querer-te.
Serei sereia
de seios desnudos
e voz suave
pra te encantar.
25.08.2008 - 04h
Irmãs
Elas nascem na concepção,
quando a idéia do SER
não passa ainda de uma promessa vazia.
Gêmeas, andam de mãos dadas
e talvez um dia descubramos
que são idênticas, talvez siamesas,
ainda que uma, desde sempre,
soe barulhenta, exigente, risonha, agitada,
e a outra quieta,
fazendo a sua parte sem ser descoberta,
silenciosamente.
Competência é uma arte...
Não se separam nunca.
Não são contrárias
nem se concordam.
Mas são várias.
As duas.
Apenas as duas:
Vida e Morte são elas.
24.08.2008 - 14h
Consolo
Quando um amigo passa por um período difícil,
normalmente não encontro palavras de consolo,
mas sempre ofereço um abraço ou uma lágrima
pra derramar junto.
Amigos nem sempre precisam de palavras.
Palavras nem sempre precisam de letras.
E às vezes são perfeitamente dispensáveis.
Mas um abraço sincero pode valer por um Tratado.
24.08.2008 - 15h30min
Dela, a morte
Ninguém sabe o que ela é
se é homem, se é mulher,
entidade, conceito, monstro.
Ninguém a viu de fato
e voltou pra relatar,
exceto Lázaro e Cristo,
que estiveram pelas bandas de lá.
Alguns morrem em vida
essa, talvez, a morte mais dolorida;
extinção do brilho do olhar,
escravidão que se escreve no ar
na ausência de motivos pra sonhar.
Nem rei, nem mendigo errante
basta ser humano, pra um dia acabar
entre velas, lágrimas e flores,
lamentos, dor e saudades
de amigos, família e amores
(e jamais se volta, pra contar).
Alguns juram que há luz no fim do túnel
que vem dos queridos,
que vêm te encontrar
(eu, porém, disso duvido).
Para outros há trevas, delírios e martírios
gritos medonhos de gargantas mudas.
Muitos fantasiam anjos e festa no céu
- permanente festa e alegria -
pelos que voltam pra lá,
depois de nascer um dia.
Outros ainda se agarram às Escrituras
e crêem num sonho eterno
- eterno, até a volta do Messias -
(morre-se, então, um pouco,
ao dormir, todos os dias...).
Mas o mistério continua
e nada há que se confirme:
se morro de tiro nas ruas,
tortura, derrame, vício, distúrbio, alergia,
se a vida se esvai de minhas veias
da noite para o dia.
"Nasce o Sol e não dura mais que um dia"*
o fato é esse, incontestável e único: ela vem.
E sempre é cedo.
Não importa se são meses,
não importa se cem anos.
É sempre cedo.
A gente sempre não queria.
Pois ela não nos ronda nem nos cerca.
Mora em nós.
Alimenta-se dos nossos dias.
Não mede forças co'a vida
nem dela é inimiga ou antagonista.
Apenas protagoniza a pior das horas
de todos os que ficam
e assistem os que se vão:
as despedidas...
24.08.2008 - madrugada*Verso de Gregório de Matos
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
Anéis
Os anéis dos dedos
ou os de Saturno
talvez os anais
da minha História
talvez os anais
do meu futuro
talvez as angústias
anéis anais
peremptórias percepções
cabais.
22.08.2008 - 15h
Invasão
Invado teu corpo
com fome de força
e
v i r i l i d a d e.
Nasço das tuas palavras
das entranhas dos teus verbos
i r g l r s
r e u a e
das entradas das tuas portas
reentrâncias de partes dos sabores
irrestritos
irrigados
rompantes de reconhecidos suspiros.
Relativas são as alturas
dos teus motivos todos
tola insegurança
cercada de amares
por todos os teus lados.
Invades meu corpo
de desenhos feitos a mão
nos contornos dos teus pêlos
a
r
r
e
p
i
a
d
o
s
.
Não são bastantes as palavras
que transbordam dos meus olhos
nem suficientes as energias
que transportam os meus óleos
que te inauguram
inundam teus poços
incendeiam teus poros
polarizam teus sensos.
INCENDEIAM-ME
AS HORAS
AS HONRAS
DA CASA
!
22.08.2008 - 14h
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Re-conhecer
Espalho meus olhos
nos raios de um sol fraco.
A multidão absorve os passos
que desviam da rota inicial.
Segmentos escurecidos
de pedaços de luzes distintas
no cimo das montanhas gigantes.
Concorro ao prêmio da vista
que se esvai no conjunto
dos desejos escondidos
entre três vocábulos curtos:
pare - olhe - escute.
Inadvertidamente não páro
e não ouço nada além
do teu suspiro profundo.
Não nego meu engasgo
esgaço um sorriso nu
enquanto deliro sozinha.
Acomete-me uma saudade imensa.
Saudade de mim
dentro de ti
e dessa tua saliva
que reconheço minha.
. . .
20.08.2008 - 16h55min
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
A gosto*
Há poemas nascendo das mãos do gênio.
Silêncio...
Não pouse uma mosca sequer
no fim desse mês de conquistas.
Um artista pressente a primavera,
presente de frutas e flores
e cantigas de ninar os dissabores
e fazer nascer outros, talvez maiores.
Quem se importa?
A poesia, de qualquer forma,
de um jeito ou de outro,
pelo sim ou pelo não,
com dor ou prazer,
brota.
E se o broto sangra deveras,
e se o feto vem preso ao cordão da vida,
que te baste o avermelhado
que escorre folha abaixo.
Vermelho-vivo-de-vida-pulsante-no-tronco-do-artista-que-vai-adiante-vaia-a-avenida-deserta-empresta-o-sal-da-testa-pra-adocicar-o-dia-exausto-de-luz-da-luz-da-tua-poesia...
20.08.2008 - 14h16min
*Comentário para o poema GRACEJOS AGOSTOS, do admirável Glauco César II
Nada cabe no poema*
Tudo cabe num poema.
Tudo transborda de um poema.
Tudo vive num poema.
Tudo lateja num poema.
O meu amor.
O teu amor.
O ódio.
A guerra.
A dor.
Tudo transita num poema
feito carne crua, cicatriz exposta
e purulenta dessa nossa alma
desnuda e descabidamente exausta de mentiras.
Tudo cabe num poema.
Minha lágrima.
Teu riso.
Minha crença.
Teu descaso.
Minha estética.
Teu desânimo.
Minha desesperança.
Teu sustento.
Minha desarmonia.
Teu amparo.
Tua valia.
Teu carisma.
Teu medo.
Tua cara.
Minha cara.
Meu medo.
Meu desânimo.
Meu descaso.
Meu riso.
Meu pranto.
O prato vazio do mendigo da esquina.
Cabe nesse meu poema
O GRITO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
20.08.2008 - Madrugada*Comentário deixado no poema NADA CABE NO POEMA, do grande Jorge Fernandes
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Ser ambiente
Semente em Ser fértil plantada
menino faceiro com sede orvalhada
de vida verde a ladrilhar-lhe a estrada.
Quem te vê assim livre
a correr nos prados que te cercam
não sabe do árduo caminho trilhado.
Foram anos a te anteceder
de carinho, cuidado e atenção.
Rios, cachoeiras, vales,
solitários trabalhos de educadores
que acreditaram num mundo melhor
pra te oferecer.
Teus pés pequenos de passos largos
estreitam a distância de um ontem
que não viste morrer.
É com educação que se salva a hera,
a mata, o pássaro, o ar, a vida,
o riso que agora ris
em alto e bom som
e ecoa no meio
e ecoa na veia
e ecoa na lágrima
que rola estreita no rosto
de quem já tinha perdido a esperança
morta de sede, no longo estio.
Semente em Ser fértil plantada
é certeza de frondosa sombra
inda que muitos desistam
inda que muitos duvidem
inda que muitos se omitam.
Escuta, olha, agradece
e passa adiante
a lição do menino simples:
semente em Ser fértil plantada
nasce na educação e vida garante.
Não precisa mais nada.
19.08.2008/ para Eliane Aver, cunhada querida
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Coragem
Recolhe os trapos e acende a fogueira.
Dança. Espanta os covardes, as lanças,
as lideranças das desmedidas selvagens.
Escorre o óleo da fruta silvestre
e sorve a água da vida nascida da terra.
Rompe as correntes e te fortalece.
É assim que são os valentes.
ERGUE-TE!
15.08.2008 - 0h54min
Da alegria
...e o mundo parece que paralisa, e o absoluto parece que se
materializa assim, feito semente de uma manhã bem disposta,
quando o olhar do outro é tudo de que se precisa pra ser feliz.
Comentário para o texto AH! MENINA..., de Marcos Olli
Agosto/2008
Encontro
Perdi o sono na curva do teu pescoço,
embriagada do teu sumo,
do leite oferecido em taça de carne e gemido.
Perdi a noção da hora, da vergonha, do medo,
frustrada tentativa de encontro comigo mesma.
Mas eu não estava ali,
eu morava no teu eu.
Era em ti o meu abrigo.
Em ti o meu pulsar.
Aí o meu perigo.
Perdi a linha do horizonte no novelo da vida,
encantada profecia bendita, que traz de volta
o desalinho, o caos, o ferro, a força, o canto
teu acalanto que me aguarda na paciência
dos dias, dos sóis, dos mundos veementes
ausentes de todas as circunstâncias presentes
e das passadas e das futuras, quiçá das inexistentes.
Perdi a alma na curva do caminho percorrido
recolhida por ti, andarilho descalço, nos trapos
dessa tua poesia sem pé, sem cabeça, sem sentença
que te faça igual. És único, portanto.
És diferente.
És imortal.
És.
Foi em ti que me perdi.
Queres saber quem eu sou?
Procura por ti...
15.08.2008 - 01h15min
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Brisa do mar
Sentindo tua falta, adormeci.
Descansam os olhos, grita o corpo.
Meus sonhos povoados de beijos.
Ensandeci.
Apaixono meus mais primitivos instintos
sou fera, sedenta desse teu calor
das brasas que aquecem minha branca tez
das brisas que me ascendem ao teu furor.
Agosto/2008
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Da genialidade*
Gênios são depressivos lamentos.
Gênios são orvalhos disfarçados em lágrimas.
Gênios não têm tempo para espelhos,
por isso não se sabem.
Nem se confiam.
Agosto/2008
*Para o gênio 'Segundinho'
Toda tua
Ele quis que eu dissesse que sou toda dele.
Absurdo extremo! Como poderia ser de outro,
se ele guarda, nos olhos, meus dois corações?
Agosto/2008
Nós, psicografados por mim*
Atropelam-me as frases que deposito no papel amarelado
são tantas, são brancas, são disformes
as formas que assumem as palavras impressas.
Não me interessa.
Minha mão desenha sozinha o desabafo da alma.
Acalmam-se minhas fervuras no movimento
intenso da escrita ligeira, que não posso conter.
Sou tomada inteira pela força que tensiona a vida
que me habita, que me atormenta, que regurgita
as visões que quero absorver.
Absolvo-me do crime de dizer o que me vai por dentro,
de abster-me de calar a força que guardo em mim,
o absurdo da imperfeição, em vocábulos acesos
pela luz de uma vela distante.
A vela da tua voz que me sopra uma verdade qualquer.
A tua verdade que faço minha,
na psicografia dessa única história
que é feita de nós.
*Segundo a Wikipédia: "Psicografia (do grego, escrita da mente ou da alma), segundo o vocabulário espírita, é a capacidade atribuída a certos médiuns de escrever mensagens ditadas por Espíritos".http://pt.wikipedia.org/wiki/Psicografia
*Escrito depois de uma conversa com Marcelo, sobre como se dá o processo de criação, no nosso caso.
Agosto/2008
Contrapartida
Engulo o verso concreto
envolto nas cartas de um baralho mudo.
Emudeço
diante da imprecisão louca
da previsão de uma cartomante cega.
Tateio
meu ventre à procura do útero
que carrega teu filho.
Sou grito,
num parto sem partitura.
Comentário para o poema CONTIDA CORTINA, de meu querido amigo, o genial Glauco César II
Agosto 2008
Pra quê?
Pra quê tanta lâmpada.
Pra quê tanta gente.
Pra quê tanto mundo, meu Deus?
Quero velas que me animem,
gente de menos pra iluminar
essa minha solidão errante
porque tem um mundo imenso lá fora,
que clama por mim,
exige-me a presença,
vampiro desse meu desejo
de nutrir a sanha
que me ferve n'alma quente.
Pra quê tanto suspiro,
se a madrugada embrulha o dia
e faz da lua um sol distante?
Pra quê tanta distância.
Pra quê tanta cobiça.
Pra quê tanto suor
se meus poros choram um sono perdido
e migram,
perdidos também eles,
sem direção alguma?
Pra quê tanta poesia.
Pra quê tanta inspiração.
Pra quê toda essa prosa, meu Deus?
Talvez pra acender uma única lâmpada,
para um único representante de toda a gente,
nesse meu mundinho particular:
VOCÊ.
Comentário para o poema O MUNDO LÁ FORA, do admirável poetaJorge Fernandes
agosto 2008
Caminho para o começo
Andei por esse caminho
e perdi-me nos versos
cantados pelo poeta peregrino.
Cantei canções de sonhos
e embalei palavras
de ninar monstros.
Pintei os fios das calçadas
dos verbos que dirigiam-me os passos
rumo ao epílogo.
O epílogo é o fim
do fim do fim do fim do fim do fim...
do começo...
O epílogo é o prelúdio.
O previsto é o preciso.
O proposto é a partida.
O começo do fim.
O fim
do fim
do fim
do fim
do fim
do fim
do fim
do fim
do sim
.
.
.
Comentário para o texto O CAMINHO DA POESIA, de Jorge Fernandes
De versos e de amor
...ou um verso vermelho de amor.
Ou um verso suado de amor.
Ou um verso choroso de amor.
Agora só falta um verso.
Um único verso de amor,
tenha ele a forma que for.
Um único verso piegas.
Um único verso que repita
o mesmo dito século após século.
Não importa.
É noite.
Poesia e madrugada fazem amor.
Esperemos, então, pacientes,
o próximo verso...
de amor...
sempre de amor...
Comentário para o texto A NOITE E A POESIA, do magnífico Jorge Fernandes
terça-feira, 12 de agosto de 2008
ESCREVER*
Eu queria escrever uma única palavra
aquela que me apontasse a direção
para onde todas as outras fugiram.
Eu queria um travesseiro de letras
uma sopa de letras, uma roupa de letras,
cobertor de desatinos,
pra quando eu finalmente enlouquecer.
Eu queria a vírgula na hora exata,
que o ponto final só me encontrasse no fim,
que os parênteses fossem parentes distantes,
bem distantes de mim...
Eu queria fazer do meu texto o ombro que eu preciso
pra descansar minhas dores, meus medos,
todas as caixinhas onde escondo
as partes várias dessa minha solidão.
Eu queria um esconderijo, uma concha,
um abrigo, um lugar quentinho
onde pousar minhas mãos cansadas
de desenhar frases desconexas,
de desgrenhar versos infames,
de tentar agarrar uma luz em meio ao caos.
Eu queria tudo isso de uma vez só,
de um gole só,
de um susto só,
de um abraço só...
Eu queria...
Só...
12.08.2008 - 0h
*Para o mar, que queria criar. Só...
Assinar:
Postagens (Atom)






